quinta-feira, julho 22, 2021

Esquecer? Jamais

Foto sem data, feita entre os anos 1904 e 1908, mostra um soldado com prisioneiros de guerra na Namíbia — Foto: Divulgação/Arquivos nacionais da Namíbia / AFP

Alemanha reconhece que cometeu genocídio na Namíbia

A Alemanha reconheceu pela primeira vez que cometeu um genocídio contra as populações das etnias hereros e namas da Namíbia no início do século XX, durante o período colonial. As autoridades do país africano afirmaram que a Alemanha deu um "passo na direção correta". "Do ponto de vista atual, hoje qualificaremos estes acontecimentos como o que são: um genocídio", declarou o ministro alemão das Relações Exteriores, Heiko Maas, em um comunicado. A Alemanha também anunciou que vai pagar ao país 1,1 bilhão de euros (R$ 7 bilhões) para ajudar no desenvolvimento e na reconstrução do país. A quantia será paga ao longo de um período de 30 anos e deve beneficiar de maneira prioritária os descendentes das duas etnias. Do ponto de vista jurídico, não se trata de uma compensação, e este reconhecimento não abre caminho para uma "demanda legal de indenização". Imagem de 2017 mostra...

Leia mais
Gravação do documentário 'The Old Us', sobre o passado escravocrata de famílias portuguesas - Divulgação/Imagem retirada do site Folha de São Paulo

Jovens portugueses quebram tabu e debatem passado escravocrata de suas famílias

“Os meus antepassados não só foram traficantes de escravos, como foram um dos maiores traficantes de escravos de Angola. O brasão da minha família ainda está no museu da escravidão em Luanda”, admite, sem eufemismos, a jornalista portuguesa Catarina Demony, 28. Embora Portugal e muitas famílias portuguesas tenham tido um papel relevante no comércio e exploração de africanos, relatos diretos como o dela ainda são exceção no país, e a admissão de experiências familiares com a escravatura permanece um tabu. Recentemente, porém, jovens portugueses têm usado diferentes estratégias para quebrar o silêncio. Entre newsletters, conferências, lives nas redes sociais e um documentário, eles debatem um passado muitas vezes incômodo para seus familiares. “O que me parece é que a escravatura foi uma das raízes dos problemas de racismo que nós temos hoje na sociedade portuguesa. Se nós não falarmos de uma forma direta e não formos à raiz do problema, as coisas não...

Leia mais
Mosteiros e conventos tinham pessoas escravizadas que eram obrigados a professar a fé católica, participando de missas, momentos de orações e recebendo os sacramentos (Foto: ARQUIVO NACIONAL / DOMÍNIO PÚBLICO)

Como viviam as pessoas escravizadas pela Igreja no Brasil

As grandes instituições religiosas do Brasil colonial e imperial tiveram negros escravizados — e muitos. Pesquisas recentes apontam para um número de escravos muito acima da média do que havia nas grandes propriedades rurais, práticas de incentivo à procriação para aumentar a quantidade de mão de obra e até mesmo uma tabela de preços para quem quisesse comprar a alforria — com critérios específicos para precificar cada ser humano. Os escravizados mantidos por mosteiros e conventos também eram obrigados a professar a fé católica, participando de missas, momentos de orações e recebendo os sacramentos. Os que se rebelavam quanto à conversão costumavam ser punidos com castigos "de forma exemplar" ou seja, com intensidade suficiente para convencer os demais a não repetir gestos de desobediência. De quebra, a luta pela aquisição de liberdade — ou seja, a compra de uma carta de alforria — costumava ser mais difícil para um escravo...

