Afro-brasileiros

Abdias do Nascimento: Escritor, ator, artista plástico, professor, político e ativista | Foto: Paulo Moreira/Agência O GLOBO

Abdias do Nascimento: ‘O genocídio do povo negro foi uma constante em toda a construção do Brasil’

Abdias do Nascimento foi um gigante. Ator, escritor, artista plástico, professor universitário e parlamentar com mandatos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, o paulista nascido em Franca se tornou um dos maiores ativistas do movimento negro no Brasil. Seu trabalho de denunciar o preconceito racial no país pode ser considerado uma base para a luta por igualdade até hoje. Às vésperas de se completar uma década desde a morte deste cidadão, o Blog do Acervo resgata, neste post, uma entrevista publicada pelo GLOBO em 15 de agosto de 1978. Naquela época, Abdias do Nascimento era professor de Culturas Africanas no Novo Mundo, na Universidade de Nova York, em Buffalo, nos Estados Unidos, mas estava no Rio para lançar o livro "o genocídio do negro brasileiro". Criador de entidades como o Teatro Experimental Negro e o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (IPEAFRO), o ativista tinha seu discurso marcado por críticas sociais hoje amplamente disseminadas nas redes...

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João Diamante (Foto: Lucas Seixas/UOL)

Pedra Preciosa

"Acho que 90% das entrevistas me perguntam: por que você voltou para o Brasil? E eu me questionei muito, 'caraca, será que fiz o certo?' Afinal, eu estava na cozinha do Le Jules Verne, no alto da Torre Eiffel, com o Alain Ducasse, um dos melhores chefs do mundo. Vim de morro, tiroteio e desigualdade, para no outro dia estar no Jardim Luxemburgo e com a oportunidade de continuar a me desenvolver . Mas a briga é maior, não é só sobre o João Diamante. Desde criança meu sonho era ter um projeto social, só não sabia qual a ferramenta usaria. Minha vida foi baseada neles: fiz balé, teatro, capoeira, diversas atividades que aprimoraram minha capacidade cognitiva para entender que havia um horizonte. Arte, cultura e educação são a base para construir um cidadão e, em todos os projetos sociais, independentemente da ferramenta utilizada para transformação de uma pessoa,...

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Foto: André Arruda / Divulgação

Morte de Cassiano, gênio indomado do soul brasileiro, cala voz já silenciada há décadas pelo país

♪ OBITUÁRIO – Há perversidade no fato de Genival Cassiano dos Santos (16 de setembro de 1943 – 7 de maio de 2021) ter morrido na tarde de ontem, aos 77 anos, sem lançar álbum há 30 anos e com presumível baú de músicas inéditas que o arredio artista paraibano nunca gravou e que tampouco foram gravadas por outros artistas. Sim, a lógica perversa da indústria da música historicamente cala vozes que se rebelam contra os padrões mercadológicos. Vozes altivas como a do cantor, compositor e guitarrista Cassiano. Gênio indomado do soul brasileiro, Cassiano foi artista temperamental que saiu revoltado de cena em leito de hospital da zona norte do Rio de Janeiro (RJ), cidade para onde migrara em fins dos anos 1940, vindo de Campina Grande (PB), onde nascera em família pobre. A revolta foi fruto do descaso do Brasil com a obra que construiu com sofisticação singular desde...

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Hariel Revignet, artista brasileira-gabonesa, retrata Feliciana Maria Olímpia, que faz parte da “Enciclopédia negra – biografias afro-brasileiras” (Foto: Hariel Revignet/ reprodução)

Um monumento levantado

Não queremos morrer nem de vírus, nem de fome, nem de tiro! Wesley Teixeira, em manifestações do movimento negro em 2020, em protesto contra a morte do menino João Pedro, assassinado dentro de casa durante operação policial. Em um monumento à história do Brasil, a Enciclopédia negra, livro de Flávio Gomes, Lilia Schwarcz e Jaime Lauriano, escreve e reescreve a trajetória de 550 personagens que marcaram o país. Trata-se de um exercício prático de reparação histórica, porque muitas das figuras que encontramos nas mais de setecentas páginas são quase ou totalmente desconhecidas pela maioria da população. As pessoas negras que agora temos a oportunidade de conhecer nunca foram coadjuvantes, mas acabaram tendo sua existência apagada. Os ícones não ficam de fora, contudo não são o foco da obra publicada agora pela Companhia das Letras. O verso “Brasil, chegou a vez de ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês”, do samba-enredo da...

