sexta-feira, setembro 18, 2020

    Questão Racial

    Anna Ismagilova/Adobe

    Será que eu sou uma fraude? A mestiçagem e o meu não lugar

    A vida inteira fui chamada de branquinha pelo meu pai e era assim que eu me via, apesar dos constantes comentários acerca do meu cabelo “ruim”, do meu nariz de “barraca” e da minha boca de “nego”. Sempre ouvi que apesar da minha pele clara, eu tinha um “pezinho na senzala”. Quando eu entrei no Ensino Fundamental em uma escola pública perto da minha casa, eu e um primo íamos e voltávamos juntos, pela rua de barro. Eu adorava a escola, mas a gente tinha muitos problemas, como trocas de professores, greve, salas pequenas e abarrotadas de alunos. Todos nós queríamos a atenção da Tia, mas era impossível ela fazer um atendimento individualizado. Eu não me lembro de ter dificuldades de aprendizado nesta fase, mas acabei passando para a segunda série sem saber ler, ou pelo menos foi isso que disseram para os meus pais. Acho que foi aí que...

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    Rita de Cássio Anjos, pesquisadora na área de Astrofísica e uma das vencedoras do prêmio Para Mulheres na Ciência, da L'Oréal Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

    ‘Não existe incentivo para pessoas negras na ciência’, diz astrofísica vencedora de prêmio para mulheres cientistas

    Preconceitos estruturais impedem que um número maior de mulheres optem por carreiras na Ciência, um caminho que é ainda mais difícil para as negras, que enfrentam discriminação dupla, o racismo e o machismo. Um levantamento divulgado este ano pelo Open Box da Ciência mostra que entre os pesquisadores com doutorado em Ciências Exatas e da Terra no Brasil, 68,9% são homens e apenas 31,1% mulheres. A astrofísica Rita de Cássia Anjos, de 36 anos, desafia essa lógica. Mulher, negra, com uma adolescência pobre, hoje ela investiga a origem dos raios cósmicos e sua possível relação com galáxias de intensa formação de estrelas — conhecidas como galáxias starburst. Também colabora em projetos de inclusão para jovens com deficiência nas Ciências exatas e equidade de gênero na astronomia. Rita é a vencedora na categoria Ciências Físicas do prêmio Para Mulheres na Ciência, promovido pela L'Oréal, Unesco Brasil e Academia Brasileira de Ciências...

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    Tamika Palmer, mãe de Breona Taylor, durante processo judicial - 15/09/2020 Foto: Bryan Woolston/Reuters

    Louisville pagará US$12 milhões em acordo judicial após morte de Breonna Taylor pela polícia

    A cidade de Louisville, no Estado norte-americano de Kentucky, vai pagar 12 milhões de dólares à família de Breonna Taylor, uma mulher negra morta pela polícia durante operação em seu apartamento, para encerrar um processo judicial por homicídio culposo, disse o prefeito Greg Fischer nesta terça-feira. O acordo é um dos maiores do gênero na história dos Estados Unidos, onde os departamentos policiais muitas vezes são protegidos de pagar indenizações por mortes ocorridas sob sua custódia. A medida não admite explicitamente irregularidades cometidas pela cidade, mas será acompanhada por reformas no Departamento da Polícia Metropolitana de Louisville, incluindo a exigência de que os comandantes aprovem mandados de busca antes que estes sejam submetidos a um juiz, afirmou Fischer em uma entrevista coletiva. Nenhum policial foi acusado criminalmente pela morte de Taylor, mas o procurador-geral de Kentucky, Daniel Cameron, um político negro do Partido Republicano, deve apresentar o caso a um...

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    Leandro Xavier (Arquivo Pessoal)

    Alvo de racismo em SP: ‘Não queria chorar na frente do meu filho’

    O auxiliar de serviços gerais Leandro Antonio Eusdácio Xavier, de 39 anos, foi vítima de injúria racial no sábado passado no Jabaquara, bairro de classe média em São Paulo. Uma mulher que o agrediu na rua com xingamentos de "macaco, chimpanzé e orangotango". Xavier estava caminhando com o filho, de 11 anos, para um ponto de ônibus quando foi alvo das agressões. Ele filmou tudo com o celular, e as imagens viralizaram. O rapaz disse que a agressão foi gratuita e que nunca tinha visto a agressora na vida. Quatro dias após o episódio, Xavier contou ao GLOBO como tudo aconteceu e que sua maior preocupação era com o filho. Ele diz que nunca havia se sentido discriminado por sua raça. Foi assim Leandro Antonio Eusdácio Xavier, de 39 anos "Era sábado e tinha cinco meses que eu não via meu filho, que mora com a mãe. A gente ia...

