quinta-feira, novembro 26, 2020

    Tag: escravidão

    Divulgação

    Por que é errado dizer que “os negros escravizaram os negros”?

    Quem nunca ouviu alguém falar que os negros escravizaram os próprios negros? Esse é um dos principais argumentos utilizados por pessoas racistas para deslegitimar os movimentos negros, para desqualificar as lutas das populações negras ao longo do tempo e para até mesmo destituir Zumbi dos Palmares da condição de herói nacional. As frases proferidas pelo senso comum mais utilizadas nessas situações vão na seguinte direção: “O racismo não é culpa dos brancos, pois os negros escravizaram os próprios negros”. Ou ainda: “Cotas étnico-raciais não são dívida histórica, pois foram os negros que venderam e escravizaram os próprios negros. Então, a culpa da escravidão é da própria população negra”.  Em 2018, meses antes das eleições presidenciais, o então candidato à presidência Jair Bolsonaro, ao discutir cotas étnico-raciais no programa Roda Viva, disse que era contra a política de cotas, pois “ele nunca escravizou ninguém na vida” e que “o português nem ...

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    Arquivo Pessoal

    “Para os alfinetes de Francisca!”: laços de solidariedade entre africanas e crioulas no Recife escravista

    Era manhã de segunda-feira, dia 13 de novembro de 1854, quando a “preta da Costa da África” Antônia Monteiro, de nação nagô, compareceu ao cartório do tabelião Porto Carreiro, na cidade do Recife, capital pernambucana, para registrar seu testamento. Entre suas vontades, declarou que deixava a Antônio da Silva os móveis de sua residência; às “viúvas e órfãs pobres e honestas, cuja capacidade fosse examinada pelos seus testamenteiros”, o produto da venda de sua casa própria depois de deduzidas as despesas de seu legado; a Victoria e a Joana Monteiro, 5$000 réis a cada uma respectivamente. E, a Francisca a quantia de 10$000 réis “para os seus alfinetes”.  Registro de Testamento de Antônia Monteiro (fotografia de Valéria Costa) Registro de Testamento de Antônia Monteiro (fotografia de Valéria Costa) O que seriam os alfinetes de Francisca, senão os pequenos gastos ...

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    Ilustração de Solitude - Divulgação/Imagem retirada do site Aventuras na História)

    Paris anuncia estátua em homenagem a heroína dos escravizados de Guadalupe

    No último sábado, 26, Paris inaugurou um parque onde será inserida a estátua de Solitude, uma mulher negra grávida que enfrentou os horrores do período em Guadalupe, Caribe, no século 19. A inauguração foi realizada por Anne Hidalgo, prefeita da cidade. Filha de uma escrava africana com um marinheiro branco, Solitude se tornou uma “histórica heroína dos escravos de Guadalupe”, disse a cidade em comunicado. O monumento em homenagem a Solitude será colocado no jardim, que também recebeu o nome da mulher. Segundo Anne, a heroína foi uma "mulher que, por sua valentia e seu compromisso com a justiça e a dignidade, abriu junto com outros o caminho para uma abolição definitiva da escravidão na França". A prefeita também falou sobre a escultura: "Em breve, uma estátua desta heroína, a primeira de uma mulher negra em Paris, será colocada aqui". Quem foi Solitude? Presa e condenada à morte em 1802, ...

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    Imagem retirada do site Racismo Ambiental

    Antônio Bento de Souza e Castro: O Chefe dos Caifazes

    Escrita por Luiz Antônio Muniz de Souza e Castro, seu bisneto, e por Debora Fiuza de Figueiredo Orsi, “A Redenção de Antônio Bento” (Reality Books) é a primeira biografia do juiz branco abolicionista que ajudava negros escravizados a fugirem do cativeiro em São Paulo. No texto abaixo, o autor fala um pouco sobre ele: “Sem dúvida alguma somos, Débora e eu, hoje no Brasil as pessoas mais habilitadas a falar sobre Antônio Bento, meu bisavô, depois de mais de uma década de pesquisas sobre a obra e vida deste herói tão pouco valorizado pela historiografia do Brasil. Podemos garantir que os leitores e estudiosos ficarão encantados com o que encontrão na biografia, pois nem só conhecerão detalhes que até hoje permaneceram sepultados em documentos da época, como também vem de forma definitiva esclarecer equívocos sobre sua vida que por falta de pesquisa foram sendo repetidos ao longo dos anos. “Esse descuido, perdoável ...

