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Criolo e as lições contra homofobia

Kleber Cavalcante Gomes, conhecido como Criolo, é um artista rapper com mais de vinte anos de estrada. Seu último álbum, “Nó na Orelha”, reúne influências de diversos estilos musicais em sintonia com o Rap e já rendeu elogios do público e prêmios da crítica, incluindo “melhor disco de 2011” e “melhor música do ano” no Vídeo Music Brasil, da MTV.

Além de suas fortes criações na música, a postura do artista também chama a atenção. “O Rap prega o ‘não’ ao preconceito”, já afirmou algumas vezes. Nesse tom, Criolo demonstra ser artista não apenas pelo inegável talento, mas por mostrar suas próprias opiniões e sentimentos nas obras que entoa. Foi assim também, num programa exibido pela internet, que o músico deu um belo exemplo a quem costuma discriminar ou debochar de pessoas homossexuais.

Durante sua apresentação para o “ShowLivre”, transmitido pela UOL, Criolo ouviu o apresentador Clemente Nascimento dizer que havia um comentário “sacaneando” ele entre as perguntas dos internautas. Dizia o tal comentário: “Ele não parece o Freddie Mercury, só que com barba!?”. Risos no estúdio… Criolo também sorri e comenta: “Pô, legal! Pô, muito bom! É um ícone, um baita artista!”.

Os risos continuam. Criolo vira-se para compreender as reações e parece entender o deboche, certamente pelo fato de estar sendo comparado com um artista homossexual. Mas ele não se deixa levar: “Eu não entendo… Tá tudo bem pra mim. Se eu for 10% do que esse cara já foi artista no mundo, já tá bom pra caramba”, valoriza.

O apresentador segue perguntando quem são as influências musicais do cantor. Criolo responde: “Pode ser o Freddie também…”. O apresentador ri. Criolo então atiça: “Freddie, Ney Mato Grosso…. São ícones e estão acima de outras coisas que as pessoas falam!”, flecha sutilmente.

O apresentador não entende a indireta e ainda vira-se para a câmera tentando traduzir a afirmação do artista. “As coisas que ele está falando é que esses caras são ‘boiolas’ e ele não é ‘boiola’, entendeu!?”, vomita Clemente, achando graça. Outros também riem.

Criolo toma a questão para si e dá o exemplo, elegante como sempre: “Já que você tocou nesse termo, eu respeito todas as opções (sic) das pessoas. Não vou rir. Até parece que é defeito um cara ser homossexual. Eu não sou homossexual, mas jamais vou usar como chacota esse tema”, pontua.

O apresentador tenta mudar o assunto, envolve a questão do negro, tenta fazer outras gracinhas. Mas Criolo retoma sua opinião mais à frente: “A gente tem que ter a humildade de saber que pode aprender com todas as pessoas (…) Acho que esse lance da humildade e de respeitar a opinião da outra pessoa já é um bom começo!”, finalizou.

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