sexta-feira, setembro 18, 2020

    Esquecer? Jamais

    Peças da "Coleção da Magia Negra" sendo vistoriadas pela comissão dos direitos humanos da Alerj em 2017 (Foto: Arquivo Pessoal/Flavio Serafini)

    Após 75 anos, polícia libera bens que contam origem do candomblé no Rio 

    Um conjunto de oito anéis pode ajudar a reconstituir linhagens antigas da umbanda e do candomblé carioca. Os itens fazem parte da chamada Coleção da Magia Negra, formada por objetos apreendidos pela Polícia Civil no Rio. Após quase cem anos anos sob tutela da instituição, as 523 peças do acervo tiveram sua transferência para o Museu da República, no Catete, anunciada no começo de agosto. Segundo o historiador da Universidade Federal Fluminense (UFF) Luiz Gustavo Alves, os anéis de metal pertenciam a líderes de religiões afro-brasileiras. Os desenhos e inscrições talhados neles devem colaborar para ampliar a compreensão dos cultos praticados em uma época em que as manifestações religiosas de matriz africana eram alvo de perseguição no país. Além das joias, um grupo de 22 cachimbos é outro destaque da coleção, por, de acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), estar em bom estado de conservação....

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    Bandeira da Revolta de Búzios Imagem: Imagem Ilustrativa/Retirada do site UOL

    Pauta racial marcou projeto de revolução democrática no Brasil há 222 anos

    Em 12 de agosto de 1798, ou seja, há exatos 222 anos, iniciava em Salvador uma tentativa de revolução democrática e popular, reunindo escravizados, soldados e trabalhadores como ourives, artesãos, pedreiros e alfaiates. Inspirados nos ideais de liberdade e igualdade que haviam derrubado a monarquia francesa em 1789, os revoltosos baianos pretendiam um levante contra o poder colonial português, a proclamação de uma república e o fim da escravidão. A Revolta dos Búzios, como foi definitivamente nomeada pelo seu caráter racial, mostrou-se mais radical nos propósitos de independência do Brasil e mais republicano do que a Inconfidência Mineira, de 1789, porque trazia os anseios das classes subordinadas do Brasil colonial, incluindo na liderança negros e mestiços que sofriam discriminação social e racial, como os escravizados, trabalhadores explorados e os soldados que não conseguiam promoção por causa da cor. Ao longo da história, o movimento ganhou diversas denominações como Conjuração Baiana,...

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    A escritora Maria Firmina dos Reis, em desenho: não há imagem da autora disponível, e retrato que conhecido é na verdade da escritora gaúcha Maria Benedita Cãmara Imagem: Câmara dos Deputados/Reprodução/Imagem retirada do site TAB

    Autora negra antecipou o abolicionismo na literatura brasileira em 1859

    "Sei que pouco vale este romance, porque escrito por uma mulher, e mulher brasileira, de educação acanhada e sem o trato e a conversação dos homens ilustrados (?)." É assim que Maria Firmina dos Reis (1822-1917), então professora de primeiras letras de São José de Guimarães, vila litorânea no Maranhão, inicia "Úrsula", obra publicada em 1859. Pedindo licença para que o livro pudesse caminhar entre nós, a autora, registrada como "uma maranhense" no frontispício da primeira edição, não poderia imaginar qual seria o impacto de sua "tímida e acanhada" produção: "Úrsula" não apenas se tornou a obra inaugural de nossa literatura afro-brasileira — marcando de vez a posição de Firmina na historiografia literária nacional —, como antecipou em no mínimo dez anos os debates abolicionistas que viriam aterrissar nas terras do então Império. Conhecido como o primeiro romance de autoria negra e feminina no Brasil — e o primeiro no...

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    Mais de 12 milhões de africanos foram transportados à força de um lado ao outro do Atlântico para trabalhar como escravos nas Américas (Imagem: Reuters)

    Mapeamento genético revela novas origens de escravizados no Brasil

    Com base em amostras de DNA de 50,2 mil pessoas nas Américas e na África, coletadas de um banco de dados de milhões de amostras de empresas e projetos genômicos, pesquisadores da companhia 23andMe e da Universidade de Leicester (Reino Unido) traçaram um paralelo entre o perfil genético de descendentes de escravizados e os documentos históricos disponíveis sobre a escravidão. Os resultados foram publicados no periódico American Journal of Human Genetics. Muitas das conclusões dos pesquisadores se aplicam à população afrodescendente do Brasil. A maioria das conclusões é consistente com o que historiadores já sabiam a partir dos registros históricos dos navios que transportavam os escravizados, mas a análise genética traz novidades. Ubuntu: o que significa filosofia africana e como pode nos ajudar nos desafios do hoje "O deslocamento forçado de mais de 12,5 milhões de homens, mulheres e crianças da África para as Américas entre 1515 e 1865 teve...

