Questões de Gênero

Vítima foi agredida pelo marido e teve dificuldades para conseguir proteção do Estado. — Foto: Reprodução/TV Globo

Mulheres agredidas que vivem em comunidades do RJ relatam dificuldade para conseguir proteção

Mulheres agredidas que vivem em comunidades encontram um obstáculo a mais para conseguir proteção do Estado. "Particularmente, eu acredito que ainda estou em recuperação em relação a isso. Hoje eu faço uso de três medicações, calmantes e um antidepressivo. Então acabei desencadeando isso. A depressão, a ansiedade ", diz uma vítima agredida pelo companheiro, que encontrou dificuldade para conseguir ajuda. Ela prefere não se identificar porque o ex-companheiro ainda está solto e vive escondida em uma casa que ele não sabe onde fica. As lembranças da agressão ainda moram bem perto. "Eu descobri uma traição dele. E nesse questionamento da traição, nessa discussão, ele veio para cima de mim mais uma vez para me bater. Ele me deu muito soco. Muito, muito, muito soco. No rosto, na costela, na cabeça, nos meus braços e eu tentando me proteger. Os meus braços ficaram todos marcados. Mão, eu tentava levara mão no...

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Seis mulheres foram mortas em apenas cinco semanas na Suécia, país elogiado por sua igualdade de gênero; algumas mulheres ouvidas pela BBC dizem que não se sentem seguras nas ruas (Foto: Imagem retirada do site BBC)

Violência contra mulheres: como a ‘segura’ Suécia enfrenta onda de assassinatos

Seis mulheres foram mortas em apenas cinco semanas na Suécia, reacendendo debates sobre violência doméstica em um país geralmente elogiado por sua igualdade de gênero. As mortes aconteceram em três regiões diferentes e abrangeram três gerações, mas em quase todos os casos houve um traço comum: a prisão de um homem com quem elas tinham um relacionamento próximo. Dois dos assassinatos ocorreram em plena luz do dia: um no centro de uma cidade rural no sul do país e outro numa estação ferroviária e rodoviária em Linkoping, uma cidade universitária ao sul da capital sueca, Estocolmo. Em Flemingsberg, um subúrbio de Estocolmo de baixa renda repleto de blocos de prédios coloridos, uma mulher foi esfaqueada no apartamento que dividia com quatro filhos pequenos. O homem preso sob suspeita de seu assassinato é alguém que ela conhecia bem. 'Não me sinto tão segura' "Eu acho que essa violência contra as mulheres...

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Carmen Luz (Foto: Richner Allan / Divulgação)

Uma conversa com Carmen Luz sobre o cinema feminino em movimento

Revista Vogue O mundo esperou 93 anos para ver uma segunda mulher levantar a estatueta do Oscar de Melhor Direção na noite do último domingo (25). A cineasta chinesa Chloé Zhao com sua figura calma, segura e detentora de muita força interior, foi a grande vencedora do maior prêmio da indústria cinematográfica norte-americana concedido pela Academia de Artes e Ciências de Hollywood deste ano. Seu filme, Nomadland, uma ode a liberdade, a individualidade e a solidão, estrelado pela brilhante Francis McDormand, também vencedora da estatueta de Mellhor Atriz - a terceira de sua carreira, - ainda abocanhou o prêmio maior de “Melhor Filme”. Como um todo, a premiação do Oscar, termômetro mundial de todas as vertentes cinematográficas, apontou para uma maior diversidade de gênero, raça e regiões geográficas antes nunca cogitadas a participarem daquela grande festa. Temos o que comemorar? Provavelmente a resposta está bem aquém da tão sonhada equidade total. Porém,...

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Ana Paula Valadão acena durante o show do grupo Diante do Trono no Festival Promessas 2012 — Foto: Flavio Moraes/G1

MPF denuncia cantora gospel Ana Paula Valadão por fala ligando gays a Aids

O Ministério Público Federal (MPF) enviou à Justiça uma denúncia contra a pastora e cantora gospel Ana Paula Valadão por falas consideradas homofóbicas, onde ela relacionava homens gays a Aids. O MPF pede que a cantora seja responsabilizada por dano moral coletivo no valor de R$ 200 mil, que serão revertidos a entidades que representam pessoas LGBTQI+. A fala foi feita durante o Congresso Diante do Trono, transmitido pela Rede Super de Televisão, no ano de 2016. Muita gente acha que isso é normal. Isso não é normal. Deus criou o homem e a mulher e é assim que nós cremos. Qualquer outra opção sexual é uma escolha do livre arbítrio do ser humano. E qualquer escolha leva a consequências. A Bíblia chama de qualquer escolha contrária ao que Deus determinou como ideal, como ele nos criou para ser, chama de pecado. E o pecado tem uma consequência que é a morte. Inclusive, tudo...

