quinta-feira, novembro 26, 2020

    Patrimônio Cultural

    Jorge Ben (Foto: Ricelli Piva/Divulgação)

    A canção “Cassius Marcelo Clay” e a obra afrodiaspórica de Jorge Ben

    A efervescência política e cultural que perpassou os cotidianos das populações afrodiaspóricas pelo mundo entre os anos 1960 e 1970, não passou despercebida no Brasil, mesmo em pleno período do regime ditatorial cívico-militar, tendo na obra de Jorge Ben uma de suas mais significativas e originais expressões. Um conjunto estético e político em constante diálogo – sendo influenciado e influenciando – com as modernas contemporaneidades de identidades afrodescendentes que se faziam constituir e manifestar-se pelo mundo, enquanto reflexo daquele período histórico de manifestações desenvolvidas a partir das experiências destas populações situadas no chamado mundo ocidental, desde os processos de revoluções anticoloniais no continente africano; da constituição das cenas de cinema e música moderna africanas pós década de 1950; dos movimentos de literatura e poesia, passando pelas expressões de libertação anticoloniais nas Antilhas e Caribe nos anos 1950/1960; dos movimentos políticos-culturais (Rock and Roll; Bebop; Free Jazz; Soul Music; Movimentos Civis;...

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    Foto: Felipe Benicio

    Caminhada São Paulo Negra concorre a prêmio de impacto social no turismo

    A Caminhada São Paulo Negra, walking tour de resgate da história e cultura negra paulistana realizado pela Black Bird Viagem desde maio de 2018, concorre ao Prêmio Impactos positivos, na categoria impacto social no turismo, realizado pelo site Lugares do Mundo. A experiência é uma das semi-finalistas e depende agora do voto do público para estar na final do prêmio. A votação ocorre aqui https://lugarespelomundo.com/vitrine-impacto-social (canto direito) e vai até 3 de novembro. O prêmio tem apoio da Embratur e informa que “acredita no potencial do turismo do Brasil e que o turismo vai além de apenas uma viagem…”. A categoria impactos sociais engloba projetos e ações que impactam a vida das pessoas e focam em seus objetivos e necessidades. “A sociedade é composta por seus membros e objetivos e toda ação que seja na direção de um mundo melhor e uma sociedade mais justa, pacífica e alegre é um impacto social”, informa...

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    Lewis Hamilton (Pool/Getty Images)

    O maior vencedor da história

    Lewis Hamilton virou tudo o que um piloto de Fórmula 1 "deveria ser" ao avesso. E também está redefinindo o livro de recordes da categoria. Em um mundo em que pautas de sustentabilidade ganham espaço em detrimento de corridas de carros, ele, um piloto de F1, consegue um lugar entre as personalidades mais influentes do mundo, segundo a lista da revista norte-americana Time. Se dos anos 70 para os 90, a categoria viu a transformação do culto 'bon vivant', garanhão, que aceitava correr riscos mesmo que isso significasse morrer na pista, o inglês é o avesso de tudo isso. E acaba de se tornar o maior vencedor da história da categoria. Aos 35 anos, Hamilton chega à vitória de número 92 na carreira e está muito perto de conquistar seu sétimo título mundial — igualando-se a Michael Schumacher — sem ter protagonizado grandes episódios que coloquem sua índole sob judice....

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    Capa do álbum 'Apresentamos nosso Cassiano', de Cassiano — Foto: Reprodução

    A história de Cassiano, o gênio esquecido e ícone da música negra brasileira

    Cassiano tem seu nome marcado na história da música, mas, infelizmente, é pouco conhecido das novas gerações. Sua qualidade como cantor e compositor o coloca no mesmo nível que Tim Maia, porém, injustamente, com menos holofotes. Genival Cassiano dos Santos nasceu em um bairro pobre da cidade de Campina Grande, na Paraíba. Quando criança, aprendeu os primeiros acordes de violão com seu pai, amigo íntimo da fera Jackson do Pandeiro. Ao chegar com a família ao Rio de Janeiro, em meio a um grande processo migratório, Cassiano conseguiu emprego de servente de pedreiro. Nos horários e dias de folga, aproveitava para treinar acordes de violão e bandolim. Durante os anos 60, período em que a música negra, principalmente o soul, passavam a fazer cada vez mais sucesso, o cantor se junta com Hyldon e outros músicos e formam a banda “Bossa Trio” que, mais tarde, se converteria em os “Diagonais”,...