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(Foto por: Anna Maria Moura/
Coletivo Quariteré)

Biblioteca comunitária dedicada à cultura africana e afro-brasileira é inaugurada em Cuiabá

Foi inaugurada na manhã desta quarta-feira (03.03), a Afroteca Comunitária Carolina Maria de Jesus. A biblioteca fica localizada no Centro Cultural Casa das Pretas, Praça Conde de Azambuja, nº 25 (casarão em frente à Praça da Mandioca), no centro histórico de Cuiabá. O projeto foi contemplado pelo Edital MT Nascentes da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT). O projeto consiste em compor acervo bibliográfico temático, disponibilizado para a população cuiabana e mato-grossense, de diversas faixas etárias, que poderão realizar consultas no local para obter dados, acessarem pesquisas, conhecer e reconhecer as contribuições africanas e afrodescendentes nas diversas áreas do conhecimento. A biblioteca conta com 450 livros, nos gêneros: infantil, Infantojuvenil, adulto e pesquisa científica. Para Antonieta Luisa Costa, proponente do projeto, a palavra chave é representatividade. “A Afroteca é um lugar de conhecimento histórico e atual, de memórias e lutas do povo negro, onde autores e autoras...

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A escritora brasileira Carolina Maria de Jesus durante noite de autógrafos do lançamento de seu livro "Quarto de Despejo", em uma livraria na rua Marconi, em São Paulo (SP). (São Paulo (SP), 09.09.1960. (Foto: Acervo UH/Folhapress)

Carolina Maria de Jesus ganha título de Doutora Honoris Causa da UFRJ

Carolina Maria de Jesus, uma das escritoras mais lidas do Brasil, recebeu nesta quinta-feira (25) uma homenagem póstuma. A escritora, que morreu em 1977, ganhou o título de doutor honoris causa da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A escritora Carolina Maria de Jesus começou a ficar famosa em 1958. Trechos do diário da catadora de papel, que vivia na favela do Canindé, em São Paulo, foram publicados pelo extinto jornal "A Noite". Ela tinha cadernos com romances e poemas que começou a escrever na infância, em Sacramento, Minas Gerais. Carolina Maria de Jesus só estudou dois anos, o suficiente para criar uma paixão, como explica um biógrafo da escritora. “Ela, desde pequena, assumiu esta coisa da escrita e da leitura, então ela vivia lendo”, contou Tom Faria, escritor e biógrafo da Carolina Maria de Jesus em entrevista ao Jornal Nacional. Lançado em 1960, primeiro livro de Carolina Maria de...

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Foto: Divulgação/ Editora Griot

Orixás no terreiro sagrado do samba

O livro é uma narrativa sobre duas manifestações que sempre dialogaram: religiões afro-brasileiras e escolas de samba, segundo a jornalista e autora, Claudia Alexandre. A obra sugere um "olhar desfragmentado" sobre a presença das tradições de matrizes africanas em expressões culturais, que ajudaram a construir o que chamamos de identidade nacional. Vemos que, ao longo do tempo, o que era uma forma de perceber o mundo foi sofrendo rupturas provocadas por interpretações e ações hegemônicas. O que inclui o assombro da indústria cultural e as violências da intolerância religiosa. De qualquer forma, religar esses universos, tensionando o ambiente acadêmico e revisitando acervos das experiências negro- -africanas em diáspora, também nos revela novos caminhos para (re) escrever a História do Brasil a partir da história dos sambas e das escolas de samba. A autora, "devidamente" autorizada, adentrou a encruzilhada da Vai-Vai, um território negro paulistano onde reinam Exu, o orixá mensageiro,...

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Aleksandr Púchkin e Machado de Assis (wikimedia commons)

Púchkin e Machado, o ser negro, formas de ouvir o outro

Este estudo pretende, em leituras de Púchkin e aproximações de Machado, analisar, em perspectiva comparada, o lugar de visibilidade da herança afrodescendente em Aleksander Púchkin (1799-1837) na literatura russa e Machado de Assis (1839-1908) na literatura brasileira. Perceber, entre margem e centro, a voz plural e inovadora do autor russo, seus caminhos até o outro. Em Puchkin, a viagem. Fronteiras possíveis. O olhar para si que se deixa atravessar pela diferença. Em Machado, seu olhar para as máscaras sociais e para a escravidão. Nesses autores, marcas em sua literatura que formam a sua casa e o seu tempo, em diálogo com a modernidade. Na abertura para o outro, leituras onde o que estava no lugar do cânone também se modifica, escurecendo o imaginário nos novos contextos. Primeiras linhas Escurecer a folha. Uma escolha, um gesto. Penso na página feita de pedaços, vestígios. Machado em seu contexto afrodescendente. Nesse colar e...

