Após denúncia da Funai, Polícia Federal intima Sonia Guajajara a depor por suposta difamação contra governo Bolsonaro

Nascida na indígena de Araribóia, no Maranhão, Sônia é uma das maiores lideranças indígenas e ambientais do país (Foto: Fedrico Zuvire)

A liderança da Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) Sonia Guajajara foi intimada pela Polícia Federal por críticas ao governo Bolson…

Em mais um episódio de autoritarismo incompatível com um governo democraticamente eleito, a ativista Sonia Guajajara, uma das lideranças da APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) foi intimada pela Polícia Federal a depor por suposta difamação contra o presidente Jair Bolsonaro.

O pedido de investigação foi realizado pela Funai (Fundação Nacional do Índio) em razão da divulgação da webserie Maracá, em que a Apib denuncia as violações do governo contra os povos indígenas no contexto da pandemia de Covid-19. Dividido em oito episódios, a webserie pode ser acessada aqui.

A intimação de Sonia Guajajara é mais um capítulo na escalada de perseguições e intimidações do governo Bolsonaro contra ONGs, acadêmicos e ativistas críticos a sua gestão. Segundo relatório da ONG Global Witness, o Brasil é um dos países que mais mata, persegue e intimida defensoras e defensores.

Em particular, as lideranças indígenas têm sido alvos do próprio presidente, que por duas vezes usou o palanque da ONU para atacá-las. Em 2020, sem qualquer prova, culpou os indígenas pelas queimadas na Amazônia e no pantanal. No ano anterior, acusou o cacique Raoni, liderança história da etnia Caiapó, de servir a interesses estrangeiros na Amazônia.

Diante da pandemia de Covid-19, foi necessária uma cautelar da CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) e uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal), movida pela Apib, para obrigar o governo brasileiro a elaborar um plano de emergência para conter o avanço da doença nos territórios indígenas.

O plano do governo só foi homologado pelo STF, parcialmente, em março, sem determinar como será realizada a desintrusão dos cerca de 20 mil garimpeiros dos territórios Yanomami.

A denúncia realizada pela Funai demonstra o aparelhamento da entidade e o desvio de funções daquele que deveria ser o órgão mais importante de elaboração e execução de políticas públicas de proteção dos povos indígenas brasileiros.

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