Mulher Negra

A socióloga Patricia Hill Collins - Divulgação/Imagem retirada do site Folha de São Paulo

Se eu olhasse só o debate nas redes sociais, sairia correndo, afirma Patricia Hill Collins

Sair da lógica da destruição do oponente, aprender a ouvir e buscar pontos de encontro possíveis —a reabilitação crítica e atenta do “conversando a gente se entende” (um processo sem dúvida mais lento e menos apetitoso para as redes sociais)— são algumas das ações propostas por Patricia Hill Collins e Sirma Bilge em “Interseccionalidade”, livro que chega ao Brasil, em português. A partir de suas experiências de vida, ensino e pesquisa —convergentes, mas diferentes— Hill Collins, professora emérita do departamento de sociologia da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, e Bilge, professora catedrática no departamento de sociologia da Universidade de Montreal, apresentam os frutos intelectuais do exercício-desafio que se impuseram. “A execução deste livro implicava trabalhar em meio às diferenças. Logo descobrimos que dialogar é um trabalho árduo”, escreve Hill Collins já no prefácio. As autoras defendem o diálogo como ferramenta imprescindível para a luta por justiça social e fazem...

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Ambrosina, aqui retratada pela artista Renata Felinto, era ama-de-leite em Taubaté (SP) no final do século 19; foi acusada de assassinar Benedito, filho dos patrões, tendo preferido amamentar seu próprio filho (Arte: Renata Felinto)

Negras e históricas: por que elas foram apagadas dos livros da escola

Francisca Luiz e Isabel Antônia foram perseguidas pela Visitação do Santo Ofício no século 17 por serem "sodomitas". Aos tribunais da Inquisição declararam ter uma "amizade" de treze anos e que se "agasalharam" uma na casa da outra. Benedicta Maria Albina da Ilha era uma escravizada que vivia na corte do Rio de Janeiro, mas fugia sempre. E a toda vez que se evadia, tentava mudar de nome para viver longos períodos em liberdade, se passando por forra e liberta. Por vezes se apresentava como Benedicta, por vezes como Olívia. Nunca saberemos seu verdadeiro nome. Gertrudes Maria: lutou por cerca de 30 anos em João Pessoa, na Paraíba, por sua liberdade e a de sua família. Nós a conhecemos por causa do longo que processo que abriu contra seus proprietários. Ficou livre apenas com 60 anos. Martinha era uma escravizada que tinha visões e comandava procissões, intitulando-se Santa Maria Mártir....

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Amanda Gorman (Foto: Alex Wong/Getty Images)

Amanda Gorman lança livro com seu poema da posse de Biden e introdução de Oprah

Até pouco tempo atrás, Amanda Gorman tinha lido seus poemas em voz alta diante de duas das maiores plateias dos Estados Unidos —na posse do presidente Joe Biden e no Super Bowl. Agora, suas palavras estão chegando aos leitores num formato mais íntimo. É numa edição comemorativa de “The Hill We Climb”, a colina que escalamos, o poema que ela leu na cerimônia da posse presidencial, num livreto de 32 páginas com introdução de Oprah Winfrey. O livro chegou às livrarias americanas nesta semana e já tem garantida a primeira posição nas listas de best-sellers. “Fiquei muito empolgada quando decidiram publicar ‘The Hill We Climb’ em forma de livro, porque sabia que assim seria possível o integrar às vidas das pessoas de novas maneiras”, diz Gorman, em entrevista por telefone. Ela já viu no Instagram fotos de pessoas dando o livro de presente umas às outras, ou o pondo em...

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Luna Vitrolira lança "Aquenda" (Foto: Estúdio Orra)

Após vencer racismo e gordofobia com arte, ela transformou poemas em disco

Então o poema começa, meus amigos e amigas. Sim, o poema começa quando o batuque eletrônico do pop se encontra com os tambores ancestrais e monta a cama para a voz da pernambucana Luna Vitrolira. "Voz é vontade de existência", diz Luna. O poema começa e exorciza demônios para nos levar aos céus. O poema começa e o que ouvimos são tristezas que precisam ser expurgadas para que a beleza, enfim, emane. Luna, 28, é poeta. Seu livro de estreia "Aquenda - o amor às vezes é isso" foi finalista do Prêmio Jabuti 2019, o mais importante do país. Mas a pernambucana não é dessas poetas que se escondem em torres de marfim, escrevendo versos ocos que jamais serão lidos. Sua principal influência é a poesia oral do Vale do Pajeú, interior de Pernambuco: "Para mim a linguagem é impensável sem a voz!", diz Vitrolira. O Pajeú é uma região...

