Com o enredo “Negra, Pérola Mulher”, a Império da Tijuca exaltou a mulher negra de hoje e do passado

Com o enredo “Negra, Pérola Mulher”, a Império da Tijuca exaltou a mulher negra de hoje e do passado neste sábado (9) na Marquês de Sapucaí.

O carnavalesco Junior Pernambucano, estreante no carnaval carioca, quis lembrar com o enredo os 125 anos da abolição da escravatura no país. Junior foi campeão três vezes pelas escolas de samba da cidade de Três Rios e quer repetir o feito no sambódromo.

A escola, sétima a desfilar pela Série A no Rio, começou seu desfile às 2h52 e trouxe para a passarela do samba 2.220 componentes, distribuídos em 23 alas.

As quatro alegorias homenageavam mulheres negras que foram rainhas, guerreiras, escravas, quilombolas, musas, escritoras, cantoras e atrizes em vários momentos da história.

A comissão de frente, formada apenas por mulheres negras representando guerreiras africanas, impressionou pela coreografia, pela maquiagem e pelas fantasias caprichadas, que incluíam coroas cravejadas de strass. Cada fantasia tinha 400 plumas, mais 60 plumas de faisão na cabeça e 40 na asa. Alguma delas usavam rodinhas nos pés, para poder deslizar pela avenida.

As fantasias das baianas também se destacaram. Elas representavam as Ìyámì, as grandes mães ancesrais africanas.

Atrás do carro abre-alas, que representava as belezas naturais da África, veio um grande baobá, árvore que representa a criação da vida humana pela tradição dos yorubás.

Os ritmistas da bateria, comandados pelo mestre Capoeira, vieram caracterizados de corte da Negra Chica e tinham à sua frente Laynnara Cristina como rainha de bateria.

Para empolgar o público, a Império da Tijuca contou com a voz de Pixulé, intérprete da escola desde 2009.

O primeiro casal de mestre-sala e a porta-bandeira era formado por Peixinho e Jaçanã Ribeiro.

Um dos carros trazia, em sua base, fotos de mulheres negras de várias idades moradoras da comunidade do Morro da Formiga. 

A último alegoria era uma homenagem a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, “a negra mais querida do Brasil”, segundo a escola.

Pouco antes do fim do desfile, um cachorro preto “invadiu” a Sapucaí e se misturou a crianças da ala infantil, mas não atrapalhou a evolução da escola.

Fundada em 1940, a Império da Tijuca é uma das mais antigas escolas de samba do Rio de Janeiro, resultado da união da Recreio da Mocidade e Estrela da Tijuca. Foi a primeira escola a usar a palavra império no nome, razão pela qual tem uma coroa como símbolo. Em 2012, a agremiação obteve a terceira colocação no antigo Grupo de Acesso A.

{gallery}2013/fevereiro/tijuca{/gallery}

Fonte & Fotos: G1

 

 

 

+ sobre o tema

Time põe Barbosa na lista dos 100 mais influentes

  Presidente do Supremo entra na lista na qual, este...

Prêmio homenageará reportagens que alertem sobre discriminação

A cobertura pela imprensa do combate à discriminação...

para lembrar

Publicação mapeia práticas africanas na Mangueira

Levantamento feito pela ONG Arte de Educar será lançado...

Alagoano herdou culinária, danças e costumes da cultura negra.

A influência dos hábitos alimentares, da dança, linguagem e...

A Tristeza dos Orixás

Por Fernando Sepe Foi, não há muito tempo atrás,...

No Dia Nacional do Samba, sambistas e acadêmicos debatem rumos do ritmo

Vladimir Platonow Meio século depois da primeira edição, ocorre...
spot_imgspot_img

Saiba quem é Mayara Lima, a princesa de bateria que viralizou na internet

Mayara Lima, cujo vídeo ensaiando com a bateria da Paraíso do Tuiuti em perfeita sincronia viralizou na última semana, tem só 24 anos, mas mais da...

Semana de 22: clubes negros mostraram um Brasil além de A Negra, de Tarsila

O mês de fevereiro de 1922 foi bastante agitado em São Paulo por conta do início daquele que viria a ser o marco do...

Festival Perifericu celebra processos artísticos LGBTQIA+ realizados nas periferias

São Paulo, janeiro de 2022 - O Perifericu – Festival Internacional de Cinema e Cultura da Quebrada, evento que tem como objetivo valorizar as...
-+=