Artigos e Reflexões

Denize Souza Leite (Foto: Arquivo pessoal)

Sankofa e as políticas de ações afirmativas: Olhar o passado para construir o futuro

A cultura oriunda dos países africanos é de uma simbologia incrível, e cuja complexidade nos traz ensinamentos profundos, demonstrando o grau de evolução do berço do mundo.  Dentre os elementos culturais encontramos os Adinkras, símbolos ideográficos dos povos Akan, da África Ocidental, região que hoje abrange parte de Gana e da Costa do Marfim. Estes conjuntos de ideogramas tinham como propósito representar valores da comunidade, ideais, provérbios, além de serem usados em cerimônias e rituais de grande importância. Sankofa é um dos Adinkras mais conhecidos, sendo representado por um pássaro que apresenta os pés firmes no chão e a cabeça virada para trás, segurando um ovo com o bico. O ovo simboliza o passado, demonstrando que o pássaro voa para frente, para o futuro, sem esquecer o passado. Ele surgiu com o provérbio ganês “Se wo were fi na wosankofa a yenkyi” que significa “não é tabu voltar para trás e recuperar...

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Vera Iaconelli (Reprodução/Facebook)

Denegrir a psicanálise brasileira

Você assistiu a minissérie "Roots", de 1977, e chorou quando o jovem Kunta Kinte foi capturado por traficantes de negros ou quando teve parte do pé amputado para não fugir? Sentia-se indignado com a violência e arbitrariedade do apartheid na África do Sul, torcendo pela liberação de Mandela? Nessa época, enquanto o mundo se digladiava entre raças e etnias, nós brasileiros nos orgulhávamos de estarmos juntos, um só povo. Conhecíamos a ditadura, a pobreza, o analfabetismo, a morte por doenças já erradicadas e a falta de saneamento básico, mas tínhamos um consolo: éramos miscigenados e cordiais. Eis que inventaram de importar dos Estados Unidos essa ideia de que no Brasil também havia racismo, eclipsando nossa maior qualidade. Machistas, tudo bem, mas racistas!? Nós, psicanalistas brasileiras, líamos Simone de Beauvoir, Luce Irigaray, Karen Horney e Julia Kristeva e nos sentíamos representadas pelo feminismo, pela recusa à primazia do falo e da inveja do pênis. No entanto, fizeram questão...

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Ilustração: Romulo Arruda

Antropologias contra-hegemônicas: uma virada no rumo das nossas referências

“As ferramentas do senhor nunca derrubarão a casa-grande” (LORDE, Audre. 2019. As ferramentas do senhor nunca derrubarão a casa-grande. In Irmã Outsider: Ensaios e Conferências. Belo Horizonte: Autêntica Editora) Há quase dois anos eu chegava de volta a Santarém, trazida pelo propósito de dar aulas na Universidade Federal do Oeste do Pará, aquela mesma em que eu havia me formado, na primeira turma do curso de Antropologia, anos antes. Daqui, parti para o mestrado e depois o doutorado na Universidade de Brasília. Já falei sobre essa experiência de retorno e reencontro algumas vezes, inclusive na tese que estou prestes a defender, sobre como ela foi definidora da forma como eu me penso como docente/educadora. Foi, e tem sido ainda, decisiva na maneira como eu enxergo a necessidade de recolocar nossos referenciais, para que eles reflitam nossas realidades e nos possibilitem pautar questões e reflexões no diálogo desde a Amazônia. Reivindico...

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Foto: Arte de Lari Arantes

Quando descobri que eu sou uma uma mulher negra ou Coisas que não estou dizendo

Este não é um texto inspirador. É apenas um desabafo incompleto e superficial de alguém que não sabe se pertence ao lugar onde está. Posso dizer que o momento em que descobri que sou uma mulher negra foi quando cheguei à cidade de São Paulo, mais especificamente quando se iniciou o ano letivo e eu passei a frequentar o campus da USP. Sim, foi exatamente quando percebi, com o passar dos dias e semestres, que estava me afogando em um mar de gente “lisa”, branca e rica. Veja bem, não estou dizendo que nunca vi pessoas brancas, ou “lisas” ou ricas antes, mas quando você sai de um lugar como a Bahia, que pode ser considerada a “África brasileira”, em que aproximadamente 81% da população da capital é negra e/ou pobre, vem dos mesmos lugares que você e tem uma realidade parecida com a sua, é um tanto assustador estar...

