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DESMISTIFICANDO O DISCURSO DAS ANALISES SOCIAIS ECONÔMICAS GOVERNISTAS: POR Reginaldo Bispo

 

 

Tem gente que infla o peito ao defender o governo, e utiliza-se disso, para defender a correção de suas posições. Eu até os entendo, mas dai concordar é outra historia.

As interpretações estatísticas divulgadas, destacam avaliações gerais, nunca demonstram peculiaridades negativas de um seguimento particular, nem mesmo se ele for maioria, só enfatiza a média, onde se perde as desvantagens. Elas podem priorizar um dado sem importancia pra mim, mas eu posso sistematicamente, fazer outra leitura e demonstrar, o quanto os “favoráveis” para alguns, podem ser desfavoráveis para outros, que me interessam. O problema é que os seus produtores não nos respondem.

Assim em qualquer conjuntura, tempo ou governo, há quem reconheça ou questione, só por ideologia!? Não, há outros fatores que não foram resolvidos, que não se discutem e nem são considerados. Há quem diga que haviam mais negros bem sucedidos no império, portanto, durante a escravidão, do que por toda republica velha junto com a era Vargas até 1945. Citam inúmeros profissionais famosos, como os irmãos Rebouças, artistas como Carlos Gomes, políticos como os irmãos Glicério, escritores, musicos etc, etc.

Em outra leitura, podemos afirmar que a situação dos negros era ruim até 1936, pelo impedimento de acesso, aos mesmos, no mercado de trabalho, e que só após a lei de Getulio Vargas, proibindo a imigração e instituindo a obrigatoriedade das empresas empregarem de 2/3 de brasileiros, em 1937, isto mudou para melhor. É indiscutível, que melhorou, porquanto a grande maioria fazia parte de uma enorme massa de empregados. Questione isso a nossos pais e avós dirão que somos comunistas, e que estamos querendo desmerecer a divina obra do governo Vargas.

Entretanto, há quem afirme, que uma presença forte dos negros, na economia,  só se dará para a geração de nossos pais e avós, durante o boom industrial-desenvolvimentista do sudeste após os anos 1950, com grande migração para SP, e depois pra Brasília, pelas oportunidades criadas. A economia de escala que antes era insuficiente para criar emprego, renda, e introduzir consumidores negros no mercado, nessa conjuntura, estabelece as condições para a massificação de trabalho, oferta e consumo de bens.

Quero dizer que se agora tínhamos acesso a bens, que antes nos eram impossibilitados, isto deu-se por expansão da produção capitalista e pelo barateamento dos bens, em função da produção em escala e da produtividade, em razão de uma condição nacional positiva, beneficiada por uma conjuntura de expansão internacional favorável à economia.

Esta melhoria não se deu por concessão, obra e intenção dos governos de plantão, como também não quer dizer, que a população negra foi a maior beneficiada. O mercado, na ausência de mão de obra de outra cor/raça, lança mão da reserva, que eram os trabalhadores negros para cumprir com suas metas de produção e lucratividade. A existência de uma interligação de interesses entre setores econômicos faz com que, havendo emprego, haja renda. Se há uma diversificação do consumo, isto expande a economia como um todo. Todos vendem, todos produzem e todos lucram. Ainda assim, os negros não deixam de figurar como o maior grupo de desempregados.

Eu seria idiota se não tivesse conhecimento que essas condições favorecem de algum modo uma parte do povo, mas isso, além de simbolico é insuficiente, não é motivo pra alguém vangloriar-se, pois criar melhores condições sociais é uma obrigação dos governantes, uma vez que também são contemplados e beneficiários pela continuidade no poder. Por isso fazem tanto marketing direcionado aos pobres, de suas maquiavélicas concessões à conta gotas. 

É preciso avaliar qual a qualidade das posições profissionais que os negros passam a ocupavar, qual renda e salários cabia aos negros? Até 1970/80, era comum optarem pelo serviço publico [e havia um grande percentual], principalmente pela estabilidade, a condução dos transportes publicos, o setor de empregados domésticos, a construção civil e seguramente postos inferiores na industria e no comercio, mas, ainda assim, nesse período, também se observa o negro compondo a maioria do vasto exercito de desempregados, manipulados e a disposição como reserva de mão de obra da economia capitalista.

Os salários, porem, eram muito inferiores, se comparado aos trabalhadores brancos, sobretudo no setor privado. Ocorre que os melhores postos e remuneração do setor privado, eram proibitivos aos negros. Não apenas pela falta de qualificação,  mas principalmente, por conta do racismo: que impedia a sua qualificação, a entrada do negro neste setores, mesmo qualificado, e em ultima analise, pagava menos ao negro qualificado se comparado ao branco na mesma função, como acontece ainda hoje.

