Artigos e Reflexões

Anielle Franco (Foto: Bléia Campos)

Educação e saúde: Será que é a hora de reabrir nossas escolas?

Esta semana, no Rio de Janeiro, fomos surpreendidas com a notícia que as escolas serão reabertas neste que é o pior momento da pandemia no Brasil. Após uma forte disputa, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu que mesmo o Rio de Janeiro registrando pessoas morrendo à espera de leitos de UTI, nós, professores e alunos, devemos retornar à sala de aula. O cenário onde a justiça toma tal decisão não poderia ser pior. A determinação aconteceu na mesma semana em que pela primeira vez na história do país, o número de mortes ultrapassou o número de nascimentos na região sudeste, foram 13.998 nascimentos contra 15.967 óbitos no mesmo período. Nessa mesma semana, batemos mais um recorde de mortes, com mais de 4 mil óbitos por covid-19 em 24 horas e com a vacinação só agora chegando a 10% da população tendo tomado a primeira dose, e menos...

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Marc Bruxelle via Getty Images

Bichas pretas afeminadas: sem direitos, silenciadas na escola e sozinhas na vida

Tem algum tempo que venho me dedicando a escrever sobre como os corpos desobedientes da norma de gênero concluem seu percurso formativo (apesar da) na escola de educação básica. A cidadania sempre negada em função da falta de entendimento sobre quem subverte as regras em busca de entender e performar sua alteridade. A pauta tornou-se obrigatória em minha trajetória de professora por conta dos alunos com os quais convivo na Universidade e das/dos pesquisadoras do Grupo de Pesquisa Ativista Audre Lorde: são jovens a quem uma biblioteca com os livros que precisavam, duas refeições por dia e dinheiro para ir e voltar da faculdade fizeram a diferença em seu percurso e taxa de sucesso na relação com a Universidade. Mas, ainda continua no debate interseccional: a Bicha Preta ocupa um não lugar abaixo das mulheres pretas na cadeia de opressão. Mas, sobre isso falaremos em outros textos. Neste, por conta...

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Christian Ribeiro (Foto: Arquivo Pessoal)

Arauto de um novo tempo: A negritude revolucionária de Hamilton Cardoso!

Quero ostentar minha pele negra, meu nariz chato e arrebitado com meus duros cabelos à mostra, com minha sensibilidade, à mostra. Quero escrever do meu jeito. Falar na minha língua – do meu jeito. (Hamilton Cardoso – “Depoimento ”, 2014) Em tempos de convulsão e de sombras, quando as ordens vigentes parecem imutáveis e inabaláveis a figura do intelectual enquanto representação anti-sistêmica do mundo em que habita visando a superação do mesmo, para a construção de uma nova forma de sociedade, toma forma e sentido. Como que para responder as inequidades e contradições de sua realidade-mundo, o intelectual exerce sua práxis para a destruição do “já constituído” pelo advir de novos tempos, em que novas possibilidades de relações e interações sociais façam-se constituir e interagir nos processos de construções de historicidades que resultem em estruturas socialmente mais justas, democráticas e includentes. Por uma perspectiva portanto revolucionária de sociedade,...

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Ilustração: Michael Morgenstern /The Chronicle

Que nossas palavras sejam máquina que faz fazer!

*Comunicação apresentada no II Simpósio Feminista da Universidade Federal do Tocantins (UFT), em março 2021.¹ Antropóloga, dedicada às pesquisas sobre modos de saber e fazer indígenas e, atualmente, indigenista especializada, pensei em como abordaria e poderia colaborar com as discussões do tema proposto para essa mesa: “Desafios da epistemologia, Literatura e Feminismo em contextos de potencialização da truculência”. Uma mesa para falar sobre horizonte, esperança, utopia linguagem. Confesso que ainda tenho dificuldades com a linguagem, estou em dívida com a literatura (ainda não li Torto Arado²), mas de truculência e feminismo talvez possa falar um pouco aqui. As mulheres que me antecederam já me falavam muito sobre isso, ainda que não dessem nomes aos bois. Mas antes de tentar falar sobre linguagem, aquela falada ou escrita, falo do silêncio, daquilo que silenciei e daquilo que foi silenciado, do medo, do cansaço em dizer, e da ausência de ouvidos que...

