Tag: Educação

Taís Nascimento (Foto: Arquivo Pessoal)

Das escolas informais no período escravista às redes de apoio em TI

Em 2013, a chegada dos primeiros médicos e médicas cubanas do programa Mais Médicos foi acompanhada de vários episódios explícitos de racismo. Uma jornalista do Rio Grande do Norte na época publicou no Facebook: “essas médicas cubanas tem uma cara de empregada doméstica… Será que são médicas mesmo? Médico geralmente tem uma postura, tem cara de médico, se impõe a partir da aparência”. Esse caso em especial me chama atenção porque fala diretamente a nós mulheres negras e do espaço que a sociedade espera que nós ocupemos. O espaço destinado à mulher negra no imaginário social está sempre ligado ao servir, ao trabalho doméstico, às cozinhas, o que não é uma desonra, mas todos sabemos que só recentemente as empregadas domésticas conseguiram direitos já consagrados há décadas a todas as outras categorias profissionais, de modo que sempre foi uma classe muito ligada ao subemprego ou ao trabalho informal. A imagem ...

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Photo by Lia Castro from Pexels

Apoiar entrada de jovens negros na universidade é pensar sobre qual futuro queremos

Em um cenário de crise aguda, a educação continua sendo alvo de descaso, como mostra a retirada definida pelo governo federal de R$1,4 bilhão do MEC (Ministério da Educação). Foi a pasta que mais perdeu recursos. Ao mesmo tempo, jovens de baixa renda —em sua maioria, negros— sofrem com a falta de equipamentos adequados e de apoio para estudarem. Esses problemas dificultam ainda mais a inserção da juventude negra e periférica no ambiente acadêmico. Nesse cenário em que não há políticas públicas sendo pensadas é que surge uma iniciativa corajosa e potente do Fundo Baobá: o Programa Já É: Educação e Equidade Racial. Em sua primeira edição, a iniciativa ofereceu a cem jovens negros, das periferias da capital paulista e da região metropolitana de São Paulo, bolsas de estudo em um curso preparatório para o vestibular. O programa, do qual fazemos parte, foi desenvolvido em parceria com Fundação City, Demarest ...

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Foto: @pixabay/ Nappy

O corpo negro na Educação Física escolar

O presente ensaio tem com proposta provocar alguma reflexão sobre o corpo negro na Educação Física escolar, esse ácido caminho se depara com algumas formas do racismo, dentre eles, o científico, institucional e estrutural. Não rara as vezes deparamos com narrativas que dizem que o negro é bom para o esporte. Falsos discursos que se aportam nas “ciências”, para “subsidiar” essas narrativas, dentre elas, que o negro é melhor na corrida de velocidade por ter mais fibras musculares tipo branca, em detrimento a corrida de longas distâncias, que requer mais as fibras vermelhas, ou retóricas que a população negra tem dificuldade com a natação, devida sua densidade corporal. Ao pensar no domínio dos Quenianos e Etíopes na corrida de São Silvestre, já invalida a questão das corridas de longas distâncias, se a premissa é falsa, a afirmação não é verdadeira. No que tange a natação não se discute o não ...

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Amanda também é professora de uma companhia de teatro em Realengo: 'Conheço outros três cotistas que também passaram por problemas' (Foto: Acervo pessoal)

Cancelamento de matrícula de cotista da Unirio gera revolta entre alunos e professores

A estudante universitária Amanda Silva Gomes, de 26 anos, passou, em primeiro lugar, para o curso de Teatro da UniRio no primeiro semestre do ano passado e, mesmo com a colocação, se viu em meio a um processo kafkaniano para garantir a sua vaga na instituição. Por ser cotista, a jovem negra que é atriz e professora de teatro da companhia Megaroc, de Realengo, Zona Oeste do Rio, onde mora, precisou apresentar à universidade, durante a matrícula, a documentação necessária para provar a sua renda. No processo de triagem, a estudante foi encaminhada ao servidor responsável pela Coordenadoria de Acompanhamento e Avaliação do Ensino de Graduação (Caeg), que verificou a ausência da Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) física e, informando que haviam outros meios para a universidade comprovar a renda, solicitou seu CPF e acessou o aplicativo do INSS na sua frente, mostrando para ela que não constava ...