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    Luiz Gama (1880) Imagem: Wikipédia Commons

    Após ser ilegalmente escravizado, Luiz Gama fez dos jornais seu espaço estratégico

    No momento em que as lutas antirracistas mobilizam, em escala global, reflexões sobre os significados profundos de expressões como “racismo estrutural”, “vidas negras importam” e “parem de nos matar”, a coletânea Lições de resistência: artigos de Luiz Gama na imprensa de São Paulo e do Rio de Janeiro, com textos publicados entre 1864 e 1882, oferece conteúdo bastante apropriado para o público brasileiro. O livro, organizado por Ligia Fonseca Ferreira, figura como uma ferramenta relevante para o diálogo com o passado interessado no entendimento das duradouras dinâmicas de violência cometidas contra a população negra no país. Última nação das Américas a abolir o escravismo, após ter absorvido o maior contingente de mulheres e homens africanos escravizados via tráfico transatlântico, o Brasil assistiu aos esforços de representantes da elite nacional, marcadamente branca, para instituir narrativas históricas que alegavam a vigência de uma “escravidão branda” e de uma sociedade remida do “ódio...

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    Foto: Derek R. Henkle/AFP

    Cidade de Chicago retira estátuas de Cristóvão Colombo após protestos

    O gabinete da prefeita da cidade informou em comunicado que a decisão foi tomada "depois de consultar várias partes interessadas e em resposta aos protestos que se tornaram inseguros tanto para os manifestantes como para a polícia". "Esse é um esforço para proteger a segurança pública e preservar um espaço seguro para o diálogo inclusivo e democrático sobre símbolos em nossa cidade", acrescentou o comunicado à imprensa, antecipando que a prefeita de Chicago, Lori Lightfoot, anunciará um processo de avaliação dos vários monumentos e murais da cidade. No último fim de semana, ativistas e autoridades eleitas pediram à prefeita que retirasse a estátua de Colombo do Grant Park, após um confronto entre a polícia e os manifestantes que terminou com feridos e 12 detenções. No comunicado desta sexta-feira (24/7), o gabinete da prefeita referiu-se aos esforços dos manifestantes em derrubar a estátua no Grant Park por conta própria "de uma...

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    Estatua de manifestante do 'Black Lives Matter' substitui monumento de escravocrata derrubada no mês passado em Bristol (Foto: Reprodução/Instagram)

    Estátua de manifestante do movimento ‘Black Lives Matter’ substitui monumento de traficante de escravos em Bristol, Inglaterra

    Bristol, uma cidade na Inglaterra a quase 200 km de Londres, chamou a atenção do mundo todo, no mês passado, depois que manifestantes do movimento 'Black Lives Matter' derrubaram uma antiga estátua de um traficante de escravos do século XVII e a jogaram no rio Avon. O monumento de bronze, que homenageava Edward Colston (1636-1721), estava instalado no centro do municipio desde 1895, porém, com os debates acerca da justiça racial e do racismo, o objeto vinha se tornando cada vez mais controverso e foi alvo durante as manifestações que aconteceram depois da morte do segurança negro, George Floyd, nos Estados Unidos. Hoje, a região voltou a ser manchete internacional, pois o pedestal que abrigava o monumento do escravocrata ganhou uma nova moradora. É que um artista britânico, chamado Marc Quinn, projetou uma estátua que representa uma manifestante negra do movimento que surge com o punho erguido em uma saudação ao Black Power, e a instalou no...

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    Reino Unido endividou-se para proteger escravocratas

    Conforme relembrou recentemente o jornal britânico The Telegraph, somente em fevereiro de 2015, o governo do Reino Unido, à época liderado pelo conservador David Cameron, finalmente terminou de pagar uma dívida descomunal de origem vergonhosa, contraída 180 anos antes. Tratava-se da liquidação dos últimos pagamentos referentes a um imenso empréstimo contraído em 1835, pelo tesouro britânico, e que teve como objetivo indenizar proprietários de empresas agrárias nas colônias caribenhas que tiveram “perdas de propriedades” a partir da abolição da escravidão. Calculadas a partir do número de “propriedade perdidas”, isto é, mulheres, homens e crianças libertas, as indenizações foram oficializadas em 1837, através da promulgação do Slave Compensation Act (Ato de Compensação Escravocrata, em tradução livre), cinco anos após a aprovação da abolição da escravidão, em 1833, pelo parlamento inglês e pelo rei William IV. Para indenizar os quase 47 mil proprietários de escravos que se sentiram prejudicados pelo fim do...

