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Alunos denunciam questão de prova com suposto teor homofóbico em prova de faculdade de medicina de Goiás

Enunciado diz que ‘noivo serelepe’ de paciente de 24 anos furou abscesso na nádega ‘em movimento rodopiante de bailarino, imitando um beija-flor’. Universidade de Rio Verde diz que investiga o caso.

Por Raquel Morais no G1

Questão de prova com suposto teor homofóbico em prova de faculdade de medicina de Goiás (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Alunos de medicina da Universidade de Rio Verde, na região sudoeste de Goiás, denunciaram anonimamente um professor por preconceito contra homossexuais por causa de uma questão de prova. Em nota, a instituição diz investigar o caso.

O enunciado da questão afirma que o paciente Davi, de 24 anos, estava com abscesso na nádega “e seu noivo serelepe, ao ver aquele quadro horroroso, ficou tresloucado e furou o abscesso com espinho de limoeiro em um movimento rodopiante de bailarino, imitando um beija-flor”.

A prova, de acordo com o grupo, foi aplicada na semana passada para os 67 estudantes da disciplina de clínica cirúrgica, do 5º período de medicina. O G1 e a TV Anhanguera não tiveram acesso ao professor que teria elaborado a prova.

À TV Anhanguera, um aluno que não quis se identificar por medo de represália criticou a postura do professor.

“Medicina é uma profissão a serviço da saúde da comunidade. Então, um professor elaborar uma questão desse cunho… Ele não tem que criar nenhum tipo de discriminação, independentemente da questão orientação da pessoa”, afirmou.

“Foi uma questão elaborada por ele mesmo e que foi de cunho extremamente homofóbico”, completou o estudante.

Em nota, a Universidade de Rio Verde disse que abriu um processo administrativo para averiguar a veracidade da denúncia, já que ela foi anônima, e também se a questão foi de fato utilizada na prova, em qual turma, por qual professor e, ainda, se o conteúdo estava na questão.

“A UniRV lamenta e repudia veemente qualquer manifestação desrespeitosa quanto a diversidade de gênero e religiosa e o uso de palavras e expressões que atentem contra princípios éticos, morais, culturais e pedagógicos”, afirma o texto.

A nota diz ainda, que, se os fatos forem comprovados, a universidade vai tomar as providências previstas no regimento interno da instituição.

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