Perdemos o ativista e economista, Mário Theodoro

26/02/26

Nesta quinta-feira, 26 de fevereiro, faleceu Mário Lisboa Theodoro, um dos economistas mais renomados do país. Sua trajetória profissional e acadêmica iniciou em 1980, quando concluiu o curso de Ciências Econômicas na Universidade de Brasília. Anos mais tarde, em 1987, tornou-se mestre em economia pela Universidade Federal de Pernambuco e, em 1998, doutor em Ciências Econômicas na Université Paris (Pantheon-Sorbonne). 

Comprometido com o combate ao racismo e as desigualdades da sociedade brasileira, especializou-se em temas como mercado de trabalho, setor informal e políticas públicas, com ênfase na questão racial. Foi um pensador, escritor e uma liderança fundamental, tendo ocupado diferentes cargos ao longo de sua carreira. 

Entre 1999 e 2016, atuou como pesquisador associado da Universidade de Brasília. Em 2007, ocupou a cadeira de diretor no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), liderando a área de Cooperação e Desenvolvimento. Em 2011, foi nomeado secretário-executivo da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR/PR). Além disso, foi consultor legislativo, no Senado Federal, até abril de 2019. 

Atualmente, era professor no Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos e Cidadania da Universidade de Brasília, com participação no Grupo de Estudo e Pesquisa em Políticas Públicas, História, Educação das Relações Raciais e de Gênero. Em nota divulgada hoje e assinada pelos professores e coordenadores do programa, Vanessa Maria de Castro e Wanderson do Nascimento, a instituição afirma: “Seu debate sobre desigualdade e questão racial foi estruturante para a formação acadêmica do Programa, influenciando pesquisas, orientações e reflexões coletivas. Sua presença contribuiu decisivamente para consolidar uma abordagem crítica comprometida com a transformação social e com a defesa da dignidade humana”.

O Ministério da Igualdade Racial também lamentou a partida do economista. O texto publicado pelo ógão destacou que “além de sua relevante produção intelectual, deixa ainda a reflexão de que, sem uma política de universalidade, a diferença de condições de vida entre negros e brancos seguirá crescendo”.  

Em entrevista concedida a um projeto do Observatório de Análise Política em Saúde, publicada em novembro de 2020, o economista aprofunda essa defesa:

“O crescimento econômico, por si só , sem um Estado regulador , concentra mais do que distribui . Esse é o grande desafio e, dentro desse desafio para discutir a questão da pobreza, da miséria e, principalmente, da desigualdade, nós temos que entender que quando a gente naturaliza a desigualdade, quando a desigualdade deixa de ser um problema, é porque nós temos alguma coisa por trás disso. Nesse caso é o racismo. A questão do racismo é muito mal resolvida, temos um passado de escravidão que nos levou a essa sociedade racista que naturaliza a desigualdade, principalmete a pobreza e a miséria da população negra. Se a gente não enfrentar isso, nunca teremos um país minimamente justo”.

Seu pensamento pode ser lido com mais nos artigos publicados por ele ao longo da vida, assim como no livro “A sociedade desigual: Racismo e branquitude na formação do Brasil”, de 2022. Nesta obra, ele demonstra a centralidade da questão racial na construção e desenvolvimento da sociedade brasileira, explicando de que modo o racismo funcionou e segue funcionando como motor e elemento organizador da desigualdade no Brasil.

Geledés lamenta sua partida e se solidariza com familiares e amigos. 

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