Ao longo de 2025, jovens negras do Ensino Médio das cidades de São Paulo e Taboão da Serra participaram do ciclo formativo O Direito à Educação das Meninas Negras, realizado em Geledés. Os encontros tiveram como foco o fortalecimento da concepção da educação de qualidade como um direito, e que sua realização promova a aquisição de conhecimentos, e autonomia para a construção de projetos de vida no presente e no futuro. Os resultados dos diálogos e atividades realizadas foram reunidas em três produtos audiovisuais: um clipe, um podcast e um vídeo de depoimentos.
Implementado pelo programa de Educação e Pesquisa, o curso tratou de aspectos sobre a educação como direito humano, educação pública de qualidade, a valorização da história e cultura afro-brasileira, sistemas de garantias de direito, território, juventude e cultura.
A iniciativa contou com a parceria de Macambira Sociocultural, uma organização que realiza ações culturais e educativas, identificando e articulando os diferentes recursos dos territórios periféricos. A formação contemplou também o tema Educomunicação, que foi realizada pelo programa de Comunicação de Geledés, a partir da concepção da comunicação como estratégia de discussão e ampliação do acesso a informações confiáveis, e contou também com uma introdução à produção e edição de conteúdos digitais comprometidos com a ética, a privacidade e a não violência.
Durante o processo, as estudantes usaram os equipamentos audiovisuais de Geledés para registrarem suas experiências enquanto meninas negras no ambiente escolar e em seus territórios, abordando também proposições para uma escola mais acolhedora, inclusiva e suas perspectivas de futuro.
Imagens registradas pelas jovens durante o curso
Confira!
Clipe
No clipe, as estudantes ecoam as barreiras impostas pelo racismo e o sexismo, inclusive no ambiente escolar. Entretanto, comunicam resistência, capacidade de sonhar e o direito à educação. Nas imagens, elas constroem uma narrativa de pertencimento e autoestima.
Para a produção do vídeo, as participantes desenvolveram o roteiro, registraram as imagens e experimentaram diferentes equipamentos audiovisuais disponíveis no programa de comunicação. A música foi produzida com apoio de ferramentas de inteligência artificial, o que fez parte das práticas de criação digital.
“As paredes brancas não falam de mim/ Silêncio ecoa, mas eu sigo até o fim/ Olhares cortam, mas não me apagam/ Minha cor é história, chamada que não se apaga”, diz um trecho da música.
Depoimentos

Em um vídeo de quase seis minutos, as estudantes dão depoimentos em relação a temas como religiosidade, cultura, território e juventude. A partir de suas experiências pessoais e visões de mundo, expressam a forma como entendem cada um dos assuntos.
No tema da juventude, por exemplo, a participante Maria Eduarda Campos expressou: “é muito mais do que uma faixa etária, é um processo onde a gente se constrói, onde a gente constrói a nossa identidade, se reconhece e sabe quem é de verdade”.
Já Thayna dos Santos disse: “juventude é todo movimento que transforma ou revoluciona a sociedade de alguma maneira, seja principalmente para o bem”.
Podcast
Em podcast de quase 22 minutos, as estudantes do Ensino Médio compartilham suas experiências no ambiente escolar e em seus territórios, além de sonhos e perspectivas de futuro. A maioria das falas revela um sentimento de insegurança e falta de representatividade nas escolas, onde temas raciais e de gênero nem sempre têm espaço.
A narrativa é estruturada a partir das seguintes perguntas: “Como é a escola que você tem hoje? Dá para se sentir representada e segura?”, “Conte um pouco sobre o seu território?”, “Quais ações você acha que sua escola poderia fazer para que as meninas negras se sentissem mais seguras e protegidas?”, e “Como você se imagina no futuro?”.
Como ações de melhoria nas escolas, foram sugeridas estratégias de inclusão de meninas negras durante todo ano letivo, escuta e acolhimento das demandas das alunas, e realização de rodas de conversa com convidados de diferentes áreas de atuação.