Artigos e Reflexões

    Ramón Vasconcelos / TV Globo/Divulgação

    “Pedro Bial e a relativização do racismo”

    Não me vou alongar nesta crítica. Ao assistir à entrevista de Xuxa para Pedro Bial, uma passagem me intrigou e pôs-me à reflexão. Bial diz que "eu acho também que as pessoas não podem olhar uma época com os olhos de outra. Você não pode olhar a década de 80 com a ótica de 2020. Aí, olhar para Monteiro Lobato e dizer "Monteiro Lobato foi isso, foi aquilo", não... Monteiro Lobato foi genial, mas ele expressara o pensamento de uma época, ele estava vivendo dentro daquela época, é muito fácil depois ficar condenando..." Então, Bial, nós dois estamos na mesma época, e eu tenho uma visão diferente da sua. Como explicar, em 2020, eu e você estarmos dentro da mesma época, e eu não concordar com esse seu argumento? Se fosse como você retoricamente argumenta, haveria um determinismo e uma socialização dos quais, inevitavelmente, eu não escaparia. Pois bem, seguem...

    Leia mais
    Adobe

    A sociedade é uma trapaça

    A sociedade trapaceira, deveria ser parceira. Mas mata todo dia jovens por besteiras. Ela não está de brincadeira. Outra noite queimou as bruxas na fogueira. Mulheres bruxas, bruxas mulheres. Deixem-nas fazerem o que quiserem. Mataram Marias e Marieles. Eu me pergunto, o que vocês mais querem? Hoje de novo liguei no jornal. Morte de um marginal, perai… Marginal? Não, era só mais uma criança inocente brincando em seu quintal. Mas um corpo negro que chegou ao fim antes do final. Até agora nenhuma notícia dos culpados. Entretanto quem está preocupado com os culpados? Eram negros… Menos um para o estado. Esse tipo de notícia se repete todo dia. Morre preto, pobre, mulher, viado, trans, sapatão. Um foi de tiro, o outro inocente na prisão, sem falar na depressão. A mulher assediada sem razão, os jovens marginalizados, sem futuro, sem perdão. Sangue preto escorre em suas mãos.  Mônica Silva   **...

    Leia mais
    Escritora Cidinha da Silva (Foto: Elaine Campos)

    Sobre editais do setor privado nas áreas cultural e artística e a vulnerabilidade de artistas brasileiros à ausência de políticas públicas

    Mecenato é uma atividade de apoio artístico e cultural antiga. O mecenas escolhia e escolhe a quem patrocinar de acordo com suas crenças, valores, escolhas políticas e estéticas. Políticas públicas, por sua vez, devem responder às necessidades do setor artístico-cultural e do público, da cultura de um país, das pessoas que merecem e desejam a fruição. Políticas públicas devem, portanto, ter critérios e orientação política nítida, planejamento no tempo, mecanismos de monitoramento e participação popular para alicerçar e alavancar as funções distributiva, redistributiva ou regulatória que as embasa. As políticas públicas são a concretização da ação governamental pelo bem de todos, conceitualmente. No Brasil de hoje, por exemplo, vivemos dois movimentos sincrônicos e contrários a essa máxima: o primeiro aniquila as políticas públicas existentes; o segundo, implementa projeto político orientado para a morte, para o extermínio dos indesejáveis, de todas as pessoas do país em situação de vulnerabilidade, a saber,...

    Leia mais
    Foto: Adobe Stock

    Preta de alma embranquecida

    Ando pesquisando sobre a negritude e a resistência é a máxima possível, estou à dias lendo artigos, vendo vídeos, trabalhos, teses, dissertações, recolhendo material, mas à medida em que vou lendo vou me confrontando com a Europa que habita em mim. Quarentena, em casa, lugar onde eu sou eu. As discussões com minha mãe aumentaram, confrontos com quem sou para o outro, o mais próximo de mim possível. Como em um espelho a minha mãe me confronta sobre convivência, o quanto que não sei viver com o outro, o quanto que em um mesmo espaço quero ser eu somente. No mesmo momento em que leio sobre filosofia africana, onde relata que o eu só existe a partir do outro, viver em comunhão, no sócio de fato, escuto de cientistas pretas falando sobre a individualidade trazida da Europa para a nossa sociedade. Em uma tentativa de reconexão comigo, com África me...

