Questão Racial

Foto: MPF-MT/Assessoria

MPF denuncia Filipe Martins, assessor de Bolsonaro, por racismo

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou, nessa terça-feira (8/6), o assessor do presidente Jair Bolsonaro, Filipe Martins, por realizar gestos utilizados por movimentos extremistas brancos ligados à ideia de supremacia branca, fazendo referência à expressão “White Power” (Poder Branco, em inglês), em sessão do Senado Federal de março deste ano.  O MPF afirmou, na denúncia, que o assessor tinha conhecimento de que seu ato estava sendo amplamente assistido. “Assim, ciente de que seu ato teria ampla divulgação, tendo em vista que a sessão era transmitida ao vivo pela TV Senado, além de estar sendo acompanhada com muito interesse por diversos veículos de imprensa, Filipe Martins, em certo momento, enquanto o Presidente do Senado Federal fazia uso da palavra, efetuou, por duas vezes, com a mão direita, gesto de mão popularmente conhecido como sinal de "OK" — o referido gesto pode ser descrito como a união do polegar ao indicador e a...

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Cida Bento (Foto: Carolina Oms/Believe.Earth)

Sentimento de não pertencer é um desafios para os negros nas universidades

Durante muitos anos, como estudante de doutorado e depois como pesquisadora na USP (Universidade de São Paulo), senti, repetidas vezes, o desconforto e o estranhamento das pessoas diante de minha presença e circulação em certos espaços da universidade. Participando de bancas examinadoras de mestrado e doutorado, o estranhamento de ter uma mulher negra nesse lugar acadêmico aparecia de maneira mais intensa. De certa maneira, o olhar que expressa a pergunta “o que faz você aqui?" é uma das tantas possibilidades de reação de profissionais de instituições brasileiras diante da presença negra em lugares onde ela não era esperada. Reflete ainda o longo caminho a percorrer no território do enfrentamento do racismo institucional por organizações públicas ou privadas. Com a ampliação da presença da juventude negra na universidade, com certeza essa reação se acentua. Lembrei-me muito dessas ocorrências nos últimos dias após o suicídio de jovens negras e negros na USP. E a...

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"São muitas as formas de trabalho infantil e muitas vezes essa violação é naturalizada, a gente acaba não enxergando"

“Racismo estrutural contribui para naturalização do trabalho infantil”

Desde 2016, por conta de uma pesquisa de campo desenvolvida pela organização não governamental Cidade Escola Aprendiz, os jornalistas Bruna Ribeiro e Tiago Queiroz Luciano passaram a ver de perto a realidade de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil. Ela, apurando e escrevendo sobre. Ele, fotografando. Parte das histórias com que eles se depararam foi reunida no livro-reportagem Meninos Malabares: Retratos do Trabalho Infantil no Brasil, que a editora Panda Books lança nesta quarta-feira (09/06). De acordo com os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2019, quase 1,8 milhão de crianças e adolescentes no país vivem nessa situação. "Mas acreditamos que esse número seja subnotificado e, infelizmente, não corresponda à realidade. Existem várias formas de trabalho infantil que são de difícil identificação", afirma Ribeiro. Esses trabalhadores infantis fazem parte da paisagem urbana de grandes cidades brasileiras, como São Paulo. São crianças que vendem...

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Kássia Morgana Rodrigues denuncia ter sido vítima de racismo em bar de Anápolis (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Garçonete denuncia que foi vítima de racismo após cliente discordar da conta no bar: ‘Preta feia’

A garçonete de um bar de Anápolis, a 55 km de Goiânia, denunciou que sofreu racismo de uma cliente que reclamou do valor da conta. No boletim de ocorrências, Kássia Morgana Rodrigues registrou que a mulher a chamou de "inútil" e "preta feia". A funcionária, que tem 26 anos, disse ainda que o pai da cliente foi ao local e exibiu uma arma, ameaçando os funcionários. “Ela falou: ‘Você tem que desamarrar esse coque horrível, você é negra. Você tem que desamarrar esse cabelo velho e feio. Você não merece estar aqui, não merece esse serviço, amanhã eu vou mandá-lo te demitir’”, disse Kássia. A garçonete trabalha no local há dois anos e disse que jamais tinha sofrido qualquer ofensa até a última quinta-feira (3), quando a cliente ficou insatisfeita ao receber a conta e começou a fazer os insultos. A cliente foi orientada pelos funcionários e responsáveis pelo estabelecimento...

