Fundo Baobá e B3 Social realizam evento de boas-vindas para a terceira turma do Programa Black STEM 

06/08/26
Enviado para o Portal Geledés
Iniciativa apoia estudantes negros em graduações no exterior nas áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática com bolsas de estudo

O Fundo Baobá, em parceria com a B3 Social, realizou, nesta terça-feira, 04 de agosto, o evento de boas-vindas para os novos estudantes da terceira turma do Programa Black STEM. Nesta edição, foram selecionados três estudantes aprovados em cursos de graduação em universidades estrangeiras, cujo início do ano letivo ocorrerá ainda em 2026. O programa, criado em 2024, tem como objetivo apoiar a permanência de pessoas negras em cursos de graduação no exterior, especificamente nas áreas STEM, que englobam Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática. A cerimônia de boas-vindas foi realizada na sede da B3, a bolsa do Brasil, localizada na região central de São Paulo. 

Cada estudante receberá uma bolsa de R$42 mil anuais para custear moradia, transporte, alimentação e material acadêmico. A bolsa tem a possibilidade de renovação anual até a conclusão do curso. Os selecionados são: Caio Ramos, natural da cidade do Rio de Janeiro, aprovado no curso de Design, no Dubai Institute of Design and Innovation (DIDI), nos Emirados Árabes Unidos; João Vitor, natural de Cruz das Almas, na Bahia, aprovado no curso de Ciência da Computação, na Northwestern University, nos Estados Unidos; e Quezia Fernanda, natural de Rio das Ostras, no Rio de Janeiro, aprovada no curso de Engenharia Elétrica, na Universidade de Jaén, na Espanha. 

Caio Ramos, que tem 23 anos e ascendência quilombola do Povo Bakongo, por parte de mãe, e de judeus sefarditas, por parte do pai, enviou sua candidatura nos minutos finais após ver um aviso em um grupo de mensagens instantâneas. A conquista trouxe muita

felicidade e a possibilidade de estudar em um lugar que o fará lembrar de seu pai, que faleceu no início do ano, além de abrir novas oportunidades para a sua vida e da família. 

Para Quezia, 19 anos, a seleção abriu as portas para uma vivência inédita de pertencimento, conectando-se a um universo antes inacessível ao lado de pessoas negras e bem-sucedidas. Já para João Vitor, que também tem 19 anos, o programa reflete o ensinamento de sua mãe sobre como a vida abre novas portas quando outras se fecham. Guiado pela ideia de que é preciso ocupar espaços de escolha e de poder, ensinamento aprendido com um professor, ele enxerga no Fundo Baobá a confirmação de que pode mudar não apenas o seu próprio destino, mas também o da sua comunidade. 

Durante o evento de boas-vindas, os estudantes selecionados pelo edital Black STEM foram recebidos por amigos, familiares, mentores, professores e membros da equipe do Fundo Baobá e da B3 Social. Além disso, os estudantes tiveram a oportunidade de conhecer os bolsistas selecionados na edição anterior, e também assistir a um painel com Socorro Guterres, da Assembleia Geral do Fundo Baobá. Os estudantes ainda assinaram o contrato do Programa, junto a familiares e testemunhas em um momento solene da programação. 

“Para a B3 Social, apoiar iniciativas como essa é contribuir para a construção de um futuro mais representativo nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Entendemos que a educação de excelência tem o poder de ampliar horizontes, desenvolver talentos e gerar impacto positivo para toda a sociedade”, comenta Fabiana Prianti, head da B3 Social. 

Giovanni Harvey, Diretor Executivo do Fundo Baobá, comentou a importância do suporte oferecido aos estudantes e disse que a bolsa sinaliza para eles que podem sim tentar o sonho de cursar uma universidade no exterior. “Essa bolsa significa que eles vão ter dinheiro para comprar a passagem e o casaco para enfrentar o frio. Além disso, terão o suporte necessário para a permanência nesses espaços. Para isso, oferecemos também essa ampla rede de apoio para que possam aproveitar da melhor forma possível suas formações.” 

