quinta-feira, novembro 26, 2020

    Mulher Negra

    Ana Lúcia Martins é a primeira vereadora negra eleita em Joinville (Foto: Facebook/Reprodução)

    Campanha de apoio nacional e internacional pela vida da professora e vereadora eleita Ana Lúcia Martins

    Desde o dia 15 de novembro, ainda antes do resultado das eleições municipais em Joinville (SC), a professora Ana Lúcia Martins (PT), a primeira mulher negra eleita vereadora na história da cidade, vêm sofrendo diversos ataques, como o hackeamento de suas redes sociais, comentários racistas e ameaças de morte. Logo no dia seguinte à sua eleição, um radialista de Joinville atacou Ana Lúcia Martins, afirmando que não poderia “comemorar uma petista no poder novamente” e que o seu partido “não deveria existir mais”. Naquele mesmo dia, no Twitter, um perfil respondia com ameaças os apoiadores que comemoravam a eleição de Ana Lúcia. Numa das mensagens, o criminoso escreveu o seguinte: “OS FASCISTAS MANDARAM AVISAR QUE ELA QUE SE CUIDE". Em outra, o autor das ameaças disse: "agora só falta a gente m4t4r el4 e entrar o suplente que é branco (sic)". No perfil do racista, havia outras mensagens de ódio...

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    Brenda Aparecida Azevedo Vieira dos Santos (Arquivo Pessoal)

    Meu lugar de fala

    Me gritaram: negra! e muitos falaram que não, que era parda. Me gritaram: negra! e alisaram o meu cabelo. quanto mais liso, mais aceita. aí é só não usar vermelho e não ser escandalosa igual preto. Me gritaram: negra! alguns falaram que eu nem não sou tão preta. me gritaram: negra! E esconderam toda minha história Me gritaram: negra! E eu chorei, porque queria ser parda. Porque mesmo tendo 132 anos de abolição me sinto escrava, padronizada, estereotipada e hipersexualidade ? Porque a carne mais barata, sempre é a minha carne negra? Porque esconderam nossa história? Aprendi sobre o nosso ouro, nossos antepassados, sobre nossas lutas, E que não teve compaixão Mas sempre existiu Dandaras! em contrapartida, muitos morrem sendo capitão do mato. Não sou feia, não sou estranha Não sou morena, não sou parda. Somos livres por Zacimba Gaba! Não tentem apagar os fatos! desvalorizam nossa cor mas gostam...

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    A filósofa e educadora Sueli Carneiro (Foto: Marcus Steinmayer)

    Mulheres negras e poder: um novo ensaio sobre as vitórias

    Em respeito às mais velhas, peço licença, agradeço e me pergunto: por onde andavam todos vocês, que não estavam lendo e ouvindo Sueli Carneiro? Em 2009, Sueli Carneiro (filósofa, escritora e ativista) escreveu um ensaio intitulado “Mulheres negras e poder: Um ensaio sobre a ausência”, afirmando que, infelizmente, a relação entre as mulheres negras e o poder era inexistente. Sueli não tratava apenas da ausência pela baixa representação, falava sobre aquelas mulheres negras que, mesmo presentes na institucionalidade, foram interrompidas por questões advindas da das discriminações de raça e de gênero. As políticas Matilde Ribeiro (Ex-ministra da SEPPIR) e Benedita da Silva (Ex-governadora, atual deputada federal, que também disputou a prefeitura do Rio, ficando em quarto lugar), estavam entre elas. Na descrição cirúrgica dos episódios, Sueli Carneiro tratou em seu texto sobre a violência política de gênero e raça sofrida por essas mulheres e como, ontologicamente, se vinculam as mulheres...

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    Ilustração: Stephanie Pollo

    A violência política contra parlamentares negras

    Somos seis mulheres negras parlamentares. Enquanto você lê este artigo, é provável que uma de nós, ou uma de nossas companheiras, esteja sendo alvo de algum tipo de agressão. A sub-representação de mulheres negras nos espaços de poder e nos processos eleitorais tem como causa as incontáveis práticas de violência política, que se apresentam como barreiras antes mesmo de sermos candidatas e se mantêm durante processos eleitorais e após sermos eleitas. Somos intimidadas em todas as instâncias. A brutalidade a que nós somos submetidas não tem sutilezas. Vai de “piadas” infames e provocações, passando por intimidações, ataques virtuais e até ameaças graves, como a que levou a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) a pedir proteção à ONU. Carregamos ainda a dor pelo assassinato atroz da vereadora Marielle Franco e o silêncio desmedido sobre quem mandou matá-la e por quê. É precisamente essa a definição de violência política: atos sistêmicos com...