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Kathlen de Oliveira Romeo (Reprodução/Instagram)

Violência no RJ vitimou 15 grávidas desde 2017, afirma plataforma Fogo Cruzado

A morte de Kathlen Romeu, grávida de quatro meses, na última terça-feira (8) é a 8ª morte de gestante na Região Metropolitana do Rio de Janeiro desde 2017. Segundo a plataforma Fogo Cruzado, 15 mulheres grávidas foram baleadas no Grande Rio, sete delas morreram. Desses 15 casos, nove bebês não resistiram. Segundo a Fogo Cruzado, apesar de todas terem sido vítimas da violência armada, as 15 grávidas baleadas no Grande Rio foram vitimadas de diferentes formas: 6 delas foram vítimas de balas perdidas, 4 foram vítimas de execução/homicídio, 3 foram baleadas durante roubo ou tentativa de roubo, 1 foi baleada com indícios de tortura e 1 não teve motivação identificada. Até março de 2021, a plataforma, que compila dados de segurança pública no estado do Rio, registrou 681 mulheres baleadas na Região Metropolitana do Rio: 258 delas não resistiram e morreram. Os motivos dos tiroteios que mais deixaram mulheres baleadas foram operação ou ação policial, que fez 194...

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Foto: Lionel Bonaventure/AFP

YouTube anuncia fundo de US$ 100 milhões para influenciadores negros

O YouTube abre no próximo dia 21 de junho as inscrições para a sua segunda seleção de influenciadores negros interessados em participar do projeto Vozes Negras. O processo será realizado até 9 de julho. Os escolhidos serão anunciados em outubro e vão receber parte dos recursos de um fundo de U$$ 100 milhões (cerca de R$ 504 milhões) Para participar é necessário ser criador de conteúdo da plataforma de vídeos, se autodeclarar preto ou pardo e preencher os requisitos para ter um canal monetizado —ou seja, ser criador de conteúdo apto a receber um valor em dinheiro pelas visualizações de seu canal. O formulário de inscrição estará disponível neste link a partir das 10h. Na primeira edição, realizada em setembro, foram selecionados 35 criadores de conteúdo no Brasil —31 youtubers (como são chamados os criadores de vídeos na plataforma) e quatro artistas da mídia tradicional. De acordo com Bibiana Leite, diretora de desenvolvimento de parcerias de conteúdo e líder do programa #YouTubeBlack...

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Kathlen Romeu foi morta pela polícia do Rio (Foto: Reprodução/Instagram_@rogeriojorgeph)

Passar pano para o genocídio negro: não em meu nome

"Grávida morre após ser baleada durante troca de tiros em comunidade no RJ". A manchete do UOL foi a gota que faltava para eu encerrar minha contribuição com a publicação Ecoa UOL. Há semanas não tenho conseguido manter ritmo de escrita semanal, já havia anunciado para minha editora a possibilidade de interromper a coluna, mas avaliamos que dava para esperar um pouco antes de decidir. Com a cobertura perversa da execução de uma mulher negra grávida em uma favela do Rio de Janeiro, mais um alvo do genocídio negro, fica evidente que a exaustão de repetir semanalmente a mesma coisa, em palavras diferentes, na tentativa de contribuir com o debate público sobre o genocídio tem sido pouco efetiva. Nem o próprio veículo se constrange em noticiar uma mentira como mais um fato isolado. Há um mês, logo depois da chacina de Jacarezinho, a home noticiava: "Ação da polícia deixa 25...

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Kathleen Romeu, baleada durante operação policial no Rio. (Foto: Reprodução/ INSTAGRAM)

Kathlen e seu bebê, mais duas vidas negras interrompidas no Brasil

“Bom dia, neném”. Este foi o último post da Kathlen Romeu em seu perfil no Instagram, na manhã desta terça-feira, 8 de junho. Quem vê as fotos, se depara com uma jovem feliz com a recente descoberta da gravidez, relatando um misto de surpresa, alegria e medo. Kathlen tinha medo dos desafios da maternidade, das coisas que uma mãe de primeira viagem ia descobrir pelo caminho. Mas não deu tempo. Ela foi morta aos 24 anos em meio a uma ação policial em Lins de Vasconcelos, na zona norte do Rio de Janeiro. Curiosamente, o bairro é um dos poucos onde ainda há Unidade de Polícia Pacificadora, a UPP, que foi estrela da política de segurança na última década e faliu. Moradores foram às ruas protestar contra a morte da jovem designer de interiores. E na capa de um dos maiores portais de notícias do país era possível ler a manchete “Protesto fecha autoestrada Grajaú-Jacarepaguá”. A...