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O patrício José Cláudio Nascimento e as experiências negras de educação popular

Já são muitos os/as estudiosos/as que reconhecem a figura de Abdias do Nascimento quando se trata do ativismo negro no período pós-abolição. Isso não acontece por acaso, visto que esse intelectual negro esteve em diversas frentes de ativismo e resistência da população afro-brasileira. Entre uma das mais famosas, estava a participação na gestão do Teatro Experimental do Negro (TEN), onde com outros intelectuais negros, como Guerreiro Ramos, construiu seminários de proporção nacional. De todo modo, sabemos que ele não atuou sozinho e entre as figuras que faziam parte de sua rede de sociabilidade está o patrício negro José Cláudio Nascimento, personalidade ainda muito pouco conhecida entre os/as pesquisadores/as que investem na história do pós-emancipação e da educação brasileira.  Em 5 de novembro de 1949, o jornal Diário Carioca reporta uma das atividades promovidas pela Conferência Nacional do Negro, capitaneada pelo já citado Teatro Experimental do Negro. A mesa daquele dia ...

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Foto: Inês Bonduki/UOL

De que adianta conhecimento acadêmico se não dialoga com o negro periférico?

Malcolm X descobriu a linguagem que se comunicava de um modo geral, de professor universitário a varredor de chão, tudo ao mesmo tempo, sem diminuir o intelecto de qualquer um deles.” John Henrik Clarke O papo é reto e sem firulas. Não discutirei exceções. Há muitas coisas engasgadas que precisam ser ditas. Neste texto, reside a opinião de um homem negro que atuou como líder comunitário, durante a década de 90 e início dos anos 2000. Na periferia da zona leste de São Paulo, lutei por direitos sociais e acompanhei as mazelas de inúmeros periféricos. Isso posto, digo: estou cansado dos discursos de negros que estão nos ambientes acadêmicos e usam as questões raciais como material de estudo. Não desconsidero a importância das pesquisas desenvolvidas, mas questiono a falta de projetos para os negros que moram nas periferias. Os discursos são cheios de elegância e quem ouve até acredita que ...

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Neca Setubal Imagem: Sergio Lima/Folhapress

A inaceitável desvinculação do investimento em educação e saúde

O trecho da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) Emergencial (186/2019) que desvincula do orçamento a educação e a saúde, deixando municípios e estados desobrigados do investimento mínimo nessas duas áreas, causa enorme preocupação e requer alerta da sociedade porque está sendo proposto justamente em um momento muito agudo em que, ao contrário, é preciso fortalecer mais o SUS (Sistema Único de Saúde) e a educação do país. Hoje, pela Constituição, o piso de gastos do governo federal nas duas áreas não pode ser reduzido e precisa ser corrigido pela inflação do ano anterior. Já os estados precisam investir 25% na da sua receita em educação e 12% na saúde, ao passo que os municípios devem destinar 25% em educação e 15% em saúde. Esses patamares foram construídos de forma democrática e técnica, com a participação da sociedade civil, e são essenciais porque têm assegurado continuamente o desenvolvimento das duas áreas, ...

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Adobe

Tecendo histórias e poemas: a consciência negra na educação

No dia 20 de novembro do ano de 2020 participei, a convite da Thalita Pinho (assistente social e professora da FPO), da mesa que dá título a este texto, compartilhei fala com as queridas Valéria Lourenço (escritora e professora do IFCE-Crateús) e Patrícia Matos (pretagoga na COPPIR-Fortaleza).  Divido com vocês a minha fala. Esta parece ser uma informação muito pessoal. Mas tal informação, aparentemente “confidencial”, não é nada privada. (Grada Kilomba) Quero iniciar considerando acerca do título desta mesa - Tecendo histórias e poemas: a consciência negra na educação - título poético, carregado de força, de sentidos. Tem um sentido de nós, mulheres negras, estarmos em espaços que nos foram negados: literatura, invoco Maria Firmina dos Reis; escola, invoco Bernardina Maria Elvira Rich. Tem um sentido de contar nossas histórias, de sermos referências positivas de dedicação, trabalho, intelectualidades, sensibilidades, belezas e tudo de bom e bonito que nós, pessoas negras, ...

