Leonardo Vieira vai a delegacia no Rio após sofrer homofobia na web

Ator esteve na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, no Rio, nesta segunda, 9. ‘Quero que passe a ser crime’, disse ator após depoimento.

Por Laís Gomes, para EGO

Após ir até a Comissão de Direitos Humanos para discutir formas de combater a homofobia, o ator Leonardo Vieira esteve, nesta segunda-feira, 9, na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, no Rio de Janeiro, para denunciar os ataques virtuais que sofreu após ser clicado aos beijos em uma boate. Acompanhado de mais duas pessoas, o ator chegou ao local por volta das 15h40.

Na saída da delegacia, o ator conversou rapidamente com a imprensa. “Vim prestar queixa dos ataques homofóbicos que estou sofrendo, a delegacia tem meios de achar essas pessoas que eu tenho. Vou avaliar posteriormente se vou fazer uma queixa crime contra essas pessoas”, disse ele. “O que me fez estar aqui e me expor é ajudar pessoas a não passarem pelo que passei. Quero que passe a ser crime. Tem pessoas que morrem por isso. Estou dando voz às pessoas que não podem ser ouvidas”, disse ele, agradecendo ao apoio: “Fico comovido.”

Segundo a delegada assistente da DRCI, Fernanda Fernandes, que está cuidando do caso, o próximo passo é apurar a autoria dos ataques (vídeo ao lado). “O ator veio até a delegacia fazer registro de ocorrência com relação às ofensas de cunho homofóbico. Foi feito o registro hoje e nós vamos apurar a autoria. Daqui para frente, nós vamos pedir a quebra do sigilo e, a partir daí, identificar a autoria das ofensas”, explicou. “Eles vão responder pelo artigo 140 do código penal, que é o crime de injúria e a pena são de seis meses. Infelizmente, não está abarcado pelo 140 parágrafo 3º, que é injúria e preconceito, ela não abarca as ofensas de cunho homofóbico em razão da orientação sexual”, continuou.

Mais cedo, Leonardo conversou com o EGO sobre a repercussão das fotos. “Não é a exposição de um beijo que me incomoda. Não fiz nada demais. Um beijo é um ato de amor”, disse ele. “Acho que não pode haver desrespeito à dignidade humana, nunca. Nesse caso, são ataques à dignidade e isso independe de credo ou orientação sexual. Eu, como pessoa pública, me sinto na obrigação de tomar à frente disso, de participar desse movimento contra as diferenças, porque a minha voz é mais facilmente ouvida do que a de um menino que é atacado na favela por ser homossexual. Ele talvez nunca seja ouvido, talvez comece a achar, inclusive, que é errado dar vazão ao que ele é de fato”, afirmou.

Nesta segunda, 9, o ator divulgou uma carta aberta direcionada à imprensa, na qual dá seu depoimento sobre o caso. “No dia 28 de dezembro, comemorei meu aniversário e, para celebrar, fui a uma festa privada de um conhecido. Lá reencontrei um amigo que já não mora mais no Brasil  e acabamos nos beijando. Um fotógrafo não perdeu a oportunidade e disparou uma rajada de cliques registrando a situação. O que era para ser um momento meu, acabou se tornando público. No dia seguinte, a foto do beijo entre dois homens estava estampada na capa de um grande site de celebridades e replicada em diversos outros espaços”, escreveu.

“Nunca escondi minha sexualidade, quem me conhece sabe disso. Não estou ‘saindo do armário’, porque nunca estive dentro de um. Também nunca fui um enrustido. Meus pais souberam da minha orientação sexual desde quando eu ainda era muito jovem. No início não foi fácil pra eles, pois somos de famílias católicas e com características bem conservadoras, mas com o tempo eles passaram a me respeitar e aceitar a minha orientação. Eles puderam perceber através da minha conduta que isso era apenas um detalhe da minha personalidade. Eles entenderam que o filho deles podia ser uma boa pessoa, honesto, bom caráter, bom filho, bom amigo, mesmo sendo ‘gay’. Hoje, a única preocupação da minha mãe é que eu não seja feliz. Eu posso afirmar para ela que sou feliz. Tenho um trabalho que me realiza, amigos que me amam e uma família que me conhece de verdade e que me aceita como eu sou, sem hipocrisias. Meu caso não é nem o primeiro e nem será o último”, continuou.

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