terça-feira, julho 7, 2020

    Mulher Negra

    Imagem: Reprodução/Instagram @tiamaoficial

    Carta à minha filha que vai nascer: todos os seus dias serão dias de luta

    Minha filha, que emoção escrever para você. Carregar você no ventre nutre meu coração de afeto, esperança, mas também de muita insegurança. Afinal, carrego mais uma mulher preta para este mundo, e por isso queria te preparar. Sei que parece exagero, afinal ainda estou no sexto mês de gestação, mas você já conhece sua mãe. Sou ansiosa e aquele tipo de militante que não descansa nunca, até porque não tenho escolha. Tudo o que eu queria era não precisar lutar todos os dias! Mas o racismo e o machismo não deixam, e me vejo obrigada a estar sempre de punho cerrado, assim como você se mostrou no último ultrassom. Minha filha, saiba que você é linda! E é importante você ouvir isso de mim, do seu pai, da nossa família, pois muitas vezes o mundo vai fazer você desacreditar da sua beleza. É que em pleno 2020, mesmo com tantas...

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    Foto: Getty Images

    Sonhos negados: violência faz mulheres negras desistirem da maternidade

    "Sempre foi meu sonho ser mãe. Falava que queria ter quatro filhos, ter uma casa cheia, sabe?" Mariana Evaristo vive um conflito. A advogada mineira de 32 anos desistiu da maternidade por medo do que poderia acontecer. "Todo santo dia eu penso na violência que esse filho sofreria." Joseane Damasceno, assistente social cearense de 32 anos, passa pela mesma situação. "Aqui onde moro não tem um mês em que um jovem não é assassinado. Tenho muito, muito medo da realidade de genocídio em que vivemos." A carioca Buba Aguiar, patologista e socióloga de 27 anos, e Ana Luiza Guimarães, socióloga que vive em uma periferia no entorno de Brasília, amargam aflição igual. "Dá desespero de colocar o filho no mundo para perder para o Estado numa operação ou numa abordagem policial", diz a primeira. Mariana, Joseane, Buba e Ana Luiza são mulheres negras, que conversaram com o TAB sobre como...

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    Carla Candace, 26, a "Vegana Sem Grana", sucesso nas redes (Foto: Reprodução/Instagram)

    “Vegana Sem Grana”, ela faz sucesso ensinando receitas acessíveis

    Duzentos e cinquenta quilômetros distante da capital, Salvador, Itacaré tem pouco mais de 28 mil moradores. Carla, que nas redes sociais é a Vegana Sem Grana, já arrebatou quase 60 mil seguidores – a maioria em São Paulo e no Rio de Janeiro. "Eu falo sobre veganismo acessível, periférico e preto. Ensino receitas, substituições e dou dicas de como fazer a transição de uma forma mais fácil e gostosa", expõe a comunicadora, que mostra como preparar bolos, hambúrgueres e várias outras delícias sem nenhum ingrediente de origem animal. "Feijão carioca, salada de rúcula com manga, arroz integral, cortado de batata, cenoura e chuchu e farofa de cuscuz" (Foto: Reprodução/Instagram) "Me dar conta da crueldade me fez perceber que eu não queria continuar contribuindo com isso" "Não cresci com a cultura da carne presente porque eu sou pobre. Pobre não come carne todos os dias. Carne é...

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    Djamila Ribeiro (foto: MAURO PIMENTEL)

    As mudanças não serão imediatas, estrutura racista é secular, diz Djamila

    A filósofa, escritora e ativista Djamila Ribeiro afirmou em entrevista ao UOL Debate, na manhã de hoje, que o debate sobre racismo está sendo feito sem tabus atualmente no Brasil, mas que, para haver mudanças, será necessário mais tempo. A entrevista foi conduzida pelos jornalistas Leonardo Sakamoto, colunista do UOL, e Paula Rodrigues, repórter de Ecoa. "Estamos falando de estrutura secular. Estamos discutindo mais no debate público. Isso que é novo, na verdade. O Brasil foi fundado na violência de sangues negros e indígenas. Hoje a gente pode falar sem tabu", disse. Djamila relembrou que o Brasil começou a considerar o racismo como um crime contra a humanidade na Conferência de Durban, em 2001, na África do Sul, se prontificando a reparar os danos causados pela escravidão. "Houve um levante interessante, mas que só foi possível as pessoas falarem sobre isso porque existiu um movimento que vem historicamente, sobretudo depois...