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Instituto Millenium

Crise terá cauda longa

As primeiras evidências empíricas sobre o impacto do fechamento das escolas devido à pandemia da Covid-19 começaram a aparecer. Os resultados, infelizmente, confirmam as expectativas sobre as consequências negativas de um evento tão traumático em todo o mundo. Estudos já divulgados em países como Holanda, Bélgica e Estados Unidos mostram que as perdas foram significativas, especialmente para os estudantes mais vulneráveis. Como a imensa maioria das crianças e adolescentes brasileiros não voltou às aulas presenciais, ainda não é possível mensurar o real impacto da pandemia na aprendizagem por aqui. Porém, considerando que essas primeiras evidências são relativas a países desenvolvidos e que mantiveram suas escolas fechadas por bem menos tempo, não há motivos para otimismo. Encerraremos o ano letivo de 2020 com perdas significativas de aprendizagem, aumento de desigualdades educacionais e também da evasão escolar. As notícias sobre o início da vacinação da população nos primeiros meses de 2021 trazem ...

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Getty Images

Carta à Sociedade Brasileira: Aprovação do PL de Regulamentação do Fundeb representa um retrocesso, não respeita a Constituição Federal de 1988 e o pacto democrático pelo direito à educação

Leia abaixo ou em PDF documento da Campanha Nacional pelo Direito à Educação que descreve e aponta alterações impreteríveis no texto de regulamentação do Novo Fundeb aprovado nessa quinta (10/12) na Câmara dos Deputados. Carta à Sociedade Brasileira Aprovação do PL de Regulamentação do Fundeb na Câmara representa um retrocesso, não respeita a Constituição Federal de 1988 e o pacto democrático pelo direito à educação A Campanha Nacional pelo Direito à Educação considera que a aprovação do Projeto de Lei n° 4.372/2020, que regulamenta o novo e permanente Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – Fundeb, ocorrida hoje na Câmara dos Deputados é um retrocesso, não respeita a Constituição Federal de 1988 e o pacto democrático pelo direito à educação. A Campanha Nacional pelo Direito à Educação atuou para que o relatório pudesse fazer jus às conquistas da EC n° 108/2020, ...

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Ilustração: Linoca Souza

Dia Internacional dos Direitos Humanos: Por uma educação com equidade racial

De onde são perpetuadas imagens estereotipadas e discriminatórias da população negra? Em grande parte, da ação comunicativa negativa e da ação educacional negativa. Mas ao mesmo tempo, é por meio da comunicação e da educação que podemos olhar para o nosso passado para construir nosso melhor futuro. Assim, as primeiras experiências de racismo que se dão em ambiente escolar fazem com que as crianças cresçam vivenciando essa violência, o que potencialmente favorece no mínimo a aceitação da violência como uma condição natural do mundo quando forem adultas. Como é possível projetar um futuro de paz se as crianças vivem em um ambiente hostil? Investir na filantropia negra voltada à Educação é assumir esse desafio de construir identidades positivas em ambientes democráticos onde todas as histórias – de negros, indígenas, ciganos, latinos – sejam respeitadas. Contudo, apesar de o Brasil contar com uma lei (Lei nº 10.639/2003), que torna obrigatório o ...

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Luana Tolentino (Foto: Vera Godoy / Cartola - Agência de Conteúdo)

Sobre cotas e preconceito: carta aberta ao diretor do Colégio Bandeirantes

Prezado Mauro Aguiar, Espero que esteja bem, apesar do cenário de destruição e desesperança que se abate sobre este país. Escrevo em meio a reflexões sobre o papel das escolas privadas na promoção de uma educação antirracista. Lendo a entrevista concedida recentemente pelo senhor à revista “Veja”, fica evidente o quanto ainda temos que avançar neste sentido. Tomo a liberdade de fazer alguns apontamentos a respeito de suas declarações. Ao falar da política de cotas, o senhor usou os seguintes termos: “A sociedade já tomou 50% das vagas nas universidades públicas para alunos de escola pública. Está destruindo a universidade e disfarçando o problema”. Cabem aqui algumas ponderações. Talvez o senhor não dê a devida importância, mas as cotas são medidas reparatórias que visam corrigir injustiças históricas, responsáveis por impedir, sobretudo, a população negra de exercer o direito humano de ingressar e permanecer nas universidades, que ao contrário do que ...