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    Sun Ra e sua Arkestra, 23 de setembro de 1978. Foto: Leni Sinclair/Getty Images |

    Eu sou… Hipólita! Território Lovecraft e a contemporaneidade jazz afrofurista revolucionária de Sun Ra

    A série televisiva “Território Lovecraft” tem gerado uma série de reflexões e discussões acerca de suas problematizações sobre o racismo enquanto elemento fundante e característico dos Estados Unidos da América e, principalmente, dos processos de resistências das populações afrodescendentes em meio a esta realidade. Baseada no livro de mesmo nome, do autor Matt Ruff, que desenvolve uma ressignificação  das principais características da estilística ficcional de H. Lovecraft  - um escritor orgulhoso de seu racismo e misoginia - ao buscar construir os personagens centrais de seu romance enquanto negros, pessoas das mais variadas subjetividades e gêneros, em uma luta constante contra o maior e verdadeiro monstro do Cthulhu (1), que seria o racismo em suas mais variadas formas e infinitos tentáculos.  Nesse sentido, fazendo-se na série ser comum a apresentação de expressões culturais e políticas afrodiaspóricas - em geral à partir de suas ocorrências e influências em território norte-americano, país em...

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    Cena de um baile black no Rio de Janeiro em 1976. A imagem está na capa do livro '1976 - Movimento Black Rio' Almir Veiga

    Como Gerson King Combo e seus bailes black tentaram implodir a democracia racial

    “Dançar como dança um black! Amar como ama um black! Andar como anda um black! Usar sempre o cumprimento black”, cantava Gerson King Combo em sua música mais conhecida. Os versos de "Mandamentos Black" —repetidos depois como grito de ordem por Marcelo D2 em "Qual É", hit nos anos 2000— representavam ideais de toda uma geração. Nos anos 1970, o artista foi catalisador de uma cena conhecida como black rio, um marco na cultura brasileira. Mas o que os tributos ao músico, morto no mês passado, não lembraram é como o abalo sísmico do movimento que ele capitaneou se deu à revelia das forças políticas da época. Tanto a direita, do regime militar, quanto a esquerda revolucionária viam com desconfiança a afirmação da identidade negra. E, enquanto o militares e seus detratores tentavam sufocar essa onda, a black rio foi criando as bases do funk e do hip-hop nacionais, que se...

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    UNICEF lança programas de rádio diários para crianças com histórias da cultura Afro-brasileira

    Para destacar a identidade, os ritmos, crenças e a diversidade da cultura negra no Brasil, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), lança, nesta quinta-feira (8), programas de rádio diários para crianças inspirados na história e na cultura Afro-brasileira. O lançamento acontece em uma live com contadores de histórias nas páginas oficiais do UNICEF no Youtube e no Facebook, às 16h30, horário de Brasília. O conteúdo faz parte do Deixa que Eu Conto, iniciativa do UNICEF para levar histórias, brincadeiras e atividades a crianças e famílias, via rádio e internet, em tempos de coronavírus. Os conteúdos são voltados a crianças em idade de frequentar a educação infantil e em processo de alfabetização (anos iniciais do ensino fundamental). Nesta leva de conteúdos afro-brasileiros, serão 50 episódios que trazem músicas, brincadeiras, curiosidades e histórias inspiradas na história e na cultura Afro-brasileira, apresentados por contadores de histórias negros e quilombolas, incluindo...

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    Dicionário biográfico 'Excluídos da História' reúne 2.251 verbetes sobre personagens raramente estudados pela historiografia oficial do Brasil Foto: Arte sobre fotos de divulgação

    ‘Dicionário dos excluídos’: inspirado em samba da Mangueira, projeto celebra nomes ‘apagados’ da História do Brasil

    Da escola de samba à sala de aula. Esta é a ponte que conecta o carnavalesco Leandro Vieira e a professora Cristina Meneguello. Ele, campeão do carnaval do Rio em 2019 pela Mangueira, com o enredo “História para ninar gente grande”, que exaltou personagens não incluídos no chamado “retrato oficial” da História do Brasil. Ela, parte do corpo docente da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e responsável por convocar milhares de estudantes a tirar a “poeira dos porões”, como cantou a verde e rosa em plena Sapucaí. Inspirados pelo desfile vencedor da agremiação, 6.753 alunos participantes da Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB), promovida pela universidade paulista, criaram, na edição de 2019, o dicionário biográfico “Excluídos da História”, que reúne 2.251 verbetes sobre personagens raramente estudados pela historiografia oficial. No mês passado, o projeto, ganhador do Brasil Design Award na categoria de design de sistema educativo, foi transformado em...