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    Advogada é indenizada por danos morais após ser discriminada — Foto: Arquivo Pessoal/Maíra Caroline de Faria

    Jovem é indenizada em R$ 6 mil após ser chamada de ‘macaca’ pela chefe durante revelação de amigo secreto, em BH

    A bacharel em direito Maíra Caroline de Faria, de 24 anos, foi indenizada em R$ 6 mil, por danos morais, após ser chamada de "macaca" pela chefe durante uma festa de confraternização do escritório onde trabalhava, na época, como estagiária. O crime aconteceu em dezembro de 2017, mas o processo só foi finalizado em agosto deste ano, após acordo entre as partes. Maíra contou ao G1 que tudo aconteceu durante a brincadeira do amigo secreto. Ao revelar quem tinha tirado no sorteio, a chefe falou que era a "macaca do escritório". A jovem contou que a situação foi "humilhante, dolorosa e vexatória", o que a levou a procurar a Justiça. "O processo é importante para mostrar que, mesmo dentro do direito, há casos de preconceito. São pessoas bem informadas que também cometem esse tipo de crime. Está enraizado nas pessoas", disse Maíra. Justificativa e entendimento da juíza Em sua defesa...

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    Vista da Praça do Relógio e Prédio da Reitoria da Universidade de São Paulo — Foto: Marcos Santos/USP Imagens

    USP expulsa aluno pela 1ª vez por fraude no sistema de cotas raciais

    A Universidade de São Paulo expulsou pela 1ª vez um aluno por fraude no sistema de cotas raciais e sociais. O estudante do curso de relações internacionais não conseguiu comprovar a auto-declaração, informou a instituição nesta segunda-feira (13). Braz Cardoso Neto, de 20 anos, ingressou na universidade pelo sistema de cotas se auto-declarando pardo, de ascendência negra e com baixa renda familiar. O Coletivo Lélia Gonzalez de Negras e Negros do Instituto de Relações Internacionais da USP suspeito da veracidade das informações e fez a denúncia à Comissão de Acompanhamento da Política de Inclusão da USP, que é uma instância ligada à Pró-Reitoria de Graduação da Universidade. O órgão foi criado para apurar as denúncias de fraudes na autodeclaração de pertencimento ao grupo de pretos, pardos e indígenas (PPI) do vestibular da Fuvest. A USP informou em nota que "não foi possível constatar a conformidade de suas características fenotípicas com...

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    Naomi Osaka celebra a vitória no US Open Foto: Matthew Stockman/Getty Images/AFP

    Naomi Osaka: vitória e protesto no US Open para que pessoas ‘comecem a falar’ sobre justiça racial

    A tenista Naomi Osaka coroou sua vitória no US Open com um desafio para as milhões de pessoas que assistiram a partida final do torneio, no sábado (12): "comecem a falar" sobre justiça racial. Quando entrou no estádio Arthur Ashe para a primeira partida do US Open, há 12 dias, Osaka colocou seu ativismo no centro, vestindo uma máscara em homenagem a Breonna Taylor, mulher negra assassinada por policiais que invadiram seu apartamento em março. A cada partida do torneio - em um total de sete - ela usou uma máscara diferente para levar os protestos do movimento Black Lives Matter contra a brutalidade policial à vasta base de fãs do tênis internacional. Após a vitória no torneio, questionada sobre a mensagem que desejava passar ao usar as máscaras com nomes de pessoas negras mortas pela polícia americana, ela devolveu a pergunta ao jornalista: "Qual a mensagem que você recebeu?"....