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    Foto: Getty Images

    Porque falamos tão pouco (ou quase nada) sobre o legado da escravidão negra nos estudos em Administração?

    “Nesta história não há perpetradores..., apenas vítimas” (Santos, 2008, p. 165) Em seu artigo “The repressed memory of Brazilian slavery” (“A memória reprimida da escravidão brasileira”), a autora Myrian Sepúlveda dos Santos faz um parelelo entre a Psicanálise e os resquícios da escravidão negra na cultura e na socidade brasileira. A autora comenta que na Psicanálise, estudiosos argumentam que vítimas de experiências traumáticas mantém comportamentos compulsivos ou de auto-destrução, e ainda os transmitem para as gerações seguintes, pelo fato de não terem a completa compreensão da experiência que tiveram. Um exemplo deste cenário é encontrado entre sobreviventes do Holocausto. Pesquisados que analisaram testemunhos de sobreviventes observaram que muitos destes indivíduos ficaram presos aos eventos traumáticos pela impossibilidade de se distanciar do evento e entender o seu significado. Daí, divididos entre contar sua história e a impossibilidade de compreendê-la, muitos permaneceram em silêncio (Santos, 2008).  A autora faz esta análise das ...

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    Mulheres de luta: as mães de ingênuos por força da Lei do Ventre Livre

    Em 1880, um número considerável de mães solteiras escravizadas com filhos menores que viviam no Rio de Janeiro, o Município Neutro, recebeu carta de alforria graças aos recursos do “Fundo de Emancipação de Escravos”. O fundo foi um instrumento criado por meio da Lei n. 2.040, de 28 de setembro de1871 – aquela que ficou conhecida como a Lei do Ventre Livre. Ele tinha por fim reunir recursos para a libertação de quantas pessoas escravizadas fosse possível nas províncias e na capital do Império, também chamada de Município Neutro ou corte. Sendo assim, o registro de 271 mulheres alforriadas na capital imperial nos é valioso sob duas perspectivas.  Primeiramente, o dado chama atenção pelo fato de elas constituírem uma das categorias familiares que deveriam ser priorizadas no acesso aos recursos pecuniários. Ou seja, de acordo com os critérios de classificação utilizados por uma junta constituída para qualificar, selecionar ou excluir ...

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    Imagem retirada do site IAB

    IAB aprova em sessão histórica parecer favorável à reparação da escravidão

    A advogada encaminhará o parecer aos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (CFOAB), Felipe Santa Cruz; ao ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, e ao ministro-chefe da Casa Civil, general Braga Netto. Conforme o documento, “o objetivo da reparação da escravidão é reconstruir o modo de funcionamento da democracia brasileira e garantir a igualdade étnica-racial no exercício da cidadania, tendo como base o respeito à dignidade humana e o reconhecimento dos traumas da escravidão negra”. Os membros da comissão realizaram uma profunda análise jurídica da causa e das consequências do racismo estrutural e institucional. Eles discutiram a adoção de medidas que possam extinguir os resquícios da escravidão do cotidiano do País. Segundo Humberto Adami, “o parecer apresenta os fundamentos que legitimam a reparação da escravidão e destaca importantes ações afirmativas já adotadas, como ...

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    Bandeira da Revolta de Búzios Imagem: Imagem Ilustrativa/Retirada do site UOL

    Pauta racial marcou projeto de revolução democrática no Brasil há 222 anos

    Em 12 de agosto de 1798, ou seja, há exatos 222 anos, iniciava em Salvador uma tentativa de revolução democrática e popular, reunindo escravizados, soldados e trabalhadores como ourives, artesãos, pedreiros e alfaiates. Inspirados nos ideais de liberdade e igualdade que haviam derrubado a monarquia francesa em 1789, os revoltosos baianos pretendiam um levante contra o poder colonial português, a proclamação de uma república e o fim da escravidão. A Revolta dos Búzios, como foi definitivamente nomeada pelo seu caráter racial, mostrou-se mais radical nos propósitos de independência do Brasil e mais republicano do que a Inconfidência Mineira, de 1789, porque trazia os anseios das classes subordinadas do Brasil colonial, incluindo na liderança negros e mestiços que sofriam discriminação social e racial, como os escravizados, trabalhadores explorados e os soldados que não conseguiam promoção por causa da cor. Ao longo da história, o movimento ganhou diversas denominações como Conjuração Baiana, ...