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Christian Ribeiro (Foto: Arquivo Pessoal)

Lima Barreto, a escrita de um eterno indignado!

O Brasil é um país caracterizado por enormes contradições de diferenças, nada harmoniosas, quando não conflitantes entre os diferentes grupos sociais que habitam esse grande território sul-americano. Uma nação em eterna busca de sua completude civilizatória, mas sempre a margem e distante dos caminhos da plena cidadania e direitos sociais. E como todo conjunto social complexo e dinâmico em suas constituições e vivências, faz-se constituir as figuras de cronistas sociais, de pensadores e artistas que através de seus ofícios buscam compreender e decodificar os segredos, os amiúdes, as características históricas-culturais que possam “falar mais” sobre a sociedade que somos e sobre a sociedade que poderemos vir a ser. Dentre esses cronistas do que “somos e poderemos ser”, Afonso Henriques de Lima Barreto (13/05/1881- 01/11/1922) foi um de seus autores mais originais e instigantes, sempre em busca pelo desvendar de nossa modernidade incompleta e de nosso elitismo parasitário, crítico de nosso...

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Foto: @ Artsy Solomon/ Nappy

O barulho da dor

O dia estava quente, tão quente que as pessoas transpiravam nitidamente enquanto andavam pela rua. A rua era bem larga, com constante movimento de pedestres, muitos cachorros e pequenos comércios, uma rua típica de vila. Naquela tarde ventava forte, mas não forte o suficiente para que folhas secas voassem do chão para outro lugar, era apenas um vento forte, talvez um prenúncio do que estava por vir. Ali também havia um barulho, barulho de rua! Carros passando, cachorros latindo, crianças brincando; barulho de movimento e da vida cotidiana. Foi então que veio o estrondo. Logo as batidas fortes vindas dos corações acelerados e o som estranho de respirações ofegantes tomaram o lugar: ali estava uma mulher estranha, aos berros. A mulher era tão estranha que usava calça em plena temperatura de 31º graus. A camiseta que um dia havia sido branca, hoje era suja, amarrotada, como se simplesmente não se...

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Primeiros atos do MNU comparavam o Brasil ao apartheid sul-africano. (Foto: Jesus Carlos via Memorial da Democracia)

Todo preso é um preso politico? Os Panteras Negras e o MNU como organizações pioneiras em enfrentar o cárcere

O Partido Panteras Negras se destaca como uma das organizações pioneiras em relação à organização e luta dentro e fora das cadeias contra o sistema prisional. No seu programa de dez pontos, os pontos 8 e 9 tratam do sistema penitenciário, sendo que o ponto 8 afirma explicitamente: “Nós queremos a liberdade imediata para todas as pessoas pretas mantidas em prisões e cadeias federais, estaduais, dos condados e municipais” A organização revolucionária negra na época também se enraizou dentro do cárcere. Em 21 de agosto de 1971, George Jackson, membro da Família da Guerrilha Negra (coletivo de autodefesa fundado por Jackson no interior da prisão) e ligado ao Partido Panteras Negras, foi assassinado na penitenciária de San Quentin, Califórnia. Jackson propunha a “transformação da mentalidade criminal negra em mentalidade revolucionária negra” e, com suas práticas e escritos, teve grande influência em grupos de prisioneiros. A execução de Jackson por agentes...

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(Foto: REUTERS - RICARDO MORAES)

Quem tem direito ao luto?

Três anos atrás decidi voltar a atender na clínica após ouvir de muitas pessoas próximas o quão traumático havia sido a experiência de falar sobre si para o terapeuta ou analista e me questionei seriamente se não poderia tentar de alguma forma voltar e aprender a ouvir melhor. Essas pessoas que se queixavam em sua maioria são pessoas LGBTI, pretas, favelados, pessoas com dores exploradas comercialmente e que ainda assim seguem invisíveis. Um desses casos, o de uma amiga muito querida, onde a terapeuta a questionou sobre a dificuldade de reconstituir sua árvore genealógica, frisando na necessidade desse processo para o seguimento do trabalho, mas a terapeuta não entendia que sua árvore era composta por ancestrais que ficaram na travessia, por crianças que não nasceram, por tias, tios, primos, irmãos, mães e pais que não necessariamente são familiares consanguíneos. Ela não entendia sobre configuração familiar preta, periférica e não há...

