ANPSINEP promove campanha “A Juventude Negra quer viver” em defesa da vida e da saúde mental de jovens negros

A articulação lança manifesto sobre o impacto da violência na saúde mental de jovens negros e oferece série de lives sobre o assunto com especialistas em saúde mental, artistas e influencers negras e negros

A ANPSINEP promove em agosto “A Juventude Negra quer viver!” A campanha propõe diálogos e ações voltadas para o enfrentamento da violência contra jovens negros e para a atenção à saúde mental. A campanha busca convidar a sociedade civil para refletir e dialogar sobre os impactos da violência na saúde mental da população negra, em especial da Juventude Negra e de seus familiares, além de convocar instituições da justiça para a construção de ações programáticas para barrar a violência e a letalidade.

Os jovens negros brasileiros são as principais vítimas no Brasil. De acordo com dados levantados pelo Atlas das Juventudes (2021) e pelo Atlas da Violência (2020), a maioria das vítimas de homicídio no Brasil é jovem, especialmente negros, de periferias ou áreas metropolitanas de centros urbanos. Esses jovens também representaram mais de 70% das vítimas de intervenções policiais. Em 2019, do total de vítimas de mortes decorrentes da intervenção policial, 74,3% eram jovens e 79,1% eram pessoas negras. Em 2019, 66,7% das pessoas presas no país eram negras, em sua maioria jovens periféricos. Essa predominância também é encontrada na privação de liberdade no sistema socioeducativo, com 56% dos adolescentes negros em regime de internação ou semiliberdade.

Os jovens negros brasileiros vivem em estado permanente de medo e ameaça de morte. Os dados de violência e letalidade demonstram, ano a ano, a predominância de jovens negros entre aqueles mortos por agentes do Estado. Esses dados parecem ser ignorados pela população não negra, cuja comoção é seletiva diante de um ou outro caso que vai a mídia. Ao lado disso estão milhares de vidas, sonhos, desejos e trajetórias profissionais interrompidas. Estão mães e familiares com sua saúde mental e corações dilacerados por terem perdido o direito de abençoar e abraçar seus filhos.

Não faltam razões para dialogar sobre o impacto da violência na saúde mental e sobre a urgência de ações programáticas para suspender esse estado de violência que afeta jovens negros, suas mães, familiares e comunidades. Não há como ter saúde mental convivendo em um país cruel e violento onde não se tem o direito à vida garantido. Esse problema deve estar na agenda do dia da sociedade e do Estado. Por isso, convidamos a sociedade e as instituições públicas a agir para coibir a violência contra jovens negros e reparar seus impactos provocados pelas vidas interrompidas, especialmente os impactos psíquicos e materiais.

A Juventude Negra quer viver, quer sonhar, planejar, realizar, conquistar e ocupar o mundo.

A programação da campanha da ANPSINEP propõe diálogos e compromissos sobre os caminhos para a interrupção da violência sistêmica que atinge jovens negros e sobre a relação com a saúde mental de jovens, mães, familiares e comunidades. 

Os encontros acontecerão durante o mês agosto e setembro com especialistas da área da Psicologia, com artistas e influenciadores das áreas de comunicação, artes, comportamentos e bem-estar, economia criativa, além de contar com pesquisadoras e pesquisadores para uma troca sobre o impacto das violências na saúde mental da população negra, na construção da identidade e sobre as perspectivas para uma sociedade efetivamente antirracista.

Os encontros contarão com a presença de nomes como Evandro Fióti, Luiza Brasil, Rosa Luz, Raul Santiago, Helena Bertho, Mafoane Odara e outros. Serão abordados temas centrais como O impacto da Violência na Saúde Mental do Jovem Negro e suas Famílias, e outros temas correlatos como A mulher jovem negra e a saúde mental, Pluralidade e Estética Jovem Negra, Jovem Negro e a Inclusão Produtiva, Juventude Negra Periférica e a Saúde Mental

A abertura institucional da Campanha será transmitida pelos canais do Youtube e do Instagram da ANPSINEP, já os encontros serão transmitidos somente pelo canal do Instagram da ANPSINEP e terão duração de até uma hora. A participação do público será gratuita, sem necessidade de inscrição prévia.