    Leia mais
    Photo by Lia Castro from Pexels

    Branquitude acadêmica, ações afirmativas e o “ethos” acadêmico nas universidades brasileiras

    É muito desolador as diversas formas que o racismo acadêmico encontra para controlar nossas mentes e nossos corpos. Pessoas negras que vivenciam esse espaço, seja por passagem ou com objetivos de ocupá-lo, assistem diariamente a falta de caráter explícita do pacto narcísico da branquitude (termo cunhado por Maria Aparecida Silva Bento, que trata de descrever os pactos que as pessoas brancas possuem entre si, em todos os espaços, fazendo com que seus privilégios se mantenham, mesmo que estes sejam diferentes entre eles). Tal pacto ocorre na medida em que pessoas brancas, que passam ou ocupam esse espaço, são beneficiadas constantemente e pouco são criticadas por não agirem da forma como a universidade espera que elas ajam, num primeiro momento (constituida nos moldes brancx-euro-ocidental). Não estou falando das pessoas brancas que não se encaixam na lógica da academia e também são vitimadas pelo modo como os seus iguais hegemônicos estruturam a...

    Leia mais
    (Foto: Imagem retirada do site Os Constitucionalistas)

    Necropolítica por Oscar Vilhena

    João Pedro, 14, foi morto por forças policiais no quintal de sua casa, enquanto brincava com seus primos. Seu corpo ficou desaparecido por cerca de 16 horas, aumentando o desespero de seus familiares. Já o corpo de Valnir da Silva, 62, possível vítima do coronavírus, ficou exposto por mais de 30 horas numa rua de outro bairro pobre do Rio de Janeiro, sem causar maior consternação em quem jogava bola no terreno ao lado. São retratos cotidianos da barbárie e da negligência a que estão submetidas largas parcelas da sociedade brasileira. O racismo e as profundas desigualdades que estruturam a sociedade brasileira dificultam que nos vejamos como parte de uma mesma comunidade, ligada por laços de respeito e obrigações recíprocas. A vida de um morador de rua parece não ter nenhum significado. São seres moralmente invisíveis. Suas necessidades e sofrimentos não geram nenhuma dor; menos ainda gestos de solidariedade. A...

    Leia mais
    (Foto: Getty Images/iStockphoto)

    Ficar em casa nem sempre é seguro para um jovem negro

    No momento, muitos órgãos, empresas e autoridades se unem para mandar um recado para o mundo: “Fique em casa, é o lugar mais seguro. Precisamos salvar vidas”. Ficar em casa é sinônimo de segurança para quais vidas? A pandemia do coronavírus paralisou grandes setores do mundo inteiro, mas não foi o suficiente para impedir o Estado de continuar assassinando jovens negros inocentes. A crise mundial em saúde acabou se tornando um somatório a todas as opressões sociais, que assolam, principalmente, a população negra e periférica, as mais vulnerabilizadas neste momento. Em casa, o jovem João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, assim como vários adolescentes pretos e moradores de periferia, não teve direito à segurança. Na noite desta segunda-feira, 18, ele foi baleado e morto durante uma ação conjunta da Polícia Federal (PF), com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, Região Metropolitana...

    Leia mais
    Adobe

    Pele Negra, Máscaras Brancas

    Enquanto a pandemia do coronavírus segue vitimando centenas de pessoas, todos os dias ao redor do mundo; o avanço da doença, que causa infecção respiratória grave expõe as contradições sociais no centro e na periferia do capital. O vírus que chegou ao Brasil vindo de avião, por meio das pessoas que vivem uma situação privilegiada no país, afetou primeiro as classes sociais com alto poder econômico. Agora no entanto a SARS-CoV-2, sigla em inglês que significa Severe acute respiratory syndrome coronavirus, alastra-se entre entre os pretos e pobres. Uma festa de casamento em Itacaré, no sul da Bahia, pode ter sido o foco dos primeiros casos de coronavírus no país. O cenário paradísiaco de Itacaré, com altar montado num pier e tendo como horizonte o lindo oceano Atlântico, expunha o luxo e a riqueza dos mais abastados; que infectados com o vírus espalhava-o para os demais convidados majoritariamente brancos, e...

