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Empresária vai construir fábrica de bonecas negras na Baixada

Empresária vai construir fábrica de bonecas negras na Baixada

Com tecidos, lãs e muitas cores, ela costura sonhos e histórias onde crianças negras podem se reconhecer. Nascida de uma geração que herdou a representatividade em trapos, a empresária Jaciana Melquíades, da Era Uma Vez o Mundo, quer que crianças possam tecer um futuro onde seja possível se ver em brinquedos e livros.

Por Cíntia Cruz Do Extra

Criada há sete anos na Vila Jolá, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, e hoje no Centro do Rio, a empresa, que tem o objetivo de trabalhar a questão racial com crianças, se prepara para fazer o caminho inverso: voltar para a Baixada. Jaciana quer construir na cidade uma fábrica de brinquedos afrocentrados e impactar a região onde tudo começou.

Historiadora, Jaciana começou a fazer livros de panos pintados à mão e camisetas para se manter. Com o marido e sócio, Leandro Melquíades, professor de História, eles vendiam os produtos no Centro do Rio, onde moravam. Após a gravidez, o casal decidiu abordar a questão racial em seus trabalhos.

— Quando Matias nasceu, surgiu a preocupação sobre como ele se veria no mundo. Então, pensamos em levar a Era Uma Vez o Mundo para o público afrocentrado — explica a empresária.

O primeiro retorno de Jaciana a Belford Roxo foi em 2013, quando o filho tinha 2 anos. Eles começaram a produzir livros e bonecos com a temática negra. A empresa deslanchou. Nos anos seguintes, chegou a fazer 1.156 cópias de livro para escolas de educação infantil do Rio.

— O lema é ler e brincar. O livro “Mariana’’ traz um turbante para a criança desfazer a ideia de que é algo negativo. O trabalho antirracista começa na educação infantil — lembra Leandro.

Procura por investidores

Há dois anos, Jaciana voltou a morar no Rio. Ela quer transformar o espaço onde será a fábrica, na Vila Jolá:

— Voltar com a fábrica para cá é a possibilidade de diálogo com a comunidade na qual eu me formei. Quero ensinar as pessoas a pensarem nas questões raciais.

A proposta da Era Uma Vez o Mundo é de ser um espaço de educação e formação cidadã. Os funcionários vão aprender a produzir os brinquedos e também terão aulas de cidadania.

— A sensação que tenho é de que posso transformar o lugar em uma potência para que seja bom coletivamente — ressalta a empresária.

Leandro e Jaciana criaram campanha de financiamento coletivo e estão apresentando o projeto para investidores e empresas que financiem projetos de impacto social. As vendas dos bonecos, livros e produtos da marca são feitas pelo site www.eraumavezomundo.com.br.

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