Afro-brasileiros e suas lutas

Adilton Venegeroles/ Agência A Tarde

Soterrada pelos ‘vencedores’, história de negros resiste ao apagamento

Trabalhando há mais de 15 anos nos campos do Maranhão e da Bahia e caminhando por lugares distantes que por vezes pareciam inatingíveis, fui convencido de que a história de grande parte de nossa sociedade permanece soterrada. Se por muito tempo ela foi escrita e documentada pelos “vencedores”, apagando ou reduzindo a nada o que não era considerado significante, podemos afirmar também que continuou a ser transmitida oralmente por famílias e comunidades como forma de resistir e não deixar se apagarem suas origens. Também é cada vez mais nítida a certeza de que a história se desenrola envolvendo um coletivo, porém sempre a partir da escala do indivíduo, de atos e fatos únicos. É o que a escritora Svetlana Aleksiévitch descreve como sendo o objetivo de seus registros histórico-literários ao tentar “capturar a vida cotidiana da ‘alma’”. Só a partir da vida, única, somada a muitas outras, é que uma...

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Tony Tornado | Reprodução/Imagem retirada do site O Globo

Livro narra perseguição da ditadura a Tony Tornado: ‘importou o gesto-símbolo do poder negro’

O livro "Dançando na mira da ditadura: bailes soul e violência contra a população negra nos anos 1970" vai mostrar como a juventude negra foi alvo de violações durante o regime militar. A obra foi escrita por Lucas Pedretti, o historiador que encontrou o dossiê usado para prender Caetano Veloso, ponto de partida do filme “Narciso em férias”. Entre diversos documentos e situações, Pedretti narra como Tony Tornado foi alvo do Centro de Informações do Exército durante o 5º Festival Internacional da Canção, em 1970. No documento intitulado “Flávio Cavalcanti, Tony Tornado e Danuza Leão tentam suscitar o problema da discriminação racial no Brasil”, os militares relatam que Tony importou o "gesto-símbolo do 'poder negro' (comunista)". O relatório revela que "toda máquina policial se movimentou nos bastidores do Maracanãzinho para impedir os gestos de caráter político do cantor” — ou seja, a saudação à moda dos Panteras Negras. O livro, que será...

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Racismo e violência do Estado ainda assolam a população negra 133 anos depois da Abolição (Foto: Carl de Souza/AFP)

Liberdade pelas mãos do povo preto: a verdadeira história do 13 de Maio e da Abolição

A sanção da Lei Áurea, que há exatos 133 anos aboliu oficialmente o trabalho escravo no Brasil, consolidou o 13 de Maio como uma data de protestos contra violências que atravessaram séculos e continuam vitimando a população negra. Uma realidade que, por si só, coloca em xeque a narrativa registrada por muito tempo nos livros de história de que os males da escravidão teriam sido sanados no momento seguinte à assinatura de Princesa Isabel. Matheus Gato, professor da Universidade de Campinas (Unicamp) e pesquisador do Núcleo Afro do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), afirma que o 13 de Maio é uma data importante pelo simbolismo que adquiriu nas lutas sociais do Brasil e pelo processo social que fora interrompido, transformando o significado de pertencimento dos negros à nação brasileira. Mas, explica que, ao longo do século 20, a data engendrou uma série de disputas de imaginário sobre como...

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Luiz Gama (Imagem: Wikipédia Commons)

A desconhecida ação judicial com que advogado negro libertou 217 escravizados no século 19

Em um dia do mês junho de 1869, uma nota no jornal chamou a atenção de Luiz Gama, advogado considerado um herói nacional por seu ativismo abolicionista no século 19. A notícia relatava que a família do comendador português Manoel Joaquim Ferreira Netto, um dos homens mais ricos do Império, estava brigando na Justiça pelo espólio do patriarca, morto repentinamente em Portugal. Ferreira Netto tinha uma grande fortuna: 3 mil contos de réis (cerca de R$ 400 milhões em valores atuais), distribuídos em inúmeras fazendas, armazéns comerciais, sociedade em empresas lucrativas, e centenas de pessoas negras escravizadas em suas propriedades. Em uma linha de seu testamento, publicado em um jornal um ano antes, o comendador fez um pedido comum entre grandes proprietários de escravos da época: depois de sua morte, ele gostaria que todos fossem libertados. A "alforria post mortem" era vista como uma espécie de "redenção moral e de...