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Reprodução/Facebook/ Raull Santiago

Combate às drogas tem custo bilionário e causa destruição sem mudança real

Sou um homem de 32 anos e moro desde que nasci no Complexo do Alemão. Jornalista, ativista, empreendedor, pesquisador da área de segurança pública e pai de quatro crianças que estão crescendo dentro da favela. Ao longo dessas três décadas de sobrevivência e reexistência, mergulhei fundo na história e nas experiências de um país tão brutalmente desigual e que silencia e perpetua importantes problemas sociais, como o racismo. Agora, em meio à pandemia, vemos a explosão caótica do acúmulo de “nãos” em relação à garantia dos direitos mais básicos para uma grande parcela do povo brasileito. Fome, dificuldade de acesso à água potável, desinformação em massa, desemprego e educação defasada são algumas questões que demonstram o quanto estamos atrasados e retrocedendo. Dentre tantas pautas importantes, escolhi falar sobre segurança pública nesta coluna. O recente relatório "Um Tiro no Pé" , que integra a sequência de pesquisas “Drogas: Quanto Custa Proibir?”,...

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Foto: AdobeStock

A Mulher da Outra

Mariana em meio ao espanto observa os cenários estampidos, uma realidade doída. O tempo é grande e Mariana entende a vida da outra. Era hora de escrever sobre o violento cotidiano de uma desconhecida. Respira. Inspira. Porque em tempos de aglomeração e pouco espaço, sobram desafetos. O texto é o diário vivido por alguém. Uma mulher sem nome... Todos os dias da vida dela é um empurrão. Mas era o trivial. Senta, reza, acende uma vela. Pede a Deus mais paciência. E se puder inventa, conta umas mentiras, esconde debaixo do travesseiro o choro que ninguém vê. Lava a louça, esfrega com força as panelas, assustada quando ele grita. Se ele cisma que a esponja tem gordura, coitada, as marcas roxas se sobressaem. A situação estava complicada demais. Por alguns instantes, ela imaginou um final. Uma garrafa de pimenta poderia ser uma arma. Ou quem sabe: Óleo quente das sobras...

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Imagem: Torsten Lorenz

Carta para minha vó

Sou a mais velha de três irmãos, fomos criados todos numa casa de madeira muito simples, onde o chão era encerado com pasta de cera, cujo cheiro lembro até hoje. Quem cuidava de nós três era minha vó, uma senhorinha de um metro e meio de altura, mas com um coração gigante. Minha mãe se dividia em dois empregos, jornada dupla entre um e outro e era na minha infância, uma presença ausência na casa. Quando estava em casa, precisava dormir e nós não podíamos fazer barulho. Brincávamos no pátio, cheio de árvores, laranjeiras e bergamoteiras.. Minha vó para reforçar o orçamento apertado, desde sempre, lavava para fora. Era uma exímia lavadeira e tinha muito orgulho por saber alvejar uma roupa como ninguém. Eu lembro dos carros das “patroas” chegando, trazendo trouxas de roupas imensas, lençóis e toalhas, muitas com manchas que minha vó se esmerava em colocar no anil,...

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Clarissa Verena (Arquivo Pessoal)

Defensorias públicas, racismo e autorresponsabilidade institucional: um olhar para si

Delegar responsabilidades, transferir culpas, incapacidade de resolver os próprios conflitos, são atos e consequências muito comuns dentro do agrupamento social que estamos acostumados/as a vivenciar cotidianamente. Neste contexto, considerando que as instituições, de forma ampla, são mecanismos de ordem social, é quase inevitável que estas estruturas não repliquem os desafios pessoais dos indivíduos que as compõem, pois, em verdade, estas instituições são fiéis reflexos dessa sociedade. No entanto, ao contrário do que parece, este é um diagnóstico difícil de ser assumido, sobretudo pelas próprias pessoas que integram estas instituições. Daí ser mais fácil recorrer, inicialmente, ao negacionismo, ou até mesmo à própria indiferença, mais conhecida como “neutralidade”. Afinal, se o reconhecimento de nossas próprias questões pessoais já é desafiador, imagina o reconhecimento de traumas e feridas históricas que avançam “intramuros” para os hospitais, empresas, escolas, setores públicos e privados como um todo. Assim, considerando que é chegado o tempo de...