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Anielle Franco (Foto: Bléia Campos)

Mães e gestantes negras na pandemia de covid-19: O desafio está ainda maior

As últimas semanas têm sido especialmente difíceis para conseguir dar conta de toda a demanda do trabalho e da maternidade. Além dos desafios que ficam restritos à minha casa e núcleo familiar, ainda tem os trazidos pela pandemia de covid-19, que se misturam intimamente com quem sou e como vivo minha vida. Na última semana li uma notícia sobre uma puérpera de Manaus que veio a óbito apenas 27 dias depois de ter dado à luz, em decorrência não da covid-19, mas da falta de ética e preparo de uma médica. Jucicleia, jovem mãe de 30 anos, morreu após sua médica considerar adequada a utilização de um tratamento experimental com hidroxicloroquina, - defendido pelo presidente Bolsonaro - sem o devido consentimento e nem a devida explicação dos riscos que ele representava. O resultado? Mais uma família destruída pela pandemia, mas principalmente, pelo negacionismo e negligência de quem deveria trabalhar para...

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A jornalista e comentarista da CNN Brasil Basília Rodrigues (Foto: Divulgação/ CNN)

Se fosse loira e de olhos azuis, você não estaria enchendo o saco dela

A imagem de uma mulher preta que analisa política é inusitada, tanto quanto rara, ainda mais quando coroada por seu black power. Por 12 anos cobri política pelo rádio, mas, em uma daquelas mudanças que dividem a vida entre o antes e o depois, decidi fazer televisão. Tudo isso ainda sem saber que faltavam poucos dias para o início do pior momento das nossas vidas: uma pandemia. Do contato diário pela voz com a notícia, agora sou um rosto, um cabelo, um corpo e, principalmente, uma cor. Enegreci a TV, e a editoria é de política —e não aquela em que negra é a cor padrão da tragédia brasileira. Agora, prazer, na condição de espectador da notícia, pergunto-lhe: você é racista? Muito provavelmente, após uma rápida reflexão, responderá que não. Obrigada. Não somente eu, mas a sociedade de mais de 200 milhões de pessoas negras e brancas agradece. Há 132...

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Lélia Gonzalez (Foto: Cezar Louceiro / Reprodução)

Lélias em movimento

Lélia Gonzalez  é referência internacional nos estudos interseccionais de gênero, raça e classe. A filósofa e feminista estadunidense Angela Davis sempre quando em visita ao Brasil, não deixa de reverenciar a genialidade da intelectual brasileira, que é também uma de suas grandes referência sobre o feminismo afrolatinoamericano. Davis, em 2019, realizou uma pergunta às mulheres brasileiras sobre o porquê de procurarmos nas estadunidenses outras possibilidades de luta, sendo que no próprio Brasil o ineditismo de Lélia e de tantas outras mulheres negras estão fervilhando rebeldias únicas. Gonzalez inspira, além de deixar um grande legado, abriu passagem para uma contribuição enorme que perpassa e tem fertilidade em todas as áreas do conhecimento. No último ano assistimos o aumento do interesse do mercado editorial brasileiro nos escritos da mineira que lançou as bases para o movimento antirracista no Brasil bem como também para o de mulheres organizadas, como defende Jolúzia Batista, do Centro...

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Marina Melo fez Mestrado em História em Universidade de Tohoku, no Japão; para ela, é preciso incentivo para jovens estudarem fora (Foto: Arquivo Pesssoal)

Única negra em universidade japonesa: “Pobre também pode estudar fora”

"De Itaquera pra atual universidade número um do Japão! Me formando de kimono e afro". Foi com essa legenda em um post do Twitter que Marina de Melo do Nascimento, 29, viu sua formatura do mestrado em História na Universidade de Tohoku, uma das mais conceituadas no país oriental, repercutir nas redes sociais nos últimos dias. Única estudante negra da área de Humanas na instituição de ensino japonesa, Marina escreveu uma dissertação, em inglês, sobre Kishida Toshiko (1863 - 1901), uma das primeiras feministas japonesas, e seus escritos em revistas femininas em uma época que as regras patriarcais no país oriental eram bem mais rigorosas. "Ela foi uma das primeiras mulheres a estudar em escola púbica e fazer ensino superior em Kyoto, foi escolhida para ser tutora da imperatriz na época", diz. "Só que ela não gostava da vida no palácio, se aproximou de um movimento popular pela liberdade e...