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    Imagem dos santos na cerimônia da festa em comemoração ao dia de São Cosme e Damião no Memorial da América Latina, em São Paulo (SP) - Imagem: Ana Ottoni/28.set.1994 - Folhapress

    O caruru de São Cosme e Damião que é meu e que é seu

    O mundo não é somente formado pelo eu, mas é formado com os outros, compartilhamentos intrínsecos que formam um olhar plural para a realidade (HALL, 2006).  Bem como a identidade cultural do indivíduo é construída entre o eu e o território, entre o eu e a sociedade, entre o eu e a religião etc, é  o que  Stuart Hall (2006), chama de “interação”, nesse sentido, o que penso é alterado numa conversa permanentemente com outras culturas que transcende os nossos desejos e o que essas outras culturas trazem para construirmos  algo juntos. Na Bahia, especificamente, no Recôncavo da Bahia, instituíram, mesmo com o período de escravidão, tradições seculares e de apoio recíproco, e principalmente identidades resistentes, formadas pelo diálogo coletivo e estratégias para vencerem às lutas. Como reafirma, Hall (2006), foi a partir dessa unificação dinâmica e combativa que todos nós conseguimos diretamente ou indiretamente formarmos não um modelo de...

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    Foto: Ignácio Ferreira/ Agência O Globo

    Para que não se deixe de cantar: Jovelina Pérola Negra e o seu samba de sorriso aberto

    Ahhhhh, o samba! Manifestação popular em forma de oração que veio dar no Brasil enquanto expressão de canto e dança para se louvar a esperança de um novo viver, de novos cotidianos livres de toda dor, sofrimento e preconceito. Expressão cultural de resistências e sobrevivências afro-brasileiras ante ao nosso racismo secular, além de memorial vivo de ancestralidades e saberes afro em uma sociedade historicamente estruturada para negar e, em último caso, destruir – física e psicologicamente – toda importância e qualquer virtude de sociabilidades negras.  Muito mais do que uma “simples” forma de canção, é uma oração que portanto visa o reconectar dos seus a algo maior do que as agruras do mundo material, possibilitando-lhes o ato de religar com as suas origens e com a sua potencialidade de sujeito transformador do mundo que o cerca, sendo Jovelina Pérola Negra, nesse sentido, uma de suas maiores vozes e intérpretes, uma...

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    Cena da atriz Lucelia Sergio na peça "Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas". O espetáculo faz parte da trilogia "Dos desmanches aos sonhos", que investigou o impacto da escravidão na maneira de amar dos brasileiros. A trama ilustra a vida de mulheres negras e as questões relacionadas à negritude, afeto, racismo e a solidão nos relacionamentos amorosos. Exibida pelo SESC São Paulo em julho ((Foto: Ana Zumas/Divulgação)

    Quilombo teatral, companhia Os Crespos faz 15 anos de luta antirracista

    2004, Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (USP). Cinco alunos negros se encontram na mesma turma da consagrada instituição de ensino superior. Era algo inédito: eles representavam 25% da concorridíssima classe de apenas 20 alunos. No ano seguinte, outros quatro chegavam ao curso que não tinha sequer uma disciplina voltada para a história ou expressão do corpo negro nos palcos, no cinema ou nas novelas. Era urgente mudar esse cenário. Enquanto a USP se negava a promover diversidade por meio de ações afirmativas no vestibular, surge entre aqueles estudantes a proposta de criar um grupo de pesquisa para mexer nas aulas e na grade curricular de ensino. Não negros foram convidados a discutir a óbvia lacuna. Mas apenas negros participaram da iniciativa. Nascia, assim, a companhia Os Crespos, o primeiro grupo contemporâneo de teatro negro em São Paulo e o mais longevo quilombo do setor na cidade,...

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    Peças da "Coleção da Magia Negra" sendo vistoriadas pela comissão dos direitos humanos da Alerj em 2017 (Foto: Arquivo Pessoal/Flavio Serafini)

    Após 75 anos, polícia libera bens que contam origem do candomblé no Rio 

    Um conjunto de oito anéis pode ajudar a reconstituir linhagens antigas da umbanda e do candomblé carioca. Os itens fazem parte da chamada Coleção da Magia Negra, formada por objetos apreendidos pela Polícia Civil no Rio. Após quase cem anos anos sob tutela da instituição, as 523 peças do acervo tiveram sua transferência para o Museu da República, no Catete, anunciada no começo de agosto. Segundo o historiador da Universidade Federal Fluminense (UFF) Luiz Gustavo Alves, os anéis de metal pertenciam a líderes de religiões afro-brasileiras. Os desenhos e inscrições talhados neles devem colaborar para ampliar a compreensão dos cultos praticados em uma época em que as manifestações religiosas de matriz africana eram alvo de perseguição no país. Além das joias, um grupo de 22 cachimbos é outro destaque da coleção, por, de acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), estar em bom estado de conservação....