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    Ana Maria Gonçalves e Fernanda Miranda são as primeiras convidadas do Projeto Autoria Negra na Literatura Contemporânea, com curadoria de Cidinha da Silva e Daniel Ramos. Imagem retirada do site SESC

    Sesc Pinheiros realiza o encontro “Autoria Negra na Literatura Contemporânea”

    Debate com curadoria e condução de Cidinha da Silva convida as escritoras Ana Maria Gonçalves e Fernanda Miranda O encontro virtual acontece quinta-feira, 2 de julho, às 20h, ao vivo no YouTube do Sesc Pinheiros (youtube/sescpinheiros) O Sesc Pinheiros apresenta o projeto “Autoria Negra na Literatura Contemporânea”, uma série de encontros mensais ao vivo com escritoras negras da atualidade. Com curadoria de Daniel Ramos (técnico de literatura do Sesc Pinheiros) em parceria com Cidinha da Silva, o projeto abre um panorama da literatura de autoria de mulheres negras no Brasil. Os encontros abrangem escritoras de diversas localidades, sempre compostos por duas autoras e com mediação da curadora Cidinha da Silva. Nessa quinta-feira, 2 de julho, às 20h, temos a autora Ana Maria Gonçalves (Minas Gerais) e a pesquisadora Fernanda Miranda (São Paulo). “Autoria Negra na Literatura Contemporânea” busca debater a produção contemporânea de literatura feita no Brasil a partir da diversidade de vozes, gêneros e sobre questões...

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    Bozoma Saint John (Foto: Michael Kovac/Getty Images)

    Bozoma Saint John é a nova diretora de marketing da Netflix

    Bozoma Saint John, ex-executiva sênior da Apple, Uber e mais recentemente Endeavor, é a nova CMO de marketing da Netflix. O anúncio foi feita na terça-feira (30) e Bozoma é a terceira a ocupar o cargo de diretor de marketing do serviço de streaming. De acordo com a Variety, ela substitui Jackie Lee-Joe, CMO da BBC Studios, que ficou na Netflix por 10 meses. Segundo a Netflix, Lee-Joe está saindo da empresa por motivos pessoais; ela mora na Austrália com sua família desde março, início da pandemia do novo coronavírus. Lee-Joe foi nomeado para suceder a ex-CMO da Netflix, Kelly Bennett, que anunciou sua aposentadoria da empresa no ano passado . Bozona Saint John começará na Netflix em agosto deste ano, reportando-se ao diretor de conteúdo Ted Sarandos, informou a publicação. "Estou emocionada por ingressar na Netflix, especialmente em um momento em que a narrativa é crítica para o nosso...

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    Divulgação

    Live terá como tema a Campanha Julho das Pretas – “A vida de meninas e mulheres negras importam”

    A Subsecretaria de Políticas Públicas para Promoção da Igualdade Racial, lança na próxima quarta-feira (01.7) a Campanha Julho das Pretas - “A vida de meninas e mulheres negras importam”. O evento será realizado por meio de transmissão ao vivo, a partir das 15h, simultaneamente nas páginas oficiais do Governo do Estado no Facebook e Instagram. A campanha tem como objetivo colocar em evidência o debate sobre as políticas públicas de enfrentamento ao racismo, aos preconceitos e a todas as formas de violação de direitos, reafirmando o protagonismo e a participação das mulheres negras nos espaços políticos. Esse é o segundo ano que o Governo do Estado realiza uma campanha dedicada especialmente às mulheres negras, em alusão ao dia 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra Afro Latina-Americana e Caribenha, e o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Em Mato Grosso do Sul, a lei nº...

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    Reprodução/Instagram@literaturanegrafeminina

    Escrita de Mulheres Negras em quarentena: autocuidado e sobre(vivência)

    Reconhecemos a existência de um vasto campo literário produzido por mulheres negras escritoras, que na maioria das vezes, não conseguem se perceber nesse espaço por conta de toda a invisibilidade, machismo e racismo que temos dentro e fora da categoria. E no campo virtual, isso não seria diferente. Neste ensaio, vamos refletir sobre a produção de 40 autoras negras brasileiras de diversas regiões do país, a partir de uma convocação feita pelo instagram Literatura Negra Feminina, idealizado pelo Coletivo Mjiba em maio de 2020, para que as seguidoras enviassem seus poemas sobre autocuidado e sobre(vivência), neste período de pandemia no qual estamos em isolamento social para combater a disseminação da Covid-19. Coincidentemente recebemos 40 textos, que estão sendo publicados um por dia, a maioria inéditos e produzidos para participar dessa ação. Entendemos como autocuidado, a busca por cuidar de si mesma, contemplando todas as necessidades que o corpo e a...