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    Cúpulas do TSE vistas do alto do edifício sede. Brasília-DF 03/02/2014 (Foto:Nelson Jr./ASICS/TSE)

    Democracia sem racismo e o monopólio do financiamento de candidaturas brancas

    Enfrentar o racismo sistêmico brasileiro não é tarefa fácil. Boas medidas – as vezes as medidas mais evidentes e necessárias – podem produzir efeitos adversos não antecipados, ou exigir de quem as propõe que considere a existência de múltiplas resistências institucionais, coletivas e individuais contra a pauta antirracista. Isso não significa que tais medidas devem ser abandonadas – significa, pelo contrário, que devem ser aprimoradas constantemente. Um caso recente ilustra essa questão. No último dia 25 de agosto, o Tribunal Superior Eleitoral determinou a distribuição proporcional de recursos de campanha entre candidaturas negras e brancas. A decisão tenta solucionar o problema do subfinanciamento das candidaturas negras, agravado pelos efeitos adversos causados por decisão anterior do próprio TSE que determinara a distribuição proporcional de recursos para candidaturas femininas. A despeito da posição dos ministros Luis Roberto Barroso, Edson Fachin e Alexandre de Moraes, prevaleceu no tribunal o entendimento de que a...

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    Naomi Osaka usando máscara facial com o nome de George Floyd no US Open Imagem: Matthew Stockman / Getty Images

    US Open: Osaka protesta contra racismo com máscara com nomes de vítimas

    Antes de entrar em quadra para disputar as quartas de final do US Open ontem, Naomi Osaka usou uma máscara facial com o nome de George Floyd. A tenista de 22 anos tem mostrado nomes de vítimas de injustiça racial nos Estados Unidos em todas as partidas da competição. George Floyd, um homem negro de 40 anos, morreu no dia 25 de maio depois de ter sido imobilizado com um joelho sobre o pescoço durante uma abordagem policial violenta na cidade de Minneapolis, no estado norte-americano de Minnesota. "Sinto que eles são muito fortes. Não tenho certeza do que seria capaz de fazer se estivesse no lugar deles, mas sinto que sou uma parte pequena neste momento, a fim de espalhar a consciência. Não vai diminuir a dor, mas espero que eu possa ajudar com tudo que eles precisarem", disse Osaka à ESPN. A tenista, que...

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    André Nicolitt, juiz da comarca de São Gonçalo, no Rio (Foto: Arquivo Pessoal/André Nicolitt)

    Juiz há 19 anos, Nicolitt ainda teme ser alvo de racismo: ‘Isso não muda’

    O juiz André Nicolitt, da comarca de São Gonçalo, estava de plantão quando viu uma decisão sua ganhar repercussão nacional: ele concedeu habeas corpus ao músico Luiz Carlos Justino, de 23 anos, preso sob a acusação de assalto à mão armada. O crime, entretanto, aconteceu enquanto o jovem trabalhava tocando em uma padaria. Na decisão, Nicolitt, que está há 19 anos no Judiciário, questionou: "Por que um jovem negro, violoncelista, que nunca teve passagem pela polícia, inspiraria 'desconfiança' para constar em um álbum ?". Sobre o texto que ganhou grande repercussão nas redes sociais, disse ao UOL: "Eu olho com muito zelo para cada sujeito preso ou a ser preso, não tenho padrões decisórios genéricos". "Eu vou olhar para cada processo como uma das coisas mais importantes a serem feitas, porque colocar alguém no cárcere é muito grave. Quando este processo veio, olhei...

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    A sommelier de cerveja, Sara Araújo, é alvo de racismo em conversas vazadas de grupo de cervejeiros. (Foto: Arquivo Pessoal)

    “O racismo quando não mata, adoece”, relata mulher vítima do grupo de cervejeiros

    As sommelieres especialistas em cerveja, Fernanda Meybom (SC), Daiane Colla (SC) e Sara Araújo (PR) sofreram ataques racistas e machistas em troca de mensagens entre empresários do ramo cervejeiro. As conversas enviadas em um grupo no Whatsapp chamado “Cervejeiros Illuminati” tem cerca de 200 integrantes de todo o Brasil, em sua maioria homens. Além das ofensas direcionadas exclusivamente às três mulheres, os participantes ofendem a população negra em geral e as feministas. Entre eles aparecem empresários catarinenses e o presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), Carlo Lapolli, que é de Blumenau. “Quando havia mulher que ia julgar uma cerveja tinham fotos dela por debaixo da mesa sendo compartilhadas neste grupo”, conta. De acordo com a fonte, os administradores do grupo não deixavam ninguém sair do grupo. “As pessoas saíam do grupo e eles botavam de volta pra continuarem dando palco para os mais mais do grupo. Pro cara...