Leia mais
Racismo e violência do Estado ainda assolam a população negra 133 anos depois da Abolição (Foto: Carl de Souza/AFP)

Liberdade pelas mãos do povo preto: a verdadeira história do 13 de Maio e da Abolição

A sanção da Lei Áurea, que há exatos 133 anos aboliu oficialmente o trabalho escravo no Brasil, consolidou o 13 de Maio como uma data de protestos contra violências que atravessaram séculos e continuam vitimando a população negra. Uma realidade que, por si só, coloca em xeque a narrativa registrada por muito tempo nos livros de história de que os males da escravidão teriam sido sanados no momento seguinte à assinatura de Princesa Isabel. Matheus Gato, professor da Universidade de Campinas (Unicamp) e pesquisador do Núcleo Afro do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), afirma que o 13 de Maio é uma data importante pelo simbolismo que adquiriu nas lutas sociais do Brasil e pelo processo social que fora interrompido, transformando o significado de pertencimento dos negros à nação brasileira. Mas, explica que, ao longo do século 20, a data engendrou uma série de disputas de imaginário sobre como...

Leia mais
Bianca Santana, jornalista, cientista social e pesquisadora - Foto: Bruno Santos/Folhapress

Treze de maio nas ruas

No papel, e só no papel, foi abolida a escravidão negra naquele 13 de maio de 1888. Já havia uma maioria de pretos livres. E direitos mesmo não foram garantidos a pessoas negras até hoje. No futuro, imagino que olhem para os nossos dias como pós-abolição; 132 anos são muito pouco perto dos quase 400 de escravização. Corpos negros ainda não são considerados humanos. Não deu tempo. Tempo, nkisi sobre o qual já escrevi por aqui, ontem foi celebrado na live de lançamento de “Continuo Preta: a vida de Sueli Carneiro”. De forma generosa, no bate-papo entre nós duas, Sueli Carneiro afirmou que eu era uma fazedora de tempos, por ter escrito o livro em meio a outras atividades. Levantou a bola para que eu pudesse contar que, na verdade, eu dançava com Tempo. E fazia oferendas a ele, normalmente com mel, pipoca, fumo. Hoje, com palavras. Para isso, peço...

Leia mais
Historiadores vêm tentando resgatar a trajetória de pessoas negras escravizadas na época colonial a partir de um amplo leque de documentos da época (Getty Images)

A luta de um homem negro pela liberdade entre Caribe, Brasil, África e Europa

Foi a culminação de uma saga: João José, um homem negro, nascido livre, feito prisioneiro e depois escravizado, àquela altura teria cruzado o Atlântico duas vezes, de Havana (capital da atual Cuba) a São Tomé (maior ilha de São Tomé e Príncipe, na África), do Rio de Janeiro a Londres, até protocolar seu pedido de liberdade em Lisboa. "Diz João José, homem preto que nascendo livre de pais ingênuos na cidade de Sam Christovão de La Habana Indiaz de Espanha, e servindo nas naus de S. Majestade católica foi aprisionado por hum navio inglês, com os quais navegou alguns tempos, até que indo em outra embarcação arribado a Ilha de S. Tomé conquista deste Reino, fugiu o suplicante ", diz um trecho da ação judicial, que está no Arquivo Histórico Ultramarino de Portugal. "Ingênuos" era a expressão da época para se referir a filhos de escravos que nasceram livres. João...

Leia mais
Placa do Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) em frente a casa de Evanston, primeira cidade dos EUA a pagar reparação histórica em dinheiro a negros pela escravidão e políticas de segregação
(Imagem: Getty Images)

Pela 1ª vez, cidade dos EUA pagará reparação pela escravidão; e no Brasil?

A cidade de Evanston, ao norte de Chicago, no estado de Illinois, se tornou a primeira dos Estados Unidos a pagar restituições em dinheiro a pessoas negras como reparação histórica pela escravidão, políticas de segregação e consequências do racismo ao longo dos anos. Aprovado na semana passada, o programa vai distribuir US$ 25 mil (equivalente a R$ 138 mil) para famílias negras. "Reparação é a resposta legal mais apropriada para as práticas históricas que levaram às condições contemporâneas da população negra ", disse à NBC News Robin Rue Simmons, vereadora que propôs a medida. Para financiá-lo, a cidade usará doações comunitárias e a 3% da receita do imposto da maconha recreativa, que é legalizada em Illinois. Com o valor, a cidade adotou um fundo de reparação e promete distribuir US$ 10 milhões por 10 anos. O dinheiro será destinado para custear reparos domésticos ou hipotecas. O acesso à quantia será...