    Leia mais
    drasko/ThinkStock/

    Ode à bala perdida

    Quando solta no mundo Atravessando paredes E muros Do cano de metal Observas a rotina Nunca conhecestes Condomínios e Bairros de luxo Nem sabe o cheiro Do hidratante Da pele da madame Celebram a tua indiferença Quando em aros perfeitos Já há muito Pinta alvos As negras peles Já a pressentem E nem famílias Nos dominicais passeios Escapam das investidas Pelotões verde-olivas De valor cínico e massacre Também ronda escolas E gosta de ensinar Lições de dor e sofrimento Alvejar Uniformes e estudantes Das manchas de sangue Nódoa irreparável De truculência Tem o poder De calar Vozes que insistem Em dizer: "A milícia está nua" E não há roupa Cristã ou conservadora Que tape suas impudicícias A vida estará presente! Na franca luta De nossos dias Ainda te dizem perdida No trottoir cego Rondas misteriosas Matagais e desaparecidos Alguém os viu?! Só a morte Em seu vagar absoluto Vendo de...

    Leia mais
    Mayara Silva de Souza /Foto: arquivo pessoal

    Não existem normas ou técnicas que salvam as Vidas Negras na prática

    Tecnicamente é errado falar que adolescentes e jovens são presos, isso porque a Constituição Federal brasileira além de afirmar que estes são sujeitos de direitos que devem ser assegurados de maneira prioritária pelas famílias, sociedade e Estado, também determina que as pessoas com menos de 18 anos são penalmente imputáveis. Portanto, não podem receber tratamento igual ou mais gravoso que as pessoas adultas, mas podem ser apreendidos se forem responsabilizados por algum ato infracional contrário a legislação, o que não exclui ou diminui suas responsabilidades. A legislação determina que adolescentes e jovens podem ser internados em estabelecimentos educacionais: as chamadas de medidas socioeducativas. Entretanto, vemos que prática são frequentemente as notícias das graves violações de direitos dentro destes estabelecimentos, que teoricamente devem cumprir uma função de ressocialização. Ainda, os relatos vindos das famílias reforçam o entendimento que as condições para realização de visitas são iguais às condições do sistema prisional....

    Leia mais
    Egberto Nogueira/VEJA

    Anitta e a deseducação política brasileira

    Acantora Anitta respondeu publicamente, em suas redes sociais, às críticas que vem recebendo, nessas mesmas redes, por ter assumido seu relativo desconhecimento no campo da Ciência Política. O raciocínio da artista não poderia ter sido mais preciso, e uma síntese honesta dele é: “não sei hoje sobre política porque antes não me ensinaram; agora pergunto porque quero aprender para depois decidir melhor meu voto; zombar desse desejo de aprender atrapalha o processo de amadurecimento político pelo qual o Brasil precisa passar”. Sem dúvida nenhuma todo o episódio diz muito sobre a “briga de foice no escuro” que é a política nacional em 2020, briga atiçada de maneira irresponsável, por vários atores, ao longo dos últimos dez anos, pelo menos. Diz muito também, infelizmente, sobre a misoginia, o elitismo e o racismo “nossos” de cada dia.  Contudo, intrincado nesse episódio das agressões a Anitta, há um aspecto basal – primeiro, portanto –...

    Leia mais
    (Vsevolod Vlasenko/Getty Images)

    QUERO (QUEREMOS) FICAR: nota sobre respiração no litoral-periferia

    Resumo: O presente texto visa explicitar reflexões sobre a experiência vivida de um estudante do curso de Psicologia, morador da cidade de Fortaleza, neste atual cenário da COVID-19, evidenciando brevemente a desigualdade social e racial na capital cearense. Observa-se, por exemplo, que o Homem, indivíduos brancos/as, promove a não existência de outros sujeitos. O ‘eu-meu’ do autor se entrelaça com o ‘nós-nosso’ ao longo do artigo, recuperando o sentido da coletividade, com influência de estudos da Psicologia Social. Por fim, não considera-se um texto-fim, pelo contrário, pode ser lido a partir de um lugar aberto para diálogos e trocas. Vinte e três anos de habitação no litoral oeste da terra da luz parece ser o suficiente para conhecer todas fortalezas desta cidade. Porém, a cada momento percebo que não dá para contar os grãos de areia espalhados pela pista, nem a quantidade de telhas da minha sala, pois sempre algo...