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(Foto: Bigstock)

Racismo e Sexismo nas História da Lobotomia no Brasil

Dr. Juliano Moreira² já na década de 30 lutava para esclarecer seus contemporâneos, que os males da mente nada tinham a ver com o caráter ou com o grupo étnico dos afetados pelas doenças mentais. Sabemos que ele, apesar do prestígio adquirido no Brasil e no exterior, viu sua contribuição esvanecer sob os pressupostos do Racismo. Mas ainda hoje, nos causa certo desespero saber o alcance destas crenças, e principalmente perceber como a contemporaneidade ainda tem certo pudor em enfatizar algumas informações. A Associação Nacional de História (ANPUH), no dia16 de abril deste ano concedeu o 7o. Prêmio de Teses à pesquisadora Eliza Toledo, pela tese A Circulação e aplicação da psicocirurgia no Hospital Psiquiátrico do Juquery. São Paulo: uma questão de gênero (1936-1956)³. Segundo a autora, a prática da psicocirurgia, popularmente conhecida como lobotomia, englobou um conjunto de intervenções no cérebro de pacientes diagnosticados com complicações psiquiátricas específicas e...

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Pandemia precarizou ainda mais o trabalho no Brasil (Foto: Bruna Prado/ Getty Images)

Estamos morrendo de trabalhar 

Se o Brasil fosse um paciente que estivesse fazendo um check-up de rotina, ficaria alarmado com o que sua radiografia revelaria. Quatrocentos e cinquenta mil mortos pela pandemia do coronavírus, sendo que mais da metade dessas mortes aconteceram quando as vacinas já haviam sido descobertas e disponibilizadas para o governo brasileiro. Quatorze milhões e oitocentos mil desempregados. O maior índice desde 2012, e que tem tudo para crescer em meio à crise econômica que nos assola. Dezenove milhões de brasileiros sem ter o que comer (sim, nós voltamos para o mapa da fome). Cento e dezessete milhões de cidadãos que estão em insegurança alimentar. O que significa dizer que a metade da população de um país de proporções continentais não sabe se terá comida no prato nas próximas 48 horas. Se isso não bastasse, parece que também há um mau funcionamento no nosso sistema nervoso central, que teve significativa piora...

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Perifa Connection/Divulgação

Um ano depois do assassinato de Floyd, negros ainda sofrem com violência policial

Há um ano, em Minneapolis (EUA), George Floyd, homem negro, pai, segurança e conhecido por seu jeito afetuoso e por gostar de basquete e de futebol, foi assassinado pelo policial militar branco Derek Chauvin. O crime foi cometido sem nenhum pudor diante da câmera do celular da adolescente negra Darnella Frazier. Caso a garota de 17 anos não tivesse publicado o vídeo em uma rede social, possivelmente o crime não teria tido a grande repercussão em nível global, causando revolta e indignação, da população mais humilde a empresários, artistas, organizações sociais e sociedade civil. Em tempos de pandemia, a frase “eu não consigo respirar”, dita pela vítima, virou reivindicação em várias partes do mundo pelo combate ao racismo estrutural. Derek Chauvin foi condenado e espera sua sentença final que pode chegar a 40 anos de reclusão. Nos Estados Unidos, aumentou-se a vigilância ao trabalho de profissionais de segurança pública e...

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Maria Carolina Trevisan (Foto: André Neves Sampaio)

Um ano da morte de Floyd: antirracismo precisa avançar também no Brasil

Desde que George Floyd foi morto, sufocado pelo joelho do policial branco Derek Chauvin, há um ano, nos Estados Unidos, o movimento antirracista não só se consolidou como também se ampliou. De imediato, tomou as ruas e se tornou uma grande mobilização social em diversos estados americanos, mesmo durante a grave pandemia de coronavírus que acometia o país. Os protestos foram uma das forças mais importantes para a troca de liderança na presidência dos Estados Unidos. O então presidente Donald Trump, que negava a existência do racismo e sua influência como motor da violência policial, foi derrubado. Em maio de 2021, outro fato histórico: o ex-policial Derek Chauvin foi considerado culpado pelo júri, por unanimidade, em três categorias de homicídio. Pela primeira vez, o estado de Minnesota responsabilizou um policial pela morte de uma pessoa negra. O reconhecimento da culpa do ex-agente abriu também a possibilidade de revisão de outros...

