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Após descoberta de câncer de mama, pacientes temem mutilação

Hoje, quando o tumor é descoberto no início, é possível preservar a maior parte da mama e, se necessário, fazer a reconstrução com próteses.

Domingo (4), você acompanhou a história da Fabricia. Aos 37 anos, ela descobriu que tem câncer de mama. Fabricia se prepara para começar a jornada de luta contra o câncer. Neste domingo (11), o doutor Drauzio Varella vai mostrar uma importante etapa do tratamento: a cirurgia

“Essa palavra ‘câncer’, é uma palavra que você não consegue falar como qualquer outra. Eu sinto isso”, diz Fabricia.

A descoberta de um câncer de mama provoca uma reviravolta na vida da mulher. Entre todos os medos, há que enfrentar a possibilidade da mutilação. Há algumas décadas, as cirurgias do câncer de mama eram muito agressivas. Os cirurgiões retiravam a mama inteira. No final, ficava a pele em cima das costelas. Hoje, quando o tumor é descoberto no início, é possível preservar grande parte da mama e, se for necessário, fazer a reconstrução com próteses de silicone, mesmo pelo SUS.

Há quase um ano, Cátia espera por esse momento. “No dia do diagnóstico, se ele dissesse: ‘vamos para o centro cirúrgico’, eu falaria: ‘vamos agora’. Sem medo de nada”, ela diz.

Mas Cátia teve que esperar. Quando descobriu, o tumor já estava grande. E os médicos decidiram começar o tratamento pela quimioterapia. “A quimioterapia poderia barrar o crescimento mais rápido do tumor”, relata.

A quimioterapia é uma das armas para eliminar essas células mutantes. A cirurgia de retirada da mama inteira é indicada em alguns casos para diminuir o risco de recidiva, para dar mais segurança de que o tumor não voltará no local.

No caso dela, a cirurgia é complexa. Ela também vai operar a axila para retirar os linfonodos, popularmente conhecidos com ínguas. Esses linfonodos são responsáveis pela defesa imunológica da mama. Como o tumor de Cátia era grande, há um risco de que eles estejam comprometidos por células malignas que migraram da mama.

Em outro ponto da cidade, Regina também está na sala de cirurgia para retirar parte da mama.
Regina Lúcia tem 52 anos, é mãe de um filho e tem quatro netos.

No caso dela, os médicos podem decidir não retirar a área da axila para que a cirurgia seja bem menos agressiva. Eles vão analisar no microscópio um linfonodo, chamado de sentinela, para checar se há algum indício de célula maligna em seu interior. Se houver, os demais linfonodos serão retirados junto com a mama. Se não houver, os demais serão poupados. Tudo acontece durante a cirurgia.

Não vai ser necessário retirar os outros linfonodos da axila de Regina. Ela vai fazer uma cirurgia menos agressiva do que a Cátia. Vai perder um fragmento bem menor da mama.

Uma cirurgia mais simples e que durou apenas uma hora. Os médicos ainda vão analisar no microscópio todo o tecido retirado. Descobrir a doença no início faz muita diferença. Regina faz mamografia todos os anos. Mesmo sem sentir nenhum nódulo, descobriu que tinha microcalcificações que precisavam ser operadas.

“Quando nós vemos a cobertura mamográfica, ou seja, o número de mulheres na faixa etária de risco que fazem mamografia pelo SUS não passa de 14% a 32%. Ou seja, uma cobertura mínima. Para a gente conseguir reduzir a mortalidade da população brasileira, nós teríamos que pegar pelo menos 70% da população na faixa etária específica fazendo mamografia. Nos melhores estados, pegamos 34% e nos piores 17%, 14%”, avalia a Linei Urban, coordenadora da comissão de mamografia do Colégio Brasileiro de Radiologia.

Se a Regina não tivesse feito a mamografia, não teria descoberto as microcalcificações. O autoexame ajuda, mas não permite diagnosticar tumores pequenos. O Instituto Nacional do Câncer, o Inca, recomenda que as mulheres comecem a fazer as mamografias aos 50 anos. E a repeti-las de dois em dois anos.

“Ao contrário, achamos que deve fazer. Apenas achamos que ela deve fazer após o exame médico e por recomendação médica”, destaca o diretor do Inca, Luiz Antonio Santini.

Para os médicos da Sociedade Brasileira de Mastologia, a mulher deve iniciar a mamografia já aos 40 anos e repetir anualmente.

“Existe um benefício real, uma possibilidade da redução da mortalidade em 14%. E, no Brasil especificamente, nós temos que lembrar que um quarto das mulheres que desenvolverão câncer de mama, o terão entre 40 e 49 anos”, diz o Ruffo de Freitas Júnior, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia.

Essa controvérsia é mundial porque os estudos não são conclusivos. Na falta deles, muitos médicos, entre os quais me incluo, começam os controles aos 40 anos. Se você chegou a essa idade, converse com o ginecologista da unidade de saúde sobre a conveniência da primeira mamografia no seu caso.

Como Regina retirou apenas uma pequena parte da mama, não vai ficar com uma aparência muito diferente. Já Catia decidiu colocar a prótese de silicone.

Ao fim da cirurgia, os médicos mandam para a análise todo tecido que foi retirado. O resultado da análise é fundamental para saber quais são as chances de cura da Cátia, mas essa resposta só vem depois de algumas semanas.

“O resultado é muito bom. Na verdade, aquilo que a gente esperava que tivesse acontecido nos exames de imagem, realmente confirmou. Não tem mais nenhuma evidência de tumor na mama, os linfonodos estão negativos”, diz a médica Maria Del Pilar.

Depois de um mês da cirurgia, Reina volta ao hospital para saber o resultado da análise do tecido de mama, esperando sentir o mesmo alívio de Cátia.

“A senhora tinha mesmo um câncer invasor. Ele mede 1,8 centímetros”, avisa o médico Jorge Shida.

A Fabricia também recebeu a notícia da sua médica: “É um tumor que tem uma taxa de proliferação um pouco mais alta e, pela sua idade, o que dá mais certo é iniciar pela quimioterapia. E vamos iniciar o seu tratamento amanhã”.

 

 

Fonte: G1

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