Questão Racial

    Escritora Cidinha da Silva (Foto: Elaine Campos)

    Becos, Viellas, Afoxé e Congado

    A rua, um espaço de liberdade antes da pandemia de covid-19, tornou-se lugar habitado pelo medo. Medo das pessoas que andam sem máscara e respingam saliva umas nas outras ao conversar de rosto colado; medo das pequenas aglomerações de três, quatro pessoas. Pessoas normais que querem voltar ao normal da convivência humana como se pandemia não tivesse havido. As ruas nos sujeitam à novidade do normal conhecido por muitos que agora emerge dos esgotos e causa espanto a todos. Ratos e baratas cascudas manifestam-se nas ruas para que os hospitais não atendam aos doentes; perseguem, ameaçam e espancam os profissionais de saúde que tratam desses doentes; invadem os hospitais para mostrar que a situação não é tão grave como os milhares de mortos atestam. As ruas perderam a alegria da circulação descontraída das pessoas, dos ajuntamentos festivos, da paquera, e os que insistem no velho normal flertam com a morte,...

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    (Foto: Marta Azevedo)

    Um freio à precarização

    Se escancarou mazelas socioeconômicas tão antigas quanto toleradas no Brasil, a pandemia da Covid-19 tem igualmente precipitado reações à série de abusos. É dessa lavra a articulação que, diante da escalada de homicídios decorrentes de operações policiais no Rio de Janeiro, arrancou do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), a liminar proibindo intervenções enquanto durar a calamidade na saúde. Também emergiu com vigor o enfrentamento ao racismo pela cobrança de ações objetivas de construção de equidade. Da mobilização virtual de estudantes brotou o adiamento do Enem. Esta semana, foi a vez de motofretistas e entregadores se insurgirem contra as más condições de trabalho e remuneração a que são submetidos por empresas de aplicativos. Inédita, a paralisação alcançou as principais capitais do país (São Paulo à frente) e, se teve apoio de organizações sindicais e políticas, não foi delas monopólio. Os números sobre a categoria variam. O Centro de...

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    Imagem: Geledes

    Racismo: mulher é condenada após chamar segurança de ‘macaco’ e ‘urubu’

    Uma mulher terá de pagar R$ 10 mil por danos morais após cometer o crime de injúria racial contra o segurança de um restaurante na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. A condenada chamou o funcionário de “urubu”, “negro”, “safado” e “macaco”. A decisão é da 16º Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. A vítima relatou que fazia a vigilância de um restaurante no Bairro Funcionários, próximo a uma tradicional feira que acontencia aos sábados, em frente ao Colégio Arnaldo. Segundo o funcionário, era comum que frequentadores da exposicão utilizassem o banheiro do restaurante. Com isso, a administração do estabelecimento decidiu cobrar uma taxa de R$ 0,50 por pessoa. Ainda de acordo com o relato, a mulher foi ao banheiro sem consumir nada do restaurante e, quando foi informada da taxa, ficou revoltada. A condenada jogou o dinheiro no balcão, “proferindo impropérios que, segundo a ação de danos...

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    Naima Nascimento (Foto: Rolling Stone EUA / Cortesia Sequoia Chappellet Volpini)

    Menina de 10 anos faz sucesso com música sobre Black Lives Matter: ‘Orgulhosa e completamente triste’, diz mãe

    Aos 10 anos, Naima Nascimento escreveu uma música para ajudar a processar os sentimentos dela em relação à recentes mortes de pessoas negras inocentes. No mês de junho, a mãe da menina, Sequoia Chappellet-Volpini, postou um vídeo nas redes sociais da filha sentada e tocando ukulele. Desde então, o clipe foi visto 1 milhão de vezes apenas no Facebook. Intitulada de “BLM”, em apoio ao movimento Black Lives Matter, Naima faz referências à violência e as mortes viriais de George Floyd e Ahmaud Arbery. “Eu não posso mudar você / Você tem que mudar sozinho / Eu gostaria de te ajudar / Veja, eu sou apenas como todo mundo”, diz a jovem cantora. Ao longo da canção, a menina de 10 anos celebra a própria vida como uma jovem mulher negra e o direito dela de lutar. Em uma postagem do Instagram, Sequoia escreveu que a filha mandou o vídeo...