Leia mais
Francisco Nascimento, o Dragão do Mar, em ilustração de 1884 da publicação carioca "Revista Ilustrada", uma cortesia da Biblioteca do Senado Federal, reproduzida no artigo da Universidade da Flórida (Foto: Imagem retirada do site Diário do Nordeste)

Descoberta do túmulo de Dragão do Mar vira destaque em universidade americana

A descoberta do túmulo do herói cearense Dragão do Mar foi destaque, nesta sexta-feira (29), no site da Universidade da Flórida, no sul dos EUA, mostrando que a fama do jangadeiro abolicionista (1839-1914) ultrapassa fronteiras e ganha espaço no mundo acadêmico no exterior. Sob o título "Lost and found: The tomb of the Sea Dragon, Brazil's famous abolitionist" (Perdido e encontrado: o túmulo de Dragão do Mar, o famoso abolicionista do Brasil), o texto detalha a dissertação do historiador cearense Licínio Nunes de Miranda, cujo trabalho acadêmico resultou no fim de um mistério de mais de um século sobre o paradeiro do corpo do jangadeiro nascido em Canoa Quebrada, em Aracati (litoral leste do Ceará). Historiador cearense e doutorando na Universidade da Flórida, Licínio Nunes de Miranda, fez selfie diante do túmulo de Dragão do Mar, descoberto no Cemitério São João Batista, em Fortaleza (Foto: Imagem...

Leia mais
Movimento Black Lives Matter reacendeu discussões sobre indenizações a descendentes de escravos (GETTY IMAGES)

O movimento que defende indenização a descendentes de escravos pelo mundo

Mas a estudante de 21 anos se surpreendeu com o que descobriu sobre esse passado ao pesquisar nos arquivos da universidade. "O que me chocou foram os documentos (mostrando que) pessoas escravizadas eram tratadas como mero objetos. Por exemplo, estudantes traziam seus próprios escravos para trabalhar na universidade como forma de pagar menos nas anuidades", diz ela à BBC. "Foi um momento que abriu meus olhos. Senti que algo precisaria ser feito para corrigir o legado de toda essa injustiça." Desde então, Maya está ativamente engajada nos debates sobre a reparação da escravidão — um conceito político de justiça que defende a necessidade de promover reparações econômicas para injustiças ocorridas no passado. A estudante Maya Moretta é parte de uma campanha que pede indenizações à Universidade Georgetown (ARQUIVO PESSOAL MAYA MORETTA) É um conceito altamente polarizador, como a própria Maya descobriu quando começou a fazer campanha...

Leia mais
Desenho de Esperança Garcia, negra escravizada que foi reconhecida como primeira advogada do Piauí (Ilustração: Valentina Fraiz)

Quem foi Esperança Garcia, negra escravizada reconhecida como 1ª advogada do Piauí

Esperança Garcia, mulher negra e escravizada, escreveu ao governador do estado do Piauí em 1770, denunciando os maus-tratos que tanto ela quanto suas companheiras e seus filhos sofriam. Também reclamava do fato de ter sido separada de seu marido e do impedimento de batizar as crianças. Devido a essa carta, Esperança recebeu o título simbólico pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) do Piauí de primeira advogada do estado. A carta de Esperança foi encontrada em 1979, no Arquivo Público do Piauí, pelo historiador Luiz Mott. A descoberta de sua reivindicação fez dela símbolo da luta por direitos e da resistência negra. Em sua homenagem, o dia 6 de setembro, data da carta, foi instituído como Dia Estadual da Consciência Negra no Piauí. O reconhecimento por parte da OAB foi fundamentado em dois anos de pesquisa da Comissão Estadual da Verdade da Escravidão Negra da seção local da Ordem e...