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    (Foto: Getty Images/iStockphoto)

    De novo: homem negro é preso nos EUA após falha de reconhecimento facial

    O departamento de polícia da cidade de Detroit foi processado por prender equivocadamente um homem negro identificado como responsável por um furto por meio de um software de reconhecimento facial. O erro policial foi o segundo do tipo noticiado neste ano, sendo que o anterior também ocorreu em Detroit. A polícia local deteve Michael Oliver, 26 anos, em julho de 2019 sob a acusação de um furto que ele não cometeu. Segundo o site Motherboard, Oliver entrou na Justiça contra a cidade de Detroit e o detetive apontado como responsável pelo equívoco, pedindo uma indenização de a partir de US$ 12 milhões (cerca de R$ 63,5 milhões). Oliver, que ficou preso por quase três dias, chamou o trabalho da polícia e o uso do algoritmo de reconhecimento facial de "grosseiramente negligente". "Perdi meu emprego e meu carro. Toda minha vida foi colocada em pausa", declarou ao Motherboard. "Essa tecnologia não...

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    La'Ron Singletary, chefe da polícia de Rochester, é visto de máscara após encontro com autoridades locais nesta terça-feira (8) — Foto: Adrian Kraus/Reuters

    Chefe da polícia de Rochester, nos EUA, deixa o cargo em meio às investigações do caso Daniel Prude

    O chefe da polícia de Rochester, La'Ron Singletary, anunciou nesta terça-feira (8) que deixará o cargo após avanços nas investigações do caso Daniel Prude, mais um homem negro morto após ação policial nos Estados Unidos. Outros quatro policiais em altos cargos na corporação anunciaram a demissão. Singletary alegou que críticos estão tentando "destruir a carreira e a identidade" dele. "A descaracterização e a politização das ações que eu tomei depois de ser informado da morte de Prude não são baseadas em fatos, e eu não apoio isso", disse o policial. Mais cedo, a prefeita de Rochester, Lovely Warren, disse que soube de "novas informações trazidas à luz" sobre o caso Prude. Ela não deu mais detalhes, no entanto, sobre o avanço das investigações. Na semana passada, os sete policiais envolvidos na abordagem a Prude foram suspensos das funções por decisão da prefeita. "Quando eu vi esse vídeo, fiquei furiosa", afirmou...

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    (Foto: Reprodução/ Twitter)

    Cancela, sim. Cancela geral!

    eu acho triste; aliás, acho humilhante ver intelectuais brancos se debatendo para serem ouvidos. desde que os ouçam em silêncio. mandam-me um texto de contardo caligaris. fazia tempo que eu não o lia. a última vez que li uma coisa sua, ele se jactava de sua sapiência, como quem lambe o próprio pau, e chamava a revolucionária teoria estruturalista, formulada por saussure, de uma ingenuidade, ou coisa assim. me levantei e fui tomar um café, não sem antes amassar o jornal. então… dessa vez o texto me chegou pelo zap, veja você. caligaris defendia, como um goleiro destrambelhado, uma ideia bisonha, que ele tirou sabe-se lá de onde. ele reclama do fato, delirante, de que há uma regra aí que impede quem não é negro de falar sobre negros e que quem não é gay não pode falar de gays. e o texto dele é, inteiro, ele falando sobre negros...

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    Reprodução/Facebook

    Imperialismo em chamas: Sem justiça, sem paz!

    A sensação é sensacional, como diria nosso amigo rapper Djonga, mas os motivos são muito tristes, afinal, quem não gostaria de ver os racistas sendo queimados e ardendo em fogo? Sim, parece macabro demais, mas é a revolta de centenas de anos de violências contra o povo das américas sendo externalizada, enquanto o capitalismo segue queimando em brasa, aguardando a próxima vítima do racismo estrutural (que retroalimenta o sistema opressor racista) para entrar em chamas. Minessota em chamas, Kenosha em chamas, EUA em chamas e o Brasil está em brasas ( sim, as coisas por aqui são diferentes) porém não menos graves, pois as fogueiras podem ser gigantes( e nem estou falando das queimadas criminosas da Amazônia). Os protestos em Kenosha, no estado americano de Winconsin, depois de viralizar o vídeo em que Jacob Blake (jovem negro de 29 anos) é brutalmente atacado com sete tiros pelas costas, diante de...