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Coalizão Negra Por Direitos/Facebook

Entidades fazem doação de cestas básicas em comunidades de 6 estados neste domingo

As entidades Coalizão Negra Por Direitos e Redes da Maré realizaram neste domingo (28) a distribuição de cestas básicas para pessoas em situação de vulnerabilidade em comunidades de cidades de seis estados. Ação distrubui cerca de mil cestas básicas em comunidades de seis estados  (Foto: Divulgação/Imagem retirada di site G1 Em São Paulo, as cestas foram distribuídas a famílias de Heliópolis, na Zona Sul da capital. Outras comunidades atendidas ficam em municípios de Minas Gerais (MG), Bahia (BA), Rio de Janeiro (RJ), Pará (PA) e de Pernambuco (PE). Ao todo, mil famílias foram atendidas pela ação. Em Heliópolis, cerca de 100 famílias receberam as cestas, que contam com alimentos, itens de higiene e limpeza. A ação contou com a presença de lideranças sociais como o professor Douglas Belchior (Uneafro), a escritora Bianca Santana e a líder comunitária Dona Alda. Ação distribui cestas...

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Com crise sanitária em fase crítica, aumenta a demanda por doações; saiba como ajudar - Divulgação / Caio Caciporé

Com crise sanitária em fase crítica, aumenta a demanda por doações; saiba como ajudar

Organizações da sociedade civil voltam a se mobilizar para atender comunidades vulneráveis, em meio ao agravamento da crise sanitária, social e econômica da Covid-19. O Monitor das Doações, plataforma alimentada pela Associação Brasileira dos Captadores de Recursos - ABCR, chegou a R$ 6,5 bilhões destinados por empresas e pessoas físicas para o enfrentamento da pandemia entre 31 de março de 2020 e 28 de fevereiro de 2021. Após crescimento vertiginoso no início da mobilização, as doações estacionaram no final do ano passado. Os dados apontam para um aquecimento diante da fase mais crítica da pandemia. “Desde janeiro temos visto o volume de doações voltar a crescer, mas muito menos do que no início”, avalia João Paulo Vergueiro, diretor executivo da ABCR. A quantidade de doações no início da pandemia, segundo ele, foi inédita e surpreendente. “Em parte a redução se dá porque a capacidade de doação é menor agora, muita gente...

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Vacinação contra a Covid-19 dos Quilombolas da comunidade Sucurijuquara, região isolada do Distrito de Mosqueiro, no Pará (Foto: FramePhoto / Agência O Globo)

Covid-19: maioria da população, negros foram menos vacinados até agora

Apenas 19% dos quase 5 milhões de vacinados no Brasil registrados pelo Ministério da Saúde até sexta-feira eram pretos ou pardos, segundo análise do GLOBO dos dados divulgados pela pasta. O percentual está muito abaixo da parcela da população que se identifica dessa forma: de acordo com o IBGE, 56% da população é negra (preta ou parda). Segundo a pasta, não há registro sobre a cor de 26% dos vacinados — ou seja, mesmo que todos eles fossem pretos ou pardos, o percentual de negros vacinados ainda seria menor que o da população brasileira. Os dados apresentam indícios de que as desigualdades econômicas do país que fizeram dos negros um dos grupos mais desproporcionalmente afetados pela Covid-19 podem estar influenciando também para que pretos e pardos não apareçam entre os primeiros vacinados, sobretudo pela prevalência de profissões em que não se encontram muitos negros, como no campo da medicina. De...

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Membros da Coalizão Negra por Direitos se encontram com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) - Juca Guimarães/Alma Preta

Movimento negro cobra auxílio emergencial de R$ 600 e vacina para todos pelo SUS

Nesta quinta feira (18), a Coalizão Negra por Direitos, uma aliança que reúne movimentos negros de todo o país, realizará manifestações em todos os 27 estados brasileiros e no Congresso Nacional. O motivo da mobilização é a reivindicação de que o governo federal prorrogue a política do auxílio emergencial até o fim da pandemia da Covid-19, com parcelas de ao menos R$ 600. As manifestações trazem também a exigência de que sejam garantidas vacinas de imunização contra Covid-19 para todas e todos pelo SUS (Sistema Único de Saúde), em resistência à sanha do setor privado em abocanhar vacinas. Na última semana, a coalizão, em missão da Campanha pela Renda Básica que Queremos, esteve no Congresso, dialogando com deputados e senadores sobre o tema. Em pronunciamento durante ato no Salão Verde da Câmara dos Deputados, convocado pela Frente Parlamentar Mista de Renda Básica, evidenciamos a necessidade da prorrogação do auxílio com um...

