Violência Racial e Policial

    Bandeira da ONU. Foto: Getty Images

    ONU lamenta a morte do menino João Pedro e faz apelo pela vida da juventude negra

    O Sistema ONU no Brasil compreende que evidências são necessárias para entender e enfrentar a violência contra a juventude negra. Cada vida conta e a violência letal contra adolescentes e jovens não deve ser naturalizada, transformando-se em lamentável estatística. No Brasil, o homicídio configura-se hoje como a principal causa de morte de adolescentes e jovens. A morte de João Pedro, assim como a de muitos e muitas adolescentes e jovens, majoritariamente negros e do sexo masculino, nos mostra o quão urgente é a necessidade de intensificar esforços e investimentos para reverter esse quadro. Nos preocupa particularmente o aumento de letalidade em consequência de ações das forças de segurança. João Pedro é mais um desses adolescentes negros que não atingiu a juventude, não conseguiu vencer o conjunto de vulnerabilidades às quais esteve sujeito em sua curta existência. Adolescentes como João Pedro têm muitos nomes e estão em todo o país. A...

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    Comissão ARNS (Divulgação )

    A vida de cada criança conta

    Vamos ser claros: cada vida conta, cada ser humano que morre traz sofrimento para seus familiares e amigos e lembranças tristes que narram parte de sua trajetória no planeta. Em tempos de descaso com tantos que nos deixaram durante a pandemia, nunca é demais lembrar. Mas a perda de crianças tem um significado adicional: trata-se, para além da dor sentida, de um potencial não realizado, um presente cheio de vivências e aprendizados iniciados que se interrompe, deixando aos pais e parentes uma horrível sensação de que os cuidados que deveriam lhes ser oferecidos foram insuficientes. Numa de suas mais belas obras, A Peste, Camus relata a crise de fé de que é acometido um sacerdote – que dias antes associava uma epidemia vivida pela cidade argelina de Orã com um castigo dos céus, pela falta de empenho religioso da população – frente à sofrida morte de uma criança. Que divindade é essa...

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    Arquivo Pessoal

    Utopia para meninos negros

    São Gonçalo (RJ), João Pedro Matos Pinto, 14. João brincava com seus primos no jardim. Com que brincava João Pedro? Imaginemos algo que lhe dê alegria. Ali está João Pedro, brincando de videogame com seus primos. João Pedro corre para lá e para cá no jardim de sua casa. João Pedro se deita na grama e ri. João Pedro ri. João Pedro se pergunta quando voltará pra escola. João Pedro quer mesmo é saber o que teremos hoje para jantar. João Pedro vive. Quero imaginar que os 72 tiros contra casa de João Pedro não o definem. Quero imaginar que os meninos negros mortos têm nome, sonhos e viviam. Vinte e quatro adolescentes foram baleados na Grande Rio; desses, 11 morreram, de acordo com o levantamento de abril do laboratório de dados de violência Fogo Cruzado. Em abril deste ano, aumentaram em 58% os óbitos em operações policiais no RJ...

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    Jovem com cartaz durante o enterro de João Pedro (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)

    É preciso dar um basta ao genocídio dos negros

    Nesta terça-feira (26) lembramos, revoltados, a memória de João Pedro Matos Pinto, 14, assassinado na casa da família, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ). No último dia 18, ele brincava com primos quando agentes das polícias Federal e Civil alvejaram o imóvel e o atingiram. Ao completar uma semana dessa morte brutal, nos unimos à dor desta família negra brasileira: a professora Rafaela Pinto, mãe; o autônomo Neilton Pinto, pai; e Rebecca, a irmã de 4 anos. O crime bárbaro é mais um a confirmar a necropolítica do Estado brasileiro. A rotina de violentas operações em favelas e periferias não foi interrompida nem na mais mortal pandemia que o país já viveu. João Pedro e os primos obedeciam à orientação de distanciamento social do governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), e da Organização Mundial de Saúde para se protegerem da Covid-19. Mas, para eles, assim como para inúmeras...