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Ilustração Resistência das Mulheres Indígenas do Brasil - Fernando Bertolo

Ameaças, estupros e prostituição: os impactos do garimpo ilegal para as mulheres

A atividade garimpeira clandestina impacta diariamente a vida dos povos indígenas no Brasil. A invasão pelo garimpo ilegal interfere e molda dinâmicas de convivência nas comunidades da região Norte do país. Dentro deste contexto, as mulheres sofrem triplamente o impacto da garimpagem, já que são afetadas pelo mercúrio tóxico, cuidam dos adoecidos e também são alvo de violências machistas e misóginas. Uma indígena que não quis se identificar (e que a reportagem optou por não divulgar até o estado da federação onde ela vive, tal é a vulnerabilidade que existe) conta que as áreas ocupadas pelos garimpeiros se tornam territórios de perigo extremo. “Eles andam armados e bebem muito, e eles veem a gente como alvos fáceis. Uma vez, pegaram uma menina e ela nunca mais voltou”, relata. Histórias de ameaças, sequestros e estupros são comuns, segundo a jovem indígena. Mãe de duas crianças, ela diz evitar certas regiões porque tem medo de...

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(crédito: Fernando Lopes/CB/D.A Press)

CPI do Feminicídio aponta falhas do poder público na proteção de mulheres

Dados do relatório da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Feminicídio, obtidos com exclusividade pelo Correio, deixam evidentes as falhas do poder público em proteger mulheres vítimas deste crime. Em 100% dos casos, os agressores eram reincidentes em violência doméstica, de acordo com as informações levantadas pelo grupo de investigação. Uma atuação célere, punição e a criação de uma rede de proteção poderiam ter evitado a dor que se abateu sobre as vítimas, familiares e amigos. Foram analisados 90 processos entre 2019 e 2021. O feminicídio é um delito cruel que deixa marcas por gerações, sejam nos pais ou filhos das vítimas, e cria traumas com impactos profundos em todo o círculo social das mulheres assassinadas. Somente neste ano, sete casos foram registrados na capital federal. Um dos maiores problemas encontrados pela comissão é a falta de integração entre os serviços de proteção. A conclusão dos distritais é a de que...

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Logo da ONU em sede de Nova York (Imagem: Lucas Jackson)

ONU: Mulheres e meninas foram esquecidas na resposta mundial à pandemia

Ativistas de 128 organizações de proteção a mulheres ligadas a ONU (Organização das Nações Unidas) lançaram um alerta para a comunidade internacional: há um grande risco de o mundo dar passos para trás em relação aos direitos das mulheres durante a pandemia de covid-19. Por isso, afirmam, é preciso um esforço urgente para evitar que isso aconteça. As entidades, concentradas na Europa e na Ásia, pedem que os governos garantam um diálogo eficaz com a sociedade civil para garantir que as necessidades da população feminina estejam no centro das políticas adotadas em resposta à pandemia. Para os grupos, é preciso levantar dados e estatísticas sobre o impacto da crise sanitária com recorte de gênero, sabendo, assim, quais os maiores desafios para mulheres e facilitando a criação de políticas públicas específicas. Entre os maiores problemas, adiantam, estão a dificuldade de acesso à Justiça, o aumento da carga de trabalho doméstico sem remuneração,...

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Escadaria da rua Cristiano Viana zona oeste de São Paulo, amanheceu com lambe-lambe em homenagem à vereadora Marielle Franco, morta a tiros no Rio (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

“Violência aumenta com mais mulheres nas eleições”, avalia Talíria Petrone

O Brasil registrou, nos últimos cinco anos 327 casos de violência política, sendo 125 assassinatos e atentados, 85 ameaças, 33 agressões, 59 ofensas, 21 invasões e 4 casos de criminalização. Isso sem contar com o período pós eleições municipais de 2020. Em 2019, foi uma ocorrência a cada três dias, segundo dados do relatório "Violência Política e Eleitoral no Brasil", organizado pela Terra de Direitos e pela Justiça Global. E é por causa desses números que a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) realiza, nesta segunda-feira, (03) a audiência pública Violência política contra mulheres negras. A própria deputada já foi vítima de violência política. Em 2019, enviou uma carta de denúncia à ONU relatando ameaças a sua vida. Em uma delas, a pessoa afirmou que tinha o objetivo de "jogar uma bomba na piranha que o PSOL elegeu". Em documento, ela pediu que o governo brasileiro tomasse medidas concretas para garantir a sua segurança. Talíria...