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Coalizão Negra Por Direitos

Carta aberta da Coalizão Negra Por Direitos pela prorrogação do auxilio emergencial de 600 reais até o fim da pandemia e por vacina para todas e todos pelo SUS

Nesta quinta feira, dia 18 de fevereiro, a Coalizão Negra por Direitos, uma aliança que reúne movimentos negros de todo país, realiza manifestações públicas e incidência em casas legistativas em todos os 27 estados brasileiros e no Congresso Nacional. O motivo da mobilização é a reivindicação para que o Governo Federal prorrogue a política do Auxílio Emergencial até o fim da pandemia da Covid-19, com parcelas de ao menos 600 reais. As manifestações trazem também a exigência de que sejam garantidas vacinas de imunização da Covid-19 para todas e todos pelo SUS (Sistema Único de Saúde), em resistência à sanha do setor privado em abocanhar vacinas. Enquanto uma articulação nacional, reúnimos grupos históricos do movimento negro e de mulheres negras e apoiada por organizações progressistas da sociedade civil, atuamos a partir de princípios que visam construir um país justo, sem racismo, discriminação racial e extermínio da população negra. Valendo-se destes...

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Capa do primeiro volume da coleção gratuita da EdUFF.

Série de livros sobre personagens negras no pós-abolição tem download gratuito

A Editora da Universidade Federal Fluminense (EdUFF) acaba de disponibilizar gratuitamente sete e-books que examinam a trajetória e o contexto histórico de oito importantes personagens negros da história brasileira no pós-abolição. São elas: Monteiro Lopes, Eduardo das Neves, Luciana Lealdina de Araújo, Maria Helena Vargas da Silveira, Juliano Moreira, Paulo Silva, Maria de Lourdes Vale Nascimento e João Cândido. Clique aqui para baixar os volumes. Os e-books são acompanhado por um site que disponibiliza diversos materiais – oficinas, vídeos, planos de aula, banco de imagem, em torno de personagens negros biografados. A coleção faz parte do projeto coletivo “Personagens do pós-Abolição: trajetórias, e sentidos de liberdade no Brasil republicano”, contemplado com o Edital “Memórias Brasileiras: Biografias” (n° 13/2015 da Capes). A leitura é voltada para estudantes do Ensino Médio e adultos. “Apesar de grandes contribuições para a história republicana do Brasil, esses personagens tiveram suas vidas silenciadas, esquecidas ou não reconhecidas. Foram homens e...

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A historiadora e militante negra Beatriz Nascimento (1942-1995), cuja vida e pensamento conduzem a narrativa do documentário 'Ôrí' (Foto: REPRODUÇÃO/ORI)

Antes de ‘AmarElo’ de Emicida, estes documentários já contavam a trajetória do negro no Brasil

"Tem um velho ditado iorubá que diz: 'Exu matou um pássaro ontem com uma pedra que só jogou hoje'. Esse ditado é a melhor forma de resumir o que eu tento fazer. Eu não sinto que eu vim, eu sinto que eu voltei. E que, de alguma forma, meus sonhos e minhas lutas começaram muito tempo antes da minha chegada." Assim o rapper Emicida, como é mais conhecido o paulistano Leandro Roque de Oliveira, abre o documentário AmarElo. Lançado em dezembro de 2020 na plataforma de streaming Netflix, o longa metragem celebra o legado da cultura negra brasileira, em meio aos bastidores do show de lançamento do álbum de mesmo nome do cantor, no Theatro Municipal de São Paulo. No filme, Emicida resgata a memória de ícones da história afro-brasileira, como o arquiteto escravizado Tebas da São Paulo do século 18; a Frente Negra Brasileira, primeira organização de ativismo negro...

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Arte por Raquel Batista

O Movimento Negro Organizado Hoje: Vozes da Coalizão Negra Por Direitos #DesenraizandoRacismo

Esta é a segunda matéria de uma série de três sobre a Coalizão Negra por Direitos e dá início a uma série de matérias do projeto antirracista do RioOnWatch. Conheça o nosso projeto que trará conteúdos midiáticos semanais ao longo de 2021—Enraizando o Antirracismo nas Favelas: Desconstruindo Narrativas Sociais sobre Racismo no Rio de Janeiro. Para contribuir com essa pauta, clique aqui. 31 de dezembro de 2020, no último dia do ano, com quase 200.000 vidas perdidas para a Covid-19 no país, em uma pandemia que no Brasil mata mais negros, 81 lideranças de movimentos negros de todo o país gravaram um manifesto, em vídeo, para enviar sua mensagem ao povo brasileiro. Trata-se de mais uma ação de enfrentamento ao racismo da Coalizão Negra Por Direitos, uma articulação com incidência política no Congresso Nacional e fóruns internacionais. A Coalização reúne mais de 150 coletivos, instituições e entidades do movimento negro brasileiro de hoje. No vídeo Manifesto da Coalizão Negra Por Direitos | Por um 2021 Verdadeiramente...