Leia mais
Foto: REVISTA O MALHO/BIBLIOTECA NACIONAL DIGITAL / EL PAÍS

Há 110 anos, marujos denunciaram chibata na Marinha e racismo no Brasil pós-abolição

O Rio de Janeiro entrou em pânico. Quando correu a notícia de que, da Baía de Guanabara, quatro navios de guerra apontavam seus canhões para a cidade, os cariocas fizeram as malas às pressas para fugir da morte. Na Estação Central do Brasil, os trens para longe da capital da República partiram lotados. Nos bondes com destino aos subúrbios, os passageiros viajaram espremidos, muitos pendurados no lado de fora. O perigo era real. Numa amostra do estrago que eram capazes de provocar, os encouraçados fizeram disparos que mataram duas crianças no Morro do Castelo, no Centro, a poucos metros da Câmara dos Deputados. O senador Ruy Barbosa (BA) contou aos colegas, num discurso no Senado, o horror de ter sido testemunha ocular do ataque naval: — Foi com a minha filha chumbada ao leito, por uma enfermidade que não nos permite sequer movê-la na sua própria cama, que tive esta...

Leia mais
Esboço do desenho da estátua de Tebas, que será entregue no dia 20 de novembro - Divulgação

SP terá estátua de Tebas, o homem escravizado que comprou sua liberdade como arquiteto

No ano em que estátuas que homenageiam bandeirantes, colonizadores, escravocratas e figuras tidas como racistas foram questionadas e derrubadas, São Paulo coloca de pé um monumento que joga luz à história de Joaquim Pinto de Oliveira, arquiteto escravizado do século 18 conhecido como Tebas. A obra é assinada pelo artista plástico Lumumba Afroindígena, 40, com coautoria da arquiteta Francine Moura, 43. O valor de R$ 171 mil foi custeado pela Secretaria Municipal de Cultura da cidade e a peça será entregue no dia 20 de novembro, em ato simbólico do Dia da Consciência Negra. A inauguração oficial será no dia 5 de dezembro, durante a sexta edição da Jornada do Patrimônio —evento que resgata as memórias da capital e vai homenagear Tebas com outras intervenções artísticas. A estátua, que ficará suspensa no ar, é feita de aço inox, ferro e concreto aparente na base. Ela busca retratar a condição de escravizado, a liberdade,...

Leia mais
Igreja que é símbolo de sincretismo e respeito a religiões de matriz africana em Salvador abriga túmulo de um dos maiores traficantes de escravizados da Bahia (Getty Images)

O traficante que deu origem ao culto do Senhor do Bonfim e outras descobertas do ‘mapa da escravidão’ em Salvador

Mas a praça diante da igreja homenageia um dos principais traficantes de africanos escravizados da Bahia. Seu túmulo, na verdade, está em destaque dentro do templo, já que ele foi o responsável por trazer a imagem que permitiu o culto ao Senhor do Bonfim no Estado. Em meio ao debate sobre homenagens a traficantes de seres humanos retirados da África — que ganhou nova força com os protestos de movimentos antirracistas nos Estados Unidos e na Europa neste ano — um grupo de historiadores decidiu jogar luz sobre esta e outras ligações esquecidas de homenagens, ruas e locais históricos de Salvador com a escravidão. Salvador foi o segundo maior porto de desembarque de africanos nas Américas durante a vigência do comércio transatlântico de pessoas escravizadas, atrás apenas do Rio de Janeiro. Estima-se que mais de 1,2 milhão de africanos chegaram à Bahia nos chamados navios negreiros. A iniciativa dos historiadores...