Se as interpretações estatísticas dos gráficos, são politicamente direcionadas, igualando todos em uma média. Faço uma demonstração simples entre 10 pessoas com ganhos reais e progressivos de [R$ 1.000,00 + 2.000,00 + 3.000,00 + 4.000,00 + R$ 5.000,00 +6.000,00 + 7.000,00 + 8.000,00 + 9.000,00 + 10.000,00,]. A media aritmética entre elas é a soma de todas e sua divisão por 10, portanto para efeito estatistico em media, as pessoas recebem R$ 5.500,00, mas a realidade mostra o poder de compra particular e relativo entre as 10 pessoas.

Se houver uma ponderação, considerando o percentual desses indivíduos em cada categoria/valor/individual, e qual a representatividade coletiva, frente a totalidade da população, conclui-se que um pequeno numero dos privilegiados, recebe e melhorou muito mais a sua condição pessoal [a velha historia do dinheiro fazendo dinheiro], e que os desprestigiados permanecem ou cresceram em escalas muito menores [os governistas diriam: mas melhoraram!], de um modo que as distancias, não divulgadas pelas estatísticas [pois não interessam a seus promotores], continua sendo responsável pela divulgação da contemplativa “vantagem” para alguns e sonegando a “melhoria” relativa e pequena para a maioria.

Significa também, não demonstrado [que pelo grande numero de pobres e marginalizados negros], eles desaparecem da realidade visual e real, pois mostram-nos muito maior, ocupando um status que não possuem. Se essas imagens analíticas não forem compreendidas pelo leitor, ou, claro, pelos defensores do governo, então continuaá a ignorancia sobre esses fatos, e a invisibilidade seguirá impedindo mudanças. Por isso, recorrerremos  a outros referenciais e/ou fatores mais visiveis à olho nú, para explicar a realidade:

1. É notório e aumentam as demandas e as reclamações de sem tetos por moradias, para o qual o governo não dá soluções, assim como é do conhecimento de todos, a concentração da miséria e das favelas nas grandes cidades [O minha casa minha vida beneficiou uma camada com renda superior a 04 salários mínimos], sem que os governos lhes deem melhorias e soluções. Situação que impede a diminuição do déficit de 8 milhões de moradias no Brasil.

2. O saneamento básico, pouco tem avançado contribuindo para os problemas de saúde da população e com o caos na saude publica, que parece não ter fim.

3.  As promessas de Reforma agraria, o não assentamento dos agricultores sem terra, não foram cumpridas nem 10% pelos governos Lula e Dilma, reclama o MST. A violência no campo, contra agricultores sem terra, indígenas, quilombolas e seus apoiadores, só se agravam, na medida em que o governo não cumpre a lei de titulação, demarcação e assentamento, agindo na contramão, de modo a favorecer a compra de grandes extensões de terras e a destruição da natureza em beneficio do latifúndio, agronegócio e grandes grupos econômicos, contabilizando milhares de assassinatos ao brasileiro agricultor, quilombola e indígena.

3. O crescimento da marginalização da população, a influencia das drogas [como meio de vida] e violência entre os jovens, sobretudo a maioria negros, bem como constatações recentes de orgãos de pesquisa do proprio governo, dão conta que 1/3 dos jovens, não trabalha nem estuda, este é outro demonstrativo e exemplo de que as politicas dos governos são erradas, e/ou insignificantes de modo que não atinge esse seguimento da população.

4. O estado faz a campanha para marginalizar e desacreditar as vitimas, depois tome-lhe terror.    O governo federal investe em convênios repassando verbas para os governos estaduais e municipais, para melhoria da segurança publica, sem cobrar-lhes contrapartidas no investimento social e nos direitos da pessoa humana. Esses investimentos são utilizados ao bel prazer do administrador publico, e de acordo com as conveniências eleitorais.  As praticas politicas erradas, excluem a juventude pobre, de maioria negra, de investimentos em educação de qualidade [é só ver a situação das escolas da periferia], e em equipamentos públicos para esporte, cultura e lazer, em quantidade e qualidade desejável.

Com isso, o próprio estado cria as condições para promover o terror na classe média, insuflada pelas mídias capitalistas, para quem o governo repassa milhões de reais todo mês, na forma de publicidade, ampliando o histerismo social e a marginalização racista dos jovens e da população preta, na sociedade, propiciando condições para mais policia, repressão e violência.

Todos as pesquisas do governo [o Mapa da Violência, o IPEIA, o IBGE, ] apontam para o crescimento do homicídio da população negra jovem, à base de 30 a 35 mil mortos negros/ano.

SUFICIENTES PARA UMA TRAGEDIA IGUAL Á CASA NOTURNA DE “SANTA MARIA” A CADA TRÊS DIAS.

IGUAL A DEZ BOATES DE SANTA MARIA, por mês.