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    Diversidade racial na medicina O objetivo do programa de financiamento do Iluma é garantir "recursos financeiros e mentoria" para a estudantes de medicina negros de baixa renda. A mentoria — que inclui acompanhamento de atividades acadêmicas, notas e desempenho — é feita por médicas e médicos negros. "A gente trabalha para garantir meios para que a pessoa consiga seguir em frente e se formar", explica Juliana Oliveira. Já as doações mensais de R$ 400 podem ser feitas por qualquer um disposto a contribuir com o aumento da diversidade racial na medicina (mais detalhes aqui). Lançada oficialmente em dezembro de 2019, durante uma solenidade na Assembleia Legislativa de São Paulo, a associação se propõe a promover e assegurar equidade de direitos políticos, educacionais, sociais e econômicos para a população negra. Entre os objetivos do instituto estão a busca por "sustentabilidade econômica" para esta parcela da população, a defesa da educação e saúde gratuitas e de qualidade, o combate ao "encarceramento sistemático da população negra", a "representatividade política como condição essencial para exercício do direito ao voto" e o "fomento do engajamento de jovens e jovens adultos negros na luta antirracista". Dos 209,2 milhões de brasileiros, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE, 19,2 milhões se autodeclaram pretos e 89,7 milhões se apresentam como pardos. Dados referentes a 2018, divulgados em novembro de 2019 pelo IBGE, mostraram que, pela primeira vez na história, o número de estudantes negros em faculdades públicas brasileiras superou o de alunos brancos: 50,3% de pretos e pardos contra 49,7% de brancos. Apesar de ainda não se refletir nos cursos mais disputados, como é o caso de medicina, a conquista, segundo o IBGE, é um fruto direto da política de cotas raciais nas universidades públicas. Apesar de terem superado o número de brancos nas faculdades públicas, a maioria dos universitários pretos (66,86%) e pardos (73,54%) brasileiros estuda em faculdades particulares, segundo dados de 2018 do Inep. 'Não vive, não sabe' Juliana conta que ter nascido em uma família com boas condições financeiras trouxe vantagens indiscutíveis, mas não tornou sua trajetória igual a de colegas de profissão brancos. "A tensão racial esteve presente em todos os lugares, desde a universidade até hoje." Durante a entrevista, a médica enumera uma série de episódios racistas vividos ao longo da carreira. "Acontece muito por eu hoje usar um cabelo afro, que expõe gritantemente a minha raça e meu posicionamento político — porque usar um black power é um gesto político", diz. Além de comentários racistas sobre sua aparência, Juliana ilustra as barreiras na profissão pela ausência de equipamentos de proteção individual pensados para profissionais negros. "Por exemplo, a touca que todos nós usamos nos procedimentos. Não existe touca para médico preto. Não se encontra touca médica onde caiba um black power, um dreadlock, uma trança. Nada." As de Juliana são feitas em cetim por encomenda. "Quando souberam, minhas colegas disseram que nunca pensaram sobre a dificuldade das touquinhas para cirurgiões negros." Ela explica: "Você não vive, você não sabe". (Arquivo Pessoal)

    ‘Meu pai foi um dos únicos pretos na escola de Medicina; 32 anos depois, minha formatura foi igual’

    A cor branca não estampa só as paredes, leitos, jalecos e corredores de hospitais e consultórios no Brasil. "Meu pai foi um dos únicos pretos na escola de Medicina. Era ele, um homem e uma mulher numa classe de 80 pessoas", conta a médica Juliana Estevão de Oliveira, formada em 2010 pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). "Na minha festa formatura, 32 anos depois, éramos 160 alunos e o cenário era igual." Apesar da redução da desigualdade nas universidades nas últimas décadas, os mais de 30 anos que separam as formaturas da rara família de médicos negros de Minas Gerais ilustram o abismo racial — e o apagão de informações — existentes em uma das profissões mais valorizadas e bem pagas do país. Hoje residente de oftalmologia no Hospital das Clínicas da Universidade Federal da Bahia, em Salvador, Juliana conta que o "pai passou 6 anos praticamente sem dormir"...