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José Antonio Correa Francisco é Juiz do Trabalho Substituto da 11ª Região (AM/RR) e membro da AJD (Associação Juízes para a Democracia). (Arquivo Pessoal)

José Antonio Correa Francisco: Liberdade para viver

“Eu sou muito alegre. Todas as manhãs eu canto. Sou como as aves, que cantam apenas ao amanhecer. De manhã estou sempre alegre. A primeira coisa que faço é abrir a janela e contemplar o espaço”. (Quarto de despejo, Carolina Maria de Jesus)   133 anos de liberdade… Passei boa parte da infância e toda a adolescência sendo chamado pelos colegas da escola de “Zé Preto”. Para alguns, “Zé Pretinho”; para outros, “Criolo”, “Criolina” ou só “Zé Preto”. Foi o presente da ousadia de meus pais por me matricular numa escola particular, na Zona Sul Paulistana, nos anos 1980. A escola não existe mais, nem os meus inocentes coleguinhas fazem parte da minha vida. Não sei o que são e, provavelmente, poucos sabem o que faço, atualmente. Sobrevivi ao estigma, embora jamais me esqueça dele. Por diversas razões, passei incólume às abordagens das forças policiais durante a vida, por conhecer e...

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Foto: Pixabay / iStock

Reflexões sobre um planejamento urbano inclusivo e a saúde pública – um diálogo possível?

Pensar o planejamento urbano passa pelo desafio de instituir cidades democráticas, ‘inclusivas e saudáveis. Neste sentido, o crescimento urbano precisa acompanhar a dinâmica populacional e ao mesmo tempo atender às suas demandas. Não atendendo esta premissa o direito à cidade é restrito. No Brasil, o modelo de desenvolvimento ocorre de forma excludente e discriminatória, pautado na lógica da classe, raça e cisheteto- patriarcal. Essa lógica dominante vem instituindo uma dinastia política de reproduz de forma secular um modelo opressor que inviabiliza a mobilidade social em uma perspectiva mais progressista cujos reflexos repercutem na condição de privilégio e de vulnerabilidade dentre os sujeitos que compõe essa sociedade. A forma de gestão instituída nega a garantia de direitos da sua população em vários níveis, desde o acesso a água, moradia, alimentação, áreas de lazer, e educação, por exemplo. Essa desassistência reflete em diferentes formas de exposição ao risco, de adoecimento e morte....

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Perifa Connection/Divulgação

Perda de direitos trabalhistas coloca em risco a dignidade humana

O século 20 foi marcado por muitas guerras, mas também por lutas e revoltas populares que resultaram, apesar de tardias, em importantes conquistas sociais. Durante o governo populista de Getúlio Vargas (1930-1945), os direitos trabalhistas se firmaram como resposta às reivindicações dos brasileiros. De lá para cá, pouco menos de cem anos depois, há retrocessos nas normas que garantem a dignidade dos trabalhos e que expõem as marcas da origem escravocrata do Brasil. De acordo com o IBGE, o desemprego alcançou o recorde de 14,4 milhões de pessoas em 2021. O mesmo padrão de crescimento segue com a informalidade, cuja taxa já quase corresponde à maior parte da população ocupada no país, isto é, 39,9%. Em outras palavras, cerca de 40 milhões de pessoas têm trabalhado por conta própria (sem assinatura na carteira de trabalho) e não contam com os direitos garantidos nos termos da legislação trabalhista, como o 13º...

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(Reprodução/Getty Images)

Dia Internacional contra a LGBTfobia

O dia 17 de maio é reconhecido como o Dia Internacional contra a LGBTfobia porque foi em 17 de maio de 1990 que a Organização Mundial da Saúde (OMS) deixou de considerar a homossexualidade como sendo uma patologia, visto que até essa data a mesma era encarada como distúrbio mental. Contudo, hoje, 31 anos depois ainda temos que reafirmar isso diariamente, o fato da homossexualidade ter deixado formalmente de ser tida como uma doença ainda não é suficiente para que a população LGBTQIAP+ possa ter uma vida sem preconceitos e discriminações. A vida média de uma pessoa trans no Brasil é de apenas 35 anos, ou seja, menos da metade da expectativa geral. Uma boa parcela das pessoas transexuais está à margem do mercado formal de trabalho e têm como única fonte de renda a prostituição, o que aumenta ainda mais o risco de morte e a discriminação. Pessoas cis...