PROGRAMAÇÃO

Campanha: A JUVENTUDE NEGRA QUER VIVER


Data: 28/08

Assunto: ABERTURA
Horário: 16h30

Abertura da campanha com papo entre especialistas da área da Psicologia, artistas e influenciadores das áreas de comunicação

Convidados: Jeane Saskya, Emiliano de Camargo David

Data: 31/08
Horário: 19h00

Assunto: A MULHER JOVEM NEGRA E A SAÚDE MENTAL

Como vai a saúde mental das mulheres negras no Brasil de 2021?

Convidadas: Luiza Brasil, Caroline Damazio (ACMUN/RS) 

Mediadora: Simone Vieira da Cruz

Data: 02/09
Horário: 19h00

Assunto: PLURALIDADES E ESTÉTICA JOVEM NEGRA

Como a autoimagem e os preconceitos relacionados à identidade de gênero e sexualidades afetam a saúde mental do jovem especialmente em tempos de redes sociais? 

Convidadas: Rosa Luz e Joyce Costa Moreira (ANPSINEP/Pará) 

Mediador: Robenilson Moura Barreto  

Data: 06/09
Horário: 19h00

Assunto: JOVEM NEGRO E A INCLUSÃO PRODUTIVA

Como a saúde mental afeta o rendimento de jovens negros no inseguro mercado de trabalho?

Convidadas: Helena Bertho e Mafoane Odara

Mediador: Bruno Mota 


Data: 09/09
Horário: 19h00

Assunto: JUVENTUDE NEGRA PERIFÉRICA E A SAÚDE MENTAL

Quem tem mais necessidade, o jovem negro periférico, tem direito/acesso à saúde mental?

Convidadas: Evandro Fioti, Raul Santiago e Joyce Avelar (Coordenadora do Núcleo da ANPSINEP Brasília) 

Mediadora:  Elcimar Dias Pereira 


Data: 15/09
Horário: 19h00

Assunto: O IMPACTO DA VIOLÊNCIA NA SAUDE MENTAL DO JOVEM NEGRO E SUAS FAMÍLIAS

Qual o impacto prático da violência cotidiana na saúde mental dos jovens negros brasileiros e suas famílias?

Convidadas: Mães do Cabula

Mediador: Igo Ribeiro 

SERVIÇO

Campanha A Juventude Negra quer Viver

Data: 28/08, 31/08, 02/09, 06/09, 09/09 e 15/09

Horário: 28/08 às 16h30. Nos dias 1/08, 02/09, 06/09, 09/09 e 15/09 às 19h

Onde: https://www.youtube.com/channel/UCvcFMzAJLp20kJ32lR20ukA / https://www.instagram.com/anpsinep

Mais informações: [email protected]  

Gratuito

Imagem de divulgação da campanha aqui.

SOBRE ANPSINEP

A ANPSINEP é uma Articulação Nacional de Psicólogas(os) Negras(os) e Pesquisadoras(es). Nós, psicólogas e psicólogos negros, nos inserimos no processo de luta e de tomada de consciência da necessidade de organização e mobilização da Psicologia nas questões relacionadas às relações raciais e à subjetividade como um recurso político. 

Nosso objetivo é responder à lacuna existente entre as necessidades apresentadas pela população negra e a pouca construção técnica e política disponível, frente às possibilidades de contribuição da psicologia para o enfrentamento ao racismo, suas interseccionalidades e repercussões psíquicas. Esta responsabilidade é de todas as profissionais de Psicologia, independente do pertencimento racial.

O objetivo da ANPSINEP é implementar ações de enfrentamento ao racismo a partir da organização e articulação de psicólogas (os) comprometidas (os) com o tema da psicologia e relações raciais. 

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