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    Dado Galdieri/The New York Times

    Racismo e segurança: para além da ponta do iceberg

    Assim como diversos outros sistemas de poder, o racismo possui distintas expressões. Como pesquisador preto e favelado que atua na área da violência e segurança pública, sempre foi muito evidente para mim que o racismo é central para compreendermos como a violência por parte do Estado funciona. As estatísticas levantadas pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que 75% das pessoas mortas em “intervenções policiais” entre 2017 e 2018 eram negras, e que entre 2007 e 2017 os homicídios de negros cresceram 33,1%, enquanto os de não negros aumentaram 3,3%. Os dados sobre homicídios são a ponta do iceberg quando o assunto é racismo e segurança pública, e os números são uma aparição bastante evidente da conexão entre os dois. Irei contextualizar uma outra expressão do racismo, mais sutil, mas tão relevante quanto aquela apresentada pelos dados estatísticos. Eu espero que ela fique bem escura no decorrer desse texto. Sobre os dados, acredito que pesquisadores e...

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    Imagem retirada do site SOS_Corpo

    Antirracismo no Brasil: uma tarefa inadiável às pessoas brancas

    “O colonialismo é uma ferida que nunca foi tratada. Uma ferida que dói sempre, por vezes infecta, e outra vezes sangra”. Grada Kilomba   Estamos vendo acontecer neste mês de junho de 2020 uma revolta popular contra o racismo, num primeiro olhar, desencadeada a partir da ação do movimento Black Lives Matter, nos Estados Unidos, e que tem irradiado grandes manifestações de pessoas que têm se levantado para a luta racial ao redor do mundo. A morte de George Floyd foi o estopim para as mobilizações de massa em quase todos os estados daquele país, numa ação articulada e liderada por mulheres negras. No Brasil, movimentos sociais e organizações populares voltaram às ruas, em manifestações puxadas especialmente pelas torcidas antifascistas dos principais clubes de futebol, em defesa da democracia e contra os atos antidemocráticos, reanimando as forças da resistência para continuar a luta no enfrentamento ao bolsonarismo e contra o fascismo que molda...

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    Foto: Sérgio Lima/Poder360

    76% veem racismo no Brasil, mas só 28% admitem preconceito contra negros

    Pesquisa DataPoder360 mostra que 76% dos brasileiros dizem haver preconceito contra negros no Brasil por causa da cor da pele. Para 12% da população, o racismo não existe no país. Outros 12% não souberam responder. A pesquisa do DataPoder360, divisão de estudos estatísticos do Poder360, foi realizada de 22 a 24 de junho com 2.500 pessoas em 549 municípios, nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. Saiba mais sobre a metodologia lendo este texto. A morte de George Floyd, homem negro, depois de ação de policiais brancos nos Estados Unidos provocou uma onda de manifestações antirracismo pelo mundo. Ele havia sido detido pela polícia de Mineápolis (Minnesota) acusado de ter tentado pagar uma compra com nota falsa de US$ 20 em 1 supermercado. Floyd teve o pescoço prensado com o joelho por 1 policial branco por 8 minutos e 46 segundos e morreu....

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    A cantora Ludmilla no desfile do Salgueiro de 2016 — Foto: Rodrigo Gorosito/G1

    Socialite indenizará Ludmilla por dizer que cabelo dela parece “Bombril”

    Comparar o cabelo de uma mulher negra à palha de aço Bombril é racista. Com esse entendimento, a 3ª Vara Cível da Ilha do Governador, na zona norte do Rio de Janeiro, condenou, nesta segunda-feira (29/6), a socialite Val Marchiori a pagar R$ 30 mil de indenização por danos morais à cantora Ludmilla. Em 2016, Ludmilla desfilou no Carnaval do Rio como rainha de bateria do Salgueiro. Em transmissão na Rede TV, Val Marchiori fez o seguinte comentário sobre a cantora: "A fantasia está bonita, a maquiagem ... agora, o cabelo... Hello! Esse cabelo dela está parecendo um Bombril, gente". Argumentando que a fala foi racista e depreciativa, Ludmilla pediu indenização por danos morais. Em contestação, a socialite alegou que o comentário não foi racista, pois a artista estava usando uma peruca. Ela também afirmou que Ludmilla é uma pessoa pública e está sujeita a críticas. O juiz Françoise Picot...