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Selo home Monitor da violência mulheres — Foto: Wagner Magalhães/Arte G1

Em média, 10 mulheres são vítimas de violência doméstica por dia na Paraíba

Agressões, ameaças, estupros, violência psicológica. Uma série de violações acontecem com as mulheres diariamente, dentro e fora de casa. Não se trata de algo retórico. Os números mostram que 9.806 crimes contra mulheres foram registrados em todo o ano de 2020, isto é, cerca de 26 crimes por dia são cometidos contra mulheres na Paraíba. Só como registro de violência doméstica, 3.932 casos foram registrados. Isso significa que em média 10 mulheres são violentadas por dia, dentro de casa, na Paraíba. Os números são de registros da Polícia Militar, enviados ao G1 pela Secretaria de Segurança e Defesa Social via Sistema de Informação ao Cidadão. De acordo com o art. 5º da Lei Maria da Penha, violência doméstica e familiar contra a mulher é “qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial”. No entanto, essa violência...

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Beatriz Amparo, coordenadora de dados da secretaria da mulher da Prefeitura do Rio, apresenta o projeto Mapa da Mulher Carioca - Foto: Ricardo Cassiano/Prefeitura do Rio de Janeiro

Dados são aliados na formulação de políticas públicas para as mulheres

Orientar novas narrativas e futuros, a partir das mulheres, em especial de negras, periféricas, LBTI+ e as que contemplem outros tipos de diversidades, é um ato de retribuição às humanidades silenciadas. A pluralidade de vozes e vivências possibilita a construção de um serviço público que tenha como premissa o combate às desigualdades sociais. Com isso, o surgimento de uma nova compreensão social, com o olhar para equidade de gênero e raça, necessariamente precisa contemplar a participação das mulheres na formulação e na tomada de decisão. Atender as demandas sociais depende de um bom diagnóstico, que deve contemplar indicadores sobre as características, as condições sociais, as potencialidades e as fragilidades da população. Se por um lado, os jovens precisam de esforços para obter mais recursos em educação e os idosos necessitam de serviços assistenciais e previdenciários, por outro, as mulheres em situação de violência requerem espaços de apoio, acolhimento, políticas e...

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GETTY IMAGES

“ESSE CURSO É PARA MENINAS RICAS”: Kate Silva, mulher negra no curso de Terapia ocupacional da PUC Campinas, 24 anos atrás.

1- Kate, ouvi sua história alguns anos atrás e me tocou a sua trajetória na Universidade Católica de Campinas. Poderia nos contar em que ano ingressou, qual curso escolheu e por quê? Ingressei na vida acadêmica em 1994, no curso de Terapia Ocupacional (TO). A escolha pelo curso foi uma opção que me deixaria na área da saúde, porque, na verdade, embora resolvida hoje com a minha escolha, confesso que abortei o sonho da medicina. Dois anos antes de eu ingressar na TO, prestei medicina em várias faculdades públicas e privadas. E, mesmo com muito esforço, não foi possível. Interessante que anos depois, eu já formada, me deparei refletindo sobre duas questões. Primeiro que aos 17 anos, eu não tinha autoestima suficiente para acreditar na possibilidade de cursar medicina. Existia um grande desejo, mas ao mesmo tempo, uma sensação de pretensão demais para a minha realidade. Numa família de origem...

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Phumzile Mlambo-Ngcuka (Foto: © Jim Spellman/WireImage)

Violência contra as mulheres e meninas é pandemia invisível, afirma diretora executiva da ONU Mulheres

Com 90 países em confinamento, quatro bilhões de pessoas agora estão se abrigando em casa contra o contágio global do novo coronavírus (Covid-19). É uma medida protetora, mas traz outro perigo mortal. Vemos uma pandemia da invisibilidade crescente, a da violência contra as mulheres. À medida que mais países relatam infecções e bloqueios, mais linhas de ajuda e abrigos para violência doméstica em todo o mundo estão relatando pedidos crescentes de ajuda. Na Argentina, Canadá, França, Alemanha, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos , autoridades governamentais, ativistas dos direitos das mulheres e parcerias da sociedade civil denunciaram crescentes denúncias de violência doméstica durante a crise e aumento da demanda para abrigo de emergência . As linhas de apoio em Singapura e Chipre registraram um aumento de chamadas em mais de 30% . Na Austrália, 40% de trabalhadores e trabalhadoras da linha de frente em uma pesquisa de New...

