‘Branco Sai. Preto Fica’ debate racismo e exclusão em Brasília

Novo longa de Adirley Queirós, que chega aos cinemas na quinta (19), parte de um episódio real de repressão policial a um baile black em Ceilândia, periferia da capital federal

Por Victor Santos Do Brasileiros

Em 1986, um baile black na periferia de Brasília, mais precisamente na cidade-satélite Ceilândia, foi alvo de brutal repressão policial. Enquanto jovens se divertiam e grupos apresentavam passos ensaiados para “se dar bem” na noite, autoridades fardadas invadiram o recinto à base de armas menos letais, cavalos e soldados. Gritaram: “Puta prum lado e viado pro outro”. O próximo passo foi escolher quem iria apanhar mais, foi quando bradaram a frase que dá título à obra: “Branco Sai. Preto Fica”. O longa chega aos cinemas brasileiros na quinta (19).

Lembrando um pouco o clássico Faça a Coisa Certa (1989), de Spike Lee, no filme de Adirley Queirós alguns elementos são apresentados por um radialista peculiar, um dos protagonistas do longa, interpretado por Marquim do Tropa. Saindo dos guetos norte-americanos e do sotaque característico dos personagens negros nas obras de Lee, Adirley  retrata uma rádio pirata em uma futurística Ceilândia, e uma nova Brasília — lugar onde, na trama, é necessário um passaporte para acessar. O que fica são os belos grooves da seleção musical.

Branco-Sai-Preto-Fica-Reprodu----o2-e1426527646611Marquim do Tropa recebeu prêmio de melhor ator no Festival de Brasília de 2014 – Foto: Reprodução

O filme mistura documentário e ficção-científica, fala do envolvimento da periferia com o hip hop, critica o racismo enraizado na sociedade brasileira e a exclusão dos moradores das cidades-satélite no Distrito Federal. Assim como o último longa de Adirley, A Cidade é Uma Só (2013), carrega uma forte crítica social. A história é contada aos poucos, com imagens de arquivo, entrevistas e situações fictícias.

Os efeitos especiais são bem rudimentares, porém cumprem sua função de forma irreverente e acrescentam as informações necessárias ao enredo. Dilmar Durães faz o papel de um agente secreto que vem do futuro para recolher provas para o povo negro contra o governo brasileiro de 2073, enquanto o bem-estar dos negros é ameaçado por uma facção cristã.

Assim como todos os elementos do filme, os dois protagonistas fogem de padrões estéticos e interpretativos hollywoodianos. Ambos carregam marcas da pancadaria dos anos 1980, são moradores de Ceilândia e trazem seus depoimentos sobre o dia fatídico em que um deles, perdeu uma perna, Shockito, e o outro terminou numa cadeira de rodas, Marquim.

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A obra foi vencedora do Festival de Brasília de 2014, em que recebeu onze prêmios, entre eles melhor filme de longa metragem pelo júri oficial do Festival. O longa ainda viajou por festivais nacionais e também internacionais, com exibição no Festival de Mar del Plata, Viena e Hamburgo, entre outros.

O roteiro e a produção também são de Adirley Queirós, a direção de fotografia fica a cargo de Leonardo Feliciano e o elenco ainda é integrado por Gleide Firmino e Dj Jamaika.

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