    Leia mais
    GETTY IMAGES

    O que será?

    Vai no @leandro_assis A série "Confinada" diz quem é o juiz O núcleo da Elite transforma mãe preta em aprendiz Esquecendo que R$600 nos remete ao vis à vis Um país que sangra tanto pra minoria sorrir Velho e criança em pranto até a esperança ruir Cadê o Estado que nunca agiu? Não vejo aqui! Fica claro que o desleixo é estratégia pra nos subtrair O Covid se espalhando pelo morro é sacrilégio Vejo vários pedindo socorro mas poucos entendem que quarentena é privilégio Pra esse tipo de doença é difícil achar remédio E os menos estudados recebem ajuda de quem, por sorte, conseguiu passar do médio Há falta d'água até hoje Estamos mesmo no século XXI? Brincam com a alma desse povo como jogam resta 1 Inadimissível a ausência do suporte a classe trabalhadora O dinheiro acabou, o mês virou e a fome mais ameaçadora Quem luta por nós?...

    Leia mais
    Adobe

    Sobre a falta de coroas: A dificuldade de se reconhecer homem negro tendo cabelo liso

    Eu preciso confessar uma atitude que venho tendo, de maneira recorrente, já faz algum tempo: o ato de procurar por fotos de homens pretos de cabelo liso no Google. Desde criança qualquer pessoa de cor já passou pela experiência de não se encontrar em desenhos e seriados de TV. É quase um rito de passagem, notar que as percepções de beleza, o que deve ser visto, não repassa pela aparência de seus semelhantes. Eu passei por essa experiência e sem duvida alguma vibrei de alegria ao conhecer produções antigas e perceber novas criações que tensionavam os padrões estéticos ao que se estava acostumado. Mas de certa forma, para mim, ainda faltava algo. Vindo de avós e avôs tanto brancos quanto pretos retintos de cabelo 4b/4c, eu nasci sendo um preto de pele clara e de cabelo liso. Ao observar todos esses exemplos na TV, no cinema, na música, por mais...

    Leia mais
    Adobe

    Você é Racista Sim

    Eu já me deparei com inúmeras situações em que fui vítima de racismo e não sabia o que tinha acontecido. Não tinha noção do peso das palavras, das atitudes, dos pequenos gestos… Hoje eu sinto muita dor, por não ter feito nada. Naquela época eu não tinha o conhecimento que tenho hoje, e agora sei muito menos do que saberei daqui há 10 ou 15 anos. A diferença é que não mais sentirei essa dor, porque estou transformando-a em estrutura, em alicerce, na base do homem que me tornarei até lá. Recentemente tive uma conversa com uma pessoa que fez um comentário racista em uma foto, não entendia que tinha sido preconceituoso e disse que não era racista. Disse que eu deveria rever meu conceito sobre o que é racismo. Um homem branco, cheio de privilégios falando que eu não sabia o que era racismo, citando até, a constituição de...

    Leia mais
    Escritora Cidinha da Silva (Foto: Elaine Campos)

    A Velha e a Iaô

    Como a estátua da namoradeira na janela, a senhora septuagenária espiava o movimento da rua. Minha filha subia a Ladeira do Garcia apressada e a senhora gritou, iaô, oh iaô, o que você está fazendo com a cabeça no sol uma hora dessas, iaô? Hora de estar dentro de casa iaô, já é quase meio dia. Venha aqui tomar um copo d'água. Deborinha, sem opção, chegou à porta da casa e tomou a benção. A senhora a abençoou e mandou entrar. Entre surpresa, feliz e ansiosa, entrou. Surpresa porque para uma paulistana a frase "só se vê na Bahia" faz todo sentido quando esse tipo de hospitalidade se apresenta. Por isso também a felicidade, o aconchego de um sentimento de família, mesmo que as duas nunca tivessem se visto antes. Ansiedade porque tinha compromisso de hora marcada, coisa de trabalho, e precisava torcer para que a mãe a liberasse logo....