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    Morena Mariah (Foto: VALDA NOGUEIRA/ESPECIAL PARA O HUFFPOST BRASIL)

    O verso em branco da História contada sobre as pessoas negras

    Quando recebi o convite para publicar em Celina, fiquei em choque. Primeiro porque não sou jornalista e nunca me imaginei escrevendo para um jornal. Segundo porque sou leitora da editoria e não imaginava que este fosse um espaço possível para minha escrita habitar. Nesse primeiro momento, não sabia como me apresentar. Quando abri o documento em branco para contar quem eu sou, não fazia a menor ideia do que ia dizer, mas agora sei. Quero que você aí do outro lado saiba de mim através da minha relação com a escrita. Um dos meus primeiros brinquedos foi um livro de banho para bebês. Daqueles feitos de borracha. Meus pais não completaram o ensino médio, não tinham o hábito de ler muito mas minha mãe sempre me encheu de referências de leitura. Nunca se negou a me presentear com livros e gibis, nenhum livro era caro para ela. Tive coletâneas de...

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    Marcos Rezende (Reprodução/Facebook)

    Nós e os outros! Decotelli e as contradições de quem o defende

    Assusta-me ver tantos textos de elogios e ações de generosidade a Decotelli, o ministro da Educação de Bolsonaro que já não e mais ministro da Educação. Assusta-me observar que parece bastar ter pele preta. E mesmo que tais pessoas pretas não acreditem no existência do privilégio branco – e, além disso, sistematicamente desconstruam o debate de raça, do racismo, da branquitide e dos privilégios dessa branquitude – soa que isso ainda é pouco e seguem recebendo apoio de alguns. Pois tais negros seguem a receber textos e mais textos de solidariedade de membros da comunidade negra nas redes sociais. E eis então que as contradições pululam tal qual raios de sol que adentram as frestas de pessoas que gostam de likes e de seguidores e que, por vezes, parecem não refletir para além da notícia diária ou por amor às jabuticabas – frutinhas pretas por fora e brancas por dentro....

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    Ilustração: Linoca Souza

    Enquanto houver racismo, não haverá democracia

    Quando o joelho de um policial branco norte-americano sufocou e matou George Floyd, muitos de nós por aqui pudemos sentir o peso daquele corpo sobre o pescoço e também os últimos suspiros deste, agora símbolo contemporâneo eterno contra a brutalidade racial e do combate ao racismo. No Brasil, conhecemos bem o significado da violência policial contra a população negra, jovens negros, moradores de nossas favelas, periferias e alagados. Não há entre eles quem não tenha dezenas de histórias como essas para contar e, muitas vezes, em protesto, grite: “Basta!”. Sim, as comunidades reagem, as mães e os familiares gritam por justiça e não são ouvidos. O Mapa da Violência 2019, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), é categórico. Entre 2007 e 2017, mais de 420 mil pessoas negras – mulheres e homens – foram vítimas de homicídio sob incontestável violência policial,...

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    Foto: Michael Nagle/Bloomberg

    Wall Street: o código racial de que ninguém fala

    Aqui estão 13 regras não escritas sobre ser negro em Wall Street, de acordo com pessoas que passaram pela experiência: Nunca se esqueça: apesar de todas as promessas sobre diversidade, apenas cerca de 1% dos cargos de gerência sénior são ocupados por negros. Cuidado ao apontar este dado em ambientes de trading predominantemente brancos e principalmente masculinos. Acostume-se a ouvir falar na suposta falta de candidatos negros "qualificados". Um 4.0 em Harvard não é suficiente. Alguns executivos brancos de Wall Street pensam que os colegas negros são "contratados pela diversidade". Adote uma "voz branca". Espere ouvir reclamações sobre formações tendenciosas. Trabalhe horas extra para combater estereótipos sobre "ética no trabalho". Não peça tarefas diretamente; e espere perder algumas para colegas brancos menos qualificados. Dissimule a raiva ou frustração. Respeite o espaço pessoal dos colegas brancos. Não ria alto demais. Aja como se tudo isto fosse normal. Não fale sobre raça....

