quarta-feira, fevereiro 1, 2023
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Abdias Nascimento candidato ao Livro de Aço dos Heróis Nacionais

O Livro de Aço dos Heróis Nacionais, do Panteão da Pátria Tancredo Neves está localizado na Praça dos Três Poderes, em Brasília e homenageia históricas personalidades, como heróis da nação brasileira.

Históricas personalidades que sintetizam os ideais de liberdade e autodeterminação em prol da pátria amada, salve, salve.

Tu liberdade formosa!

Abdias Nascimento, agora repousando no solo sagrado de Zumbi, é mais um ícone negro da luta pela construção de uma nação justa.

Abdias um homem cuja obra e atuação política, ao longo dos últimos 97 anos, são essenciais para a afirmação da identidade afro-brasileira.

Foi o primeiro diplomado na pós-graduação do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB) (1957).

Nos anos trinta ele participou da Frente Negra Brasileira e organizou o Congresso Afro-Campineiro. Criou na penitenciária de Carandiru o Teatro do Sentenciado e ajudou a fundar o Jornal dos Prisioneiros (1943).

Fundou no Rio de Janeiro, em 1944, o Teatro Experimental do Negro e editou seu jornal Quilombo. Organizou a Convenção Nacional do Negro, que propôs à Assembléia Nacional Constituinte de 1946 um dispositivo definindo a discriminação racial como crime de lesa-pátria. Organizou o 1º Congresso do Negro Brasileiro (1950).

Manteve contato com os movimentos de libertação africanos e com o movimento pelos direitos civis e direitos humanos dos negros nos estados unidos.

Alvo da repressão policial do regime militar, quando foi aos Estados Unidos ele não pôde retornar ao Brasil em razão do ato institucional nº. 5 promulgado em 1968. Durante 13 anos, viveu nos Estados Unidos e na Nigéria.

Introduziu a população negra brasileira e a denúncia do racismo no Brasil em eventos do mundo africano e Diáspora como o 6º congresso pan-africano; 2º Festival Mundial de Artes e Culturas Negras e Africanas; os 3 Congressos de Cultura Negra das Américas.

Desenvolveu extensa obra artística com temas da cultura religiosa e resistência negra na diáspora.

Exerceu os cargos de Deputado estadual, Deputado federal e Senador da república Federativa do Brasil.

Pioneiro na militância contra o racismo no Brasil e segundo o jornalista Bruce Weber New York Times, o mais importante jornal norte-americano: “Abdias Nascimento não teve medo de falar para as pessoas que a democracia racial era um mito. E disse isso por 60 anos”, afirma Telles, acrescentando que Abdias se tornou uma lenda.

Reconhecer os grandes feitos de Abdias Nascimento, em sua frente de luta em defesa dos direitos fundamentais da população negra é reverenciar a concepção de democracia em que a justiça social seja uma tônica.

Uma democracia que, não mais nos exponha a um exílio involuntário.

Por acreditar no direito de cada pessoa ser livre, Abdias Nascimento passou 13 anos no exílio!

Transformar Abdias Nascimento em herói nacional é criar as possibilidades de entendimento da memória e luta da ancestralidade, como afirmação do povo de pele preta na historiografia brasileira.

Abdias Nascimento traz um currículo em que o respeito é a base de sustentação para a construção de uma sociedade produtiva e agregadora, uma espécie de substrato social comum a todas as pessoas.

Durante a cerimônia de deposição das cinzas, em 13 de novembro no solo sagrado de Palmares, em Alagoas e diante do público presente, o Projeto Raízes de Áfricas, lançou a candidatura de Abdias Ao livro dos heróis brasileiros.

Esse é o começo de uma nova caminhada que vai precisar de muitos braços.

Você vem?

 

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