Leia mais
Ilustração de Solitude - Divulgação/Imagem retirada do site Aventuras na História)

Paris anuncia estátua em homenagem a heroína dos escravizados de Guadalupe

No último sábado, 26, Paris inaugurou um parque onde será inserida a estátua de Solitude, uma mulher negra grávida que enfrentou os horrores do período em Guadalupe, Caribe, no século 19. A inauguração foi realizada por Anne Hidalgo, prefeita da cidade. Filha de uma escrava africana com um marinheiro branco, Solitude se tornou uma “histórica heroína dos escravos de Guadalupe”, disse a cidade em comunicado. O monumento em homenagem a Solitude será colocado no jardim, que também recebeu o nome da mulher. Segundo Anne, a heroína foi uma "mulher que, por sua valentia e seu compromisso com a justiça e a dignidade, abriu junto com outros o caminho para uma abolição definitiva da escravidão na França". A prefeita também falou sobre a escultura: "Em breve, uma estátua desta heroína, a primeira de uma mulher negra em Paris, será colocada aqui". Quem foi Solitude? Presa e condenada à morte em 1802,...

Leia mais
Imagem retirada do site Racismo Ambiental

Antônio Bento de Souza e Castro: O Chefe dos Caifazes

Escrita por Luiz Antônio Muniz de Souza e Castro, seu bisneto, e por Debora Fiuza de Figueiredo Orsi, “A Redenção de Antônio Bento” (Reality Books) é a primeira biografia do juiz branco abolicionista que ajudava negros escravizados a fugirem do cativeiro em São Paulo. No texto abaixo, o autor fala um pouco sobre ele: “Sem dúvida alguma somos, Débora e eu, hoje no Brasil as pessoas mais habilitadas a falar sobre Antônio Bento, meu bisavô, depois de mais de uma década de pesquisas sobre a obra e vida deste herói tão pouco valorizado pela historiografia do Brasil. Podemos garantir que os leitores e estudiosos ficarão encantados com o que encontrão na biografia, pois nem só conhecerão detalhes que até hoje permaneceram sepultados em documentos da época, como também vem de forma definitiva esclarecer equívocos sobre sua vida que por falta de pesquisa foram sendo repetidos ao longo dos anos. “Esse descuido, perdoável...

Leia mais
Imagem extraída de HistoriaZine/Ceert

Os Lanceiros Negros e a Revolução Farroupilha

No dia 30 de abril de 1838, durante a Revolução Farroupilha (1835-1845), a mais longa guerra civil do Brasil, ocorrida na antiga Província de São Pedro (RS), o maestro negro, natural de Minas Gerais, Joaquim José de Mendanha (1800- 1885) se encontrava com sua banda, na Vila de Rio Pardo, quando o local foi atacado pelas tropas farroupilhas. Neste importante combate, conhecido como o do Barro Vermelho, os farroupilhas venceram , aprisionando o maestro e os músicos.     Conquistada a Vila de Rio Pardo, foi exigido  que o maestro Mendanha  compusesse  o hino da  República Rio-Grandense, que havia sido proclamada na manhã do dia 11 de setembro de 1836, nos Campos dos Menezes, pelo  Gen. Antônio Souza Netto (1803-1866). Esta proclamação ocorreu um dia após a vitória contra as tropas imperiais de Silva Tavares (1792-1872), na Batalha de Seival, em Bagé.   Desde a sua primeira execução, conforme a  edição, de 4/05/1839,...

Leia mais
Imagem retirada do site IAB

IAB aprova em sessão histórica parecer favorável à reparação da escravidão

A advogada encaminhará o parecer aos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (CFOAB), Felipe Santa Cruz; ao ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, e ao ministro-chefe da Casa Civil, general Braga Netto. Conforme o documento, “o objetivo da reparação da escravidão é reconstruir o modo de funcionamento da democracia brasileira e garantir a igualdade étnica-racial no exercício da cidadania, tendo como base o respeito à dignidade humana e o reconhecimento dos traumas da escravidão negra”. Os membros da comissão realizaram uma profunda análise jurídica da causa e das consequências do racismo estrutural e institucional. Eles discutiram a adoção de medidas que possam extinguir os resquícios da escravidão do cotidiano do País. Segundo Humberto Adami, “o parecer apresenta os fundamentos que legitimam a reparação da escravidão e destaca importantes ações afirmativas já adotadas, como...