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Homenagem feita pelo Google a Juliano Moreira no dia em que ele completaria 149 anos (Google)

Juliano Moreira: o psiquiatra negro que revolucionou o tratamento de transtornos mentais no Brasil

No início do século 20, ele "revolucionou o tratamento de pessoas com transtornos mentais no Brasil e lutou incansavelmente para combater o racismo científico e a falsa ligação de doença mental à cor da pele". É assim que o Google apresenta o trabalho do psiquiatra brasileiro Juliano Moreira, ao homenagear o trabalho do cientista e professor baiano neste dia 6 de janeiro, quando o nascimento dele completa 149 anos. Moreira nasceu em Salvador, em 1872, filho de uma mulher negra que trabalhava em uma casa de aristocratas na Bahia — algumas biografias apontam que ela mesma era escrava e outros relatos mencionam que ela era descendente de escravos. Só em 1888 o Brasil aprovaria a Lei Áurea, que determinava o fim da escravidão. Os relatos sobre a vida de Moreira destacam a condição de pobreza na origem dele e o fato de que teve que vencer fortes obstáculos para entrar na Faculdade...

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(Foto: Divulgação/ Netflix)

AmarElo – É tudo pra ontem: um olhar reflexivo sobre o Brasil

Desde o lançamento do álbum AmarElo, o rapper Emicida realiza um projeto que é simultaneamente artístico e intelectual de leitura e criação de projetos do Brasil. O documentário “AmarElo – É tudo para ontem”, lançado pela plataforma de streaming Netflix no dia 8 de dezembro, é mais uma realização dessa face do trabalho do artista. A mescla da narrativa pessoal da construção do álbum com a memória de marcos históricos e culturais do Brasil incita um exercício cada vez mais necessário: a conciliação entre o conhecimento, a política e o afeto. Esse movimento é o que permite que o disco seja um encontro entre passado, presente e futuro, revisitando a história brasileira, os conflitos e possibilidades apresentados pelo presente e os futuros que o reconhecimento da coletividade e da interdependência permitem. “Tudo, tudo, tudo que nóiz têm é noiz.”. Emicida propõe uma expressão da brasilidade que parte das cosmopolitas margens...

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Ernesto Batista Mané Júnior, diplomata e cientista - (crédito: Egan Jimenez/Divulgação)

Diplomata e cientista nuclear é um dos 100 negros mais influentes do mundo

Paraibano, Ernesto Batista Mané Júnior, 37 anos, atua com excelência no que se dispõe a fazer: ao longo da vida, foi garçom, professor de inglês, programador e pesquisador. Atualmente, concilia duas diferentes carreiras de destaque, nas quais encontrou uma intersecção num nicho que alia todas as suas habilidades. Diplomata pelo Itamaraty e cientista nuclear, o físico pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) foi reconhecido como uma das 100 pessoas negras mais influentes do mundo na área de política e governança na lista Most Influential People of Africa Descent (Mipad). É doutor em física nuclear pela Universidade de Manchester (Inglaterra), onde fez intercâmbio de graduação; pesquisador no Cern, o maior laboratório de física de partículas do mundo, em Genebra, na Suíça; e fez dois pós-doutorados: pelo Laboratório de Física Nuclear e de Partículas do Canadá e pela Universidade Princeton, nos Estados Unidos. A vivência no exterior foi um dos fatores que...

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Marcos Oliveira/Agência Senado

Senado derruba portaria para “moralizar” lista de personalidades negras

O Senado aprovou nesta 4ª feira (9.dez.2020) projeto de decreto legislativo que derruba portaria da Fundação Palmares que pretendia “moralizar” lista de personalidades negras. A matéria ainda precisa ser analisada pela Câmara dos Deputados. O presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, assinou em 11 de novembro portaria que definiu as diretrizes para a seleção e publicação, no site do órgão, de nomes e biografias das personalidades notáveis negras, que historicamente contribuíram para a formação e desenvolvimento dos valores culturais, sociais e econômicos no Brasil ou no mundo. Segundo Camargo à época, a portaria “moraliza a lista de personalidades negras”, que seria selecionada pela diretoria colegiada da Fundação Palmares. “O critério de seleção passa a ser a relevante contribuição histórica. Haverá exclusão de vários nomes. Novas personalidades serão incluídas em razão do mérito e da nobreza de caráter”, disse no Twitter. A portaria (íntegra – 73 KB) foi publicada nesta 4ª feira (11.nov.2020) no Diário Oficial...