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    Rodrigo foi morto por PMs na Providência Foto: Reprodução/O Globo

    PMs não citaram ação social em depoimento sobre morte de jovem na Providência

    Dois PMs investigados pelo homicídio do jovem Rodrigo Cerqueira, de 19 anos, durante operação que interrompeu a distribuição de cestas básicas no Morro da Providência, no Centro do Rio, no último dia 21, não citaram a ação social no relato que deram à Polícia Civil no dia do crime. O soldado Eduardo de Souza Paiva e o cabo Rafael Santos Amaral, ambos lotados na UPP da Providência, alegaram, na Delegacia de Homicídios (DH), que "faziam patrulhamento para repreender o tráfico de drogas" num local próximo à Rua Rivadávia Corrêa e que "perceberam uma correria de um número elevado de pessoas, talvez uns seis suspeitos". De acordo com os relatos, "ao avistarem a guarnição, os suspeitos efetuaram disparos de arma de fogo, o que foi imediatamente revidado". Ainda segundo os PMs, "após cessarem os disparos, os policiais progrediram e logo encontraram o corpo". Ao todo, os agentes afirmam ter dado sete...

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    Bianca Regina de Oliveira Imagem: Reprodução

    Jovem de 22 anos é baleada na cabeça enquanto dormia na Cidade de Deus

    Uma jovem de 22 anos foi baleada na cabeça na manhã de hoje na Cidade de Deus, favela da Zona Oeste do Rio. Bianca Regina de Oliveira foi ferida dentro no barraco de madeira onde vivia na localidade do Brejo, área mais pobre da favela, logo depois de acordar. No momento dos disparos, policiais militares acompanhavam uma ação do Instituto Estadual do Ambiente (INEA) no Centro de Treinamento do Vasco da Gama, localizado próximo à comunidade. A corporação nega que os agentes tenham feito disparos. Em um vídeo divulgado pelo conselheiro tutelar de Jacarepaguá, Jota Marques, o namorado da vítima, identificado apenas como Júnior, relata como Bianca foi baleada. As imagens foram feitas na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da comunidade. Bianca foi socorrida na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Cidade de Deus e depois foi transferida para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, Zona Sul do Rio....

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    Parede da casa da tia de João Pedro. Foto: RJTV/Globo/Reprodução

    Quando viu as paredes da casa do menino João Pedro, cravadas de balas, você pensou na sua casa?

    Na sexta-feira (22), o presidente da Cufa, Celso Athayde, contava ao vivo na Globo News, sobre os movimentos solidários em favelas pobres do país, durante a pandemia. Mal sabíamos que, durante aquela nossa conversa, mais um garoto era morto em meio a operações policiais no Rio de Janeiro. Rodrigo Cerqueira trabalhava de ambulante numa barraca, no Morro da Previdência, quando foi baleado. Foi a terceira vítima dessas ações em quatro dias. Ao mesmo tempo, naquela região, estudantes voluntários entregavam cestas básicas para moradores da comunidade. Tiveram que parar e várias famílias atingidas pela crise financeira originada na pandemia não receberam os alimentos. Dois dias antes, o Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) lembrava das queimadas recordes que consomem nosso maior patrimônio ambiental. Em abril, o desmatamento da Amazônia foi o maior dos últimos 10 anos, com 529 quilômetros quadrados de verde destruído. O Pará registrou a maior...

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    Coalizão Negra por Direitos

    Manifesto Luto em Luta por João Pedro

    Manifesto Luto em luta por João Pedro e todas pessoas negras vítimas da violência do Estado “Eles não mataram só o João, mataram o pai, uma mãe, uma irmãzinha de 5 anos” - Neilton Pinto, pai de João Pedro Mattos Pinto, 20 de maio de 2020. O que aconteceu com João Pedro tem nome: é genocídio. Por ser um jovem negro, seu corpo foi alvo fácil! Nosso manifesto é por João Pedro e também por todas as pessoas que estão na mira do genocídio! Não estamos, nem ficaremos calados diante do genocídio! Exigimos providências! Este crime bárbaro é mais um, que por comover todo país, torna-se símbolo da necropolítica colocada em prática pelo Estado brasileiro, capaz de manter violentas operações policiais em favelas e periferias mesmo em tempos da mais mortal pandemia que o país da viveu. Pedro e sua família obedeciam a orientação do Governador Witzel e dos organismos...

