Contra estereótipos, árabes e judeus se unem via internet para pedir paz

‘Ele é muçulmano’, ‘Ela é judia’, “Somos casados há décadas”, “Uau! Agora me diga”, dizem os cartazes

Ricardo Senra

A guerra de estereótipos entre Israel e Palestina é menos sangrenta que os disparos de foguetes na faixa de Gaza, mas também deixa sequelas.

Contra generalizações e a vilanização de ambas as partes, árabes e judeus têm usado nas redes sociais um mantra popular no Brasil desde junho do ano passado: este conflito, eles afirmam, “não nos representa”.

Por meio de perfis e páginas na internet, eles desafiam preconceitos e estereótipos relacionados a israelenses e palestinos.

Criada pelos colegas de classe Abraham Gutman, um rapaz de 23 anos nascido em Israel, e Dania Darwish, uma síria de 21 que cobre o rosto com um véu, a página “Jews and Arabs Refuse to be Enemies” (Judeus e Árabes se Recusam a ser Inimigos, em tradução livre) virou símbolo desta “contra-ofensiva”.

Com mais de 27 mil seguidores conquistados em duas semanas, o projeto publica fotos de judeus e árabes, posando sempre lado a lado, junto a cartazes com mensagens de paz e tolerância.

Concordar em discordar

As imagens retratam casais formados por árabes e judeus junto aos filhos, professores israelenses ao lado de estudantes palestinos e filhos de casais formados por pessoas de ambos os lados.

O professor de ioga Eitan junto à aluna Suhad: "Somos humanos"
O professor de ioga Eitan junto à aluna Suhad: “Somos humanos”

“Já tivemos várias discussões sobre política”, disseram os criadores ao #salasocial. “Mas não é porque não concordamos sempre que nossas opiniões vão transformar nossa amizade ou criar qualquer tipo de problema entre nós.”

Estudantes de segundo grau em um colégio em Nova York, os dois amigos afirmam que o objetivo principal da página é desfazer a onda de ódio e tensão entre árabes e judeus nas redes sociais. “Temos que mostrar que nos recusamos a ser inimigos”, explicam.

Nas últimas semanas, imagens de jovens israelenses fazendo piquenique e comemorando enquanto assistiam ao disparo de bombas em Gaza ou notícias sobre palestinos postando ameaças de morte aos vizinhos se espalharam pela internet. A proposta, nesse caso, é justamente o contrário.

O árabe Salem e o judeu Matt também são um casal
O árabe Salem e o judeu Matt também são um casal

“Nossa iniciativa visa criar um espaço para discussão entre civis, entre pessoas que se identificam, mesmo com ideias políticas diferentes. É hora de se afastar dos estereótipos, da generalização da incitação ao ódio”, explicaram Abraham e Dania.

Ativismo

O mote “Jews and arabs refuse to be enemies” já é usado há alguns anos por ativistas em protestos que pedem o cessar-fogo definitivo em Gaza. Transformada em hashtag pelos dois jovens, o termo já foi usado 37 mil vezes apenas no Twitter, segundo estatísticas do site Topsy.

O professor de ioga israelense Eitan e a estudante palestina Suhad mandaram uma foto para o projeto.

Lado a lado, eles seguram cartazes em que apresentam um ao outro: “Conheça Suhad, palestina, minha querida aluna e amiga e… um ser humano”, diz o cartaz ele.

“Conheça Eitan, israelense, professor, amigo, uma grande alma e… um ser humano”, diz o cartaz dela.

Um casal gay também fez questão de mandar sua foto com o seguinte texto: “Judeu e árabe. Casal. Nós coexistimos em paz. Esta também é uma solução!”.

Numa foto ao lado da filha, o casal Osama e Jasmin também deu seu recado: “Somos uma familia. Existem alternativas”, dizem em seu cartaz.

Junto à filha, o árabe Osama e a judia Jasmin dizem: "Somos uma familia."
Junto à filha, o árabe Osama e a judia Jasmin dizem: “Somos uma familia.”

Uma das fotografias traz uma jovem muçulmana sozinha. “Quando o poder do amor superar o amor pelo poder, o mundo conhecerá a paz”. Trata-se de uma citação atribuída ao guitarrista Jimmy Hendrix, que teria dito isso nos anos 1970.

“Nos solidarizamos com as populações de árabes e judeus que foram para as ruas de Israel e da Palestina para demonstrar que se recusam a sucumbir ao sentimento de ódio da minoria. Não precisamos concordar em tudo, mas precisamos mostrar que não precisamos ser inimigos”, resumem os criadores do projeto.

 

 

BBC

+ sobre o tema

Maranhão tem 30 cidades em emergência devido a chuvas

Subiu para 30 o número de cidades que decretaram...

O Estado emerge

Mais uma vez, em quatro anos, a relevância do...

Extremo climático no Brasil joga luz sobre anomalias no planeta, diz ONU

As inundações no Rio Grande do Sul são um...

IR 2024: a um mês do prazo final, mais da metade ainda não entregou a declaração

O prazo para entrega da declaração do Imposto de Renda...

para lembrar

Mesmo com eleições, técnicos dizem que economia será tranquila em 2010

O ano de 2010 deverá ser bem tranquilo do...

Brindemos! – Por: Fernanda Pompeu

A certeza de que da vida ninguém sairá vivo, poderia...

Ou nos levamos a sério ou nos perdemos de vez

Não é engraçado, não é bonito e nos deixa...

Obama diz que mundo está “mais seguro” após decisões da cúpula nuclear

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou na...

Mulheres em cargos de liderança ganham 78% do salário dos homens na mesma função

As mulheres ainda são minoria nos cargos de liderança e ganham menos que os homens ao desempenhar a mesma função, apesar destes indicadores registrarem...

‘O 25 de abril começou em África’

No cinquentenário da Revolução dos Cravos, é importante destacar as raízes africanas do movimento que culminou na queda da ditadura em Portugal. O 25 de abril...

IBGE: número de domicílios com pessoas em insegurança alimentar grave em SP cresce 37% em 5 anos e passa de 500 mil famílias

O número de domicílios com pessoas em insegurança alimentar grave no estado de São Paulo aumentou 37% em cinco anos, segundo dados do Instituto...
-+=