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Elas Periféricas encerra inscrições com panorama diversificado de iniciativas

Chegou ao fim o período de inscrições para a terceira edição do edital Elas Periféricas. Até 8 de abril, 327 iniciativas com origem e atuação em periferias urbanas brasileiras ou contextos periféricos urbano, com cofundadoras ou lideradas por mulheres negras – pretas ou pardas, assim como cis ou transgêneras – haviam enviado as suas propostas para concorrer ao edital. Esta edição da iniciativa conta com parceria com o TikTok e destinará mais de 1,2 milhão para as selecionadas. O perfil das inscritas mostra um panorama de multiplicidade de ideias e projetos. Pela primeira vez nomeada no edital, a população não cisgênera inscrita correspondeu a 8,8% do total de participantes – ou seja, 29 iniciativas. Viviane Soranso, coordenadora do Programa Raça e Gênero da Fundação Tide Setubal, ressalta como foi importante mencionar esse grupo nominalmente. “Percebemos que só o fato de este ano colocarmos no edital que eram aceitas propostas de mulheres...

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Maju Coutinho fala sobre 50 anos do JH, saúde mental, fake news e maternidade (Foto: Globo/ Fabio Rocha)

Maju Coutinho fala sobre saúde mental, fake news e maternidade: “Estamos enfrentando a pandemia da desinformação”

Maju Coutinho entra no ar da bancada do Jornal Hoje (JH), às 13h25 da tarde, mas sua jornada de trabalho começa bem antes: às 8h15 ela se divide entre maquiagem e reunião de pauta por videoconferência, depois faz os exercícios de fono para garantir a potência na voz durante os 85 minutos que passa ao vivo, checa as chamadas da programação e ainda grava sonoras no estúdio. "É muita ralação, não tem glamour. Não acho bom alimentar essa fantasia de que é tudo fácil, luxuoso e lindo quando na verdade é muito pé no chão e trabalho", conta em entrevista à Vogue, sobre sua rotina. Meditar duas vezes ao dia e deixar o celular em modo avião pós expediente estão entre os rituais de autocuidado que Maju incluiu em 2021 para manter a saúde mental após reportar notícias difíceis, como as de famílias que perderam mais de um parente em questão de dias para a Covid-19. "Não dá para ter...

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A socióloga Patricia Hill Collins - Divulgação/Imagem retirada do site Folha de São Paulo

Se eu olhasse só o debate nas redes sociais, sairia correndo, afirma Patricia Hill Collins

Sair da lógica da destruição do oponente, aprender a ouvir e buscar pontos de encontro possíveis —a reabilitação crítica e atenta do “conversando a gente se entende” (um processo sem dúvida mais lento e menos apetitoso para as redes sociais)— são algumas das ações propostas por Patricia Hill Collins e Sirma Bilge em “Interseccionalidade”, livro que chega ao Brasil, em português. A partir de suas experiências de vida, ensino e pesquisa —convergentes, mas diferentes— Hill Collins, professora emérita do departamento de sociologia da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, e Bilge, professora catedrática no departamento de sociologia da Universidade de Montreal, apresentam os frutos intelectuais do exercício-desafio que se impuseram. “A execução deste livro implicava trabalhar em meio às diferenças. Logo descobrimos que dialogar é um trabalho árduo”, escreve Hill Collins já no prefácio. As autoras defendem o diálogo como ferramenta imprescindível para a luta por justiça social e fazem...

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Abaixo o PL504: 10 desenhos com representatividade LGBTQIA+ para assistir

Foi em um post terno no Instagram da minha querida deputada Erica Malunguinho, rodeada por três crianças na foto, que fui apresentada ao Projeto de Lei 504/2020 em pauta na Assembleia Legislativa de São Paulo. Ele tem como objetivo "proibir a publicidade que contenha alusão a preferências sexuais e movimentos sobre diversidade sexual relacionados a crianças no Estado", alegando que pessoas LGBTQIA+ representariam "práticas danosas" e "influência inadequada" aos mais jovens.   Ver essa foto no Instagram   Uma publicação compartilhada por Erica Malunguinho (@ericamalunguinho) Em suma, entendo como mais uma tentativa de ataque, tal qual muitos outros feitos ao longo dos últimos anos, para desumanizar pessoas por serem quem são e por amar quem amam. A primeira coisa que penso quando me deparo com esse tipo de alegação é: sobre quais crianças estamos falando? Quem são essas crianças que o Estado quer proteger? Quem vai abraçar as crianças e adolescentes queer e...

