quinta-feira, outubro 6, 2022
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Erika Januza faz avaliação de sua trajetória como atriz: “nada veio fácil para mim”

Em um papo com a Vogue Brasil, Erika Januza avalia sua participação impecável em "Verdades Secretas 2", revela preparação para o posto de Rainha de Bateria no Carnaval e ainda conta um pouco sobre seu namoro com Juan Nakamura

Erika Januza está colhendo todos os frutos de seu trabalho como atriz cuja carreira começou há mais dez anos. 

Aos 36 anos, a mineira admite que ‘ganhou um presente’ de Walcyr Carrasco ao ser escalada para a nova temporada de “Verdades Secretas 2” e dar vida ao drama de Laila, uma jovem aspirante a modelo que é incentivada a consumir remédios para emagrecer. Mas se pensarmos bem, quem saiu ganhando com a participação foram os fãs da série que puderam ver Erika em um de seus melhores momentos na televisão.

Visilvelmente mais magra nos episódios em que aparece contracenando ao lado de Sergio Guizé, ela conta que perdeu 10 quilos em prol da coerência com a estética da personagem que infelizmente não tem um final feliz. 

Após descobrir o caso entre Ariel (Sérgio Guizé) e Blanche (Maria de Medeiros), Laila toma uma cartela inteira de remédios e sofre uma overdose, que a levou à morte. “Eu também torcia pela melhora da Laila, mas acho interessante esse alerta porque nem sempre quando as pessoas entram nesse tipo de situação elas encontram uma saída”, diz. 

“Achei super coerente falarmos de suicídio, um assunto tão sério e que precisa ser levantado como um alerta para que as pessoas olhem para ao seu redor e entendam que pode existir um problema oculto em algum conhecido que vai precisar de um olhar da família ou de quem estiver por perto para dar suporte”, avalia.

Aqui, você confere um pouco mais do papo da artista com a Vogue Brasil, onde ela avalia sua trajetória profissional, revela preparação para o posto de Rainha de Bateria no Carnaval e ainda conta detalhes sobre seu namoro com Juan Nakamura, filho de Carol Nakamura, cuja sua amizade com a família é de longa data: “Minha maior preocupação antes de começar a namorar era a Carol. Meu respeito por ela é tanto que fui pedir pessoalmente e perguntar se era tudo bem nos relacionarmos. Ela já estava apoiando antes mesmo de rolar”.

Uau! Gostaria de te parabenizar pela atuação em ‘Verdades Secretas’. Que show! Como aconteceu o convite/preparação para uma personagem tão forte e intensa?
‘Verdades Secretas’ foi um presente para mim. O convite chegou através do Guilherme Gobbi, produtor de elenco. Já tínhamos tentado repetir a parceria com Walcyr Carrasco em “A Dona do Pedaço”, mas não deu certo. Neste novo momento ele me presenteou com a Laila.

Aprendi muito como atriz, me senti mais potente, as possibilidades da personagem me ensinaram muito. Saí com um gás e uma vontade de criar ainda mais. Foi impressionante o que a personagem fez comigo.

Como foi seu processo de emagrecimento para o papel e quantos quilos emagreceu?
Não tive pressão por parte dos diretores para emagrecer, mas foi uma opção minha porque achei que seria coerente com a estética da personagem. Perdi 10 quilos com uma dieta muito saudável. Procurei um médico ortomolecular que fez um monte de exames para entender como estava minha saúde. Um nutricionista que cuidou da minha alimentação do início ao fim. Segui exatamente o que eles me passaram e funcionou muito. Contei com a ajuda de um chef de cozinha que fazia as refeições para que fosse possível manter porque com a correria do dia a dia as vezes é mais complicado conseguir seguir uma dieta. Sou muito grata a eles que me deram todo o suporte. E agora já estou na luta para voltar e ganhar um pouco mais de peso para a série ‘Arcanjo Renegado’ e para o Carnaval. Quero estar com um pouco mais de massa muscular.

A questão do emagrecimento foi especialmente para a estética da personagem e foi bem tranquilo porque fiz com saúde e acompanhamento. Achei que iria sofrer porque nunca tinha feito dieta, mas foi bem interessante me esforçar e conquistar o resultado que eu queria.

Qual foi seu maior desafio nesse novo projeto?
Meu maior desafio nesse projeto acho que foi com certeza perder peso, me desconstruir para viver uma personagem tão diferente da minha realidade e ao mesmo tempo tentar passar uma verdade sobre a situação. Temos toda a licença poética dentro da construção, tudo muito intenso, mas conversei com muitas pessoas que tomaram esse remédio, psiquiatras, fiz uma pesquisa bem grande antes de construir a Laila e todos os relatos se encaixavam perfeitamente com o que o Walcyr Carrasco havia escrito e o com o caminho criativo da direção. No final deu tudo mais do que certo.