CENTO E VINTE TRAGEDIAS IGUAL Á “Santa Maria” POR ANO.

Isto não dá o mesmo Ibope ou sensibiliza a sociedade e os governos, permanecendo sem soluções politicas que ponha fim a essa matança indiscriminada e ao genocidio de nosso povo..

Vitimas da violencia e da brutalidade policial, de grupos de extermínio formado por por sevidores do estado, que cumprem o papel sujo, determinado pela sociedade e pelos políticos, que lavam as mãos para os problemas do povo, mais preocupados com a própria reeleição e em aumentar suas fortunas.

A GUERRA GENOCIDA E NÃO DECLARADA, DO ESTADO BRASILEIRO CONTRA OS NEGROS NÃO É CASUAL, É PLANEJADA, TRATA-SE DE UMA SANGRIA DE VIDAS COM O INTUITO DE INVIABILIZAR MAIS UMA VEZ O POVO NEGRO NESTE PAÍS ATRAVÉS DO RACISMO, que não sensibilizam, a mídia, os partidos, os políticos, a militância de “esquerda” governista ou de oposição, de quaisquer partidos branca ou preta, PORQUE SÃO CONIVENTES.

5. Há uma nítida e observável queda na oferta de empregos mal remunerados [porque os poucos e melhores remunerados estão ocupados, tem herdeiros a espera, ou são ocupados por tecnicos estrangeiros] e de desemprego entre a maioria negra, principalmente jovem, como em todos os tempos. A tendência é de agravamento, porque muitos desses empregos foram criados em função das obras transitórias para a Copa, o PAC e do minha casa minha vida, todos em fase terminal, sem em nenhum momento, ter sido resolvido o problema do emprego para a juventude, em função do rescimento demografico da população. Estatísticas que a mídia, instituições e os políticos burgueses escondem. Divulga-las faria com que naufragassem suas teses de pleno emprego, crescimento com distribuição de renda, e fossem obrigados a admitir que há muita coisa ruim no reino da Dinamarca?!, Dilma e do PT.

As diferentes analises, mais do que politicas ou ideológicas, são de consciência, conceituais e de identidade, sabemos que a conceituação dependem do que lado esta o elaborador. SE DO MOVIMENTO SOCIAL  -, E MOVIMENTO SOCIAL JAMAIS PODERÁ SER GOVERNO -, SENÃO ABANDONAM A IDENTIFICAÇÃO COM A LUTA DO POVO E -, PASSAM A SER ADMINISTRADORES DAS CRISES DO CAPITAL. Essa parcialidade tendenciosa, quando vier a tona, e as pessoas compreenderem, será desastrosa para muitas reputações. Mas será ainda pior,  o descredito das possibilidades de transformações futuras, de ambito não capitalistas.

A TEORIA DO FRANGO que elaboramos, observa que as politicas do governo permitiram o aumento de  um frango a mais para o pobre, mas em compensação contemplou o o mesmo peso em diamantes para os ricos, aumentando sobremaneira as desigualdades. A maior parte dos investimentos do governo Lula e Dilma, destinou-se a grandes EMPRESAS e à grupos econômicos, beneficiados no tempo de Sarney, Color/Itamar e FHC. Parafraseando o próprio Lula, NUNCA ANTES NESTE PAIS, OS PROPRIETARIOS CAPITALISTAS [sem esquecer os políticos], ENRIQUECERAM TANTO, mesmo diante da queda brutal no déficit nas exportações e da grave desindustrialização da economia brasileira. Tornando a nação refem das commodities do agronegocio.

Se for verdade que o real desvalorizou 20% nos últimos 24 meses como acaba de afirmar, no Senado, o presidente do Banco Central Alexandre Tombini, e diante do aumento absurdo dos juros reais e das dividas interna e externa, nos últimos três anos. Podemos concluir, uma inflação cada vez mais sentida no bolso da população assalariada, sendo mocozada e a informação sonegada ao povo,  pelo governo.

Com o endividamento crescente da classe média, que compromete sua renda pelos próximos, 1, 3, 5, 10, 30 anos, sem ver a cor do dinheiro, portanto escravizados pela politica de incentivo ao consumismo do governo, e dos juros bancários, o risco é repetir aqui a BOLHA INFLACIONARIA E RECESSIVA DE BUSH, DE 2008, Basta o primeiro milhão de crediciários deixarem de pagar seus carnês, por tres meses. Ai salve-se quem puder, com a agua morro abaixo.

Sejamos honestos, esta situação do pais é boa pra que e quem, camaradas? Reginaldo Bispo-MNU de Lutas.

DESMISTIFICANDO O DISCURSO DAS ANALISES SOCIAIS ECONÔMICAS GOVERNISTAS

Para a exploração capitalista!

 

 

Fonte: Facebook

 

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