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Crédito: Marcelo Correa

Martinho da Vila se diz aliviado com exclusão em site da Fundação Palmares: ‘Me desvinculem daquele sujeito’

Martinha da Vila diz que se sentiu aliviado com a exclusão de seu nome no site da Fundação Palmares, que tem hoje Sérgio Camargo como presidente. Além do sambista carioca, os cantores Elzas Soares e Gilberto Gil também tiveram suas biografias retiradas do site da Fundação. "Achei ótima a iniciativa. Me desvinculem daquele sujeito (referindo-se ao presidente da Fundação Palmares). Me desvinculem daquela organização, porque eu não gosto mais dela. Ela não tem mais função. Brevemente, uma nova vai surgir. Temos de esquecer essa gente. Nossa bandeira brasileira também foi estragada, pois virou símbolo do governo atual. Temos de retomar nossa bandeira como símbolo de todos os brasileiros", diz Martinho em entrevista à "Veja". Martinho só lamenta o adiamento do carnaval para julho, logo no ano em que ele é enredo da sua Vila Isabel: "Foi chato. Mas, pelo menos, o carnaval vai ser lembrado para sempre, já que vai...

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Figura-chave no movimento abolicionista brasileiro, Luiz Gama também se destacava por seus talentos literários e jornalísticos, diz Ligia Fonseca Ferreira (WIKICOMMONS)

Quem foi Luiz Gama, figura-chave no movimento abolicionista brasileiro

Faz 25 anos que a pesquisadora Ligia Fonseca Ferreira estuda a vida e a obra de uma figura singular da história brasileira: o abolicionista Luiz Gonzaga Pinto da Gama (1830-1882). Ela debruçou-se sobre o personagem para sua tese de doutorado, iniciada em 1995 e concluída no ano 2000 na Universidade Sorbonne Nouvelle — Paris III. E descobriu um personagem muito mais dinâmico do que as poucas linhas que a historiografia consagrada lhe reservou. Se nos últimos anos, o abolicionista vem sendo reconhecido como verdadeiro advogado — autodidata, soube utilizar as leis vigentes para conseguir, pela justiça, alforriar centenas de escravos — e figura-chave no movimento abolicionista brasileiro, Ferreira foi além. Professora de Letras da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ela atentou para os talentos literários e jornalísticos de Luiz Gama. Apenas 12 anos depois de ter aprendido a ler, Gama publicou, em 1859, seu único livro, Primeiras Trovas Burlescas. Foi...

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Escritora publicou 51 livros, entre romances, contos, crônicas, traduções e ensaios folclórico (FLINKSAMPA/DIVULGAÇÃO)

Ruth Guimarães: o centenário da escritora pioneira que colocou a identidade negra no centro de sua obra

Literatura caipira e negra. Para a escritora Ruth Guimarães (1920-2014), a definição era orgulhosamente assumida. Em 2007, em depoimento concedido ao Museu Afro Brasil, ela afirmou que, "assim como somos um povo mestiço, todo cheio de misturas de todo jeito, a nossa literatura também é toda feita de pedaços de textos, de arrumações aqui e ali". "Não há nada que nos torne inteiriços, inteiros", definiu. "Minha literatura é isso também. Eu conto a história da roça, de gente da roça, do caipira. Eu também sou caipira, modéstia à parte. Eu não me importei muito se havia uma tendência, ou se havia uma inclinação para contar a história do preto; como eu também sou misturada, o meu livro é misturado. Como eu sou brasileira, nesse sentido de brasileiro todo um pouco para lá, um pouco para cá, o meu livro também é assim, um pouco para lá, um pouco para cá."...

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Foto: Divulgação

Sarau Poética da Macumba ocorre sábado (21) no YouTube

No próximo sábado (21), às 17h, Latitudes Africanas organiza o Sarau Poética da Macumba, que será transmitido em seu canal do YouTube. O Sarau Poética da Macumba é uma atividade artístico-cultural pan-africana e internacional que visa proporcionar reflexões em torno do Mês da Consciência Negra. O objetivo é receber artistas e poetas negros/as do Brasil, Colômbia, Guiné-Bissau, México e República Democrática do Congo. Será mediado por Cicí Andrade, cantautora, estudante de Antropologia em Unila, cria de Saraus da Zona Sul de SP, e que desenvolve sua arte de maneira independente, e por Bas´Ilele Malomalo, natural da RDCongo, filósofo, poeta e coordenador de Latitudes Africanas/Unilab. Entre os convidados, conta-se com a presença de Chay C., músico compositor, produtor afromexicano do estado de Oaxaca, membro e fundador do grupo “Aguaje Ensamble”, projeto que busca dar visibilidade ao povo afromexicano. Jônatas Petróleo, sambista paulista, ativista sociocultural e professor de música. Alicia Reyes, comunicadora...