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    Ilustração com os grupos Racionais MCs, RZO, DMN e Dexter feita por Jairo Malta

    Como a representatividade impulsionou o rap nas rádios para além da quebrada

    “Hey, hey, hey, nego, você está na sintonia da sua Rádio Êxodos. Eu, DJ Nel, comandando o melhor da Black Music. São 23 minutos de um novo dia. O Japonês do Jardim Rosana manda um salve para o Zezé, pro Chiquinho, pro Kau, pro Ribeiro, pro Tico, Zulu e o Serginho. O Valtinho da Sabin manda um salve aí pro Vandão da Vila do Sapo, e a Kiara do Embu manda um abraço para a Viviane do Sadí. É! O Papau do Parque manda um salve pros manos da 50, e o Adriano do Tamoio manda um salve aí para rapa do Sujeito Suspeito do Paranapanema. E pra você que está pensando em fazer um pião, pegue seu bombojaco e sua touca, porque faz 10°C em São Paulo”. Percebeu? Essa introdução da música “Da Ponte pra Cá”, dos Racionais MC’s, deixa claro como as rádios foram um marco no Rap...

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    Troféu Especial do 40º Prêmio Vladimir Herzog. (Foto: Fernanda Freixosa)

    Laerte, Luis Gama e Sueli Carneiro são os homenageados do Prêmio Vladimir Herzog

    A comissão organizadora do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos – a mais tradicional honraria de jornalismo do país – definiu nesta sexta-feira, 7 de agosto, os homenageados de sua 42ª edição. A cartunista Laerte, o advogado Luiz Gama (in memoriam) e a filósofa Sueli Carneiro foram os escolhidos de forma unânime pelo colegiado composto por 14 entidades ligadas à defesa dos direitos humanos. Veja aqui a lista de entidades na íntegra. Desde 2009, a comissão organizadora do concurso entrega o Prêmio Especial Vladimir Herzog a personalidades pelos seus relevantes serviços prestados à sociedade, pelas contribuições à imprensa e ao jornalismo em geral e pela atuação em defesa da democracia, da paz e da justiça. Ao longo desses anos, já foram homenageados nomes como Dom Paulo Evaristo Arns, Audálio Dantas, Alberto Dines, entre outros. No ano passado, os escolhidos foram Glenn Greenwald, Patrícia Campos Mello e Hermínio...

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    Divulgação

    Contos Valentes – Histórias infantis pretas

    “Contos Valentes – Histórias infantis pretas”, é um projeto idealizado pela atriz Roberta Valente e pelo diretor de arte e ilustrador, Diogo Brozoski, composto por uma série de vídeos curtos para crianças, destacando grandes personalidades negras que brilham no Brasil e no mundo. Interpretando uma contadora de histórias, Roberta apresenta, a cada episódio, uma pessoa negra que se destaca ao longo da história, ou nos  tempos da atuais, em diferentes áreas, como o teatro, a música, a literatura, a ciência ou na luta abolicionista, promovendo um primeiro encontro das crianças com esses nomes. O projeto se constrói com o trabalho de arte e animação de Diogo Brozoski, e com roteiros assinados por Sandra Menezes, escritora e dramaturga, com exceção do episódio sobre Zumbi dos Palmares, cujo roteiro teve livre adaptação pela própria atriz, do livro “Zumbi O Pequeno Guerreiro”, de Kayodê. O primeiro episódio da série “Contos Valentes” traz a...

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    Nelson é filho de Rosa Maria da Conceição e Olympio José de Mattos, casal de cozinheiros que trabalhava e morava na Tijuca - Imagem retirada do site Brasil de Fato

    “Negro, destemido e forte”: Nelson Sargento completa 96 anos

    Quando o menino Nelson Mattos nasceu, na Santa Casa do Rio de Janeiro, em 25 de julho de 1924, os negros já estavam “livres do açoite da senzala”, mas viviam presos “na miséria da favela”, como advertiram os versos de Hélio Turco, Jurandir e Alvinho no desfile de 1988 (Cem Anos de Liberdade, Realidade ou Ilusão?). Àquela época, lutando contra o preconceito das elites e a repressão do regime oligárquico da Primeira República, o samba, sem renegar seu passado rural, buscava se afirmar como expressão musical dos negros humildes que habitavam os morros e cortiços da cidade. De fato é que, desde 1870, estimulado pelos ex-escravos baianos que fizeram do Rio sua morada após a Guerra do Paraguai, o velho batuque da fazenda vinha assumindo sua nova feição urbana, bem mais melódica e sincopada. Após 1888, amplia-se a “Pequena África”, com os escravos libertos das lavouras unindo-se aos negros livres que...