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Abena Appiah, vencedora do Miss Grand International 2020 (Foto: Reprodução/ Instagram @abenaakuaba)

Mulheres negras detêm coroas dos principais concursos de miss pela 1ª vez

Com a vitória de Abena Appiah, 27, no Miss Grand International 2020 realizado no sábado passado (27), é a primeira vez na história em que três mulheres negras reinam, ao mesmo tempo, os principais concursos mundiais. As outras duas são Zozibini Tunzi, 27, vencedora do Miss Universo 2019, e Toni-Ann Singh, 25, dona da coroa de Miss Mundo 2019. Tunzi, da África do Sul, foi a primeira eleita das três, em dezembro do ano passado em Atlanta, nos EUA. Sua vitória gerou forte repercussão na mídia e nas redes sociais, não só pelo seu visual moderno, mas pelo seu posicionamento politizado. De cabelos curtíssimos e com um guarda-roupa bastante elegante, a atual Miss Universo fez um discurso de coração no qual exalta a importância da beleza da mulher negra. "A sociedade foi programada durante muito tempo para não ver a beleza negra. Mas agora estamos entrando em um tempo em...

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Erika Hilton, eleita vereadora em São Paulo (Foto: Karime Xavier - 3.dez.19/Folhapress)

Erika Hilton faz história e é 1ª mulher negra e trans à frente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara

A vereadora mulher com mais votos na última eleição municipal, Erika Hilton (Psol) acaba de ser novamente eleita. Desta vez, por unanimidade, ela se torna presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Câmara de São Paulo. Assim, Erika se torna a primeira mulher negra a ocupar cargo de presidência de Comissão no parlamento paulista, bem como primeira pessoa trans a ocupar a presidência de uma Comissão. Com ninguém menos que Eduardo Suplicy (PT) na vice-presidência do grupo, a comissão também é composta pelos vereadores Paulo Frange (PTB), Sidney Cruz (SOLIDARIEDADE) e Xexéu Tripoli (PSDB). “Trabalharemos em projetos para minimizar o racismo em São Paulo. Para construir caminhos sólidos na luta antirracista a partir das instituições. A comissão pretende valorizar e aproximar os grupos que já atuam nessas frentes”, disse a vereadora à revista CartaCapital. Na última semana, durante a primeira reunião da Comissão, Erika aprovou dois requerimentos de...

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Anna Suav (Foto: @belledelmondes)

Rapper amazônida Anna Suav exalta autoestima da mulher negra com single “BNTA”

Reflexões sobre o resgate e a criação da autoestima da mulher negra, afetividade e plenitude foram as inspirações da cantora Anna Suav para compor seu novo single, “BNTA”. A música será lançada no próximo dia 6 de abril, em todas as plataformas digitais (Spotify, Deezer, Apple Music, Tidal), e chega acompanhada de um videoclipe gravado em Belém (PA). Calcado no pop e no R&B contemporâneo brasileiro, “BNTA” (abreviação para “bonita”) é o primeiro single do EP de estreia de Anna Suav, previsto para ser lançado ainda no primeiro semestre de 2021. A canção representa uma nova fase na carreira solo da artista, que já fortalece a cena musical do Norte do país desde 2017. “’BNTA’ fala, primeiramente, sobre um processo de superação. Busquei pautar a esfera dos relacionamentos, tendo como perspectiva a vivência de mulheres negras”, conta Anna. “A partir disso, é inerente pensar no histórico de solidão, abandono, não...

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Rio de Janeiro - 25/03/2021 - reitora Luanda Silva de Moraes (Foto: Rafael Campos)

Estado do Rio tem a primeira reitora negra de uma instituição de ensino superior

Nesta Quinta-feira (25/03), no Palácio Guanabara, aconteceu a cerimônia histórica de posse de Luanda Silva de Moraes, primeira mulher negra a frente da reitoria de uma instituição de ensino superior do Rio de Janeiro. Junto ao professor Dario Nepomuceno da Silva Neto, ambos foram empossados pelo governador Cláudio Castro para os cargos de reitora e vice-reitor, respectivamente, para o quadriênio 2021-2025 da Fundação Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (Uezo), que a 16 anos é considerado um dos principais polos de ensino da Zona Oeste da capital do estado. Luanda, que ingressou na Uezo em 2009 como professora temporária e foi posteriormente integrada ao quadro permanente da instituição, leva em sua bagagem uma extensa lista de graduações em áreas da ciência, incluindo um doutorado realizado meio período no Brasil e o restante em Milão, seguido de um pós doutorado na Uerj. Apesar de suas conquistas dentro e fora da academia,...