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Adobe

No virar da chave, poesia slam presente!

Desejo esse meu desejo é uma vontade coletiva muitas vezes representada  poucas vezes representativa é que eu quero ser preta preta de corpo alma e política (MOTA, 2020. Não publicado)   Certo dia, Aristóteles nos disse que a poética é o estado involuntário da alma. Recentemente, Antônio Cândido nos disse que “a literatura é o próprio homem”. Não seria, portanto, próprio da mulher e do homem pensar naquilo que atinge constantemente as suas almas? E pensar sobre aquilo que atinge a alma não seria o mesmo que refletir sobre as questões externas, naquilo que forma o homem, isto é, sociedade, política, direitos, valores, culturas, entre outras estruturas? Então, decidi beirar essas duas teses para pensar em poesia falada de autoria negra e refletir sobre oficina de poesia slam para o EJA. Para Cândido, a fruição literária não é um privilegio de poucos, mas, sim, uma capacidade de todxs. A busca...

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Foto: Siphiwe Sibeko

A Luta Contra o Racismo e as Fake News Sobre as Vacinas para a Covid-19

O mês de março marca mais um triste recorde para o Brasil em relação ao número de mortos e infectados pela Covid-19. Ao longo de toda a pandemia, a população negra, da cidade e do campo, tem sido desproporcionalmente afetada pelo SARS-CoV-2, sua taxa de mortalidade é, pelo menos, duas vezes maior que a da população em geral, configurando um verdadeiro massacre entre os grupos mais vulnerabilizados do país.  No dia 21 de março de 1960, na cidade de Johanesburgo, na África do Sul, cerca de 20 mil cidadãos negros, mobilizados pelo Congresso Pan Africano, protestavam pacificamente contra a chamada “Lei do Passe”, que os obrigava a portar cartões de identificação indicando os locais por onde podiam circular. Pesadas penalidades eram aplicadas a quem não apresentasse o documento ou circulasse por áreas limitadas para brancos. Vigorava, então, o odioso regime racista do Apartheid, em que uma minoria branca dominava com...

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Manuela Hermes de Lima (Arquivo Pessoal)

Manuela Hermes de Lima: O Envelhecer e o Racismo no Brasil

“Quando você me vir caminhando, tropeçando, não analise e entenda errado. Porque cansaço não é igual à preguiça e nem todo adeus é uma partida. Continuo a mesma pessoa que era antes, com um pouco menos de cabelo e um queixo menor, muito menos pulmões e muito menos fôlego, mas ainda tenho sorte de poder inspirar”.  Maya Angelou, Sobre Envelhecer, Poesia Completa.   Há um ano a Organização Mundial da Saúde declarava a pandemia, alertando sobre os perigos da propagação do vírus SARC-Cov-2 e sua letalidade, enumerando os grupos considerados como de risco, assim compreendidas pessoas idosas e àquelas com comorbidades. Algumas terminologias são utilizadas para fazer referência às pessoas com mais de 60 anos, categorizadas e incluídas no rol de pessoas idosas. Em razão do termo pejorativo e até dos estereótipos construídos em torno de expressões como velho/a, melhor idade, terceira idade, adotaremos a expressão pessoa idosa no presente artigo. No Brasil...

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Gislene Aparecida dos Santos (Arquivo Pessoal)

Faça a coisa certa!

Levei algum tempo para escolher por me manifestar. Desde meu mestrado, muitos anos atrás, nunca deixei de me manifestar sobre o tema do racismo. Eu, assim como pesquisadores, ativistas, professores, professoras, cidadãos e cidadãs que assumiram o trabalho árduo de serem antirracistas, estamos o tempo todo nos manifestando, explicando, informando, pesquisando, escrevendo, produzindo evidências, formando, educando, sugerindo e implementando ações de combate ao racismo e às opressões que estruturam o Brasil. Por vezes, um cansaço nos alcança e foi o que eu senti ao ver, às vésperas do Dia da Consciência Negra de 2020, mais uma imagem da tão frequente e cotidiana violência contra pessoas negras que terminam em linchamento/homicídio/assassinato a sangue frio. Uma nova evidência gritante daquilo que, sistematicamente, temos apontado e nomeado como racismo estrutural, necropolítica, genocídio. A primeira coisa que me ocorreu diante das imagens da morte de João Alberto Silveira Freitas, no Carrefour de Porto Alegre,...