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Divulgação

No mês da consciência negra o Justificando lança coluna ‘Vozes Negras’

No mês da consciência negra, oito juízas e juízes e oito defensoras e defensores públicos negros aterrissam no Justificando com uma coluna que pretende iluminar temas e discussões nem sempre presentes nas publicações dos sites jurídicos: o direito e as relações étnico-raciais. A coluna, veiculada às terças, é coordenada por Eduardo Pereira da Silva, Isadora Brandão e Kenarik Boujikian. É inegável que a inauguração de um espaço que possibilite a reverberação de vozes negras do campo jurídico constitui, por si só, uma iniciativa arrojada. Isso se levarmos em consideração a subrepresentação de negros(as) nos quadros das instituições que compõem o sistema de justiça e o longo caminho que ainda precisamos precorrer para que estas reflitam o mosaico plurirracial e pluriétnico que define a sociedade brasileira e é, sem sombra de dúvidas, o seu maior patrimônio. Contudo, a coluna pretende ir além. Assumimos também o desafio de provocar, todas às terças-feiras,...

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Desenho de Esperança Garcia, negra escravizada que foi reconhecida como primeira advogada do Piauí (Ilustração: Valentina Fraiz)

Quem foi Esperança Garcia, negra escravizada reconhecida como 1ª advogada do Piauí

Esperança Garcia, mulher negra e escravizada, escreveu ao governador do estado do Piauí em 1770, denunciando os maus-tratos que tanto ela quanto suas companheiras e seus filhos sofriam. Também reclamava do fato de ter sido separada de seu marido e do impedimento de batizar as crianças. Devido a essa carta, Esperança recebeu o título simbólico pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) do Piauí de primeira advogada do estado. A carta de Esperança foi encontrada em 1979, no Arquivo Público do Piauí, pelo historiador Luiz Mott. A descoberta de sua reivindicação fez dela símbolo da luta por direitos e da resistência negra. Em sua homenagem, o dia 6 de setembro, data da carta, foi instituído como Dia Estadual da Consciência Negra no Piauí. O reconhecimento por parte da OAB foi fundamentado em dois anos de pesquisa da Comissão Estadual da Verdade da Escravidão Negra da seção local da Ordem e...

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Imagens: divulgação. Na foto: Ebomi Cici.

Oficinas Culturais propõem atividades dedicadas ao mês da Consciência Negra

As Oficinas Culturais, uma iniciativa da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo e gerenciadas pela Poiesis, possuem diversas atividades on-line e gratuitas em homenagem ao dia da Consciência Negra, que faz referência à morte de Zumbi dos Palmares no dia 20 de novembro de 1695. A programação convida o público a refletir sobre a data com bate-papos, oficinas e workshop. A live Arte em Diáspora: Experiências Guinée Connakry, Tunisia e Brasil tem como objetivo discutir sobre as estratégias que os artistas convidados encontram para dialogar com as imagens e visões de África, seja para questionar significados já consolidados, ou mesmo, para analisar velhos estereótipos advindos do racismo epistemológico que hierarquiza saberes, pessoas e países. O encontro será com a cantora, bailarina e compositora da Guinée Conacri, Fanta Kanotê e com o poeta, pintor, ator-dançarino e diretor Benjamin Abras, brasileiro que reside em Tunes (TUN). A live...

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Pelé (Foto: EFE/Sebastiao Moreira)

Pelé, 80 anos: Longa vida ao rei

Em 1968, o ano que nunca terminou, o artista plástico americano Andy Warhol (1928-1987) cunhou uma de suas mais conhecidas frases, estampada no catálogo de uma exposição em Estocolmo: “No futuro, todo mundo será famoso por quinze minutos”. Em 1977, dias antes de Pelé pendurar as chuteiras com a camisa verde do Cosmos de Nova York, o gênio da pop art reescreveu a máxima depois de apontar sua inseparável Polaroid Long Shot para o rei, base para uma coleção de serigrafias: “Pelé é um dos poucos craques que contrariam minha tese. Em vez de quinze minutos de fama, terá quinze séculos”. Nesta sexta-feira, 23, Edson Arantes do Nascimento completará 80 anos — pouco ainda diante do túnel de eternidade que tem pela frente. Instado por VEJA a dizer o que o Pelé de 80 anos diria ao Pelé de 17, revelado pelo Santos e descoberto pelo mundo na Copa de...

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