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Comissão ARNS (Divulgação )

Comisión Arns denuncia ante la ONU violaciones de derechos humanos en la matanza de Jacarezinho, en Río de Janeiro

La matanza Fue planificada para buscar a criminales conocidos y ejecutarlos, pero, al inicio del procedimiento, un policía civil fue muerto. Eso probablemente transformó algo que ya de por sí podría tener una alta letalidad en una operación descontrolada», declara Brecha Silvia Ramos, socióloga y coordinadora de la Red de Observatorios de Seguridad del Centro de Estudios de Seguridad y Ciudadanía (CESEC), de la Universidad Cândido Mendes, frente a los hechos ocurridos en Jacarezinho. Cuando un policía es asesinado en una comunidad, generalmente la venganza ocurre después, a través de grupos paramilitares o de policías de particular. Eso fue lo que ocurrió el jueves 6 de mayo en Jacarezinho, favela de la zona norte de Rio de Janeiro, cuando la Policía civil mató a 28 personas en una operación que, supuestamente, tenía como objetivo capturar a líderes del Comando Vermelho. De acuerdo a la fuerza pública, los miembros de ese...

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Foto: Deldebbio

Lei de racismo é aplicadana BA para condenar envangélica por ataques ao candomblé

A liberdade de expressão, mesmo a religiosa, ainda que protegida constitucionalmente, não é absoluta de modo a permitir o aviltamento a culto distinto. Com esta decisão, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) confirmou a condenação uma evangélica por racismo, na modalidade preconceito religioso. Ela hostilizava adeptos do candomblé gritando “sai satanás” e jogando sal grosso na frente de um terreiro. Os reiterados ataques de Edneide Santos de Jesus ao credo alheio começaram em agosto de 2014 e atingiram o ápice no ano seguinte, ganhando repercussão nacional. No dia 1º de junho de 2015, a yalorixá Mildredes Dias Ferreira, a Mãe Dede de Iansã, de 90 anos, líder do Terreiro Oyá Denã, morreu de infarto. Familiares e companheiros de candomblé da idosa atribuíram o falecimento ao desgosto dela pelos atos de intolerância religiosa. Não houve como estabelecer nexo de causalidade entre a conduta de Edneide e a morte de Mãe...

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(Foto: Twitter/Renatoafjr)

Os Ciscos do Brasil e o racismo de todo dia

"A resistência de Renato Freitas nos ensina que, se por um lado muitos Ciscos morrem no meio do caminho, outros se salvam e se multiplicam. Ocupam espaços de poder e dizem em alto e bom som: racistas, vocês serão combatidos", escreve o jornalista Aquiles Lins, editor do 247, sobre a prisão do vereador curitibano "Cordão de ouro branco vale quanto pesa né. Praça da Sé na loucura da miséria. Maluco vai quer tipo é pra se manter de pé. Sua coroa tá ali, sabe qual que é. Jogada na calçada, calça rasgada, muito louca de cachaça, chamam de vaca. Está sem chance, está sem nada. Vadia velha com um filho, jogado às traças. Mas que nada, a rua abraça. Tá crescendo Cisco menino, desafortunado do gueto vai vendo. Ele quis ir pra escola, mas a sua história, vai já era..." A música Cisco era o que tocava na caixa de som dos...

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Rainha Elizabeth II, em 2015 - Getty Images

Novos documentos revelam o racismo histórico do palácio de Buckingham

Uma regra expressa do palácio de Buckingham, em vigor pelo menos até o final dos anos 1960, proibia a contratação de “imigrantes de cor ou estrangeiros” para cargos administrativos, segundo documentação histórica divulgada com exclusividade pelo jornal The Guardian. A sombra de racismo na casa real britânica, abalada pelas recentes acusações da duquesa de Sussex, Meghan Markle, em entrevista à apresentadora norte-americana Oprah Winfrey, causou uma grave crise institucional há alguns meses, que o entorno da rainha Elizabeth II tentou aplacar com vagas promessas de investigar o que aconteceu. As novas revelações reabrem —timidamente— um debate que a sociedade britânica encerrou sem aprofundá-lo. Há meses o jornal vasculha os arquivos nacionais em busca de casos em que Buckingham tenha usado o chamado Royal Consent (consentimento real) de forma abusiva. Trata-se de um uso parlamentar de origem remota e consolidada no tempo, pelo qual o monarca tem a capacidade de permitir ou não o debate de leis...