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Lia Vainer Schucman Foto: Yuri Ferreira/nsctotal

Fui acusada de manipular o conceito de racismo por denunciar sua relação com estruturas de poder

Recebi ontem por uma amiga o artigo na Revista CULT de Wilson Gomes chamado “A retórica da exclusividade racista dos brancos”. No artigo, sou acusada pessoalmente de manipular o conceito de racismo no meu ultimo artigo (Catarinas), manobra que ele diz ser semelhante à estratégia usada pelo regime militar da ditadura ao fazer uso do termo democracia para caracterizar a ditadura. Eu acho muito sério ser acusada de manipular um conceito , o que ele fala não faz sentido, não se inventa um conceito por mero capricho ou desejo. Para modificar um conceito, como...

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Foto: @pixabay/ Nappy

O corpo negro na Educação Física escolar

O presente ensaio tem com proposta provocar alguma reflexão sobre o corpo negro na Educação Física escolar, esse ácido caminho se depara com algumas formas do racismo, dentre eles, o científico, institucional e estrutural. Não rara as vezes deparamos com narrativas que dizem que o negro é bom para o esporte. Falsos discursos que se aportam nas “ciências”, para “subsidiar” essas narrativas, dentre elas, que o negro é melhor na corrida de velocidade por ter mais fibras musculares tipo branca, em detrimento a corrida de longas distâncias, que requer mais as fibras vermelhas, ou retóricas que a população negra tem dificuldade com a natação, devida sua densidade corporal. Ao pensar no domínio dos Quenianos e Etíopes na corrida de São Silvestre, já invalida a questão das corridas de longas distâncias, se a premissa é falsa, a afirmação não é verdadeira. No que tange a natação não se discute o não...

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Bianca Santana - Foto: João Benz

Coração de bananeira

Quando eu tinha nove anos de idade, minha avó avaliou que era tempo de acabar com minhas crises respiratórias. Para isso, precisava de um coração de bananeira. Um desafio e tanto no conjunto habitacional onde vivíamos, na periferia norte de São Paulo, e com a pouca mobilidade para a zona rural naquela fase da vida. Uma vizinha falou com a outra que falou com a outra e soubemos que na favela à beira da estrada, rodovia Fernão Dias, havia um quintal com bananeira. Saímos, minha avó e eu, cruzando os sete campos de futebol que separavam a Cohab da favela, em busca da árvore. Lembro bem quando o dono do quintal veio até a porta ouvir o apelo de minha avó. Um senhor negro de pele clara, com bigode e barriga saliente, que prontamente pegou um facão para dar o coração da árvore — umbigo segundo alguns — para dona Polu....

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(Foto: Reprodução/ Twitter)

Xuxa, o baixinho e o veganismo canibal

Sim, é possível amar um animal e desprezar um ser humano, basta você humanizar um e desumanizar o outro. Hitler amava sua cadelinha, a Blondie, mas tratava os judeus com brutal crueldade, como se fossem, estes, uma gente desprovida de humanidade. E por falar em blondie... Hoje é aniversário da Xuxa e ela acordou mais leve. Graças a uma ajuda que veio da periferia. Quem diria? É que a Maria das Graças Meneghel gravou um vídeo nesta madruga, sem olheiras, onde tentou se retratar de sua abjeta eugenia. A loira havia defendido usar seres humanos encarcerados para experimentos científicos, ouça aqui o disco dela girando ao contrário: “na minha opinião, existem muitas pessoas que fizeram muitas coisas erradas e estão aí pagando seus erros para sempre em prisões, que poderiam ajudar nesses casos aí, de pessoas para experimentos”. Xuxa, uma senhora cinquentona acredita que existe prisão perpétua no Brasil! Quando...