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    Josh Johnson em ação pelo Washington Redskins — Foto: Christopher Hanewinckel / USA Today

    Washington Redskins vai mudar nome e logo na NFL após pressão antirracista

    Após pressão de grupos antirracistas, o Washington Redskins anunciou que vai mudar o nome da franquia. Nesta segunda-feira, a diretoria divulgou um comunicado afirmando que vai buscar uma nova marca para o time, um dos mais tradicionais da NFL, a liga de futebol americano. O time de Washington levou em consideração os recentes eventos antirracistas que aconteceram nos Estados Unidos e também as opiniões da comunidade, que pede pela mudança do termo "redskins" (peles vermelha), por conta da sua conotação racista com os índios, povo nativo americano. O time foi batizado com o termo em 1933, quando saiu de Boston para Washington, e deixou de se chamar Braves. Em 2013, Dan Snyder, dono da franquia, chegou a dizer que o time nunca trocaria de nome. Há dez dias, porém, a franquia de Washington já havia admitido a possibilidade de mudança.   Ver essa foto no Instagram   Uma publicação compartilhada...

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    Entre 1831 e 1850, navios com a bandeira norte-americana corresponderam a 58,2% de todas as expedições negreiras com destino ao Brasil (Imagem: SLAVERYIMAGES )

    Como os EUA lucraram com tráfico de africanos escravizados para o Brasil

    Pesando 122 toneladas e com um valor estimado em US$ 15 mil dólares, a Mary E. Smith foi construída em Massachusetts especificamente para o tráfico negreiro. Antes mesmo de deixar Boston rumo à África, no dia 25 de agosto de 1855, a escuna chamou a atenção das autoridades britânicas e norte-americanas. Houve até uma tentativa de prisão na saída, mas o capitão, Vincent D. Cranotick, conseguiu expulsar os intrusos e partir. Poucas embarcações do tráfico foram tão monitoradas quanto a Mary E. Smith. A Marinha no Rio de Janeiro, ao receber a correspondência dos EUA, alertou oficiais britânicos, brasileiros e americanos sobre a chegada iminente da escuna. Ao se aproximar da costa, foi abordada pelo navio de guerra Olinda e levada para Salvador, na Bahia. A situação era preocupante. Majoritariamente jovens com entre 15 e 20 anos, os africanos padeciam de diversas doenças — nos 11 dias de viagem entre...

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    Tebas, o escravo que virou arquiteto (Foto: Wikimedia Commons)

    Quem foi Tebas, escravo que virou arquiteto em meio ao Brasil Colonial

    Após ser alforriado aos 58 anos, Joaquim Pinto de Oliveira, mais conhecido como Tebas, se tornou arquiteto na cidade de São Paulo durante o Brasil Colonial. Nascido em Santos, litoral paulista, em 1721, teve sua profissão reconhecida apenas em 2018, mais de 200 anos depois de sua morte, quando o Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo (Sasp) o homenageou com base em documentos oficiais reunidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O jornalista Abilio Ferreira, organizador do livro Tebas: um negro arquiteto na São Paulo escravocrata (2019) aponta que Oliveira não foi uma exceção, mas um personagem importante para enaltecer esse segmento esquecido da população colonial. “Os africanos transplantados para as Américas trouxeram consigo muitos conhecimentos, principalmente sobre o trabalho com pedras e metais", afirma Abilio, em entrevista a Casa Vogue. Tebas foi escravizado pelo português Bento de Oliveira Lima, mestre de obras com quem...

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    O deputado lembra que "o projeto prevê a criação do 'Museu da História da Escravidão e Invençãoda Liberdade (Foto: Ascom)

    PL que determina a retirada de estátuas de escravocratas em espaços públicos é apresentada na Bahia

    A Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) recebeu projeto de lei de autoria do deputado Hilton Coelho (PSOL) que determina a retirada de estátuas, monumentos, placas, ou toda e qualquer outra forma de homenagem ou valorização de figuras históricas que estiveram ligadas ao comércio escravagista com a África. Deve ser feita a retirada dos prédios, espaços públicos, ruas, rodovias, viadutos e logradouros, e de toda e qualquer obra ou bem público do Estado da Bahia. Essas peças serão encaminhadas para um Museu estadual criado para este fim e também previsto no projeto de lei. De acordo com o projeto uma comissão elaborará relatório acerca dos principais personagens históricos que contribuíram para a escravização humana no Brasil, no período de 1500 a 1888. Identificará, também, a localização das peças que se refiram a tais personagens históricos. “Com a aprovação de nosso projeto, fica proibida a atribuição de nomes d e tais personagens,...