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    Reprodução/Facebook

    Ato Vidas Pretas Importam – Cidade Tiradentes/ZL

    No Brasil, um jovem preto é assassinado a cada 23 minutos. Todos que foram vítimas do assassinato da população preta e pobre, mortos antes e durante a quarentena nas ruas da Cidade Tiradentes, merecem justiça. Felipe Santos Miranda, Brayam Ferreira dos Santos, Igor Bernardo dos Santos e tantos outros jovens seguem vivos em nossa memória e é por eles que nos manifestamos. Cidade Tiradentes é o bairro onde se morre mais cedo em São Paulo: a expectativa de vida é de apenas 57 anos. A violência contra os moradores não diminuiu e acontece de diversas formas, mesmo durante uma pandemia de COVID-19. Com o isolamento, muitos perderam seus trabalhos e hoje tentam sobreviver com R$ 600,00: valor insuficiente para sustentar famílias com comida, água, luz e outras necessidades básicas. Temos o vírus, a fome e a violência cotidiana agindo juntos pelo genocídio. Os leitos de UTI foram esgotados em abril...

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    SILVIA IZQUIERDO / AP

    Campanha lança manifesto ‘Vidas Negras Importam’ e propõe 10 metas para reduzir impacto do racismo

    A Universidade Zumbi dos Palmares e a Afrobras, com apoio da Agência Grey, lançaram nesta terça-feira (30) em São Paulo um plano de ações práticas para o combate ao preconceito e à discriminação racial no Brasil, pedindo ações concretas das autoridades do país para a melhoria de vida da população negra brasileira. O manifesto "Vidas negras importam: nós queremos respirar" também é um movimento nacional proposto por diversas personalidades do meio jurídico, político, empresarial, artístico, do esporte e da comunicação, que se mobilizam para debater a diversidade racial brasileira e ajudar a implementar políticas públicas e privadas contra o racismo no país. Chamado de "Movimento AR", o nome do grupo é uma alusão ao caso do norte-americano George Floyd, homem negro que foi morto por asfixia com o joelho por um policial branco em Minneápolis, nos Estados Unidos. "George Floyd foi assassinado porque queria, precisava, mas foi impedido de respirar....

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    (Crédito: Thiago Bernardes)

    Para brasileiro vencedor do ‘Oscar dos Quadrinhos’, negros vivem história de apagamento

    Poucos brasileiros ganharam o Eisner Awards, o Oscar dos quadrinhos norte-americanos. O paulistano Marcelo D’Salete, 40, é um deles. E por uma obra (“Cumbe”) que retrata um tema bem nacional: a escravidão que existiu por aqui no sistema colonial. Não dá para ler uma obra como essa sem refletir sobre o racismo e a situação da população negra no Brasil de hoje. “Falar sobre racismo e história de negros no Brasil não é simples nem fácil”, diz D’Salete. “Somos resultado de uma história de violências e apagamentos”, afirma. Seus álbuns abordam quem está à margem: “Cumbe” saiu em 2014. Depois dele veio o também premiado “Angola Janga – Uma História de Palmares”, sobre a vida no importante quilombo. E já está em pré-venda uma edição de “Discurso sobre o Colonialismo”, lançado em 1950 pelo pensador francês Aimé Césaire, com ilustrações de D’Salete. Ao 6 Minutos, o artista falou sobre racismo, história do Brasil, representação...

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    Obra "Raízes do Céu" dos artistas paulistanos do Estúdio Bijari - (Divulgação;/Imagem retirada do site Brasil de Fato)

    Tudo agora é escombro

    Deram o novo nome a pandemia / De covid-19 / Mas foi em 18 / Que elegeram o 17 Nos sons do berro da dor Território de guerra declarada Farelos humanos Indecisão de amor Solidão da morte marcada Cedê los hermanos? Há morte antes do tiro Da casa Do cemitério Do coveiro Do caixão Do novo coronavírus Tudo é uma prisão Do hospital ao hospício Assombro do estágio Do novo coronavírus Colapsada democracia Assolapada emoção Deram o novo nome a pandemia De covid-19 Mas foi em 18 Que elegeram o 17 A porta do inferno foi aberta Vírus humano da destruição Estado de Direito? Exceção! Tudo agora é prisão Ela não caiu não. Faveladx Pretx Sapatão Gay Macumbeirx PCD Maconheirx Puta TTT Há morte antes do tiro Do antigo coronavírus Vem cá me dá a mão! Assustada Violada Estuprada Maltratada Com hematoma Ela não caiu não A rota crítica Conceitua...