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    Wilson Witzel (PSC) participa de reunião virtual com lideranças comunitárias, membros da Anistia Internacional e a deputada estadual Mônica Francisco (PSOL) — Foto: Divulgação/Imagens retiradas do site G1

    Morte de João Pedro pode provocar mudanças no protocolo de atuação de policiais nas favelas do RJ, diz deputada

    A morte de João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, durante uma operação conjunta das polícias Federal e Civil do RJ no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, Região Metropolitana do RJ, pode provocar uma mudança no protocolo de atuação de policiais nas favelas do estado. Essa foi a promessa feita pelo governador Wilson Witzel (PSC), durante uma reunião virtual com lideranças comunitárias, membros da Anistia Internacional e a deputada estadual Mônica Francisco (PSOL), na última terça-feira (19). O governo do estado confirmou o encontro e disse que irá encaminhar todas as demandas levantadas durante a reunião para os secretários de Polícia Militar, coronel Rogério Figueredo, e de Polícia Civil, Marcus Vinicius. Segundo Jurema Werneck, da Anistia Internacional, o governador precisa assumir o controle das polícias. "A Anistia quer entender que comportamento é esse, onde João Pedro foi morto quando foi anunciado que só havia crianças ali. Não é dever...

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    © Mario Ladeira / Trip editora

    A reinvenção contínua da morte para corpos negros

    Certidão de óbito Os ossos de nossos antepassados colhem as nossas perenes lágrimas pelos mortos de hoje. Os olhos de nossos antepassados, negras estrelas tingidas de sangue, elevam-se das profundezas do tempo cuidando de nossa dolorida memória. A terra está coberta de valas e a qualquer descuido da vida a morte é certa. A bala não erra o alvo, no escuro um corpo negro bambeia e dança. A certidão de óbito, os antigos sabem, veio lavrada desde os negreiros “Poemas da Recordação e outros Movimentos”, Malê Editora, 2017 A cruel atualidade do livro “O Genocídio do Negro Brasileiro: o processo de um racismo desmascarado”, de autoria de Abdias Nascimento, escrito há mais de 40 anos e reeditado em 2018, se torna constatável diante dos dolorosos acontecimentos dos últimos dias. Jovens corpos negros defrontam com a precipitação da morte. Um deles, João Pedro Matos, 14 anos, com o seu corpo negro...

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    (Foto: Geledés)

    ‘Gritamos que só tinha criança, e tacaram duas granadas e deram muitos tiros’, diz testemunha da morte de João Pedro

    “A gente foi, deitou no chão, levantou a mão. Matheus começou a gritar que só tinha criança... Aí, eles tacaram duas granadas assim na porta da sala, que quem tava mais perto da porta era eu e João. Aí, eles deram muitos tiros nas janelas." Esse é o relato de um dos adolescentes que estavam na casa onde o menino João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, foi morto. João foi baleado na segunda-feira (18), durante uma operação da Polícia Federal com apoio da Polícia Civil no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. O amigo de João ainda acrescentou: "Assim, a gente saiu correndo pro quarto. Daí os policiais entraram, mandaram a gente deitar no chão e todo mundo calar a boca. As polícias deram tiro no Matheus enquanto ele levava João no carro pro helicóptero pegar ele." O corpo do menino foi enterrado na...

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    (Foto: Marta Azevedo)

    Escalada homicida

    Durou pouco, quase nada, o armistício na segurança pública do Rio de Janeiro em prol do enfrentamento à pandemia de Covid-19. Após a trégua extraoficial observada nas duas primeiras semanas de isolamento social, as mortes decorrentes da atuação policial retomaram a trajetória explosiva iniciada em 2018, com a intervenção federal liderada pelo general Braga Netto, hoje chefe da Casa Civil do Planalto, e intensificada no ano passado, primeiro de Wilson Witzel à frente do Palácio Guanabara. Levantamento do Observatório da Segurança RJ, projeto do CESeC, mostra que, de 15 de março (início das medidas de distanciamento) a 19 de maio, a polícia fluminense matou 69 pessoas, contra 72 no mesmo período de 2019. Se no primeiro mês da quarentena a letalidade policial caiu 82%, em abril e maio, o número de casos apavora. Em abril, houve 30 homicídios em operações policiais, 11 a mais que um ano antes. Este mês,...