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    Mais de 12 milhões de africanos foram transportados à força de um lado ao outro do Atlântico para trabalhar como escravos nas Américas (Imagem: Reuters)

    Mapeamento genético revela novas origens de escravizados no Brasil

    Com base em amostras de DNA de 50,2 mil pessoas nas Américas e na África, coletadas de um banco de dados de milhões de amostras de empresas e projetos genômicos, pesquisadores da companhia 23andMe e da Universidade de Leicester (Reino Unido) traçaram um paralelo entre o perfil genético de descendentes de escravizados e os documentos históricos disponíveis sobre a escravidão. Os resultados foram publicados no periódico American Journal of Human Genetics. Muitas das conclusões dos pesquisadores se aplicam à população afrodescendente do Brasil. A maioria das conclusões é consistente com o que historiadores já sabiam a partir dos registros históricos dos navios que transportavam os escravizados, mas a análise genética traz novidades. Ubuntu: o que significa filosofia africana e como pode nos ajudar nos desafios do hoje "O deslocamento forçado de mais de 12,5 milhões de homens, mulheres e crianças da África para as Américas entre 1515 e 1865 teve ...

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    Luiz Gama (1880) Imagem: Wikipédia Commons

    Após ser ilegalmente escravizado, Luiz Gama fez dos jornais seu espaço estratégico

    No momento em que as lutas antirracistas mobilizam, em escala global, reflexões sobre os significados profundos de expressões como “racismo estrutural”, “vidas negras importam” e “parem de nos matar”, a coletânea Lições de resistência: artigos de Luiz Gama na imprensa de São Paulo e do Rio de Janeiro, com textos publicados entre 1864 e 1882, oferece conteúdo bastante apropriado para o público brasileiro. O livro, organizado por Ligia Fonseca Ferreira, figura como uma ferramenta relevante para o diálogo com o passado interessado no entendimento das duradouras dinâmicas de violência cometidas contra a população negra no país. Última nação das Américas a abolir o escravismo, após ter absorvido o maior contingente de mulheres e homens africanos escravizados via tráfico transatlântico, o Brasil assistiu aos esforços de representantes da elite nacional, marcadamente branca, para instituir narrativas históricas que alegavam a vigência de uma “escravidão branda” e de uma sociedade remida do “ódio ...

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    Entre 1831 e 1850, navios com a bandeira norte-americana corresponderam a 58,2% de todas as expedições negreiras com destino ao Brasil (Imagem: SLAVERYIMAGES )

    Como os EUA lucraram com tráfico de africanos escravizados para o Brasil

    Pesando 122 toneladas e com um valor estimado em US$ 15 mil dólares, a Mary E. Smith foi construída em Massachusetts especificamente para o tráfico negreiro. Antes mesmo de deixar Boston rumo à África, no dia 25 de agosto de 1855, a escuna chamou a atenção das autoridades britânicas e norte-americanas. Houve até uma tentativa de prisão na saída, mas o capitão, Vincent D. Cranotick, conseguiu expulsar os intrusos e partir. Poucas embarcações do tráfico foram tão monitoradas quanto a Mary E. Smith. A Marinha no Rio de Janeiro, ao receber a correspondência dos EUA, alertou oficiais britânicos, brasileiros e americanos sobre a chegada iminente da escuna. Ao se aproximar da costa, foi abordada pelo navio de guerra Olinda e levada para Salvador, na Bahia. A situação era preocupante. Majoritariamente jovens com entre 15 e 20 anos, os africanos padeciam de diversas doenças — nos 11 dias de viagem entre ...

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    O deputado lembra que "o projeto prevê a criação do 'Museu da História da Escravidão e Invençãoda Liberdade (Foto: Ascom)

    PL que determina a retirada de estátuas de escravocratas em espaços públicos é apresentada na Bahia

    A Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) recebeu projeto de lei de autoria do deputado Hilton Coelho (PSOL) que determina a retirada de estátuas, monumentos, placas, ou toda e qualquer outra forma de homenagem ou valorização de figuras históricas que estiveram ligadas ao comércio escravagista com a África. Deve ser feita a retirada dos prédios, espaços públicos, ruas, rodovias, viadutos e logradouros, e de toda e qualquer obra ou bem público do Estado da Bahia. Essas peças serão encaminhadas para um Museu estadual criado para este fim e também previsto no projeto de lei. De acordo com o projeto uma comissão elaborará relatório acerca dos principais personagens históricos que contribuíram para a escravização humana no Brasil, no período de 1500 a 1888. Identificará, também, a localização das peças que se refiram a tais personagens históricos. “Com a aprovação de nosso projeto, fica proibida a atribuição de nomes d e tais personagens, ...