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    Divulgação

    Agência Iyabá reposiciona o imaginário da mulher preta através da cultura em curso online gratuito

    São Paulo, novembro de 2020 – A agência Iyabá promove em novembro RE(ORÍ)ENTAR – Novas imaginários. O projeto propõe reposicionar o imaginário da mulher negra, das mulheres não-brancas, e das relações sociais que as perpassam através de um trabalho de repolitização da mulher não-branca através da cultura. A primeira ação acontece dias 19 e 20 de novembro, das 19h às 00h, e consiste em projetar no centro de São Paulo textos, poemas e pensamentos de escritoras negras brasileiras como forma de resgate do protagonismo das mulheres negras em própria história, contada sempre por outras pessoas e por outras óticas. A ação busca disseminar a ideia de que resgatar, entender e contar nossa própria história é um devir revolucionário. Nos dias 25, 26 e 27 de novembro, das 19h às 20h, acontece a segunda etapa do projeto. Um curso voltado para profissionais não-brancas do setor cultural e da economia criativa, ou...

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    Desenho de Esperança Garcia, negra escravizada que foi reconhecida como primeira advogada do Piauí (Ilustração: Valentina Fraiz)

    Quem foi Esperança Garcia, negra escravizada reconhecida como 1ª advogada do Piauí

    Esperança Garcia, mulher negra e escravizada, escreveu ao governador do estado do Piauí em 1770, denunciando os maus-tratos que tanto ela quanto suas companheiras e seus filhos sofriam. Também reclamava do fato de ter sido separada de seu marido e do impedimento de batizar as crianças. Devido a essa carta, Esperança recebeu o título simbólico pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) do Piauí de primeira advogada do estado. A carta de Esperança foi encontrada em 1979, no Arquivo Público do Piauí, pelo historiador Luiz Mott. A descoberta de sua reivindicação fez dela símbolo da luta por direitos e da resistência negra. Em sua homenagem, o dia 6 de setembro, data da carta, foi instituído como Dia Estadual da Consciência Negra no Piauí. O reconhecimento por parte da OAB foi fundamentado em dois anos de pesquisa da Comissão Estadual da Verdade da Escravidão Negra da seção local da Ordem e...

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    Chimamanda Adichie (Foto: Mamadi Doumbouya/Vulture)

    Aspectos de uma obra: O feminismo negro africano de Chimamanda Adiche

    Chimamanda Ngozi Adiche é uma das maiores referências da literatura mundial contemporânea(1), escritora nigeriana que pode ser inserida na tradição literária de seu país(2) em desenvolver narrativas que para além de uma estilística puramente artística, que acabam por refletir e problematizar as tensões, os conflitos, as interações, as complexidades e potencialidades da Nigéria. Tradição esta que perpassa as obras de autorias tão díspares, mas que mesmo por isso acabam por nos fornecer um cenário amplo, diverso e pulsante da sociedade nigeriana ao longo das últimas décadas, desde – pelo menos – seu processo de resistência e libertação anticolonial, até as divergências políticas internas, baseadas numa dicotomia entre um fervor revolucionário radical e uma sociedade militarizada de castas, mediadas por um – distópico? – nacionalismo africano, visando a construção de uma Nigéria moderna e contemporânea, inserida ao cenário político e econômico mundial. Em outras palavras, literatura na Nigéria não é “apenas”...

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    Bia Caminha foi eleita vereadora com quase 5 mil votos (Foto: Imagem retirada do site UOL)

    Belém elege vereadora mais nova da história: “Mulher negra chegou à Câmara” 

    Aos 21 anos, a candidata Bia Caminha (PT) foi eleita hoje a vereadora mais nova da história de Belém. Ela recebeu 4.874 votos, e comemorou a vitória dizendo ser um sinal de "muita esperança". "A sensação é de muita alegria, de muita esperança. De que há espaço para a gente construir outra Belém. Uma Belém que caiba no tamanho dos nossos sonhos, no tamanho dos sonhos da juventude negra, das mulheres, da comunidade LGBTQI+", disse Bia ao UOL. A vereadora do PT ainda disse que sua eleição vem para "romper silêncios". "O que eu tenho a dizer para as mulheres eleitoras e políticas é que a nossa campanha trouxe o slogan para romper silêncios. Esse silêncio que é instituído no falar, mas também na nossa ausência nos espaços de decisão, nossa ausência na institucionalidade e nossa ausência na vida pública da cidade, que era pensada e feita somente por um...