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    Sauanne Bispo sofreu diversos episódios de racismo, desde a infância em colégio particular até a vida adulta, como dona do próprio negócio. Hoje, dá palestras sobre inclusão racial. (Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo)

    A jornada contra o racismo de uma mulher negra nascida na elite da Bahia

    Nasci em Salvador, na Bahia, tenho 34 anos e sou filha de Celeste Bispo, professora graduada em letras e investigadora da Polícia Civil baiana. Meu pai é um artista plástico, faz esculturas em madeira. Eles nunca se casaram, mas ele sempre esteve presente em minha vida. Sou filha única. Cresci num bairro central de Salvador, o Garcia. Durante minha vida toda, estudei no Colégio Antônio Vieira — uma tradicional escola particular. Apesar de eu viver num estado com cerca de 82% da população preta ou parda, na escola toda havia no máximo 20 estudantes negros. Na minha sala eram eu e mais dois, na melhor das hipóteses. Eram comuns as panelinhas na sala de aula. Um colega me deu o apelido de Melanina e depois ele abreviou para Mel. Quando alguém perguntava “Por que Mel?”, ele ria para explicar. Certa vez eu estava na fila da cantina e uma menina...

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    Ilustração: AndreMelloArt

    Sueli Carneiro, nossa bandeira

    Sueli Carneiro fez 70 anos. Nasceu num 24 de junho, dia de São João, data festiva Brasil afora. E o país precisa conhecer e celebrar a existência dessa filósofa, escritora, ativista, referência maiúscula do movimento de mulheres negras. Desenganada aos 2 anos de idade pela desnutrição severa decorrente do Mal de Simioto (doença de crianças pequenas alérgicas ou incapazes de digerir o leite de vaca), Aparecida Sueli Carneiro Jacoel completa sete décadas de vida em intensa atividade, reconhecida e reverenciada por seus pares. É um marco numa sociedade atravessada pela existência abreviada de pensadoras negras, como Beatriz Nascimento, morta aos 52 anos, Lélia Gonzalez (59), Carolina Maria de Jesus (62) e Luiza Bairros (63). Nas palavras precisas de Bianca Santana, jornalista e biógrafa da pensadora, Sueli Carneiro é a mulher que enegreceu o feminismo brasileiro. Não é exagero. Em abril de 1988, ela fundou a Geledés – Instituto da Mulher...

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    Linoca Souza/Folhapress

    Elza Soares e Sueli Carneiro nunca deixaram de sorrir em meio a suas batalhas

    Que semana especial, amigas e amigos. Os atabaques estão assentados, a mesa está farta, a alegria contagia as palavras deste texto que celebra duas mulheres fundamentais para a construção de um futuro justo, altivo e diverso. Brindemos, contemos suas histórias que atravessarão os tempos, as gerações, imortalizando-as junto aos ancestrais que nunca deixaram de sorrir e festejar em meio às guerras e batalhas pelo povos oprimidos. Elza Soares, linda, gigantesca e única fez 90 anos no dia 23. Nasceu pobre e passou por ataques e dores inimagináveis na sociedade racista que a elegeu como “inimiga do Brasil”. Enfrentou bravamente, com a humanidade, altivez e dignidade de uma rainha. Ao se apresentar pela primeira vez, aos 13 anos, num programa de auditório, o apresentador, ao vê-la com roupas simples e franzina, perguntou: “De qual planeta você veio?”. Ao que ela respondeu: “Do planeta fome”. Sua voz perfeita, sua vasta produção e inspiração...

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    Taís Araújo (Foto: João Miguel Júnior/TV Globo)

    Taís Araujo fala sobre representatividade no trabalho: “mulher negra é sinônimo de riqueza”

    Há pouco mais de três meses, assim como grande parte da população, Taís Araújo viu sua rotina mudar completamente em razão da pandemia do coronavírus. Ela que estava no ar em "Amor de Mãe", novela das 9h da TV Globo pausada em razão da doença, se isolou em sua casa no Rio de Janeiro ao lado dos filhos e do marido e precisou reconquistar sua intimidade com os afazeres domésticos: "eu sempre trabalhei fora, desde que tenho 13 anos de idade, eu não sabia fazer as coisas direito dentro de casa", contou. A atriz que é voz potente e inspiração para muitas mulheres, se viu também em meio a um momento importante no debate e ação sobre diversidade e racismo, potencializado por campanhas como Black Lives Matter. "Nós, atrizes, mulheres negras, não nos encaixamos em único...