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Viviane e Maria Célia morreram após ser baleadas no Curuzu (Foto: Arquivo pessoal/Arte G1)

Pai de uma das mulheres mortas em ação policial no Curuzu critica PM e lamenta: ‘Não vai trazer a vida da minha filha’

“As corporações estão cheias de despreparados, atirando de tudo quanto é jeito. E agora? Como fica essa vida que se foi? Duas vidas que se foram". O desabafo emocionado é de Jair Pedreiro, pai de Viviane Soares, de 40 anos, uma das duas mulheres mortas na noite de sexta-feira (4), no Curuzu, bairro da Liberdade, em Salvador, durante ação policial. A outra vítima foi identificada como Maria Célia de Santana, de 73 anos. Jair questionou a atuação dos policiais militares, durante perseguição a suspeito, e afirmou que registrará queixa na corregedoria da corporação. "Vou na corregedoria para ver como vai ficar. Não vai trazer a vida da minha filha, não. Minha filha não me deu desgosto. Minha filha corria atrás: trabalhava, fazia unha, fazia faxina. E agora, como é que fica essa situação?”, falou. Motoboy Jorge Pereira criticou ação (Foto: Reprodução/TV Bahia) Testemunhas contaram que policiais militares perseguiam um homem em...

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Ronilso Pacheco (Reprodução/UOL)

Alerta para o Brasil: Estados Unidos vivem pior momento desde a segregação

A vitória de Joe Biden se deve muito à comunidade negra e às muitas mobilizações feitas por organizações como a Fair Fight, da ativista Stacey Abrams, igrejas negras, movimentos como o Black Lives Matter, além de muitos atletas, como o astro Lebron James e celebridades negras que impulsionaram os afro-americanos a votarem no candidato democrata à presidência. Tudo isso reverberou na derrota de Donald Trump e do partido Republicano. Agora, mostrando como a questão racial é crucial na história americana (assim como no Brasil), os parlamentares e governadores trumpistas assumiram de vez o contra-ataque à discussão sobre o racismo, sobre a escravidão e suas implicações para a formação da sociedade norte-americana. Os Republicanos abriram uma perseguição contra a chamada Teoria Crítica Racial e seu ensino nas escolas do país. Neste momento, os republicanos estão com uma verdadeira campanha com o objetivo de impor como o racismo histórico é ensinado, intimidando professores e...

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Thiago Amparo (Foto: Arquivo Pessoal)

Cotas raciais sim, Folha

"Pode-se afirmar que cotas sociais são preferíveis às raciais, mas ambas não passam de paliativos", escreveu esta Folha no editorial "O limite das cotas", em 2017. No mesmo ano, o jornal escreveu em "Cotas falhas" que "lamenta o modelo adotado . Aqui se defende há tempos que o critério para ingresso especial nas universidades seja exclusivamente social." Não dá para se falar em classe sem falar em raça no Brasil, isso nossa pele negra já sabe ao navegar espaços brancos. Às vésperas dos dez anos da lei de cotas nas universidades, quando deverá ser renovada, a posição do jornal perdeu o bonde da história. Ação afirmativa já se consolidou como política pública eficaz, apesar das disparidades ainda visíveis entre os cursos mais concorridos. Ao jornal que acertou em 2021 lançando um programa específico para jornalistas negros e que se intitula um jornal da democracia, caberia bem em seus 100 anos rever...

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Foto: Pedro Kirilos/Riotur

Registros de crimes de discriminação racial e religiosa crescem no Rio

Nos últimos três anos, houve aumento no número de crimes de discriminação registrados pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). Segundo a delegada titular, Márcia Noeli, os cinco primeiros meses de 2021 tiveram sete vezes mais registros de casos de racismo e intolerância religiosa dirigidos a um grupo ou comunidade, em relação a 2019. Ocorrências de injúria racial, ou seja, casos de intolerância religiosa dirigidos a um indivíduo específico, aumentaram aproximadamente 30% no mesmo período. Os dados foram apresentados em uma reunião virtual da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de Combate à Intolerância Religiosa, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), na terça (1º). A deputada Martha Rocha (PDT), presidente da comissão, destacou a importância de treinar agentes de segurança para lidar com os casos. “Seja para os que ingressam pelo concurso de delegado, inspetor ou oficial de cartório, o tema Direitos Humanos tem...