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    Imagem do ex-presidente Teddy Roosevelt a cavalo foi esculpida com uma indígena e um negro caminhando ao lado dele (foto: Flickr)

    Museu de NY vai retirar estátua de Teddy Roosevelt por simbologia racista

    O Museu de História Natural de Nova York anunciou que vai retirar a estátua do ex-presidente americano Theodore Roosevelt da entrada principal da instituição, em um momento de intensa campanha nacional contra os monumentos históricos considerados racistas. O museu informou que fez o pedido ao prefeito de Nova York, Bill de Blasio, e que este aceitou em meio às manifestações nacionais contra o racismo e a brutalidade policial após a morte de George Floyd, um homem negro, por um policial branco em 25 de maio em Minneapolis. "Enquanto nos esforçamos para avançar na busca apaixonada de nossa instituição, nossa cidade e nosso país por justiça racial, acreditamos que a remoção da estátua será um símbolo de progresso e de nosso compromisso para construir e sustentar uma comunidade do museu inclusiva e equitativa e uma sociedade mais aberta", afirmou Ellen Futter, presidente do museu, em um comunicado. Teddy Roosevelt, que foi...

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    The Gulf Stream, 1899 - Winslow Homer ©The Metropolitan Museum of Art

    Na barriga do peixe grande

    No próximo dia 4 de setembro devemos relembrar uma data importante na história da nação brasileira: 170 anos do fim do tráfico transatlântico de africanos escravizados. Quando em 1850, pressionado pelos ingleses, Euzébio de Queiróz, então ministro da justiça, promulgou a segunda lei de abolição do tráfico negreiro, o Brasil já havia recebido 4,8 milhões do total de mais de 5,3 milhões de africanos deportados como escravos para trabalharem nas minas e plantações de algodão, açúcar e café, nos serviços domésticos e nas diversas atividades urbanas. Na história do comércio de africanos escravizados e de sua repressão, os tubarões protagonizaram boa parte das narrativas que detalham a travessia atlântica. Também na pintura, artistas como: Winslow Homer e Joseph M. W. Turner representaram, realisticamente, esses vorazes predadores que seguiam os navios negreiros, do ponto de compra até o ponto de venda, ávidos por destroçarem, em fração de segundos, os corpos dos...

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    Imagens da derrubada de estátua de comerciante de escravos do século 17 em Bristol ganharam o mundo (Foto: picture-alliance/empics/B. Birchall)

    Vamos derrubar estátuas para descolonizar

    Quando vi manifestantes derrubando a estátua do mercador de escravos Edward Colston em Bristol, senti que ela não seria a última dessa onda. Lembrou-me um assomo de ira semelhante quando, em 2015, estudantes da Universidade da Cidade do Cabo fizeram tombar o monumento ao imperialista Cecil Rhodes. Desde então, outros protestos em universidades da África do Sul profanaram mais estátuas da era colonial. Em Oxford, no país natal de Rhodes, milhares estão protestando pacificamente para remover outra estátua dele. Há quem considere anti-intelectual remover qualquer monumento, e argumente que essas figuras representavam os valores de sua época. Mas, e os valores de nossos tempos? Até que ponto o passado ainda controla o nosso presente? Numa época em que cidadãos negros ainda sofrem por todo o mundo, essas estátuas - assim como as ruas com nomes de racistas - não são meros monumentos. Elas lembram aos racistas que gente que demonstrou...

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    Estátua da Liberdade em montagem em Paris, 1878 (Imagem retirada do site Outras Palavras)

    As estátuas do nosso desconforto

    As estátuas parecem-se muito com o passado, e é por isso que sempre que são postas em causa nos viramos para os historiadores. A verdade é que as estátuas só são passado quando estão tranquilas nas praças, partilhando a recíproca indiferença entre nós e elas. Nesses momentos, que por vezes duram séculos, são mais intencionalmente visitadas por pombas do que por seres humanos. Quando, no entanto, se tornam objeto de contestação, as estátuas saltam do passado e passam a ser parte do nosso presente. Doutro modo, como poderíamos dialogar com elas e elas conosco? Claro que há estátuas que nunca são contestadas, quer porque pertencem a um passado demasiado remoto para saltar para o presente, quer porque pertencem ao presente eterno da arte. Estas estátuas só não estão a salvo de extremistas tresloucados, caso dos Budas de Bamiyan, do século V, destruídas pelos talibãs do Afeganistão em 2001. As estátuas...

