O processo de reconhecimento do Inzo Tumbansi como patrimônio cultural brasileiro avança para uma nova e importante etapa. No próximo dia 26 de agosto, a comunidade receberá a primeira visita técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), dando prosseguimento aos trabalhos relacionados ao processo de tombamento material e de reconhecimento do patrimônio cultural imaterial do tradicional Terreiro de Candomblé Kongo Angola.
A visita foi agendada pela arquiteta Simone Pires, da Superintendência do IPHAN no Estado de São Paulo, que conduzirá os procedimentos iniciais de coleta de dados, levantamento arquitetônico, documentação e registro de informações destinadas a subsidiar tecnicamente o processo de reconhecimento patrimonial do terreiro.
A representante do IPHAN será recebida pelo Tata Nkisi Katuvanjesi, nome colonial de Walmir Damasceno, autoridade tradicional da Comunidade de Matriz Centro-Africana do Terreiro de Candomblé Kongo Angola Inzo Tumbansi e uma das principais lideranças brasileiras na defesa dos direitos dos povos e comunidades tradicionais de matriz africana.
A visita técnica representa um momento de grande relevância para a história do Inzo Tumbansi e para o conjunto das comunidades tradicionais de matriz africana no Brasil. Além do levantamento físico e documental do espaço, os trabalhos permitirão registrar aspectos históricos, arquitetônicos, culturais, religiosos e comunitários que evidenciam a importância do terreiro como patrimônio vivo da sociedade brasileira.
O reconhecimento promovido pelo IPHAN ultrapassa a preservação das edificações e dos elementos materiais do Inzo Tumbansi. O processo também contempla a valorização dos conhecimentos ancestrais, das práticas religiosas, das tradições orais, dos rituais, das formas de organização comunitária e dos saberes transmitidos entre gerações, elementos que constituem parte essencial do patrimônio cultural afro-brasileiro.
Para o Tata Nkisi Katuvanjesi, o avanço desse processo representa um passo histórico na valorização das comunidades tradicionais de matriz centro-africana e no reconhecimento da contribuição dos povos de terreiro para a formação cultural, social e espiritual do Brasil.
Ao longo de sua trajetória, o Inzo Tumbansi consolidou-se como um importante espaço de preservação da tradição Kongo Angola, de promoção dos direitos humanos, de combate ao racismo religioso, de valorização da ancestralidade africana e de diálogo entre comunidades tradicionais, universidades, instituições públicas e organismos nacionais e internacionais.
A visita técnica do IPHAN reforça o compromisso do Estado brasileiro com a proteção do patrimônio cultural afro-brasileiro e representa mais um passo para assegurar que a memória, a história e os saberes preservados pelo Inzo Tumbansi sejam reconhecidos oficialmente como parte integrante da herança cultural do povo brasileiro.
A expectativa é que os levantamentos realizados durante a visita contribuam para o fortalecimento do processo administrativo em curso, consolidando o reconhecimento do Inzo Tumbansi como um dos mais relevantes patrimônios culturais das tradições de matriz centro-africana existentes no Brasil.