Poxa, fiquei triste ao descobrir que a Laila tira a própria vida no próximo bloco. Torcia pela melhora dela. Como você avalia esse final?
Eu também torcia pela melhora da Laila, mas acho interessante esse alerta porque nem sempre quando as pessoas entram nesse tipo de situação elas encontram uma saída. A torcida é sempre positiva e o objetivo é que as pessoas vejam um personagem como esse e, por mais que tenhamos algumas licenças poéticas em relação à intensidade do resultado desse medicamento no corpo, entendam que se automedicar pode acarretar problemas mais sérios e muitas vezes sem volta. Isso acontece com muita gente.

A Laila carrega esse alerta da automedicação, do ‘tudo pela estética’. É preciso tomar cuidado porque as pessoas passam por procedimentos sem pensar na segurança e acabam perdendo a própria vida. Adoraria que ela se vingasse de Blanche [personagem de Maria de Medeiros], do Ariel [Sergio Guizé] e desse a volta por cima, mas acho importante fazer diferente e mostrar que as vezes o caminho pode não ser tão legal e dar errado.

Achei super coerente falarmos de suicídio, um assunto tão sério e que precisa ser levantado como um alerta para que as pessoas olhem para ao seu redor e entendam que pode existir um problema oculto em algum conhecido que vai preciser de um olhar da família ou de quem estiver por perto para dar um suporte.

Você foi coroada rainha de bateria da Unidos do Viradouro no Dia da Consciência Negra. Qual importância deste fato para você?
Foi muito lindo isso. Aconteceu após uma sugestão do presidente da escola de samba. Todo ano tento fazer algo simbólico no Dia da Consciência Negra e ele me deu esse presente. Foi muito emocionante ser coroada uma rainha de bateria negra no Carnaval, que é uma festa com origens do povo negro. Estar nesse lugar para mim diz muito sobre toda essa ancestralidade, histórias de reis e rainhas negros que perderam as suas origens, seus nomes, suas histórias por conta de anos e anos de escravização do povo negro. Essa data enaltece tudo isso e é algo muito forte.

Como tem se preparado fisicamente para o desfile durante o Carnaval?
Estou gravando a série ‘Arcanjo Renegado’ então não estou conseguindo tempo para ir à academia. Minha preparação está sendo nos ensaios que estão me dando suporte para estar mais bem preparada para o Carnaval. Mas assim que eu tiver tempo, terminar de gravar vou voltar a malhar. Me preocupo muito com a questão do fôlego e estar com saúde é o principal.

Como você avalia sua trajetória pelo mundo das artes?
Minha trajetória é de muita luta. Minha vida no meio artístico e como atriz passou por autos e baixo, nada veio fácil para mim. Toda oportunidade que bate na minha porta eu agarro com unhas, dentes, mãos, braços e tento dar sempre meu melhor porque sei que cada oportunidade é única. É muito difícil conquistarmos um espaço e sou muito grata por cada chance dando o meu melhor sempre para que uma puxe a outra.

Apesar disso meu caminho foi um processo bem solitário. O meio artístico, eu entendi, que ele te ensina muito mais quando você está no perrengue porque é aí que mora a solidão, são poucas as pessoas que te ajudam. Quando você está com mais oportunidades ao seu redor, mais pessoas desejam estar a sua volta. Então é um momento que precisamos estar atentos, entender o que isso tudo significa e não perder as origens, não esquecer quem você é, não esquecer as dificuldades que já passou e isso é muito forte para mim. Acho importante ter uma rede de apoio e ficarmos atentos naquelas pessoas que estão sempre do nosso lado nos momentos difíceis.

Como é fazer parte da família Nakamura? Você e a Carol já eram amigas antes do seu namoro com o Juan?
É uma delícia, uma família jovem. Eu e a Carol já nos conhecíamos, fizemos a novela ‘Sol Nascente’ juntas. Também já conhecia o Juan por fotos que ela havia me mostrado e foi muito surpreendente esse relacionamento. Minha maior preocupação antes de começar a namorar era a Carol. Meu respeito por ela é tanto que fui pedir pessoalmente e perguntar se era tudo bem nos relacionarmos. Ela já estava apoiando antes mesmo de rolar e tentando armar para que nosso relacionamento desse certo. E estamos juntos há quase dois anos. Ela é uma querida, o Guilherme marido dela também. Sou muito feliz com eles e com o Juan.

Sentiu algum tipo de machismo ao anunciar seu namoro por conta da diferença de idade?
Não senti. De um tempo para cá, quando eu falo de relacionamentos na minha vida, eu parei de me preocupar com o que as pessoas estão pensando. Me preocupei antes do início do namoro com questões da idade, questões raciais que pensei comigo mesma, mas na hora de contar para o mundo eu sei que haverá críticas, independente de quem seja a pessoa que eu escolha para me relacionar. Simplesmente não leio e não dou atenção. Só eu sei o bem que ele me faz e o quanto sou feliz. Então se eu cair nessa armadilha de ficar para baixo, com raiva, só vai me fazer mal. Quem sabe do meu dia a dia, das vitórias, quem está do meu lado, minhas parcerias sou eu e acho que esse é o principal. Felicidade em primeiro lugar.

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