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    Bianca Santana (Foto: Caroline Lima)

    Pandemia reforça que determinadas vidas não valem nada, diz escritora

    A morte de João Pedro Matos Pinto, de 14 anos, baleado dentro da casa de seu tio em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, durante uma operação da Polícia Federal com apoio das polícias Civil e Militar fluminenses, é um reflexo do que a escritora Bianca Santana, doutora em ciência da informação e mestra em educação pela USP, classifica como um genocídio da população negra no Brasil. Integrante da Uneafro Brasil e da articulação da Coalizão Negra Por Direitos, Bianca participou da live Ao Vivo Em Casa promovida pela Folha nesta quarta-feira (20) e criticou duramente a ação policial no Rio. “Imagina o seu filho, dentro da sua casa, brincando com os primos, e o Estado brasileiro abrir a porta e atirar na sua criança. Não é acaso, não é bala perdida, não é violência. É uma política deliberada do Estado brasileiro”, afirma. “Há um genocídio em curso no Brasil....

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    Imagem: Reprodução/Facebook/OAB-SP

    Nota da OAB-SP sobre a morte do jovem João Pedro no Complexo do Salgueiro

    Nota de repúdio A OAB São Paulo, por meio de suas Comissões de Igualdade Racial e Direitos Infantojuvenis, vem manifestar sua mais profunda indignação, reprovação e repúdio pela ação da polícia federal e civil, no Complexo do Salgueiro, que causou a morte de João Pedro Mattos Pinto, uma criança negra de 14 anos por um tiro de fuzil, enquanto brincava na sala de sua casa, no último dia 18 de maio. Os detalhes sórdidos e a crueldade da atuação da polícia após João Pedro ser baleado estão sendo denunciados pelos familiares e noticiados na grande mídia. É absolutamente inadmissível que, em meio a essa crise pandêmica e à extrema necessidade de que as pessoas estejam em isolamento social, comunidades inteiras, e a família de João Pedro em particular, tenham que viver essa dramática situação. Infelizmente, para as pessoas que vivem nestas comunidades, os direitos e garantias fundamentais elencados nos artigos...

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    'Eu não estava no ato', escreve a modelo Bárbara Querino, que diz ter sido condenada injustamente por um crime que não cometeu — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

    Modelo Babiy Querino faz campanha para ajudar favelas e presos durante pandemia de coronavírus em São Paulo

    Babiy usa máscara para angariar mantimentos para população carente e para presos em São Paulo durante pandemia — Foto: Divulgação/Arquivo pessoal Absolvida recentemente de um roubo que nega ter cometido, a modelo e dançarina Babiy Querino, de 22 anos, está usando máscara atualmente para sair de casa e ajudar pessoas carentes da comunidade onde mora e também presos e presas durante a pandemia de coronavírus em São Paulo. “A mobilização em torno de mim ajudou na minha absolvição”, diz Babiy ao G1 sobre coletivos negros e artistas que acreditaram na inocência dela e pediram sua liberdade nas redes sociais. “Agora estou retribuindo isso participando de uma arrecadação de mantimentos para quem está passando por dificuldades na favela e dentro das prisões por causa dessa doença”, fala a jovem sobre os projetos que participa: o do Bloco do Beco, no Jardim Ibirapuera, Zona Sul, e o Vidas...

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    Maria Carolina Trevisan (Foto: André Neves Sampaio)

    Caso João Pedro: coronavírus e letalidade policial ameaçam população negra

    Uma família em desespero procura o filho. Por cerca de 17 horas, madrugada adentro, parentes e amigos vasculharam hospitais do Rio de Janeiro atrás do menino. João Pedro Matos Pinto, de 14 anos, um adolescente negro, morador do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (região metropolitana do Rio), fora baleado durante uma ação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) na tarde de segunda (18). "Ele não é bandido. Ele estava nessa casa brincando com os primos dele. Nós estamos desesperados procurando por ele", suplicava a professora Rafaela Lecn, mãe de João, em um vídeo, na madrugada. O menino levou um tiro de fuzil na barriga. Era estudante e evangélico. Estava em casa – como devem ficar todos os que buscam proteção contra a Covid-19 – com outros jovens e crianças. Jogava sinuca perto da piscina quando homens pularam o muro. A polícia invadiu a casa com granadas. "Mandaram a gente...

