segunda-feira, setembro 20, 2021
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Dias com Viviane: trajetória audiovisual de Viviane Ferreira

A programação da Cinemateca do MAM apresenta no mês de julho a mostra Dias com Viviane: trajetória audiovisual de Viviane Ferreira. Durante a mostra, o público terá acesso a filmes realizados pela cineasta de forma online e gratuita. Os filmes serão programados entre os dias 2 de julho a 5 de agosto, através da página oficial da Cinemateca do MAM no Vimeo.

Viviane Ferreira começou a construir sua carreira no audiovisual na virada da primeira década do século XXI. Entre curtas e médias metragens de ficção ou documentais, além de videoclipes e outros formatos de produção, Viviane estabeleceu-se como uma importante referência do audiovisual negro brasileiro. Foi a segunda mulher negra a dirigir um longa-metragem no Brasil, com o filme Um Dia Com Jerusa (2020). 

A produção de Viviane nasce num momento de transição tecnológica, de estruturação de novas políticas públicas e de expansão da produção fora dos eixos tradicionais e hegemônicos de produção do audiovisual no Brasil. Com a mostra a Cinemateca do MAM pretende revisitar parte dessa produção em uma tentativa de pensar e compreender o cinema que foi feito no Brasil ao longo dessas duas primeiras décadas deste século. Além de cineasta e advogada, Ferreira é uma ativista e uma liderança na produção independente brasileira, criando e assumindo a presidência da APAN – Associação de Profissionais do Audiovisual Negro e em 2021, assumindo a direção da SPCine, distribuidora da prefeitura da cidade de São Paulo.

As sessões estão divididas em cinco programas, que seguem uma ordem cronológica das realizações da diretora. O primeiro programa será exibido do dia 2 ao 8 de julho e apresenta duas obras produzidas na primeira década dos anos 2000. O média-metragem Dê sua ideia, debata é um documentário que apresenta opiniões diversas acerca de temas como afrocentrismo, diáspora africana e classificação racial.  Já o curta-metragem Mumbi7cenas pós Burkina traz a cineasta Mumbi no processo de construção de um roteiro, rememorando obras importantes da história do cinema brasileiro.

O segundo programa exibe videoclipes dirigidos pela realizadora através da produtora Odun Filmes e o curta-metragem O Dia de Jerusa, selecionado e premiado em festivais como Rotterdã, Tiradentes, Mostra Internacional de São Paulo e Festival Internacional de Mulheres no Cinema. O dia de Jerusa apresenta as personagens Silvia e Jerusa, que compartilham em uma tarde vivências que remontam às suas ancestralidades. O programa será exibido entre os dias 9 e 15 de julho.

O terceiro programa acontece dos dias 16 a 22 de julho, apresentando o documentário Peregrinação, realizado em 2014. A obra conta a trajetória do candomblé como estratégia de resistência da população negra no Brasil por meio das experiências de um escritor africano, da região do Djibuti, em viagem a Salvador/BA e de uma produtora cultural brasileira, do Rio de Janeiro, em sua primeira viagem à Ilha de Goré, no Senegal.

Já o quarto programa será exibido dos dias 23 a 29 de julho, com a obra Sambailando, que apresenta as origens e desenvolvimento do estilo musical Samba Rock. Finalmente, a quinta sessão acontece durante os dias 30 de julho a 5 de agosto, apresentando o filme Pessoas- Contar para Viver, dirigido e apresentado pelos diretores Marcelo Machado, Marco Del Fiol, Pedro Cezer, Tatiana Toffoli e Viviane Ferreira. 

Além das exibições dos filmes, a programação conta com um debate com a realizadora Viviane Ferreira e mediação da professora Izabel Melo da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), no dia 16 de julho às 16h, através do canal da Cinemateca do MAM no Youtube e Facebook.

Serviço

Data: de 2 de julho a 5 de agosto de 2021

Local da exibição dos filmes: ​ Canal da Cinemateca do MAM (www.vimeo.com/channels/cinematecadomam) 

Local do debate: Youtube e Facebook do MAM Rio

Ingresso: Gratuito

Sessões

SEX 2 JUL – QUI 8 JUL

Programa 1. 

Dê sua ideia, debata de Viviane Ferreira. Brasil, 2008. Documentário. 28’. Sinopse: Documentário que apresenta opiniões diversas acerca de temas como afrocentrismo, diáspora africana e classificação racial. As entrevistas foram realizadas na semana do 20 de novembro de 2007 nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro em contextos que, de alguma maneira, acontecia debates sobre relações raciais. 

Mumbi7Cenas Pós Burkina de Viviane Ferreira. Brasil, 2010. Com Maria Gol. 7’. Classificação indicativa livre. Sinopse: Depois de participar de um importante festival de cinema, a jovem cineasta Mumbi não consegue conceber sua próxima obra. A recordação de obras marcantes do cinema brasileiro aciona seu processo criativo.