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    Anielle Franco (Foto: Bléia Campos)

    Há esperança em um futuro com mulheres negras eleitas

    A população brasileira se mobilizou ontem (15) para exercer sua cidadania, nessa que por si só já é uma eleição histórica para o país. Pandemia global, aumento das desigualdades e resistência cotidiana para reforçar a importância da participação política de mulheres na definição dos caminhos possíveis de transformação do Brasil. Durante os últimos meses aproveitei este espaço para apresentar as mais diversas ferramentas e ações que construímos dentro do Instituto Marielle Franco para visibilizar, fortalecer e impulsionar candidaturas de mulheres negras nestas eleições, hoje, pretendo exercitar meu imaginário sobre este futuro liderado por estes corpos que - assim como a minha irmã - movimentam as estruturas cotidianas de poder. Primeiro, é importante dizer que o trabalho para fortalecer mulheres negras começa muito antes do período eleitoral. É comum utilizarmos estes períodos de 2 a 2 anos para debatermos sobre as questões que rondam o espectro político, inclusive as noções de...

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    Bianca Cristina (Foto: Enviado pela autora ao Portal Geledés)

    O poder do amor próprio

    Minha história se inicia no dia 30/01/1993, em uma cidade chamada Guaratinguetá. Bianca nasce no verão , em ritmo de carnaval, em um sábado de muito calor, às 18 horas, em casa, porque vovó que fez o parto, vai sentindo a emoção!!! Nasce na família, em um contexto nada tradicional , mas que faz parte da vida de mais de cinco milhões de brasileiros ou mais até, em sua certidão de nascimento não tem o nome do pai, mas isso nunca foi bloqueio para a família, pois sempre foi muito amada. Sua avó, mãe e tios, sempre doaram muito amor, carinho, afeto e cuidado. Bianca foi crescendo, os anos foram se passando e por ser muito apegada a família, tinha medo de ir à escola, medo mesmo, pavor, atrasando sua entrada no ambiente escolar, ocorrendo apenas com 11 anos, pois sua mãe e avó esperaram seu tempo. Antes de entrar...

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    Reprodução/Facebook

    Festival Encontro Das Pretas abre edital nacional para artistas e criadores de conteúdo

    O Festival Encontro Das Pretas, que é um evento sobre potencialização e fortalecimento, abre chamamento público para artistas e criadores de conteúdo. O chamamento é uma seleção de propostas educativas, artístico-culturais e afrocentradas,  realizadas prioritariamente por negros, mulheres, mães solo e LGTBQIA+, populações indígenas e capixabas. A fim de compor a programação de sua sétima edição que ocorrerá entre 20 e 29 de novembro - sendo a primeira online e de alcance nacional - o prêmio total é de 12 mil reais e será distribuído entre nove categorias. As inscrições estão abertas e seguem até sexta-feira (13), exclusivamente pelo site www.encontrodaspretas.com.br Serão dez propostas selecionadas, que distribuída nas nove categorias, serão remuneradas, conforme o edital. Podem se inscrever pessoas físicas maiores de 18 anos e pessoas jurídicas na categoria MEI (Micro Empreendedor Individual). O Encontro Das Pretas é um dos maiores eventos afrocentrados do país e o maior do Espírito...

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    CFCH aprova concessão de título Doutora Honoris Causa a Carolina de Jesus

    O Conselho de Coordenação do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) aprovou por unanimidade, em sua 880ª reunião ordinária, realizada na última segunda (09/11), o título de Doutora honoris causa à escritora Carolina Maria de Jesus. A homenagem póstuma foi sugerida pela Direção do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (Ifcs) da UFRJ. O parecer é assinado pela Comissão Acadêmica do Conselho, composta pelos conselheiros Maria Muanis, Maria de Fátima Galvão, Jeane Alves da Silva, Miriam Krenzinger e Vantuil Pereira. Na justificativa, a comissão destaca a relevância da escritora, nascida na década de 1910 e falecida em 1977, que é tema de 58 teses e dissertações nos últimos seis anos, de acordo com o Portal da Capes. As motivações apresentadas enfatizam ainda que Carolina Maria de Jesus é uma autora “fundamental na luta antirracista”, tendo enfrentado em vida “questões relacionadas ao que se denominou ‘racismo estrutural’ que, dentre as suas mais variadas formas de produzir...