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Bel Santos Mayer (Foto: Daniela Trindade / Divulgação)

Bel Santos Mayer: educadora faz da literatura sua arma de revolução social

"Gerar vida por meio da palavra". Imagine um projeto que faz com que a leitura aconteça dentro de um cemitério e, a partir dali, estabeleça um ciclo de vida e de transformação social. Foi isso que a Biblioteca Caminhos da Leitura, criada há 11 anos em Parelheiros, periferia da zona sul de São Paulo, fez pelos jovens. Foi na casa do coveiro, único lugar disponível no bairro, que adolescentes e livros se instalaram. As histórias de vida, esperança e força se estenderam para além dos muros do cemitério, chegando na maternidade, nas ruas e nos comércios locais. Uma das principais responsáveis por isso é Bel Santos Mayer, educadora e coordenadora do Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário (IBEAC), que está na área social desde os 14 anos quando criou, junto com amigos, uma casa de acolhida para meninas em Sapopemba, região leste da cidade, onde morava. Vinda de uma ...

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Imagem: Getty Images

Educação e reflexões de uma professora na quarentena: feitos, jeitos, defeitos e efeitos

"Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda". Paulo Freire Devo dizer, a priori, que não pretendo aqui trazer dados oficiais sobre os efeitos da quarentena em qualquer perspectiva, mas dá minha opinião a partir das minhas percepções nos diálogos com as pessoas, nos acompanhamentos das famigeradas “lives”, na produção de “memes” e nos grupos de whatsapp, dentre outros. Dito isto, quero tecer meus comentários a partir de algumas provocações que tem me incomodado nestes dias de quarentena, especialmente ao que concerne à educação básica, meu lugar de fala. O que a educação tem com tudo isto? Quais os efeitos da quarentena na educação pública? Como estão nossos alunos? Como vãos os pais? O que a sociedade espera de nós? Como a sociedade ver a educação e os seus profissionais? Quem são os heróis? Quem vai consertar a sociedade depois de tudo? Como estão ...

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Ações afirmativas e cotas: as peças se movem no tabuleiro

Em breve, a sociedade brasileira precisará se posicionar novamente sobre as políticas de ações afirmativas, em especial sobre as cotas sociais e étnico-raciais na educação; e, com isso, sobre o modelo de nação que deseja edificar. Há quase duas décadas, as ações afirmativas se tornavam uma grande questão de debate público no país, em especial quando se apresentaram na forma de cotas étnico-raciais de acesso à graduação nas universidades estaduais e federais. É verdade que debates sobre elas já existiam. A depender da definição, é possível encontrar propostas de descriminação positiva no Brasil desde, no mínimo, o abolicionismo do século 19. No entanto, o nível de atenção pública atingido pelo tema nos primeiros anos do século 21 foi inédito. De acordo com um estudo de 2015 dos pesquisadores João Feres Júnior e Verônica Toste Daflon, considerando apenas os jornais O Globo e Folha de S. Paulo, foram publicadas mais de ...

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Foto: Marechal-AuroreABACA

Priorizar escolas significa reabri-las agora?

Em menos de um mês, as escolas brasileiras completarão meio ano de portas fechadas. Neste período, a omissão federal no combate à pandemia turvou o debate sobre o retorno às atividades presenciais. Fez submergir, no prolongamento da crise e do sofrimento, na ansiedade da falta de perspectivas e na crescente pressão empresarial, algumas premissas que não podem ser relativizadas. Pelo menos se o objetivo for proteger vidas e, ao mesmo tempo, não agravar desigualdades educacionais. O debate informado sobre a reabertura das escolas já transcendeu há muito as elucubrações sobre a necessidade de priorizar investimentos em escolas públicas e de torná-las espaços saudáveis e seguros. Nesta altura dos acontecimentos, não é difícil perceber que o orçamento da educação é insuficiente, que a possibilidade de ajuda federal foi vetada por Bolsonaro e que nenhum plano local de retomada prevê investimentos robustos para reverter, ainda que parcialmente, o quadro desolador da infraestrutura ...