SEX 9 – QUI 15 Jul

Programa 2. 

D’origem africana de Viviane Ferreira. Brasil, 2013. Videoclipe . 4’40’’. Sinopse: Clipe produzido pela Odun Filmes, fruto da premiação em 1º lugar na 2ª edição do Festival Mulheres Mcs recebido pelo grupo D’Origem com a música De origem africana.

Amor ao rap de Viviane Ferreira. Brasil, 2012. Videoclipe. 4’40’’. Sinopse: Clipe produzido pela Odun Fimes, fruto do 1º prêmio da 1ª edição do Festival Mulheres Mcs recebido por Amanda Negrasim com a música Amor ao Rap.

Carroceiro de Viviane Ferreira. Brasil, 2012. Videoclipe . 3’53”.

Amigo também pode de Viviane Ferreira. Brasil, 2012, Videoclipe. 4’41”.

O dia de Jerusa de Viviane Ferreira. Brasil, 2014. Com Léa Garcia e Débora Marçal. 20’. Classificação indicativa livre. Sinopse: Bixiga, coração de São Paulo. Jerusa, moradora de um sobrado envelhecido pelo tempo, recebe, num dia especial, Silvia, uma investigadora de opinião que circula pelo bairro convencendo pessoas a responderem a questionários para uma pesquisa de sabão em pó. No momento em que conhece Silvia, Jerusa proporciona-lhe uma tarde inusitada repleta de memórias, convidando-a a partilhar momentos de felicidade com uma “desconhecida”.

SEX 16 – QUI 22 Jul

Programa 3. 

Peregrinação de Viviane Ferreira. Brasil, 2014. Documentário. 50’ Classificação indicativa 10 anos. Sinopse: Documentário que conta a trajetória do candomblé como estratégia de resistência da população negra no Brasil por meio das experiências de um escritor africano, da região do Djibuti, em viagem a Salvador/BA e de uma produtora cultural brasileira, do Rio de Janeiro, em sua primeira viagem à Ilha de Goré, no Senegal.

SEX 23 – QUI 29

Programa 4. 

Sambailando de Viviane Ferreira. Brasil, 2012. Documentário. 50’ Classificação indicativa 10 anos. Sinopse: O Samba Rock, suas origens, sua caminhada na música e na dança, até os dias de hoje.

SEX 30 Jul – QUI 5 Ago

Programa 5. Pessoas – contar para viver de Marcelo Machado, Marco Del Fiol, Pedro Cezer, Tatiana Toffoli e Viviane Ferreira. Brasil, 2019. Documentário. 86’. Classificação indicativa 10 anos. Sinopse: E se existisse um museu que ao invés de abrigar objetos materiais pudesse abrigar histórias de vida de pessoas, qualquer pessoa, muitas pessoas? Pois ele existe. Cinco documentaristas são convidados a adentrar o acervo do Museu da Pessoa composto por mais de 18 mil histórias de vida e a propor releituras e recortes autorais. Os cinco documentaristas – Marcelo Machado, Marco Del Fiol, Pedro Cezar, Tatiana Tofolli e Viviane Ferreira – e a fundadora do Museu, Karen Worcman, contam suas próprias histórias de vida ao longo do documentário. O filme é ́ uma viagem afetiva pela vida de brasileiros e brasileiras como a história de Sinair, garimpeiro desde os 11 anos, Amir Klink, atleta que cruzou o Atlântico numa canoa, Tula Pilar, empregada doméstica que se tornou poeta, Kaka´ Wera´, que se descobriu indígena quando entrou na escola e tantas outras. Um passeio pelos conflitos da história brasileira recente a partir das memórias dos seus habitantes. Viver para contar e contar para viver.

Debate

SEX 16 JUL, às 16h (Youtube e facebook)

Dias com Viviane: trajetória audiovisual de Viviane Ferreira. Conversa com Viviane Ferreira. Mediação Izabel Melo.

Sobre Izabel Melo:

Doutora em Meios e Processos Audiovisuais pela ECA/USP. Professora da UNEB, pesquisadora  da Filmografia Baiana, integrante dos Grupos de Pesquisa “História e Audiovisual: circularidades e formas de comunicação” (ECA/USP) e “Cinema, História e Educação: teoria e mediação pedagógica” (UNEB).  Autora do livro “Cinema é mais que filme”: uma história das Jornadas de Cinema da Bahia (1972-1978), (2016), além de outras publicações em livros e revistas. Também colabora com festivais, participando de curadorias e júri. Têm interesses de pesquisa vinculados à história e historiografia do cinema, sociabilidades, cineclubismo, festivais de cinema e formação.

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