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    Nova Mercedes passa a ser pintada de preto na Fórmula 1 — Foto: Divulgação

    Mercedes passa a ter carro pintado de preto na F1 para marcar posição contra o racismo

    Atual hexacampeã mundial de pilotos e construtores, a Mercedes revelou nesta segunda-feira que vai correr com um carro todo pintado de preto na temporada 2020 da Fórmula 1. O novo layout já estreia no próximo fim de semana, no GP da Áustria, prova que abre o campeonato. Em nota, a equipe explicou que trata-se de um combate ao racismo: "Vamos competir de preto em 2020, como um compromisso público para melhorar a diversidade de nossa equipe - e uma declaração clara de que somos contra o racismo e todas as formas de discriminação." We will race in black in 2020, as a public pledge to improve the diversity of our team – and a clear statement that we stand against racism and all forms of discrimination. 👇 — Mercedes-AMG F1 (@MercedesAMGF1) June 29, 2020 Chefão da Mercedes na Fórmula 1, o austríaco Toto Wolff exaltou a iniciativa da equipe alemã...

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    Douglas Belchior, cofundador da Uneafro Brasil e da Coalizão Negra por Direitos, que lançou o manifesto "Com Racismo, Não Haverá Democracia" - Marlene Bargamo/Folhapress

    Comoção antirracista da branquitude ou vira prática ou hipocrisia, diz articulador de manifesto

    "É incoerente manifestar repúdio ao racismo e apoiar políticas econômicas, de saúde e de segurança pública que matam pessoas negras todos os dias", afirma Douglas Belchior, 41, cofundador da Uneafro Brasil, uma das 150 entidades que conformam a Coalizão Negra por Direitos, autora do manifesto "Enquanto houver racismo não haverá democracia", lançado na semana passada. O texto, subscrito por artistas, empresários e intelectuais negros e brancos, afirma que "qualquer projeto ou articulação por democracia no país exige o firme e real compromisso de enfrentamento ao racismo" e pede coerência àqueles que agora se autodeclaram antirracistas. Para Belchior, a questão racial, quando deixou de ser tabu, foi tratada como "mais um assunto" na agenda democrática brasileira quando é fator determinante, como reivindica o manifesto. "O movimento negro denuncia o racismo e suas injustiças desde sempre", afirma ele, cuja organização foi gestada no vitorioso movimento de cotas raciais nas universidades. "Hoje está...

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    Moçambique foi um dos antigos territórios colonizados pelos portugueses visitados pelo fotógrafo César Fraga (autor destas fotografias) e pelo historiador Maurício Barros de Castro (Imagem retirada do site Visão)

    À procura das raízes do racismo no país onde “morrem Georges Floyds todos os dias”

    Dois brasileiros confrontaram-se com o papel dos portugueses na escravatura ao percorreram nove países africanos em busca da herança negra do Brasil. Perante as manifestações antirracistas que varrem o mundo, o fotógrafo César Fraga e o historiador Maurício Barros de Castro denunciam o “negacionismo racial” do governo de Bolsonaro Quando era criança, o afro-brasileiro César Fraga, 47 anos, ouviu a mãe contar-lhe que a sua bisavó materna só não foi escrava graças à Lei do Ventre Livre. Também conhecida como Lei Rio Branco, esta legislação, aprovada em 1871, previa que as crianças nascidas de mães escravas seriam livres no Brasil. “A minha bisavó morreu quando eu tinha 10 anos, nunca soube pormenores muito específicos, mas sei que ela sentiu um enorme conflito interno por ter direitos que os pais não tinham, por serem escravos. Ela achava isso muito injusto”, conta o fotógrafo. Sentindo o peso da escravatura na história da...

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    Prédio do STF, em Brasília (Foto: Divulgação / STF)

    STF decide nessa sexta sobre restrições a operações policiais no RJ durante a pandemia; estudo indica diminuição de mortes

    O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia nesta sexta-feira (26) a votação que vai decidir se as operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro seguirão suspensas até o final da pandemia da Covid-19. A proibição imposta por decisão liminar do ministro Edson Fachin, começou a valer no último dia 5 de junho. Os ministros do STF vão avaliar, dessa vez, se mantém os efeitos da medida cautelar. Um estudo feito pela Universidade Federal Fluminense (UFF), em parceria com o portal Fogo Cruzado, apontou que o número de mortes por invenção policial diminuiu 75,5% durante o período de vigência da lei. “Eu espero que os ministros se sensibilizem com os efeitos positivos da liminar. Me parece que os esforços deveriam estar concentrados para a preservação de vidas”, disse Daniel Hirata, professor de sociologia da UFF. O que diz a liminar O texto da lei em vigor prevê responsabilização civil e criminal...

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