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    iStock; Lily illustration

    Para as mulheres negras, o autocuidado não é apenas uma palavra da moda. É um ato de resistência radical.

    Texto de Nambi J. Ndugga originalmente publicado em The Lily Como mulher negra e pesquisadora de saúde pública que vive e trabalha em Boston , vejo em primeira mão como a segregação afeta os resultados de saúde de negros e pardos em comparação com os brancos. Trabalhando neste campo, tive que construir sistemas de apoio e mecanismos de defesa que me permitissem estudar, conscientizar e abordar as desigualdades na saúde sem ser esmagado por seu peso e magnitude. Mal sabia eu que uma pandemia global e a persistente brutalidade policial experimentada por negros usariam esses mecanismos, me isolariam das comunidades de apoio e abririam caminho para uma onda de tristeza pela qual eu estava lamentavelmente despreparado. A dor No fim de semana do Memorial Day, a primeira página do New York Times listava 100.000 nomes daqueles que morreram da covid-19. Dos mortos, mais de 20% eram negros. Pouco tempo depois, surgiram notícias sobre o assassinato policial de George Floyd, um...

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    Adobe

    Duas ou três questões sobre mulheres negras, relações não monogâmicas e questões raciais

    Começo esses escritos sobre afetividades das mulheres negras, relações não monogâmicas e questões raciais olhando para minhas próprias memórias, no dia cinquenta e três da quarenta em virtude da pandemia de covid-19. Estou a dois anos num relacionamento heterossexual, aberto e inter-racial. Eu brinco que nós somos iguais, só que ao contrário. Ele, homem branco, olhos verdes, classe média, casa própria, pais universitários. Eu, mulher negra, pele escura, pais com ensino fundamental, vivendo de aluguel. Ele, gosta das imagens, da tecnologia, da comunicação, diz que “chama todo mundo que conhece de amigo"... eu, da escrita, dos livros, da música ouvida em silêncio, conto meus amigos nos dedos. Ele, se diz uma porta, mas tem um coração que cabe até quem não conhece. Eu, que sinto tudo muito, alterno minha empolgação infantil com a com momentos de severa rabugice. Cultivamos juntos o gosto pela terra, pela cultura, pela estrada, por fazer...

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    A jornalista Anielle Franco (Imagem retirada do site ECOA)

    Como podemos construir um futuro antirracista?

    Nunca teremos de fato uma democracia sem debater todas as desigualdades que dividem esse país. E quando me refiro a desigualdade, falo amplamente de todos os tipos possíveis da mesma. Impossível passarmos por uma pandemia global, por casos que exemplificam o genocídio do povo negro, pela fome, pela pobreza, pelo descaso com nossas favelas e periferias, sem nos incomodarmos, e ainda dizer que lutamos pela democracia desse país. De qual democracia estamos falamos? Pois para mim, falar em democracia é falar de desigualdade e como combatê-la. Uma coisa não se separa da outra. Ou pelo menos não deveria. Em um dos momentos mais difíceis do mundo inteiro, nosso país se destaca pelo racismo, pela ausência de líderes que se importem mais com vidas do que com números, e por divisões ideológicas que a cada dia nos destroem. No meio disso tudo, nosso povo preto se torna ainda mais vulnerável, ainda...

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    A filósofa e educadora Sueli Carneiro (Foto Marcus Steinmayer)

    Dia de celebrar Sueli Carneiro

    Hoje é dia de uma das mais importantes intelectuais brasileiras e estou grata por tê-la entre nós. Sueli Carneiro completa 70 anos, com uma trajetória de formulações e lutas fundamentais para compreendemos o Brasil e enfrentarmos os principais desafios do país. Sueli Carneiro é uma filósofa, escritora e feminista negra brasileira, fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra, uma das organizações de maior importância e intervenção epistêmica e política no país. Em seu doutorado, “A construção do outro como não ser como fundamento do ser”, desenvolveu o conceito de “dispositivo de racialidade”, operador da naturalização de papéis sociais, a partir dos conceitos de “dispositivo” e “biopoder” de Michel Foucault. Um dos seus textos mais emblemáticos, entre vários, é “Enegrecer o feminismo”, que questiona a universalização da categoria mulher na sociedade. Em um encontro no qual a homenageamos, no ano passado, Sueli Carneiro disse a mim e a algumas companheiras negras que,...