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    Foto: Bruno Itan

    Mesmo na quarentena, PM do Rio segue cobrando vidas na periferia

    Nota Pública, Violência Institucional O assassinato do menino João Pedro Mattos, no contexto de uma ação conduzida pela Polícia Militar do Rio de Janeiro, é mais um capítulo do que diversas organizações e movimentos sociais vêm chamando de “banho de sangue racista” provocado pela política de segurança do governador Wilson Witzel contra as periferias do Estado fluminense. A Conectas repudia fortemente a ação e presta solidariedade à família do adolescente. Com apenas 14 anos, João Pedro brincava ontem (18) com amigos e familiares em sua própria residência, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio, quando a PM invadiu o lugar em busca de supostos traficantes. Segundo relatam os jornais, o menino foi atingido na barriga por um tiro de fuzil. Socorrido pelo helicóptero da polícia, a família passou a madrugada em busca de informações sobre o paradeiro do garoto, até encontrar seu corpo na manhã desta terça-feira (19) no IML (Instituto...

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    O adolescente João Pedro, morto após ser baleado em ação policial Foto: Reprodução/ redes sociais

    João Pedro: Após horas tentando achar garoto baleado em ação policial no Salgueiro, em São Gonçalo, família localiza corpo em IML

    Filho de uma professora de um colégio particular em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, e de um comerciante da Praia da Luz, bairro naquele mesmo município, o adolescente João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, foi atingido por um tiro de fuzil na barriga na tarde desta segunda-feira, durante uma operação policial no Complexo do Salgueiro. Ele foi levado do local por um helicóptero, mas a família não foi avisada para onde. Foram horas de agonia até que, na manhã desta terça-feira, o corpo de João Pedro foi localizado no Instituto Médico-Legal (IML) de São Gonçalo por parentes. Nesta terça-feira, agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) realizam uma nova operação no Salgueiro. Segundo parentes do menino, ele estava dentro de casa, na ilha de Itaoca, jogando sinuca com primos e colegas, perto da piscina, quando policiais invadiram a casa atirando. Ele teria sido deixado no local pelos...

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    Polícia de operações especiais em uma favela no Rio de Janeiro (Foto: Dado Galdieri)

    ‘Licença para matar’: por trás do ano recorde de homicídios cometidos pela polícia no Rio

    Rodrigo dos Santos, 16 anos, descia uma ladeira de motocicleta em velocidade, em uma favela do Rio de Janeiro, com uma mochila cheia de maconha, cocaína e pedras de crack nas costas, quando dois policiais apontaram seus fuzis para ele. O adolescente acelerou, com um amigo na garupa agarrado à sua cintura. Mas em segundos, a motocicleta tombou sob uma barragem de 38 balas disparadas pela polícia. Rodrigo morreu a caminho do hospital, sangrando de um ferimento de bala no braço — e mais três nas costas. A polícia jamais alegou que ele estivesse armado, e um dos policiais envolvidos, o sargento Sérgio Britto, participou da ação apesar de estar aguardando julgamento por homicídio, acusado de atirar em outro homem à queima-roupa, no pescoço. A morte de Rodrigo somou-se a um número recorde de homicídios cometidos pela polícia no Rio ano passado — 1.814 — um crescimento repentino, na casa...

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    Débora Silva Maria Imagem: Arquivo pessoal

    Débora, do Mães de Maio, luta por memória: “Meu filho morreu por ser preto”

    No último domingo, Débora Maria da Silva completou 61 anos. Avisou às filhas e aos netos que não iria comemorar a chegada de mais um ano nem o Dia das Mães. Para a fundadora do movimento social Mães de Maio, da Baixada Santista, no litoral paulista, o mês é atravessado por sofrimento. "Eu sou leoa o ano inteiro. Mas maio é minha tortura", afirma. Desde 2006, Débora vive para honrar a memória de seu filho, o gari Edson Rogério Silva dos Santos, que foi uma das vítimas dos chamados "Crimes de Maio", ações atribuídas a grupos de extermínio em resposta a ataques do Primeiro Comando da Capital, o PCC, que deixaram o estado de São Paulo em choque. O movimento Mães de Maio, liderado por ela, surgiu naquele mesmo ano, depois que ela resolveu procurar outras mães que se reergueram para ir ao front da luta por justiça e para...

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