Leia mais
Estátua do ex-rei belga Leopoldo II é coberta por tinta vermelha com uma marca do movimento Black Lives Matter em Bruxelas, na Bélgica. (Foto: FRANCOIS WALSCHAERTS / AFP)

Europa reluta em indenizar a África pela colonização

Em plena fúria global contra o racismo sistêmico, Burundi, um pequeno país na região dos Grandes Lagos africanos, anunciou que solicitará a seus antigos colonizadores, Alemanha e Bélgica, uma indenização de 36 bilhões de euros ― cerca de 225 bilhões de reais ― e a devolução de objetos roubados. Um grupo de especialistas composto por historiadores e economistas trabalhou desde 2018 para avaliar os danos econômicos sofridos pelo país durante o período colonial (1890-1962) e, com base nesse relatório, o Governo burundês prepara uma queixa formal, conforme anunciou o presidente do Senado local, Reverien Ndikuriyo. Os acadêmicos burundeses levaram em conta não só “os trabalhos forçados” e as penas “desumanas, cruéis e degradantes” impostas à população local durante a colonização mas também consideraram as consequências das políticas colonizadoras em longo prazo, com efeitos posteriores à independência. Especialmente, o decreto de 1931, que classificou a população em três grupos étnicos e...

Leia mais
Reprodução/Instagram

Historiadores negros promovem jornada sobre os 170 anos do fim do tráfico transatlântico de africanos escravizados

Há 170 anos, o fim do tráfico transatlântico de africanos escravizados passou a ser uma prioridade para o Estado brasileiro, que passou a tomar medidas concretas para interrompê-lo. Assim, a promulgação da Lei n. 581, em 4 de setembro de 1850, também conhecida como Lei Eusébio de Queirós, foi um evento crucial na formação e na história da nação brasileira, por razões que vão além da atuação do então ministro cujo nome batizou a lei. Em mais de três séculos, o Brasil se tornou o destino de aproximadamente 5,3 milhões de homens, mulheres e crianças, que foram arrancados da África e submetidos à escravidão em minas e plantações de açúcar, algodão e café, nos serviços domésticos e diversas atividades urbanas. Desse total, 4,8 milhões de pessoas sobreviveram à travessia. Ou seja, cerca de 500 mil vidas humanas foram perdidas em quase 10 mil viagens através do Atlântico. Em termos gerais,...

Leia mais
Peças da "Coleção da Magia Negra" sendo vistoriadas pela comissão dos direitos humanos da Alerj em 2017 (Foto: Arquivo Pessoal/Flavio Serafini)

Após 75 anos, polícia libera bens que contam origem do candomblé no Rio 

Um conjunto de oito anéis pode ajudar a reconstituir linhagens antigas da umbanda e do candomblé carioca. Os itens fazem parte da chamada Coleção da Magia Negra, formada por objetos apreendidos pela Polícia Civil no Rio. Após quase cem anos anos sob tutela da instituição, as 523 peças do acervo tiveram sua transferência para o Museu da República, no Catete, anunciada no começo de agosto. Segundo o historiador da Universidade Federal Fluminense (UFF) Luiz Gustavo Alves, os anéis de metal pertenciam a líderes de religiões afro-brasileiras. Os desenhos e inscrições talhados neles devem colaborar para ampliar a compreensão dos cultos praticados em uma época em que as manifestações religiosas de matriz africana eram alvo de perseguição no país. Além das joias, um grupo de 22 cachimbos é outro destaque da coleção, por, de acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), estar em bom estado de conservação....

Leia mais

Últimas Postagens

Artigos mais vistos (7dias)

No Content Available

Twitter

Welcome Back!

Login to your account below

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Add New Playlist