Esta terceira edição marca a consolidação de esforços contínuos que o Fundo Baobá tem feito para ampliar o acesso da população negra ao estudo de excelência. Desde 2024, quando os primeiros bolsistas iniciaram suas jornadas no exterior, o Programa Black STEM tem atuado na construção de pontes para a equidade na educação, transformando o acesso à graduação internacional em realidade concreta e servindo de inspiração contínua para outros jovens negros. Mais do que viabilizar trajetórias individuais, o programa compreende que a presença de pessoas negras nos espaços globais de produção de conhecimento é fundamental para trazer sabedoria enriquecendo o debate acadêmico e garantindo que a inovação científica seja construída a partir de múltiplas perspectivas.

Estudantes desta edição na foto com membros do Fundo Baobá, da B3 Social, parentes, amigos e bolsistas selecionados da edição anterior. Crédito: Thalita Guimarães

“O edital Black Stem é uma celebração do passado, mas também uma resposta ao presente e uma aposta no futuro. É preciso reforçar que nenhuma inovação nasce do nada; lembrar quem veio antes para abrir portas é essencial para a longevidade do conhecimento, pois toda criação carrega uma herança do que já foi vivido, pensado e testado. Celebrar esses jovens negros é relembrar todas as contribuições que cientistas negros brasileiros fizeram em todas as áreas de conhecimento, em especial nas áreas de Ciências, de Tecnologias, Engenharias e Matemática”, afirma Tainá Medeiros, Gerente de Programas do Fundo Baobá. 

A presença de mentores também fortaleceu a rede de acolhimento e trouxe uma visão dos futuros possíveis que podem ser construídos com esses estudantes. Entre os participantes estavam Igor Dantas, professor da UFRB e engenheiro, que trabalha com pesquisa nas áreas STEM; Halisson Paz, doutor pelo IMPA e cofundador do canal Programação Dinâmica; Ana Cecília Sousa, mestre em Estudos Globais e mentora e orientadora pra internacionalização; além de Anna Benite, doutora em Química e professora da UFG e mentora do BSTEM. 

Natanael Conceição, que foi o professor e mentor do jovem João Vitor e enxergou nele o desejo de tornar a educação um projeto central em sua vida, focou sua fala em como é encorajador acessar a universidade fisicamente e do ponto de vista simbólico. “Estamos falando de um compromisso individual e coletivo com a reparação: uma ação realizada no presente que transforma o passado e projeta o futuro. Trata-se de garantir oportunidades para que pessoas negras acessem a universidade, não apenas do ponto de vista físico, mas também no sentido simbólico de pertencer a esses espaços”, afirmou. “Sou da área de História e sei que a história não é linear. Não podemos retroceder – e o retrocesso é um risco real. Estamos em uma disputa por justiça social, mas também por justiça cognitiva, para que outros saberes possam entrar na universidade com a mesma legitimidade e qualidade do conhecimento científico.”


Sobre o Fundo Baobá 

Criado em 2011, o Fundo Baobá é o primeiro e maior fundo patrimonial independente voltado exclusivamente para a promoção da equidade racial para a população negra no Brasil. Desde sua fundação, o fundo atua por meio de investimento em temas prioritários, articulação social e mobilização de recursos que apoiam lideranças, grupos, movimentos, coletivos e organizações negras nas mais diversas regiões do Brasil. Em pouco mais de uma década, o Fundo Baobá já apoiou mais de 1.300 iniciativas, alcançando mais de 1,3 milhão de pessoas de forma indireta. Sua força está no compromisso com uma filantropia ética, transparente, baseada em escuta, corresponsabilidade e permanência. As áreas prioritárias do trabalho do Fundo Baobá são: Educação, Comunicação e Memória, Desenvolvimento Econômico e Viver com Dignidade. 

Sobre a B3 Social 

A B3 Social é a área de investimento social privado da B3 e nasceu com o propósito de impulsionar transformações estruturais na educação pública brasileira. Com atuação nacional, rigor técnico e forte compromisso ESG, a organização mobiliza recursos, parceiros e colaboradores para acelerar iniciativas de alto impacto. Entre 2020 e 2025, apoiou mais de mil iniciativas sociais em todo o país, beneficiando diretamente e indiretamente 11 milhões de pessoas apenas em 2025. Ao longo de sua trajetória, consolidou-se como uma força que inspira o mercado, fortalece o voluntariado corporativo e contribui para a construção de um Brasil mais justo, inclusivo e com oportunidades para todos. 

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