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    Kelly Cristina Dias Psicóloga (Arquivo Pessoal)

    Do “Cárcere” ao cárcere os condicionadores do estado e as “prisões” da mulher negra

    Conceber os dados e os fatos sobre a realidade da mulher negra em nosso país é de impactar a qualquer um, mas a fragmentação e até mesmo a ocultação desta realidade parecem permitir que tal indignação aconteça apenas a partir de muita procura, estudo e persistência individual ou por fontes engajadas. Pois bem! A mulher preta é maioria em casos de violência doméstica, feminicídio, cárcere, também se apresenta como maioria em casos de destituição de guarda dos filhos, a maioria com baixa escolaridade, como também baixos salários. Quando se pergunta onde entra estado nisso, se descobre que olhando bem a fundo, que está sempre ali em uma vigília “cega”. Se apoiando cegamente em uma reprodução sistêmica e multifacetada, que permite e até mesmo expõe a mulher negra a vivenciar ambientalmente a vários extremos de vulnerabilidade, desespero e desamparo podendo contar apenas com o auxílio do mesmo que a culpabiliza. Segundo...

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    Djamila Ribeiro (foto: MAURO PIMENTEL)

    Djamila Ribeiro é a entrevistada do próximo Roda Viva

    A escritora e filósofa Djamila Ribeiro é a entrevistada do Roda Viva de segunda-feira (9). O programa vai ao ar às 22h na TV Cultura, no site da emissora, no canal do YouTube, no Dailymotion e nas redes sociais Twitter e Facebook. Em 2019, Djamila foi considerada pela BBC uma das 100 mulheres mais influentes do mundo. Natural de Santos, litoral de São Paulo, é mestra em Filosofia Política pela Universidade Federal de São Paulo e autora dos livros best-sellers Lugar de fala, Quem tem medo do feminismo negro? e Pequeno Manual Antirracista. Djamila Taís Ribeiro dos Santos é coordenadora do Selo Sueli Carneiro e da Coleção Feminismos Plurais dedicados à publicação de livros de autoras e autores negros, e também colunista do jornal Folha de S. Paulo. A escritora ganhou, também em 2019, o prêmio Prince Claus Awards, concedido pelo governo holandês, por produção cultural no Brasil. Participam da...

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    Kamala Harris (Foto: Getty Images)

    Kamala Harris: a primeira mulher a ocupar a vice-presidência dos EUA: “Temos muito trabalho pela frente”

    Com pai jamaicano e mãe indiana, Kamala Harris, 56, tem como causa pessoal a reivindicação por direitos de imigrantes e de comunidades marginalizadas. Formada em Direito pela Hastings College of Law, da Universidade da Califórnia, Kamala foi a primeira afro-americana e primeira mulher a ocupar o cargo de Procuradora Geral do Estado da Califórnia antes de se eleger senadora em 2016 (segunda mulher de descendência negra a conseguir o feito). Hoje, ela quebrou outro paradigma: se tornou a primeira mulher a ocupar a vice-presidência dos EUA. Ao anunciar a vitória em seu Instagram, ela disse ter muito trabalho a fazer. "Esta eleição envolve muito mais do que @JoeBiden ou eu. É sobre a alma da América e nossa disposição de lutar por ela. Temos muito trabalho pela frente. Vamos começar!". A jurista de Oakland chegou a anunciou sua candidatura ao mais alto cargo do governo americano, mas desistiu para apoiar...

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    Simony dos Anjos, de 34 anos, é candidata à Prefeitura de Osasco (Foto: Imagem retirada do site O Globo)

    Pesquisa mostra violência política sofrida por mulheres negras durante campanha

    Simony dos Anjos, de 34 anos, é uma mulher negra e candidata à Prefeitura de Osasco, em São Paulo, pelo PSOL. Dos seis candidatos homens, Simony é a única postulante feminina e negra no município. Ela relata que, durante a campanha, sofreu ataques virtuais com mensagens LGBTfóbicas, sexistas e racistas em um grupo de Whatsapp exclusivo para trocar informações sobre a candidata. O ataque a Simony não é um caso isolado. Um levantamento feito pelo Instituto Marielle Franco com apoio da Terra de Direitos e Justiça Global contabilizou que 78% das candidatas negras relataram ter sofrido ataques virtuais no período eleitoral. De 21 a 28 de outubro, 142 mulheres negras candidatas pertencentes a 93 municípios (em 21 estados) e 16 partidos responderam a um questionário para analisar o cenário da violência política eleitoral neste ano. De acordo com o relatório, os principais autores dos ataques virtuais são grupos não identificados...