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    Português ganhou dinheiro com tráfico de africanos para o Brasil depois que a atividade já havia deixado de ser legal no país (Foto: ACERVO FGM)

    Quem foi Joaquim Pereira Marinho, o traficante de escravos que virou estátua na capital mais negra do Brasil 

    Quando manifestantes antirracistas retiraram a estátua do britânico Edward Colston, no domingo (7), e a jogaram no fundo de um antigo porto de navios negreiros em Bristol, as imagens reacenderam debates sobre monumentos semelhantes na Europa e nos Estados Unidos. Enquanto isso, em Salvador, o porto onde chegou quase um terço dos africanos trazidos ao Brasil, a homenagem a um dos principais traficantes de escravizados continua imperturbável diante de uma praça pública no centro da cidade. Sua biografia ainda é conhecida, praticamente, apenas por historiadores. A estátua do português Joaquim Pereira Marinho, que fica diante do hospital Santa Izabel, no Largo de Nazaré, na capital baiana, é um exemplo de como país ainda lida com a memória da escravidão, de acordo com um grupo de historiadores que decidiu mapear as homenagens do tipo na cidade. "Aqui nós sequer temos ideia dos monumentos a figuras do passado que têm conexões com...

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    (Foto: Imagem retirada do site Correio Brazileinse)

    Faremos Palmares de novo

    O ano de 1988 foi marcado por experiências significativas que ficaram na memória do ativismo negro no Brasil. A promulgação da Constituição cidadã, contemplando demandas do segmento, o centenário da abolição da escravatura, ocorrido entre festas e protestos, e a criação da Fundação Cultural Palmares FCP/ MinC, em meio à turbulência resultante das divergências entre o Estado e expressiva parcela do movimento social, são episódios importantes que nos remetem a profundas reflexões. No momento em que se aproximava o centenário da abolição da escravatura, interpretações dissonantes acerca da ocasião tornaram-se perceptíveis para maior percentual da sociedade brasileira. A Nova República de José Sarney, primeiro presidente pós-ditadura, eleito indiretamente pelo Colégio Eleitoral na chapa encabeçada por Tancredo Neves, falecido antes mesmo de assumir o mandato, regozijava-se com a ideia de comemoração daquele centenário. A visão do Palácio do Planalto era um tanto distinta da referente ao Ministério da Cultura, que, nos...

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    Descendente da dinastia alemã Saxe-Coburgo-Gota, Leopoldo II foi rei dos belgas de 1865 a 1909 e é especialmente lembrado pela colonização do Congo Belga (Foto: Jonas Roosens/Belga/AFP)

    Estátua de Leopoldo II, rei que causou genocídio no Congo, é derrubada na Bélgica

    A cidade de Antuérpia, localizada no norte da Bélgica, derrubou a estátua incendiada do rei Leopoldo II para colocá-la em um museu. O monarca causou a morte de 10 milhões de africanos, a maioria da República Democrática do Congo. Em meio aos protestos antirracista no domingo (7) no país, estátuas do monarca foram alvo dos manifestantes em diversas cidades. Em Bristol, na Inglaterra, manifestantes derrubaram a estátua em homenagem ao traficante de escravos Edward Colston e a jogaram no rio da cidade. Segundo historiadores, Leopoldo II fez um reinado de 44 anos, a maior parte no final do século 19. Os monumentos em sua homenagem trazem à tona o passado colonial belga, marcado por exploração, violência e crueldade com povos africanos. Em Ghent, o monarca em bronze foi pintado de vermelho e recebeu um capuz no rosto, com as palavras “não consigo respirar” — a frase dita por George Floyd...

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    Estátua de Colombo sem cabeça, em Boston (foto: CBS Boston)

    Manifestantes “decapitam” estátua de Cristóvão Colombo nos Estados Unidos

    O navegador genovês Cristóvão Colombo, descrito em muitos livros de história como o “descobridor das Américas”, foi alvo de ira dos manifestantes antirracistas dos Estados Unidos, na noite de terça-feira (9). Em duas cidades, estátuas em sua homenagem foram atacadas por ativistas que o consideram um dos responsáveis pelo genocídio dos povos indígenas norte-americanos, e também um defensor do tráfico de escravos, atividade comercial comum em sua época, e durante muitos anos antes do seu nascimento e após a sua morte. Em Boston, estado de Massachusetts, os manifestantes decapitaram a estátua de Colombo que fica no Parque Byrd, e que amanheceu sem sua cabeça, sendo a principal curiosidade da paisagem local nesta quarta. A cabeça de Colombo foi deixada ao lado da estátua, que também teve as coisas pintadas com a inscrição “black lives matter” (“vidas negras importam”). A polícia está investigando autoria do ato. Já na cidade de Richmond,...

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