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Elaine Mineiro, candidata a vereadora pelo Quilombo Periférico, pelo PSOL (Foto: Reprodução/Facebook/Quilombo Periférico)

Artigo: Mulheragem

Expressão ao ato público como mostra de admiração a uma mulher. (dic) As celebrações do 8 de março, Dia Internacional da Mulher, um dia histórico de luta das trabalhadoras, também foram marcadas com a palavra homenagem, palavra que na origem vem do provençal omenatge, todos da família do homem (do latim hominem, acusativo de homo), dicionário Houaiss. Apesar de semanticamente afastadas da palavra homem, a etimologia permite ligar estas palavras à família de palavras. Por esse motivo, em março de 2021 a Mandata Coletiva Quilombo Periférico decidiu usar o termo Mulheragem para celebrar e demonstrar admiração às mulheres negras e trabalhadores que entraram para a história. Mulheres como Soujouner Truth que em 1851, na Convenção dos Direitos da Mulher em Akron, levantou-se para uma multidão e questionou se por ser negra, não seria também mulher. Como Maria Carolina de Jesus, uma das escritoras mais lidas do Brasil, que teve sua...

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Ambrosina, aqui retratada pela artista Renata Felinto, era ama-de-leite em Taubaté (SP) no final do século 19; foi acusada de assassinar Benedito, filho dos patrões, tendo preferido amamentar seu próprio filho (Arte: Renata Felinto)

Negras e históricas: por que elas foram apagadas dos livros da escola

Francisca Luiz e Isabel Antônia foram perseguidas pela Visitação do Santo Ofício no século 17 por serem "sodomitas". Aos tribunais da Inquisição declararam ter uma "amizade" de treze anos e que se "agasalharam" uma na casa da outra. Benedicta Maria Albina da Ilha era uma escravizada que vivia na corte do Rio de Janeiro, mas fugia sempre. E a toda vez que se evadia, tentava mudar de nome para viver longos períodos em liberdade, se passando por forra e liberta. Por vezes se apresentava como Benedicta, por vezes como Olívia. Nunca saberemos seu verdadeiro nome. Gertrudes Maria: lutou por cerca de 30 anos em João Pessoa, na Paraíba, por sua liberdade e a de sua família. Nós a conhecemos por causa do longo que processo que abriu contra seus proprietários. Ficou livre apenas com 60 anos. Martinha era uma escravizada que tinha visões e comandava procissões, intitulando-se Santa Maria Mártir....

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Amanda Gorman (Foto: Alex Wong/Getty Images)

Amanda Gorman lança livro com seu poema da posse de Biden e introdução de Oprah

Até pouco tempo atrás, Amanda Gorman tinha lido seus poemas em voz alta diante de duas das maiores plateias dos Estados Unidos —na posse do presidente Joe Biden e no Super Bowl. Agora, suas palavras estão chegando aos leitores num formato mais íntimo. É numa edição comemorativa de “The Hill We Climb”, a colina que escalamos, o poema que ela leu na cerimônia da posse presidencial, num livreto de 32 páginas com introdução de Oprah Winfrey. O livro chegou às livrarias americanas nesta semana e já tem garantida a primeira posição nas listas de best-sellers. “Fiquei muito empolgada quando decidiram publicar ‘The Hill We Climb’ em forma de livro, porque sabia que assim seria possível o integrar às vidas das pessoas de novas maneiras”, diz Gorman, em entrevista por telefone. Ela já viu no Instagram fotos de pessoas dando o livro de presente umas às outras, ou o pondo em...

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Luna Vitrolira lança "Aquenda" (Foto: Estúdio Orra)

Após vencer racismo e gordofobia com arte, ela transformou poemas em disco

Então o poema começa, meus amigos e amigas. Sim, o poema começa quando o batuque eletrônico do pop se encontra com os tambores ancestrais e monta a cama para a voz da pernambucana Luna Vitrolira. "Voz é vontade de existência", diz Luna. O poema começa e exorciza demônios para nos levar aos céus. O poema começa e o que ouvimos são tristezas que precisam ser expurgadas para que a beleza, enfim, emane. Luna, 28, é poeta. Seu livro de estreia "Aquenda - o amor às vezes é isso" foi finalista do Prêmio Jabuti 2019, o mais importante do país. Mas a pernambucana não é dessas poetas que se escondem em torres de marfim, escrevendo versos ocos que jamais serão lidos. Sua principal influência é a poesia oral do Vale do Pajeú, interior de Pernambuco: "Para mim a linguagem é impensável sem a voz!", diz Vitrolira. O Pajeú é uma região...

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