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Charlene Borges (Arquivo Pessoal)

Charlene Borges: Maternidade negra, ética de cuidado coletivo e políticas públicas

“O ditado omo k’oni ohun o ye, ìyá ni ko je e – uma criança sobrevive e prospera apenas pela vontade de Ìyá – sugere o papel fundamental que Ìyá desempenha no bem-estar da criança. Ìyá não é apenas a doadora do nascimento; Ìyá também é uma co-criadora, uma doadora de vida, porque Ìyá está presente na criação” Oyèronke Oyĕwùmí   A maternidade é um tema que costuma despertar paixões e polêmicas espinhosas no âmbito dos feminismos, sobretudo aquele fundamentado na teoria clássica ocidental em razão da histórica desigualdade de gênero na divisão sexual do trabalho entre os espaços público e o privado. Nesse contexto teórico, a maternidade fora vista como um entrave para a mulher em relação à luta pela equidade, acesso a melhores oportunidades de trabalho e realização pessoal de seus projetos de vida. De igual modo, à maternidade, em outros primas teóricos, já se atribuiu a condição de...

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Luiza Bairros (Foto: Valter Campanato/ABr)

Militante negra Luiza Bairros é tema de documentário a ser lançado em 27/3

No dia do aniversário de Luiza Bairros, em 27 de março, a Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB) lança o documentário sobre a socióloga, pensadora, gestora e militante negra com realização do Cultne, o maior acervo digital da cultura negra da América Latina. O lançamento faz parte da programação do #MarçoDeLutas, que tem como objetivo reafirmar a resistência negra no Brasil a partir do protagonismo das mulheres negras. O filme traz momentos marcantes da trajetória de Luiza Bairros, como a fala da homenageada no oitavo Encontro Feminista Latino Americano e do Caribe, em 1985 e no primeiro Encontro Nacional de Mulheres Negras, em 1988, na cidade de Valença. Além disso, também está presente o discurso da então ministra de Estado na III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, em novembro de 2013. Luiza Helena de Bairros foi militante do Movimento Negro e da luta das Mulheres Negras, um dos...

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Edital Elas Periféricas / Imagem: Reprodução - Fundação Tide Setubal

Edital investe até R$ 1,3 milhão em ONGs e coletivos liderados por mulheres negras

Organizações sem fins lucrativos e coletivos liderados por mulheres negras de todo o Brasil podem se inscrever no edital Elas Periféricas, lançado nesta semana pela Fundação Tide Setubal em parceria com Tik Tok. Com aporte de até R$ 1,3 milhão, é o maior do país em investimento direto em mulheres negras da periferia. O projeto proporcionará investimento financeiro, apoio técnico e mentoria para cerca de 60 organizações e coletivos por 12 meses. As inscrições para o edital podem ser feitas até 7 de abril em fundacaotidesetubal.org.br/elasperifericas. As mulheres selecionadas poderão aprimorar suas ferramentas de estruturação e gestão de projetos. Sustentabilidade financeira e mobilização de recursos, monitoramento e avaliação, comunicação estratégica e uso da plataforma TikTok são alguns dos assuntos abordados nas mentorias. A intenção é que essas líderes fortaleçam a atuação que desenvolvem nos territórios periféricos e utilizem o TikTok para contar suas histórias e ampliar o alcance de suas causas. “Os...

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Indira Nascimento/Foto Gabriella Maria

Indira Nascimento é a convidada de ‘Um Certo Alguém’, que segue em sinergia com a Ocupação Chiquinha Gonzaga

O Itaú Cultural coloca no ar nesta quinta-feira, dia 25 de março, em www.itaucultural.org.br, mais uma edição especial de Um Certo Alguém realizada em sinergia com a Ocupação Chiquinha Gonzaga. Desta vez, a convidada é a atriz, roteirista e diretora paulistana Indira Nascimento, que integra o grupo de artistas que, na exposição em cartaz no Itaú Cultural – cujo conteúdo também pode ser conferido virtualmente –, interpretam textos biográficos escritos pela dramaturga Maria Shu, como se fossem depoimentos da própria maestrina sobre sua vida. Já participaram da coluna Beth Beli, percussionista e presidente do Bloco Ilú Obá de Min, a cantora Jup do Bairro e a multiartista Dona Jacira. Na próxima quinta-feira, a cantora Fabiana Cozza encerra esta série especial. Publicada semanalmente, com a proposta de aproximar, a cada nova edição, o público de personalidades do meio da arte e da cultura, Um Certo Alguém aborda o passado, o presente e o futuro, a partir de quatro perguntas feitas aos entrevistados: qual é a...