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    Alberto Henschel (1867). (Reprodução/Sul21)

    O genocídio do negro brasileiro: uma (re)leitura para espaços-tempos de pandemia

    O transcorrer do mês de maio no Brasil, nos impele enquanto sujeitos negros e negras, a refletir criticamente acerca de nossas trajetórias, no contexto denominado de pós-abolição, segundo o qual, afirma um dos autores clássicos da sociologia brasileira, “o negro permaneceu sempre condenado a um mundo que não se organizou para tratá-lo como ser humano e como “igual” (FERNANDES, 1972 p.15). Diante desta questão, bem como no contexto da crise pandêmica (COVID-19), escancara-se mais uma vez, as referidas condições de reprodução da existência e sujeição da população negra no país, diante de sua posição de ser um objeto visto por um olhar tortuoso, conforme problematizou o geógrafo negro baiano Milton Santos (1926-2011). Tais elementos, nos instigam a uma (re)leitura – no sentido de produzir uma interpretação e de indicar uma leitura, sobretudo às gerações mais jovens, que vivem desde a formação territorial brasileira – no âmbito de um trabalho de grande relevância. Trata-se da obra O Genocídio do Negro ...

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    (THE NEW YORK PUBLIC LIBRARY DIGITAL COLLECTIONS)

    A história de três escravos africanos durante o colonialismo espanhol, contada por seus ossos – ScienceDaily

    Apesar da infâmia do comércio transatlântico de escravos, a pesquisa científica ainda precisa explorar completamente a história dos africanos escravizados trazidos para a América Latina. Em um estudo publicado no dia 30 de abril na revista Biologia Atual, os cientistas contam a história de três escravos africanos do século XVI identificados em um cemitério em massa na Cidade do México. Usando uma combinação de análises genéticas, osteológicas e isotópicas, os cientistas determinaram de onde na África eles provavelmente foram capturados, as dificuldades físicas que experimentaram como escravos e que novos patógenos eles podem ter carregado com eles através do Atlântico. Este estudo mostra uma imagem rara da vida dos escravos africanos durante a colonização espanhola inicial e como sua presença pode ter moldado a dinâmica da doença no Novo Mundo. “Usando uma abordagem interdisciplinar, desvendamos a história de vida de três indivíduos sem voz que pertenciam a um dos grupos ...

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    ONU: ‘Só avançaremos quando confrontarmos juntos o legado racista da escravidão’

    Em uma mensagem em vídeo, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, marca nesta semana o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão, lembrado anualmente a cada 25 de março. no Nações Unidas Ele pediu que todos se manifestem contra todas as formas de racismo e manifestações de comportamento racista: “Precisamos, urgentemente, desmantelar as estruturas racistas e reformar as instituições racistas. Só avançaremos quando confrontarmos juntos o legado racista da escravidão.”  Em uma mensagem em vídeo, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, marca nesta semana o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão, lembrado anualmente a cada 25 de março. “Este memorial emocionante é um tributo a mulheres, homens e crianças que sofreram e morreram após serem forçados a atravessar o Atlântico em navios com escravos. Este foi um dos maiores crimes na história da humanidade”, disse Guterres. O tema deste ano para a data é: ...

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    DJAMILA RIBEIRO LANÇA NOVO LIVRO, "PEQUENO MANUAL ANTIRRACISTA" (FOTO: ARQUIVO PESSOAL)

    Djamila Ribeiro: “Somos um país que nunca aboliu materialmente a escravidão”

    Em entrevista, a filósofa fala de seu livro ‘Pequeno Manual Antirracista’ e dos desafios para o movimento negro no Brasil de Bolsonaro Por Ana Luiza Basilio, do Carta Capital DJAMILA RIBEIRO LANÇA NOVO LIVRO, "PEQUENO MANUAL ANTIRRACISTA" (FOTO: ARQUIVO PESSOAL/Retirada do site Carta Capital ) A filósofa americana Ângela Davis já anunciava nos idos da década de 60: “Numa sociedade racista, não basta não ser racista, é necessário ser antirracista”. A afirmação da ativista é detalhada por Djamila Ribeiro em sua mais recente obra literária, “Pequeno Manual Antirracista”, lançada no final de 2019. No livro, a filósofa e ativista brasileira convoca os leitores a reconhecerem o racismo enquanto estrutural e a perceberem como ele se manifesta em diferentes dimensões do cotidiano, passando pelo foro individual, cultural, econômico e político. Em entrevista, Djamila também fala sobre os desafios do País frente à agenda de equidade racial e ...

