Sociedade civil brasileira apresenta propostas para Mecanismo de Transição Justa na ONU

23/02/26

Em fevereiro de 2026, organizações da sociedade civil brasileira apresentaram uma nova submissão à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), no âmbito do Programa de Trabalho dos Emirados Árabes Unidos para uma Transição Justa (United Arab Emirates Just Transition Work Programme – JTWP), iniciativa das Nações Unidas voltada à construção de caminhos para uma transição climática socialmente justa.

“Essa submissão é um ótimo exemplo do trabalho em rede. Mais de dez organizações contribuíram para o documento, o que dá mais força para suas atuações individuais e mais legitimidade para a rede. O documento traduz preocupações relevantes sobre o trabalho do Programa de Trabalho de Transição Justa, como a participação e a inclusividade dos diálogos e a necessidade de abordagens intersetoriais e territoriais, além de apontar possíveis temas para serem debatidos em 2026, como minerais críticos e a operacionalização do Mecanismo de Transição Justa conquistado em Belém”

Stela Herschmann, do Observatório do Clima



O documento apresenta recomendações para orientar a implementação de mecanismos internacionais de transição justa, com foco na integração entre ação climática, direitos humanos e redução das desigualdades estruturais — especialmente em países do Sul Global.

Geledés fez uma avaliação positiva sobre a aprovação do JTWP.

Entre as sugestões apresentadas pelas organizações está a necessidade de fortalecimento da coerência entre políticas climáticas e políticas de proteção social e trabalho decente. O documento destaca que estratégias de descarbonização devem ser acompanhadas por medidas que assegurem segurança econômica, geração de emprego e proteção de direitos para trabalhadoras e trabalhadores impactados pela transição energética e ecológica.

A submissão também propõe o fortalecimento da participação social nos processos de planejamento e implementação de políticas de transição justa, garantindo o envolvimento significativo de comunidades afetadas, povos indígenas, populações negras, juventudes e trabalhadoras e trabalhadores. O objetivo é assegurar que decisões sobre caminhos de desenvolvimento de baixo carbono não sejam tomadas de forma centralizada ou excludente.

Outro eixo abordado é a necessidade de financiamento adequado e acessível para países em desenvolvimento, incluindo mecanismos que viabilizem a implementação de políticas públicas orientadas pela justiça climática. As organizações destacam que a ausência de apoio financeiro internacional pode limitar a capacidade de Estados nacionais de promover uma transição que enfrente desigualdades históricas relacionadas à raça, gênero, território e classe.

A submissão integra o processo internacional que busca consolidar, ao longo de 2026, os elementos de um possível Mecanismo de Transição Justa no âmbito da Convenção do Clima. O tema ganha centralidade no caminho rumo à COP30, que será realizada em Belém, e deve orientar debates sobre desenvolvimento sustentável, inclusão social e ação climática no contexto brasileiro e internacional.

Compartilhar