Senadores do Ceará lembram espírito libertário do Dragão do Mar

A contribuição do Dragão do Mar para a abolição da escravatura no Brasil foi destacada pelos senadores que representam o Ceará no Senado: Inácio Arruda (PCdoB), José Pimentel (PT) e Eunício Oliveira (PMDB). Os três sugeriram a sessão especial, realizada nesta segunda-feira (12), para lembrar o centenário de morte do jangadeiro Francisco do Nascimento, conhecido como Chico da Matilde, em referência à sua mãe, a rendeira Matilde Maria da Conceição, e depois imortalizado como Dragão do Mar.

Francisco José do Nascimento liderou o movimento contra o embarque de escravos no porto do Ceará em 1881. A homenagem ao Dragão do Mar ganha relevância ainda maior neste momento em que o país lidera movimento contra o preconceito e pela tolerância, na opinião dos parlamentares, que lembraram episódios de manifestações racistas em estádios na Europa.

“O preconceito continua existindo contra os negros nos estádios de futebol dos países chamados civilizados, o que exige de nós o repúdio permanente e firme”, observou o parlamentar pelo PCdoB.

“Pequenos gestos, pequenas ações podem mudar – e fazer avançar – os rumos de uma cidade, de um estado, de um país. Francisco já dava mostras do espírito libertário do povo cearense, dono da própria vontade, que não aceita imposições, mesmo que partam dos poderosos”, ressaltou Eunício Oliveira.

Pimentel também apontou o espírito libertário do povo cearense ao citar frase de Francisco do Nascimento, no movimento de bloqueio a navios negreiros em Fortaleza: “Não há força bruta no mundo que fizesse o tráfego negreiro ser reaberto no Ceará”.

Conforme os senadores, o movimento dos jangadeiros cearenses contra a distribuição de escravos pelas províncias do Sudeste foi determinante para que o Ceará abolisse a escravatura quatro anos antes da assinatura da Lei Áurea.

Ações afirmativas

As ações promovidas pelo governo federal de promoção da igualdade racial foram lembradas por José Pimentel. Ele citou, entre outros, o Programa Brasil Quilombola, de 2004, que regularizou terras de descendentes de escravos refugiados em quilombos.

Destacou ainda a votação do projeto que estabelece quotas para negros em concurso público. A matéria está na pauta no Plenário do Senado, disse, anunciando que o diálogo entre as lideranças partidárias aponta para o compromisso de aprovar a lei de quotas também para o concurso público.

Da Redação em Brasília
Com Agência Senado

 

 

Fonte: Vermelho 

 

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