    Leia mais
    Reprodução/Netflix

    Dias sem Fim (All Day and a Night)

    Recentemente estreou na Netflix o Filme de Joe Robert Cole, All Day and a Night, traduzido para o Brasil como Dias Sem Fim. O filme narra a história da vida de Jahkor Abraham Lincoln e como as teias do racismo estrutural o levaram a ser condenado à prisão perpétua, por matar um homem e sua namorada. É muito importante que você entenda que eu acredito que ninguém nesse mundo deve possuir o poder de roubar o direito de vida de outra pessoa. E a minha pergunta é quantas pessoas pretas as autoridades têm matado a sangue frio ou descaradamente em seus falhos sistemas estruturais enquanto você lê essa frase? Estamos vivendo uma pandemia e segundo o Google Notícias são cerca de 12.000 mortos no Brasil e sabemos muito bem a cor dessas mortes, entretanto a pessoa que representa a maior autoridade no país banaliza a situação e coloca em risco...

    Leia mais
    Foto: shutterstock

    Vamos? … Como adiar o fim do mundo?

    O fim do mundo sempre foi um tema recorrente na história da humanidade, seja por projeções de cunho religioso, (Apocalipse) politico bélico (guerra nuclear) ou mesmo projeções calçadas na ciência (meteoro em rota de colisão com a Terra) Quem não se lembra do bug do milênio? Que tal o recente "Apocalipse Maia”?  Apesar de todas as previsões o ultimo evento que atinge o planeta, a Pandemia de Covid 19, tem se mostrado o mais potente para uma reflexão sobre a caminhada da humanidade no planeta Terra.    É o fim do mundo ou fim de um mundo?  De repente um ser invisível desfez certezas que foram construídas por séculos, nossa rotina girou 360 graus, muito das atividades indispensáveis em nossa vida, que nos proporcionava bem estar, prazer e conforto não estão na lista de atividades essenciais; de repente tudo que era sólido se diluiu no ar,  caiu o calendário festivo, esportivo,...

    Leia mais
    Adobe

    Reflexões de uma mãe preta sobre os dias das mães

    Há 02 dias, Hakim, meu primeiro filho, completou 07 anos e por causa deste evento muitos sentimentos chegaram com força em meu coração. Hakim é meu primeiro filho, mas não ó único. Depois dele houveram mais 02 filhos amados que permaneceram pouco tempo conosco e não puderam nascer. Eles também fazem parte da nossa família e estão eternizados em nossa história, em nossos corações e no meu corpo em forma de tatuagem. Quanto minha experiência com o Hakim, posso afirmar com toda certeza que sou uma mãe orgulhosa e feliz, mas minha inauguração no mundo materno foi bastante difícil. Circunstâncias difíceis de eminente risco de morte envolveram meu parto, roubaram a alegria e leveza que eu imaginava que deveriam estar presentes naquele momento. Eu já ouvi uma vez que deveria esquecer esta página difícil da minha vida e da história do meu filho, mas não tem como falar do milagre...

    Leia mais
    Cemitério Público Nossa Senhora Aparecida, em Manaus. Foto: Alex Pazuello/Semcom

    O racismo estrutural na crise do Coronavírus é visível quando ser negro(a) é o suficiente para estar dentro do grupo de risco

    Nossa defesa histórica da importância da construção de políticas públicas afirmativas (mulheres, negros e negras, indígenas, idosos, juventude, entre outros), a partir da compreensão de que as desigualdades sociais afetam distintamente cada grupo social, comprova-se, nesta conjuntura, ser fundamental. Isso porque, apesar do Coronavírus ser uma ameaça humanitária global, a possibilidade de sua propagação afeta mais suscetivelmente uns do que outros. Portanto, se “em tempos normais” as políticas públicas específicas são ferramentas necessárias contra as desigualdades sociais, em época de pandemia, é dever do Estado construir ações governamentais conforme as necessidades impostas por uma sociedade diversificada e plural pelas quais as nossas são formadas. A população negra é um dos grupos mais vulneráveis com a pandemia do coronavirus. Dados do jornal americano The New York Time, nos EUA, informam que as taxas de contaminações e mortes pelo COVID-19 são muito maiores em afro-americanos. Na Espanha, em Madri, coletivos de imigrantes...

    Leia mais

    Últimas Postagens

    Artigos mais vistos (7dias)

    Instagram

    Twitter

    Facebook

    Welcome Back!

    Login to your account below

    Create New Account!

    Fill the forms bellow to register

    Retrieve your password

    Please enter your username or email address to reset your password.

    Add New Playlist