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Formada para covid: médica negra relata dor e racismo no 1° ano da carreira

Aos 24 anos, a médica Rayane Matos só conheceu a profissão pelo contato diário no combate à covid-19. Ela teve a formatura antecipada pela UPE (Universidade de Pernambuco) para ajudar na força-tarefa contra a doença, em abril de 2020. Mas já sente o cansaço e o desgaste causados pela pandemia. "Cada plantão é o pior", diz. Além da sobrecarga física, ainda tem a questão emocional, em especial nas más notícias. Comunicar a morte de uma pessoa querida para a família é devastador. Rayane Matos, médica recém-formada em Pernambuco Não bastasse isso, a profissional negra e de aparência jovem perdeu as contas de atos de preconceito implícito, como os pacientes que a veem e pedem para que se "chame a médica". Marcou negativamente um episódio que ela esperava por meses: o dia da vacinação. "Durante o preenchimento do cartão, depois de entregar a identidade, a todos se perguntava a função no...

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Joacine Katar Moreira é a presidenta do INMUNE - Instituto da Mulher Negra em Portugal (Foto: © Marlene Nobre/Notícias ao Minuto)

Joacine Katar Moreira dá voz a 100 pessoas contra o racismo

A “forma mais eficaz de combate ao racismo e à discriminação racial”, afirmou Joacine em comunicado, é “a escuta”, ou serem ouvidos, e que “tem sido historicamente negada aos sujeitos racializados”, lê-se num comunicado divulgado pelo gabinete da deputada não inscrita (ex-Livre) sobre a iniciativa “100 vozes contra o racismo”. São 100 pessoas de diversas áreas como os ‘rappers’ Valete e Deezy, profissionais de saúde como Luciana Gomes e Márcia Cristina, trabalhadores de ‘call center’ como Bárbara Góis e Fábio Varela, escritores e músicos como Kalaf Epalanga e José Rui Rosário, universitárias como Isaiete Jabula e Inácia Sá, jornalistas como José Rui Rosário e Neusa Sousa, o realizador Welket Bungué, o motorista Nelson Semedo e a dançarina Agnês Rodrigues. “Na luta contra o racismo, temo-nos deparado com a resistência em afirmar a visão e o sentimento das suas vítimas e pela tentativa de monopolização da narrativa e do conhecimento sobre...

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Dia Internacional contra a Discriminação Racial é marcado peça luta de pessoas negras (Foto: Imagem retirada do site G1)

Mulheres relatam luta contra o preconceito no Dia contra a Discriminação Racial

Ser seguida em supermercados, escutar ofensas sobre seus traços e passar por constrangimentos públicos são episódios em comum na vida de três mulheres negras de São Vicente, no litoral paulista. Neste domingo (21), é celebrado o Dia Internacional contra a Discriminação Racial, e mulheres de diferentes idades relataram ao G1 os impactos do racismo e as consequências de anos de ofensas. A data foi criada pela Organização Nações Unidas (ONU) após o massacre de 69 pessoas na África do Sul, em 21 de março de 1960, durante manifestação contra o apartheid. "Estou grávida, e o pior foi uma mulher que me ofendeu em palavras, falando que eu era uma macaca, que estava carregando uma macaca", relembra a auxiliar de limpeza Geisa Ramos Alves, de 36 anos. A ofensa foi disparada durante um desentendimento, em fevereiro deste ano. A auxiliar relata já ter vivenciado outros episódios de racismo, como ser seguida...

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Imagem: CB D.A Press

A difícil jornada de se declarar preta

Era 1983, em Brasília (DF), uma mãe preta leva a filha, recém-nascida, para se registrar. Não se questionava a cor dos filhos. Isso era definido por um rápido olhar do profissional do registro: a criança, sem ausência de melanina na pele suficiente para ser declarada branca e com menos que o mínimo para ser vista como criança preta, é então taxada de parda. É aí que começa nossa jornada em busca de identidade. O termo "pardo" surge durante a colonização espanhola entre os séculos 16 e 18, com a economia baseada na escravidão. Para o IBGE, ele se aplica a pessoas com mescla de cores, seja essa mulata (entre brancos e negros), seja cabocla (entre brancos e ameríndios) ou cafuza (entre negros e indígenas). É nessa mistura de origens étnicas, fenotípicas e culturais que estão 42,7% dos brasileiros, o que torna difícil a identificação de nosso povo com base nas...

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