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A escritora e ativista Ana Paula Lisboa (Foto: Ana Branco / Agência O Globo)

Murro em ponta de faca

Das obstinações, várias tentativas, repetições, não desistências, insistências, confesso: não sou das melhores. O tempo às vezes me ganha, esse deus lindo e valiosíssimo. Não só ele, o cansaço, a preguiça. Quer me matar? Tenha comigo as mesmas discussões, não resolva os mesmos temas durante semanas, meses, anos, me faça as mesmas perguntas sempre, brigue comigo pelos mesmos motivos, me diga para resolver coisas que já foram resolvidas por outras pessoas no passado. Minha ansiedade me faz querer avançar, pensar no que pode ser a próxima coisa, no que posso trazer de novo. Não consigo acreditar que recebi esta vida para perder tempo pensando em coisas que já foram resolvidas. Mas, veja bem, não digo que estou certa. Na verdade, percebi que várias vezes estou muito errada. Uma das últimas vezes foi assim: eu seguia na minha plenitude quando Julio Ludemir, da Flup, na live de lançamento do livro “Carolinas”,...

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Frantz Fanon, Psiquiatra e militante escreveu uma das obras mais importantes sobre o racismo, traduzido em português como "Pele Negra, Máscaras Brancas" (Foto: Imagem retirada do site Brasil de Fato)

Fanon pela construção de uma psicologia tão anticolonial quanto antimanicomial, ou… Antimanicomial porque anticolonial.

Qual a atualidade das discussões sobre raça e colonialidade num país que desenvolve sua identidade a partir de um mito de democracia racial? O que isso tem a ver com a Psicologia? Ou ainda... A Psicologia tem algo a ver com isso? É sempre bom lembrar que... O psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades e contribuirá para a eliminação de quaisquer formas de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. (Brasília, 2005, p. 7). Cada vez mais os debates sobre racismo e outras formas de opressão estruturais ocupam espaço dentro de universidades, redes sociais e meios de comunicação. No Brasil, pensadoras e pensadores como Lélia Gonzales, Clóvis Moura, Abdias Nascimento, Sueli Carneiro, Ailton Krenak, Neusa Santos Souza e Silvio Almeida - em outros países, W.E.B. du Bois, Frantz Fanon, Léopold Senghor, Angela Davis, Grada Kilomba, Bell Hooks e Achille Mbembe,...

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Christian Ribeiro (Foto: Arquivo Pessoal)

A Chacina de Jacarezinho e a naturalização da morte, e do racismo, na sociedade brasileira!

A Chacina de Jacarezinho, ocorrida em 06 de Maio de 2021, nos revela a face de uma sociedade cada vez mais orientada pelo ódio e intolerância, em que o Estado é utilizado enquanto elemento de perseguição e extermínio daqueles considerados como os “outros”, os “indesejáveis”, os “inumanos”. Seres desqualificados e desprovidos de sua condição humana, sem significados, importâncias ou historicidades aos olhos de nossas elites, em seu ideário civilizatório de cunho racista e classista. Nesse sentido, sendo essa chacina um reflexo de um Brasil profundo e reacionário que não se acanha mais em mostrar a sua verdadeira face, não mais aceitando ser regulado nem mesmo pelos padrões institucionais-jurídicos, vide ter sido uma ação policial cometida sem pudores, em flagrante desrespeito a chamada “Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 635) das Favelas”, ratificada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em que o aparelho estatal passa a exercer uma naturalização e adoração...

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Perifa Connection/Divulgação

Deus está com os oprimidos, não com aqueles que apoiam o genocídio negro

Vivemos o fim dos tempos, do mundo, e de vidas. O Brasil que conhecemos está terminando ciclos: universidades públicas com risco de encerrarem as atividades, mais de 400 mil mortes por Covid-19, desemprego batendo recorde com 14 milhões de pessoas desocupadas, insegurança alimentar chegando na casa dos 125 milhões de brasileiros e o sistema de saúde pública em colapso. Enquanto isso, o presidente da república encomenda o quilo da picanha a R$ 1.799. O Brasil do fim do mundo é o país que, no pior momento da pandemia, fez uma operação policial que assassinou aproximadamente 30 pessoas. É um país que amanhece com gente negra e periférica lavando sangue da sua sala e das suas calçadas. É onde homens brancos à frente de grandes corporações e do governo autorizam verdadeiras chacinas . Nós crentes costumamos dizer diante da tragédia: “é o fim do mundo, Jesus está voltando”. Se olharmos os dados sabemos que os assassinatos nas terras indígenas e nas operações...

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