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Marcha em São Paulo em novembro em protesto contra o assassinato de João Alberto Freitas em supermercado do Carrefour.AMANDA PEROBELLI / REUTERS

Nossa fé é antirracista, em defesa das vidas negras!

“Eu vou morrer! Eu vou morrer!” “Eu não consigo respirar!” “Ele não viu que eu estava com o uniforme da escola?” “Por que o senhor atirou em mim?” “Não precisa me matar, senhor...” “Quero a minha mãe!” As frases foram ditas por pessoas diferentes, adultos, jovens e crianças, em ocasiões e locais diferentes e distantes entre si. Estas palavras são gritos de pessoas negras que tiveram suas vidas interrompidas violentamente pelo racismo. Grande parte da construção econômica e social da sociedade brasileira teve como base a escravização de seres humanos indígenas e africanos. Segmentos da elite branca racista desde sempre têm se mantido ligados ao poder político e econômico deste país. O racismo é naturalizado no Brasil, de forma que, a sociedade brasileira está habituada e é conivente com a barbárie que dizima vidas negras. As desigualdades e injustiças sociais que afetam desproporcionalmente a população negra, bem como o assassinato...

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idoso

Que em 2021 possamos entender a importância real dos nossos idosos

"Ele é muito novo para morrer!" Disse a minha filha sobre o meu pai, avô dela. Essa talvez é uma das melhores formas de exemplificar o verdadeiro sentimento que todos nós, enquanto sociedade, deveríamos ter em relação a todas as pessoas idosas nesse atípico mês de dezembro de 2020, o ano que não acabará. A pandemia não deveria matar mais as pessoas idosas quando comparadas a qualquer outro grupo etário. Certamente você que ama ou que cuida de uma pessoa mais velha já se deparou com os atuais discursos preconceituosos sobre as pessoas idosas e talvez tenha recebido mensagens que as mostram em situações que as caracterizam como teimosas, chatas, rabugentas e que "não batem bem das ideias". E também muitas pessoas idosas ouviram horrores sobre quem são e o que ainda estão fazendo nesse mundo. E a resposta é bem simples: sem as pessoas idosas, o mundo deixaria de...

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Bianca Santana (Foto: Natália Sena)

Em vitória para o movimento negro, Bolsonaro é condenado a indenizar jornalista difamada nas redes

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deverá pagar 10.000 reais de indenização a título de danos morais para a jornalista Bianca Santana, colunista do portal UOL, segundo decidiu nesta quinta-feira o juiz Cesar Augusto Vieira Macedo, da 31ª Vara Cível do Tribunal de Justiça São Paulo. A condenação ocorre porque em maio deste ano, o mandatário acusou injustamente a jornalista durante uma live no Facebook de divulgar fake news. O ataque aconteceu na mesma semana em que Santana escrevera um artigo mostrando a relação entre a família e os amigos de Bolsonaro com os acusados de assassinar a vereadora Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson Gomes. No dia 30 de julho, quando Santana já havia levado o caso para a ONU e para a Justiça brasileira, o mandatário pediu desculpas. A decisão ocorre em primeira instância e o presidente poderá entrar com um recurso para revertê-la. O Palácio do...

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Conceição Evaristo, Leci Brandão, Martinho da Vila, Elza Soares, Milton Nascimento e Gilberto Gil estão entre as personalidades que podem voltar à lista da Fundação Palmares (Fotos: Nelson Almeida/AFP; Mauro Pimentel/AFP; Walter Craveiro/Flip; Antonio Cruz/Agência Brasil, Yasuyoshi Chiba/AFP)

Senado aprova decreto que devolve negros à lista de homenageados da Fundação Palmares

O Senado aprovou, nesta quarta-feira (9), um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que derruba uma portaria da Fundação Palmares que havia retirado 29 pessoas da lista de personalidades negras da entidade. Entre os nomes excluídos estavam Gilberto Gil, Milton Nascimento, Marina Silva, Alaíde Costa, Conceição Evaristo, Martinho da Vila, Vanderlei Cordeiro de Lima, e outros. A votação terminou com 65 senadores favoráveis e apenas três contrários ao decreto proposto por Humberto Costa (PT-PE) e Alessandro Reis (Cidadania-SE), com relatoria de Fabiano Contarato (Rede-ES). Até mesmo Fernando Bezerra (MDB-PE), líder do governo na Casa, votou favorável ao projeto. “Nessa votação não se discute aspectos técnicos assinados pelo presidente da Fundação Palmares. O que cabe aqui é fazer a avaliação política do momento que estamos vivendo e a repercussão dessa votação, que se constitui numa posição política do Senado Federal contra qualquer forma de racismo. Eu fico numa posição muito delicada porque,...