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    O saxofonista norte-americano John Coltrane CHUCK STEWART PHOTOGRAPHY

    Alabama de John Coltrane, o Jazz contra o racismo

    A clássica e triste canção “Alabama” de John Coltrane, um canto emocionante contra o racismo e um grito em favor dos excluídos ao som do saxofone mais conhecido da história do Jazz. A história dos Estados Unidos fez o negro viver o pesadelo americano de uma forma dura e cruel durante muitos anos (e ainda faz). Uma das contribuições mais importantes da cultura afroamerciana para o mundo foi o Jazz. Esse ritmo, criado por escravizados e ex-escravizados, à beira dos riachos, sempre transpareceu a tristeza e luta dos negros por liberdade e igualdade de direitos. Na primeira metade do Século XX era difícil para os negros até adorarem a Deus sendo segregados em igrejas de bairros pobres, sem energia elétrica e instrumentos de qualidade para o louvor. As vozes dos adoradores negros precisavam ser mais ressonantes e a sincronia e arranjos mais bem construídos, pois a música fazia seus corações...

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    Foto: Vinicius Xavier / Divulgação

    Mestre da sonoridade africana, Mateus Aleluia leva os terreiros a seu novo disco

    “Andei céu, terra e mar a procurar meu bisavô”, canta Mateus Aleluia na abertura de seu novo disco, “Olorum”. O álbum é mais um passo na busca de uma vida inteira. “Aquilo que procurei anos atrás, continuo procurando”, diz o artista, que integrou os Tincoãs, grupo que revolucionou a música brasileira adaptando para coros doces os cânticos do candomblé na década de 1970. “É temporal, uma circunstância que nos acompanha. Nesse mundo são poucos que têm a possibilidade de fazer sua árvore genealógica. No nosso caso, não foi bem assim.” Aleluia nem conheceu os avós. Mas ele não está falando só da própria história em “Olorum”. A canção, da mesma forma que quase toda a sua obra, é uma perseguição da ancestralidade pela cultura —em especial a música e a religião. No caso de Aleluia, essas não são coisas separadas. Nascido em Cachoeira, no Recôncavo Baiano —com forte presença de afrodescendentes—,...

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    Embaixada Copa Lord (Foto: Marco Santiago/ND)

    Educação matemática no samba que faz escola

    Que as escolas de samba nos presenteiam todo ano com o maior show da terra – como Didi e Mestrinho eternizaram no samba-enredo da União da Ilha do Governador em 1982 – já sabemos. Também sabemos que as agremiações são espaços de resistência e reinvenção, como bem sintetizaram Evandro Salles, Nei Lopes, Clarissa Diniz e Marcelo Campos. Sabemos, ainda, que o samba é um bonito modo de viver, como diz o poeta Nelson Sargento. Mas será que sabemos que as escolas de samba também são potentes espaços educativos, onde se desenvolvem práticas e aprendizagens (matemáticas)? Imagine se, para além do que já é sabido por todos, soubéssemos que uma escola de samba não se chama “escola” à toa? Que lá se aprende música, costura, economia, matemática, solidariedade… Lá se aprende a aprender e a ensinar! Imagine se soubéssemos que o desfile se constrói com gente muito comprometida,...

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    Reprodução/Facebook

    Assista: Festival Literário de Literatura Negra da Zona Norte de SP-Narrativas para a emancipação

    FELLIN - Festival Literário de Literatura Negra da Zona Norte de São Paulo. O evento será destinado a valorização dos saberes da população africana e afrodiaspórica. Acontecerá a partir dos dias 13 até o dia 17 de julho de 2020. Em 2020 será online, via transmissão YouTube.   Festival Literário de Literatura Negra da Zona Norte de SP-Narrativas para a emancipação Informações: Apresentação 19h - Performance: Sarau Alcova 20h - Mesa 4 - Narrativas para a emancipação Convidadas: Cidinha da Silva e Vilma Piedade - Moderadora: Ingrid Soares 

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