segunda-feira, julho 13, 2020

    Carta ao professor: Novos tempos, novos modelos

     

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    Foi uma tarefa árdua para a minha filha terminar o Ensino Médio, mas aprendi com ela que esse modelo de escola não serve mais

    Por Anna Claudia Ramos, do Carta Capital
    Ilustração: LAURA BEATRIZ
    No alto dos seus 6 anos, minha filha me disse muito segura de si: “Eu odeio a escola, eu odeio as regras da escola e nunca vou obedecer às regras da escola”. Passei todo o período escolar de minha filha reinventando a vida, porque ela brigava veementemente com tudo o que fosse imposto e com a forma rígida das tarefas. E me perguntava por que não poderia ser diferente.
    Este mês ela completa 20 anos. É leitora de filosofia e literatura. Aprendeu francês e hebraico por conta própria e fala inglês fluentemente. Mas gostar de estudar seguindo um modelo único, nem pensar! Fazê-la chegar ao final do Ensino Médio foi uma árdua tarefa. Ela formou-se em um supletivo estadual a distância. Desses em que os alunos estudam e vão ao colégio apenas para fazer provas. Estudam no seu tempo e no seu ritmo.
    Longe de ser o que queria, mas o possível para uma aluna que não se encaixava no modelo da escola. E olha que ela passou por escolas com propostas abertas. Minha filha veio para me ajudar a refletir que esse modelo já não cabe mais. Não cabe mais querer que todos aprendam por igual quando sabemos que cada um tem ritmos e desejos diferentes. Nem desassociar escola e vida, nem hipocrisias, nem conhecimentos estanques e educadores que não querem acompanhar as novas gerações.
    Estamos vivendo a era do conhecimento, com novos comportamentos, trabalhos, empregos e formas de viver. Não podemos mais querer continuar mantendo o modelo do século retrasado. Somos privilegiados de estar vivendo esses novos tempos, onde vamos aprender a conviver de forma fraterna com as diferenças, onde a literatura poderá ser lida sem a censura do politicamente correto, onde seremos partícipes e coautores de uma escola menos rígida em sua estrutura, que incentive a busca do conhecimento e não valorize as ciências exatas em detrimento das humanas.
    Hoje, entendo que crianças e jovens como minha filha conseguem ler, ouvir música, estudar, ver tevê e falar com dez amigos ao mesmo tempo num chat. Sim, essa moçada faz tudo isso ao mesmo tempo. E dá conta! É a geração nativa digital, com outros saberes e aprendizados.
    Somos protagonistas desses novos tempos, onde a leitura não é mais linear, muito menos o conhecimento. O mundo digital veio para somar e não subtrair e a internet para nos aproximar muito mais do que nos separar. Educadores não detêm mais o saber, porque o mundo passa por transformações constantes. Os professores serão tutores de seus alunos, fazendo-os buscar a construção do conhecimento de forma intensa e profunda. Salas de aula serão abertas para novas formas de aprendizado mais interessantes e instigantes.
    Mas, para vivermos esses novos tempos, temos de sair da zona de conforto, arregaçar as mangas e trabalhar. Vamos nessa?

     

     

     

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