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Vera Lúcia da Silva Santos, líder comunitária da periferia da zona sul de São Paulo (Foto: Reprodução/ONG Auri Verde)

‘Farol que se apaga’: assassinada, Tia Vera criou creche na periferia de SP 

Quando o caixão da líder comunitária Vera Lúcia da Silva Santos, 64, desceu à sepultura na chuvosa e fria tarde desta sexta-feira (21) em um cemitério de Parelheiros, zona sul de São Paulo, os moradores do Jardim Varginha viram se apagar um de seus faróis. Ela havia iluminado pelos últimos 30 anos a vida de crianças e adolescentes da periferia da capital paulista ao manter seis creches e um centro para jovens. As condições da morte de Tia Vera, como era chamada, intrigam a polícia. Ela despareceu na manhã de 16 de julho. Dois dias depois, um corpo carbonizado foi encontrado no porta-malas de seu veículo, também incendiado. A polícia trabalha com a possibilidade de o assassinato ter sido motivado pelo dinheiro movimentado pela ONG Auri Verde, liderada por Vera e que gerencia, em convênio com a prefeitura, as creches, um centro para crianças e adolescentes e o espaço para ...

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Unindo contos de fada a mitologia dos orixás, professora usa a dança para romper preconceitos e valorizar cultura negra (Foto: Eduardo Lubisco)

Matemática, “Frozen” e Yemanjá se unem na arte negra de educar na Bahia 

"Toda dança tem história e toda história é sagrada". Esse é o lema que orienta a dançarina e coreógrafa Jedjane Mirtes, 39, em sua trajetória no ensino da arte. Em mais de 20 anos de pesquisa sobre as manifestações da cultura popular, em especial da dança afro, a arte-educadora foi desenvolvendo possibilidades de interdisciplinaridades: "Já foi comprovado que quando se leva arte para dentro da escola o aprendizado é mais fluente. É possível utilizar em todas as disciplinas. Por exemplo, a partir do ponto que trabalhamos com os números arábicos e romanos, é preciso que o estudante saiba que a matemática e a astrologia eram ciências já dominadas pelos povos africanos. Além de conhecer a história, perceber que a matemática está em tudo: no compasso da música, da dança, na exatidão dos movimentos". Neste sentido, Jedjane sugere a educadores a construção de atividades lúdicas. "É possível tocar um instrumento ou ...

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(Foto: Getty/ Reuters/ PRBK)

‘Na escola dos meus filhos não tem negro nas salas de aula’

Quem são os negros da escola do teu filho? Coletivos de pais dos colégios Vera Cruz, Equipe, Santa Cruz, Oswald de Andrade, São Domingos, Alecrim e Instituto Singularidades têm repetido a pergunta insistentemente dentro das instituições. Aos pais e famílias que as frequentam e às equipes docentes. Um movimento que nasceu tamanha a discrepância da bolha social em que os filhos vivem somada a consciência de que é preciso fazer parte do movimento antirracismo ao lado dos negros. Quase que em sua totalidade, negros, na na vida particular dessas crianças e adolescentes, costumam ser os empregados: faxineiros, domésticas, babás, auxiliares. Uma questão que vai muito além do que é tradicionalmente chamado de racismo. É o racismo estrutural que está enraizado na sociedade de forma basilar. Em que os negros, em suas diferentes posições, garantem o alicerce dos brancos. E a fala não tem exagero. Basta olhar ao redor. Qual escola ...

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Billy Malachias, mestre em Geografia e pesquisador do Núcleo de Apoio à Pesquisa e Estudos Interdisciplinares do Negro Brasileiro (NEINB/USP) – (Foto: Rosana Barbosa)

Caminho para o pleno exercício da cidadania

Instituída em 10 de dezembro de 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) estabelece a educação como um direito básico e fundamental a que todo ser humano deve ter acesso ao nascer e durante toda a sua vida. O documento é composto por 30 artigos, sendo que o 26º formaliza a obrigatoriedade da alfabetização gratuita, independentemente da idade. Embora seja um direito reconhecido há 72 anos, há uma longa distância entre o que está na declaração e a realidade. Não por acaso, o enfrentamento ao racismo na educação é um dos eixos programáticos de investimento do Fundo Baobá para Equidade Racial. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também alertou que a pandemia escancarou desigualdades, produziu corte de recursos em todas as áreas, sem poupar a educação, aumentou a pobreza e forçará 9,7 milhões de jovens a abandonar os estudos até o fim de 2020. Quando é feita uma análise mais ...

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