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    A advogada, escritora, ativista e política democrata Stacey AbramsImagem: Reprodução/Fair Fight

    Ativista negra pelo direito ao voto está por trás da onda Biden na Geórgia

    Apesar das denúncias, sem provas, de fraude na apuração da eleição feitas pelo presidente Donald Trump, a votação de Joe Biden na Geórgia deve-se a, entre outras razões, ao esforço de ativistas que, por anos, lutaram para garantir mais participação política de negros, jovens e imigrantes. Vale lembrar que, nos Estados Unidos, o voto não é obrigatório. A mais conhecida entre elas é Stacey Abrams. O democrata ultrapassou o republicano por uma pequena margem de votos na madrugada desta sexta (6), surpreendendo muitos analistas por se tratar de um estado republicano. A contagem ainda não terminou, mas independentemente do resultado, a disputa acirrada já é uma vitória. A advogada negra, de 46 anos, nasceu em Madison, no Wisconsin, cresceu no Mississipi e depois na Geórgia - estado com uma história segregacionista. Formada pela renomada Faculdade de Direito da Universidade de Yale e escritora de romances de suspense, foi deputada na Geórgia por 11...

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    A mineira Cidinha da Silva lança o livro "Oh, margem! Reinventa os rios!" Imagem: Divulgação

    Margens moldam o rio da literatura brasileira na prosa de Cidinha da Silva

    Cidinha da Silva não está resfriada. Mas a prosadora e escritora mineira, tal qual Frank Sinatra décadas atrás, não está disponível para uma entrevista por vídeo ou por ligação que facilite uma tentativa de perfil literário da autora de "Um Exu em Nova York" (2018), obra vencedora do Prêmio da Biblioteca Nacional. Cidinha está relançando as crônicas de "Oh, margem! Reinventa os rios!" em uma edição aumentada e organizada no ritmo ágil dos rios mineiros que fogem dos estouros de barragem, como foi o caso do Doce. Esta edição da editora Oficina Raquel inclui cinco textos inéditos, mais o prefácio do mestre Paulo Scott (finalista do Prêmio Jabuti deste ano com o fundamental "Marrom e Amarelo"). Cidinha da Silva não está resfriada e eu não sou Gay Talese - o jornalista dândi americano que ajudou a moldar o jornalismo literário. No entanto, Cidinha pode responder minhas perguntas por e-mail em...

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    Ilustração: Stephanie Pollo

    Que Brasil teríamos, com mais mulheres negras no poder?

    Por CFEMEA, para a coluna Baderna Feminista O Brasil já está às voltas com as eleições municipais. Mergulhadas numa crise profunda, ainda mais trágica pela crise sanitária que já matou quase 150 mil pessoas em nosso País, nos perguntamos sobre o que significa a realização de um processo como este em um contexto político marcado por um golpe e pelo fascismo crescente na sociedade brasileira. O que significa termos um processo eleitoral já com quase dois anos do governo Bolsonaro? Os movimentos feministas têm uma trajetória de monitoramento de políticas públicas e de ação junto ao Parlamento. Desde a Constituinte, organizações e movimentos incidem para aprovar legislações igualitárias e pressionar para que os marcos normativos se traduzam em políticas e serviços que alterem concretamente a vida das mulheres. Nós, do CFEMEA, atuamos nesse front e temos alertado para a presença cada vez maior de partidos políticos criados a partir de fés religiosas e para...

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    O racismo sofrido pela população negra contribui para a objetificação e o aumento da vulnerabilidade dos corpos de meninas negras até os dias de hoje Foto: Arte de Ana Luiza Costa

    Infância: precisamos falar sobre a objetificação dos corpos de meninas negras

    De acordo com a plataforma “Violência contra a mulher em dados”, entre 2011 e 2017, mais de 45% dos casos de abusos sexual registrados no Brasil foram de meninas negras de 0 até 9 anos. No mesmo período, quando analisamos os números referentes às meninas brancas, este percentual cai mais de 7%. O racismo estrutural e a vulnerabilidade social e econômica ajudam a explicar esses dados, mas é preciso discutir também a hipersexualização dos corpos de mulheres negras, inclusive na infância. Deise Benedito, especialista em Relações Étnico-raciais e mestre em Direito e Criminologia pela Universidade de Brasília (UnB), afirma que o racismo sofrido pela população negra contribui para a objetificação e o aumento da vulnerabilidade desses corpos até os dias de hoje. — Esse processo é influenciado pelo racismo, a discriminação e pela permanente "coisificação" de meninas negras consideradas como mais fáceis, maliciosas e transgressoras, além de serem expostas de...

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