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    Adobe

    Sobre a prostituição de mulheres negras no Pós-Abolição

    Em 7 de fevereiro de 1896, com o título “Mais um crime! uma mulher assassinada”, o Jornal do Brasil noticiou em detalhes a morte da prostituta Luiza Argentina Reis.  Anteontem saiu Clara Balon em companhia de seu amante, Sabino Iglezias Peres, indo ambos ao teatro, tendo deixado em casa Argentina, em companhia de um rapaz português, ainda moço, claro, o qual lhe havia sido naquele momento apresentado por Argentina. Voltando do teatro, à (sic) uma hora da noite mais ou menos Clara entrou para o interior da casa, enquanto Sabino dirigiu-se a uma venda próxima para comprar uma garrafa de cerveja. Notando a ausência de Luiza e vendo sobre a mesa uma garrafa e dois copos, Clara foi ao quarto ocupado pela sua nova inquilina e aí encontrou-a jazendo por terra, com um ferimento que ainda gotejava sangue (...). Comunicado a polícia o ocorrido, compareceu imediatamente o dr. Carijó, 1º...

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    Flávia Oliveira, colunista de Opinião (Foto: Arquivo/ O Globo)

    Faltava falar das flores

    Eu sou conversadeira, sempre fui. Minha mãe, Dona Anna, adorava dizer que, desde menina, eu falava mais que a “preta do leite”. Desconheço a origem da expressão, mas com base no meu comportamento, deduzo que significa muito, demasiado, excessivamente. Pois tudo que já fui capaz de vocalizar em meio século de vida não chega perto do tanto que tenho dito em três meses da pandemia da Covid-19. Nunca antes. São lives e mais lives. E debates e telejornais e programas de rádio e gravação de podcasts e aulas e horas de áudio com familiares, amigos, recém-conhecidos. Na maior parte das vezes, as conversas tratam de condições de saúde, dos efeitos das crises sanitária, econômica, social e política na vida brasileira, das mulheres, dos negros, dos jovens. Tenho especulado um monte sobre a retomada da economia, vergonhosamente precipitada em território nacional como não fora em outras paragens; que tamanho terá a...

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    Bianca Santana processa Jair Bolsonaro. O presidente a acusou de ter produzido uma notícia falsa - Foto: João Benz

    Bianca Santana e a pergunta urgente: quando o movimento negro convoca atos, quem vai?

    A escritora, jornalista e pesquisadora Bianca Santana, convidada do BdF Entrevista desta semana, se tornou uma das vozes mais escutadas dentro do movimento negro brasileiro, com trânsito livre entre lideranças reconhecidas como a filósofa Sueli Carneiro; Milton Barbosa, fundador do Movimento Negro Unificado (MNU); a socióloga Vilma Reis; Entre outros. Escritora refuta que manifestações americanas coloquem pressão nos movimentos brasileiros Na semana em que os estadunidenses saíram às ruas para protestar pela morte de George Floyd, imagens de prédios e viaturas incendiados tomaram conta das redes sociais no Brasil, quase sempre acompanhadas de uma legenda que propunha uma ironia: “A nota de repúdio deles”. Para Bianca Santana, a pandemia inspira cuidados especiais, "principalmente os mais pobres", o que gera dúvidas na escritora sobre a realização de manifestações neste momento. Porém, excetuado o período de pandemia, Santana estimula a comparação, mas vai além, reivindica que se entregue ao movimento negro brasileiro, então, o protagonismo nas ruas e que...

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    (Foto: Reprodução/ Negras Plurais)

    De licença-maternidade e em meio à pandemia, ela decidiu impulsionar os negócios de mulheres negras

    Quando Caroline Moreira, de 35 anos, se movimenta, pelo menos duas mil profissionais negras de sua rede de contatos se movimentam com ela. E a empresária, que se tornou referência quando o assunto é impulsionar o empreendedorismo negro, decidiu que não podia parar sua luta antirracista por protagonismo negro nem durante a licença-maternidade. Por isso, nos últimos seis meses, idade da pequena Luna, a CEO da Negras Plurais decidiu continuar o processo de criação do primeiro aplicativo de oferta de produtos e serviços de mulheres pretas da América Latina e, diante da pandemia, acelerou o passo. Quando olho para os meus filhos - além de Luna, ela tem Miguel, de 7 anos -, sinto culpa por não estar me dedicando tanto quanto gostaria, mas acredito que a luta antirracista é mais urgente agora porque estou trabalhando para construir um mundo para eles. Acredito que eles vão entender o que estava...

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