Mesmo com rótulo de ‘afeminado’, hétero convicto nunca fingiu ser macho alfa

Ariel é do tipo que troca roupas com a namorada e adora usar gírias gay, sem o menor preconceito

Por Lucas Arruda Do Campogrande News

Ele não gosta de rótulos e menos ainda de utilizar a palavra “afeminado” para se definir, mas parece não ter qualquer problema quando o assunto é ser um hétero com “fama” de gay e receber uma carga pesada de preconceito por isso. Ariel Ribeiro é jornalista por formação, mas foi na arte que se encontrou.

Hoje, trabalha como professor de dança e de canto, além de se apresentar como dançarino em espetáculos. Diz que adora usar gírias gays, anda bastante com amigos e no meio LGBT, adora dançar como se não houvesse amanhã. Por isso, é chamado de gay desde a adolescência e ele mesmo conta que, até hoje, quem o conhece, num primeiro contato, pensa que ele é homossexual. Mas e daí?

Mesmo não tendo o esteriótipo do hétero machão, Ariel afirma convicto que não sente atração nenhuma por homens, até tem uma namorada, a também professora de dança Letícia Pontes, com quem está junto há cerca de dois anos. “Nos conhecemos há uns quatro anos na aula de dança, ficamos amigos um bom tempo até namorar. Por conta dos esteriótipos que nos são impostos achei que ela gostava de mulher pois tinha a parte do lado da cabeça raspada que é um corte típico de lésbicas”, conta.

E contrariando todos os esteriótipos os dois seguem juntos e felizes. “Nós trocamos muitas roupas, sempre ligamos um pro outro pedindo algo. Ela pede minhas camisetas emprestadas, eu uso calças saruel dela, jaqueta, casaco até calça legging já usei. Não temos muitas frescuras em relação a isso”, afirma.

Quando conversa, o dançarino não poupa as gírias gays. Uó, bapho, mana, aqué (dinheiro), entre diversas outras já foram incorporadas em seu vocabulário. “Tem coisas que só uma gíria gay pode traduzir. Se tornou tão usual que utilizo sempre, meus amigos falam muito também. Este é mais um motivo que as pessoas pensam que sou homossexual”, enumera.

Apesar da libertação do hétero padrão em sua vida, Ariel sofreu bastante bullying, principalmente na adolescência, por não ter atitudes consideradas de “macho”. Dois episódios o marcaram especialmente. O primeiro foi quando estava no palco do auditório de sua escola, tinha sido escolhido por sua professora para ajudar a produzir uma peça de teatro, e alguns garotos que estavam no fundo do lugar começaram a gritar viadinho para ele.

“Foi algo sem sentido, gratuito mesmo. Não entendi o que estava acontecendo, aliás, não entendo até hoje, veado nem é um xingamento, não me ofende nem um pouco, mesmo sendo dito de forma pejorativa”, afirma.

Outro caso que se lembra muito bem também aconteceu na adolescência. Ele gostava de uma menina e percebeu que ela também estava começando a ter interesse por ele, até que, do nada, ela passou a ignorá-lo. “Acho que ela começou a acreditar no que falavam, que eu era gay ou foi por não querer ficar sendo perseguida por me namorar. Essas coisas que foram acontecendo me endureceram, fiquei mais forte, hoje respondo a tudo isso com muita ironia”, pontua.

Bem resolvido com sua sexualidade, ele adora ir numa boate gay para dançar. “O pop é muito presente na minha dança, o hip hop, então gosto muito de me divertir dançando em boates voltada para o público hétero é meio difícil conseguir dançar com liberdade”, reflete.

O assédio de outros homens é algo constante nessas festas, mas sem maiores problemas. “Por eu ter essa liberdade, ser mais aberto e receptivo eles acham que sou gay também. Só respondo pra eles: um beijo pra você, mas não curto. Levo sempre na esportiva, não há motivos para ser agressivo”, frisa sem achar que ser gay é algo que mereça tratamento diferenciado.

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