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Sarah Nascimento de Jesus (Foto: Arquivo Pessoal)

É coisa da minha cabeça ou da sua?

O capacitismo é coisa da minha cabeça ou da sua quando afirma que a masturbação não serve para mim? Ou quando insiste violentamente que eu me aposente, pois não vale a pena viver como eu vivo, que é estudando? Ou quando novamente de maneira insistente questiona a minha possibilidade de escrita e infere que meu braço é danificado? O racismo cruzado é coisa da minha cabeça ou da sua quando ao me ver fala que as pessoas com deficiência do meu tipo são as que mais fazem golpes? É coisa da minha cabeça ou da sua ser seguida em mercados? É coisa da minha cabeça ou da sua quando justifica minha orientação sexual a minha deficiência atrelada a minha cor? É coisa da minha cabeça ou da sua quando justifica minha condição como fruto de um espírito maligno? Ou quando atrela os meus caminhos como uma ingratidão ao seu ente...

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Charlene Borges (Arquivo Pessoal)

Charlene Borges: Maternidade negra, ética de cuidado coletivo e políticas públicas

“O ditado omo k’oni ohun o ye, ìyá ni ko je e – uma criança sobrevive e prospera apenas pela vontade de Ìyá – sugere o papel fundamental que Ìyá desempenha no bem-estar da criança. Ìyá não é apenas a doadora do nascimento; Ìyá também é uma co-criadora, uma doadora de vida, porque Ìyá está presente na criação” Oyèronke Oyĕwùmí   A maternidade é um tema que costuma despertar paixões e polêmicas espinhosas no âmbito dos feminismos, sobretudo aquele fundamentado na teoria clássica ocidental em razão da histórica desigualdade de gênero na divisão sexual do trabalho entre os espaços público e o privado. Nesse contexto teórico, a maternidade fora vista como um entrave para a mulher em relação à luta pela equidade, acesso a melhores oportunidades de trabalho e realização pessoal de seus projetos de vida. De igual modo, à maternidade, em outros primas teóricos, já se atribuiu a condição de...

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Perifa Connection/Divulgação

Criminalizar o funk é expressão de racismo da sociedade brasileira

O investimento público em arte é uma forma barata e simples de difundir e trazer respeito internacional para a cultura de um país. Você pode até não gostar dos Estados Unidos, mas com certeza respeita a trajetória do rap e paga por (ou conhece quem paga) shows e demais produtos do hip hop. Apesar disso, no Brasil, há perseguição e esvaziamento da cultura do funk, principalmente com a demonização do baile de favela. Além de elevar a economia nacional, o funk tem potencial de ser um porta-voz direto das favelas e das periferias para o planeta, e de reduzir desigualdades. Esse movimento artístico permite que vidas negras sejam resgatadas de muitas ameaças do racismo estrutural e que consigam transformar suas dificuldades em arte, renda e inspiração para que novas gerações não precisem passar por dificuldades na busca por valorização. Mesmo com o potencial do funk, uma minoria branca ainda decide qual...

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Personagens Balrog e Dee Jay , da série Street Fighter (Reprodução/Youtube)

A limitação dada para personagens negros e negras em jogos de luta

Se você procurar Anderson Shon num dicionário encontrará adj.¹ nome dado a pessoas que jogam jogos de luta com total maestria. adj² modéstia pura em games de luta. Minha formação em fliperamas onde bêbados e desajustados passavam o dia e minha inserção ao Super Nintendo me fez uma criança viciada em hadouken. Porém, minhas andanças nas questões nerds com recorte racial me levam a uma pergunta... uma pergunta que eu farei a vocês. Digam-me, por favor, dois personagens negros em jogos de luta. Ahhhh, não vale os que lutam Boxe ou atrelam a luta com alguma dança. Vamos lá... depois me digam também quanto tempo vocês levaram para achar essa informação na  memória. Ainda não acharam, né? Vamos pro texto. Street Fighter II causou um alvoroço no mundo dos games apresentando uma mecânica que hoje é extremamente clichê e óbvia. Independente da porradaria que esteja na sua tela, um hadouken...

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