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    Imagem: Getty Images

    Educação e reflexões de uma professora na quarentena: feitos, jeitos, defeitos e efeitos

    "Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda". Paulo Freire Devo dizer, a priori, que não pretendo aqui trazer dados oficiais sobre os efeitos da quarentena em qualquer perspectiva, mas dá minha opinião a partir das minhas percepções nos diálogos com as pessoas, nos acompanhamentos das famigeradas “lives”, na produção de “memes” e nos grupos de whatsapp, dentre outros. Dito isto, quero tecer meus comentários a partir de algumas provocações que tem me incomodado nestes dias de quarentena, especialmente ao que concerne à educação básica, meu lugar de fala. O que a educação tem com tudo isto? Quais os efeitos da quarentena na educação pública? Como estão nossos alunos? Como vãos os pais? O que a sociedade espera de nós? Como a sociedade ver a educação e os seus profissionais? Quem são os heróis? Quem vai consertar a sociedade depois de tudo? Como estão...

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    Divulgação

    I Mostra Audiovisual do Museu da Pessoa – (Entre)vivências negras

    O Museu da Pessoa, entidade cultural sem fins lucrativos, abre seu acervo de histórias de vida para produtores e coletivos audiovisuais pretos, pardos e negros. O presente edital regulamenta o concurso para a seleção de vídeos para I Mostra Audiovisual do Museu da Pessoa - (Entre)vivências negras. SOBRE A MOSTRA O Museu da Pessoa é um museu virtual e colaborativo de histórias de vida, com 29 anos de atuação, cuja missão é transformar a história de vida de toda e qualquer pessoa em patrimônio da humanidade. Seu acervo conta com mais de 18.000 histórias de vida e cerca de 16.000 horas de entrevistas em formato audiovisual realizadas através de uma metodologia que tem como foco as experiências vividas por cada pessoa. A Mostra busca visibilizar as histórias de pessoas negras presentes no acervo do Museu da Pessoa a partir de suas múltiplas narrativas sobre o cotidiano e demais aspectos inerentes...

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    Matheus Barros relatou caso de racismo contra sua filha, Amanda, que é negra Imagem: Reprodução/Instagram

    Pai relata racismo de policiais contra filha: ‘De quem roubou o celular?’

    Um pai relatou um caso de racismo envolvendo sua filha, que é negra, durante uma abordagem policial em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, na semana passada. Matheus Barros publicou um vídeo relatando o ocorrido, viu a publicação ter quase 50 mil visualizações, e a Polícia Militar do Rio de Janeiro investiga o episódio. Amanda, de 21 anos, prefere não se manifestar por enquanto. De acordo com Barros, policiais abordaram Amanda no Morro da Cordoeira e perguntaram: "de quem você roubou esse celular?", sobre o aparelho celular que ela carregava. Enquanto isso, o pai dela pegava doações para a missão na qual trabalha. "Quando peguei ela de volta, ela estava um pouco chocada, falando comigo que foi parada por homens da Polícia Militar e que esses homens abordaram ela, revistando a, o que já é estranho, porque, até onde se sabe, a revista de homens e mulheres não deveria ser...

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    Naomi Osaka homenageia vítima de racismo no US Open - Foto: Matthew Stockman/Getty Images

    Osaka se emociona ao receber mensagens dos pais das vítimas homenageadas

    Naomi Osaka está engajada na luta contra o racismo. Na disputa do US Open, a tenista japonesa resolveu homenagear algumas vítimas do racismo e preparou máscara com os nomes dessas pessoas. Na partida pelas quartas de final em Nova York, Osaka escolheu entrar em quadra com a máscara homenageando George Floyd, norte-americano que morreu por asfixia depois que um policial ficou ajoelhado em seu pescoço. Após a vitória contra Shelby Rogers, a ESPN norte-americana mostrou mensagens da mãe de Trayvon Martin e do pai de Ahmaud Arbery, outras vítimas homenageadas, e a ex-número 1 do mundo não conseguiu conter a emoção. [email protected] showed @NaomiOsaka videos from the parents of Ahmaud Arbery and Trayvon Martin, who thanked her for raising awareness ❤️ pic.twitter.com/fJeDzItCae — US Open Tennis (@usopen) September 9, 2020 "I feel like I'm a vessel at this point in order to spread awareness." Trayvon Martin's mother and Ahmaud Arbery's...

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