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Mônica Francisco (Foto: Divulgação/ Rithyele Dantas)

Combater o racismo é lei no Rio de Janeiro

Enfrentar toda forma de discriminação e preconceito é responsabilidade de toda sociedade dita civilizada. Trago em minha trajetória o combate veemente às chagas que atormentam todes aqueles que fazem escolhas por este ou aquele segmento de fé. No âmbito do Legislativo, lugar que ocupo há pouco tempo, primamos (somos um coletivo) por criar legislações que promovam a inclusão e combatam as diversas formas de discriminações. Recentemente, duas leis relacionadas às religiões de matriz africanas foram sancionadas; a Lei 9251/2021 que determina o tombamento por interesse histórico e cultural do Estado o Terreiro de Joãozinho da Goméia – construída em diálogo com as herdeiras/herdeiros espirituais de João Alves Torres Filho e com o Ministério Público Federal – e a Lei 9259/2021 que torna 27 de março Dia Estadual de Conscientização contra o Racismo Religioso — Dia Joãozinho da Goméia. Antes da sanção, a jornalista Flavia Oliveira ao comentar (na Rádio CBN)...

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Denize Souza Leite (Foto: Arquivo pessoal)

Sankofa e as políticas de ações afirmativas: Olhar o passado para construir o futuro

A cultura oriunda dos países africanos é de uma simbologia incrível, e cuja complexidade nos traz ensinamentos profundos, demonstrando o grau de evolução do berço do mundo.  Dentre os elementos culturais encontramos os Adinkras, símbolos ideográficos dos povos Akan, da África Ocidental, região que hoje abrange parte de Gana e da Costa do Marfim. Estes conjuntos de ideogramas tinham como propósito representar valores da comunidade, ideais, provérbios, além de serem usados em cerimônias e rituais de grande importância. Sankofa é um dos Adinkras mais conhecidos, sendo representado por um pássaro que apresenta os pés firmes no chão e a cabeça virada para trás, segurando um ovo com o bico. O ovo simboliza o passado, demonstrando que o pássaro voa para frente, para o futuro, sem esquecer o passado. Ele surgiu com o provérbio ganês “Se wo were fi na wosankofa a yenkyi” que significa “não é tabu voltar para trás e recuperar...

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Foto: Imagem retirada do site Uneafro Brasil

Em meio ao racismo institucional, aluno negro tira a própria vida na USP

Na última terça-feira (25), o jovem Ricardo Lima da Silva se suicidou em meio ao racismo e negligência da Universidade de São Paulo (USP). Morador do Conjunto Residencial da USP – CRUSP,  Ricardo procurou ajuda por diversas vezes dentro da Universidade e o que ouviu foram comentários que negligenciaram a sua dor.  O jovem sofria com o bullying dos colegas e com o racismo institucional, inclusive por parte dos docentes. Ele implorou por ajuda da instituição, mas não obteve retorno. Ricardo passou a acreditar que tinha que tirar sua vida para que as coisas mudassem na USP.  Nenhuma atitude institucional foi tomada quando o estudante avisou que iria se suicidar nas escadas do próprio bloco estudantil, onde residia. Ricardo se pendurou no sexto andar, e amigos do jovem relataram que não houve nenhum movimento da Universidade para impedir a sua ação.  Moradores do CRUSP relatam que um guarda da PPUSP...

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Vera Iaconelli (Reprodução/Facebook)

Denegrir a psicanálise brasileira

Você assistiu a minissérie "Roots", de 1977, e chorou quando o jovem Kunta Kinte foi capturado por traficantes de negros ou quando teve parte do pé amputado para não fugir? Sentia-se indignado com a violência e arbitrariedade do apartheid na África do Sul, torcendo pela liberação de Mandela? Nessa época, enquanto o mundo se digladiava entre raças e etnias, nós brasileiros nos orgulhávamos de estarmos juntos, um só povo. Conhecíamos a ditadura, a pobreza, o analfabetismo, a morte por doenças já erradicadas e a falta de saneamento básico, mas tínhamos um consolo: éramos miscigenados e cordiais. Eis que inventaram de importar dos Estados Unidos essa ideia de que no Brasil também havia racismo, eclipsando nossa maior qualidade. Machistas, tudo bem, mas racistas!? Nós, psicanalistas brasileiras, líamos Simone de Beauvoir, Luce Irigaray, Karen Horney e Julia Kristeva e nos sentíamos representadas pelo feminismo, pela recusa à primazia do falo e da inveja do pênis. No entanto, fizeram questão...

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