Ninguém sabe onde vai dar, mas podemos contribuir para minorar os erros

Movimentos de massa, como o que vemos hoje no Brasil, não respeitam nada. Certos ou errados, são protagonistas, não fazem autocrítica. Movem-se, simplesmente, conforme a onda, sob os rastros positivos ou negativos absorvidos de quem passou antes.

por Reginaldo Bispo – enviado para o Portal Geledés

Se os caminhos anteriores foram bons e seguros, provavelmente servirão de norte, se ruins, no frigir dos ovos, serão apagados, e sobre eles erigidos novos conceitos, rotas e jornadas.

Certos ou errados, a historia dirá….Mas não há como negar que ao se aparentar cada vez mais com os partidos de direita, se aliando a eles, abandonando os princípios, o programa e a ética popular que o inspirou, o PT – Partido dos Trabalhadores, contribuiu para essa confusão ideológica, política e de valores, descaminhos do qual acusam os manifestantes.

A ausência, neste momento, de uma cultura de esquerda, de mobilização por direitos e por cidadania, é o que justifica o comportamento dessa massa disforme e confusa, que repudia todos os partidos, todas as esquerdas, mesmo quem não tem nada com isso. O medo da mobilização popular pela exclusividade das relações institucionais, os projeto eleitoral de democracia representativa dentro da ordem, da alternância de poder e da governabilidade levaram a isso.

Agora não adianta chorar o leite derramado, nem vestir-se de vermelho e branco, portanto bandeiras….

Haverá um interregno [se continuar toda essa energia], para que amadureçam as ideias e se afunilem as bandeiras, os conceitos e as consciências. Até lá, sem mascaras ou fantasias. Aos poucos, a presença dos símbolos que lembram o passado voltarão a ser tolerados e aceitos.

As praticas e as propostas novas e anteriormente vivenciadas como positivas é que serão aceitas e amalgamadas, servindo de referencia, se não a um novo, a um Brasil melhor.

Cabe a nós, portanto, os “a muito tempo acordados”, ter a competência e a humildade, que não tivemos antes, para nos relacionar com o “levante” dos agora “recém – acordados” e arrogantes protagonistas.

O novo é sempre confuso e ameaçador, aos olhos de quem se arroga referencia, sabedor de tudo.

A iniciativa de nos comunicar com eles, sentir-lhes o sofrimento, as expectativas, entender o que os movem, e contribuir a partir da experiência acumulada [sem a pretensão de sermos os donos da verdade], apontando e criando espaços de troca e aprofundamento da discussão [de modo que não se perca a energia positiva e os rumos], visando uma politização e organização progressiva, rumo a um Projeto Político de Nação Pluricultural e Multirracial, sem o Genocídio Racista, rumo a uma democracia popular, que contemple e beneficie a todos, é tarefa nossa.

-CONTRA O FASCISMO!

-CONTRA O IMPERIALISMO E O CAPITALISMO!

-CONTRA O RACISMO!

-CONTRA O GENOCÍDIO DA POPULAÇÃO NEGRA E INDÍGENA!

-PELA TITULAÇÃO DE TODOS OS TERRITÓRIOS QUILOMBOLAS E INDÍGENAS!

-DEMOCRACIA DIRETA!

-TODO PODER AS ASSEMBLEIAS E CONSELHOS POPULARES!

Reginaldo Bispo, é Coordenador Nacional de Organização do Movimento Negro Unificado.

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