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    Lima Barreto na época da 1ª edição do Recordações do Escrivão Isaías Caminha (Agência Brasil), e detalhe de crônica inédita do escritor encontrada após sua morte (Biblioteca Nacional) – Fotomontagem: Jornal da USP

    Lima Barreto: literatura que se confunde com vida pessoal denuncia racismo

    Historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz mostra como a “escrita de si” de Lima Barreto denunciou perseguições racistas e o fim de uma utopia de inclusão que não se concretizou no fim da escravidão Por Margareth Artur, do Portal de Revistas USP Lima Barreto na época da 1ª edição do Recordações do Escrivão Isaías Caminha (Agência Brasil), e detalhe de crônica inédita do escritor encontrada após sua morte (Biblioteca Nacional) – Fotomontagem: Jornal da USP Lima Barreto, autor de Triste fim de Policarpo Quaresma, hoje um clássico da literatura brasileira, nasceu no dia 13 de maio de 1881, e tomou a data como “predestinação” em sua vida, visto toda sua obra representar “uma forma de revisão crítica do período em que existiam escravizados no Brasil e do contexto do pós-emancipação“. Em artigo na revista Estudos Avançados, a professora da USP Lilia Moritz Schwarcz analisa como, em boa ...

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    O Brasil precisa acertar as contas com os escravizados

    Anúncios da época da escravidão mostram por que o Brasil precisa acertar as contas com o passado Por Alexandre Andrada, Do The Intercept Brasil Foto: Domínio público AS ELITES BRASILEIRAS parecem ter um hábito secular de pôr uma pedra sobre o nosso passado. Apesar de sermos o país com a maior população negra fora da África, quase não há museus sobre o tema e mal estudamos o assunto nas escolas. O desconhecimento do brasileiro médio em relação aos horrores e às consequências da escravidão é enorme. O esquecimento não é um acaso, é um projeto.   Leia a matéria completa no The Intercept Brasil    

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    Comissão do Congresso dos EUA discute reparações históricas por escravidão negra

    Audiência ressalta "desigualdade persistente" e políticas de segregação que estiveram vigentes até os anos 1960 Do Brasil de Fato Ator Danny Glover participou de audiência e pediu "mudanças radicais na estrutura" dos EUA (Foto: American Civil Liberties Union/Reprodução) “É impossível imaginar a América sem a herança da escravidão, que reinou por 250 anos nessa terra. Quando ela acabou, esse país poderia ter estendido os princípios de vida, liberdade e busca da felicidade a todos. Mas isso não aconteceu. Por um século após sua abolição, os negros foram sujeitados a uma incansável campanha de terror”. A fala acima, do escritor Ta-Nehisi Coates, autor do influente texto Em Defesa das Reparações , de 2014, aconteceu durante uma sessão do Subcomitê de Constituição, Direitos e Liberdades Civis, do Congresso dos EUA que, nesta quarta-feira (19), debateu possíveis políticas de reparação histórica por conta do seu papel no tráfico transatlântico de ...

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    Um vendedor de empanadas em seu posto, em Buenos Aires, em 1937 (ARQUIVO GERAL DA REPÚBLICA DA ARGENTINA INV: 13862

    Por que a escravidão foi praticamente apagada da história de Chile e Argentina: ‘Aqui não há negros’

    "Muitas vezes, no meu próprio país, passo por estrangeira por causa da minha cor, do cabelo encaracolado, e tenho que dizer com orgulho que sou chilena, tendo que suportar a descrença de muitos e muitos." Por Jaime Gonzále, da BBC  Estas palavras da ativista Marta Salgado descrevem a realidade que muitos afrodescendentes enfrentam tanto no Chile quanto na vizinha Argentina, países onde a seguinte frase se tornou comum: "Aqui não há negros". (ARQUIVO GERAL DA REPÚBLICA DA ARGENTINA INV: 13862) Embora seja verdade que, historicamente, a porcentagem de população negra nesses dois países tenha sido muito menor do que em outras nações latino-americanas, as coisas eram diferentes na época da colônia. Segundo registros históricos, há 200 anos, em cidades como Buenos Aires e Santiago, os negros chegaram a representar mais de 20% da população, número que pode chegar a 60% em outros locais onde negros escravizados traficados da África eram ...

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