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Foto: NAPPY STUDIO

A vida de nossos idosos negros também importa

Novembro é o mês em que parte da população entende a necessidade de pensar na consciência, no corpo, nas condições de vida e na identidade das pessoas negras no nosso país. E é justamente nesse mês que o presidente da República transfere para cidadãos e cidadãs o fracasso do Estado no enfrentamento de uma sindemia, além de uma pandemia. Sindemia pelo fato de ser um acúmulo de diversas crises: sanitária, política (em que impera o negacionismo), econômica (crescente número de desalentados e desempregados), conflitos raciais (isolamento e distanciamento não foram capazes de amenizar as práticas violentas contra grupos sociais desprivilegiados) e a Covid-19. São essas crises que simbolizam as marcas do racismo, pois são as pessoas negras as mais afetadas. Estamos lutando pelo direito de respirar, parafraseando o filósofo camaronês Achille Mbembe, e os idosos negros talvez sejam o grupo a quem esse direito é mais proibido de vivenciar. No...

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A pesquisadora Ana Flávia Magalhães Pinto no Instituto Central de Ciências (ICC), da Universidade de Brasília (Foto: Arquivo Pessoal)

20 de Novembro e a defesa de nossos melhores sonhos de liberdade

Em algum momento entre 1962 e 1976, o poeta afro-gaúcho Oliveira Silveira encarou suas angústias acerca da gravidade dos vazios históricos produzidos pelo racismo brasileiro e deu ao mundo o poema “Pobre Menino Preto”. Os versos publicados no livro "Praça da Palavra" reconstroem as tentativas frustradas de uma criança negra para associar sua imagem às dos heróis disponíveis à época: “brincando com a turma: / se imagina mocinho / não cola / os mocinhos são brancos / como os outros”. Ao querer se inventar Tarzan, é logo derrubado do galho por quem o vê apenas como “chita / macaco / chimpanzé / orangotango”. Não fosse tudo isso cruel o bastante, faltava a ele repertório para defender seu íntimo desejo de ser: “não pode brincar de Zumbi / ou Toussaint-Louverture / porque são heróis de verdade / que ninguém conhece / nem ele mesmo nunca ouviu falar”. O menino com o qual Oliveira...

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ADOBE

20 de novembro: Três motivos para o dia da consciência negra

Vinte de novembro é o dia da consciência negra no Brasil, instituída pela lei nº. 12.519 de 10 de novembro de 2011, mas a pergunta que fica é: como e por que surgiu o dia da consciência negra? É realmente necessário um dia como esse?  Outras indagações e polêmicas que surgem é: “se existe o dia da consciência negra, então por que não existe o dia da consciência branca?” Ou, outros argumentos como, “ isso é racismo dos próprios negros!” A fim de responder todas essas indagações, este artigo se propõe a demonstrar três razões suficientes quanto à necessidade de ter um dia especifico para a consciência negra no Brasil.  A primeira razão será o argumento filosófico e conceitual, o segundo, o argumento histórico e o terceiro, o argumento contemporâneo. A primeira palavra que chama a atenção é o termo CONSCIÊNCIA, pois, para o dicionário de filosofia Nicola Abbagnano, em...

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Foto: REVISTA O MALHO/BIBLIOTECA NACIONAL DIGITAL / EL PAÍS

Há 110 anos, marujos denunciaram chibata na Marinha e racismo no Brasil pós-abolição

O Rio de Janeiro entrou em pânico. Quando correu a notícia de que, da Baía de Guanabara, quatro navios de guerra apontavam seus canhões para a cidade, os cariocas fizeram as malas às pressas para fugir da morte. Na Estação Central do Brasil, os trens para longe da capital da República partiram lotados. Nos bondes com destino aos subúrbios, os passageiros viajaram espremidos, muitos pendurados no lado de fora. O perigo era real. Numa amostra do estrago que eram capazes de provocar, os encouraçados fizeram disparos que mataram duas crianças no Morro do Castelo, no Centro, a poucos metros da Câmara dos Deputados. O senador Ruy Barbosa (BA) contou aos colegas, num discurso no Senado, o horror de ter sido testemunha ocular do ataque naval: — Foi com a minha filha chumbada ao leito, por uma enfermidade que não nos permite sequer movê-la na sua própria cama, que tive esta...

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