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Advogada cria TamoJuntas, coletivo para atender gratuitamente mulheres vítimas de violência

A ideia inicial da baiana Laina Crisóstomo era orientar juridicamente mulheres com esse perfil, mas a demanda foi tão grande que hoje o serviço se espalhou por todas as regiões do país, com acompanhamento psicológico, social e pedagógico

Por Lucas Vasques no Fórum

Laina Crisóstomo: “A gente sobrevive porque coloca em prática o feminismo e a sororidade, dedicando parte de nosso tempo à causa” – Foto: Reprodução/Facebook/Laina Crisóstom

Uma iniciativa isolada de uma advogada baiana, que visava ajudar juridicamente algumas mulheres em situação de vulnerabilidade vítimas de violência, acabou ganhando dimensões nacionais. Hoje, com dois anos de existência, presta serviços em todas as regiões do Brasil, reunindo uma equipe de 70 voluntárias. O TamoJuntas presta assessoria multidisciplinar (jurídica, psicológica, social e pedagógica), totalmente gratuita, para mulheres que sofreram com agressões ou outros atos de violência ou que necessitam de auxílio jurídico ou social.

A idealizadora do coletivo é a advogada Laina Crisóstomo, baiana de Salvador. Ela relembra: “A iniciativa de criar o TamoJuntas surgiu de um post que eu fiz no meu Facebook pessoal. Escrevi o seguinte: ‘Posso ser advogada voluntária de uma mulher por mês em situação de violência ou que esteja precisando resolver algum problema na Vara de Família’. Esse post eu fiz dentro da campanha #MaisAmorEntreNós, criada por Sueide Kintê, jornalista negra e baiana” (o projeto ajudava mulheres a resolver desde problemas simples da rotina até questões emocionais por intermédio das redes sociais).

Laina admite que, quando fez o post, não tinha a dimensão do que viria pela frente e da repercussão do projeto. “Foi quando eu conheci mais duas advogadas, a Aline Nascimento e a Carolina Rola. Então, resolvemos criar a TamoJuntas. Isso aconteceu em 8 de abril de 2016, mas a fanpage mesmo foi criada no dia 12 de maio de 2016. Sinceramente, quando a gente montou a fanpage pensava que o projeto fosse ficar somente em Salvador. A gente respondia dúvidas, marcava atendimentos, acompanhava mulheres em audiências. Entretanto, só na primeira semana tivemos 2 mil curtidas, o que demonstrou que havia demanda”, revela.

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Inicialmente, o objetivo central do coletivo era atender juridicamente mulheres sem condições financeiras para contratar um advogado. A grande demanda pelos serviços e a gravidade dos casos atendidos, porém, provou a necessidade de oferecer uma atenção multidisciplinar. “A gente começou a ver que precisava ampliar os serviços, na perspectiva do serviço social, da psicologia, da pedagogia e de outras advogadas. Hoje, em alguns estados, a gente tem, inclusive, médicos. Nascemos em Salvador (BA), mas expandimos para todas as regiões, o que é muito positivo, e contamos com 70 voluntárias espalhadas pelo país”, esclarece Laina.

Todo nosso trabalho é gratuito e voluntário. “Além da assessoria jurídica, cuidamos para que as mulheres consigam ter um retorno à vida, após sofrer com a violência. Acompanhamos mesmo junto à família, trabalho, escola etc. Na perspectiva jurídica, nossa advocacia é “pro bono” (pelo bem público), e buscamos mulheres que seriam atendias pela Defensoria Pública. A gente não pode atender mulheres que tenham recursos, elas precisam estar em uma situação de vulnerabilidade”, acrescenta.

Negras e jovens

A advogada destaca que o perfil do público feminino assistido pela TamoJuntas indica que a maior parte é de mulheres negras e jovens. “Isso não impede que tenhamos idosas, pois algumas, inclusive, sofrem violência dos filhos, não necessariamente dos companheiros”.

A demanda, segundo Laina, é muito grande. “Atendemos casos de guarda de filhos, pensão alimentícia, mas a urgência mesmo que surge sempre, realmente, são os casos de violência, infelizmente, ainda muito presentes no cotidiano da mulher brasileira”.

Questionada a respeito de como o coletivo se mantém, uma vez que todos os serviços são totalmente gratuitos, a advogada brinca: “A gente sobrevive de amor. Não temos grana e não recebemos recurso nenhum. Às vezes, levamos bloquinhos para vender nas palestras que ministramos para bancar, pelo menos, o transporte. Na verdade, a gente sobrevive porque acredita, porque, literalmente, coloca em prática o feminismo e a sororidade, dedicando parte de nosso tempo à causa”.

Laina diz que há pouquíssima estatística em relação à quantidade de atendimentos. “O que posso afirmar é que ajudamos muitas mulheres. Algumas chegam para a gente já com advogado constituído, apenas para tirar dúvidas. Outras nos procuram pelo Whatsapp, Facebook, Instagram só para uma consulta rápida. Ou seja, é um número muito variável e difícil de contar. A maioria de nossas assistidas vem da Bahia, porque nascemos aqui, mas Rio de Janeiro e São Paulo também têm uma demanda muito alta”, completa.

Cidades e contatos

O TamoJuntas oferece serviços em todas as regiões do Brasil. Nordeste: Bahia – Salvador, Camaçari, Feira de Santana, Ribeira do Pombal, Vitória da Conquista e Bom Jesus da Lapa. Sergipe – Aracaju. Alagoas – Maceió. Pernambuco – Recife. Ceará – Fortaleza. Rio Grande do Norte – Natal. Piauí – Teresina. Maranhão – São Luís. Norte: Amazonas – Manaus. Pará – Belém. Sul: Rio Grande do Sul – Porto Alegre, Portão e Bagé. Paraná – Curitiba e Londrina. Santa Catarina – Florianópolis. Sudeste: São Paulo – São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto, Guarulhos e Cachoeira Paulista.  Rio de Janeiro – Rio de Janeiro. Minas Gerais – Belo Horizonte. Espirito Santo: Vila Velha. Centro-Oeste: Distrito Federal – Brasília.

Para conhecer melhor o trabalho do TamoJuntas ou para solicitar seus serviços, os contatos do coletivo são feitos pelas redes sociais e por e-mail. Facebook: TamoJuntas; Instagram: @atamojuntas; Email: [email protected]

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