Escolas não estão preparadas para combater homofobia, dizem especialistas

Especialistas em questões de diversidade alertam que instituições de ensino não estão aptas a estimular o debate da igualdade, o que poderia evitar tragédias como a morte de adolescente filho de pais gays na Grande São Paulo

Por Marcella Fernandes, do Correio Braziliense 

A morte de Peterson Ricardo de Oliveira, 14 anos, após ter sido agredido na escola em que estudava por ser filho adotivo de um casal homoafetivo, evidencia a homofobia nas instituições e as falhas do sistema educacional em lidar com questões de gênero e de orientação sexual. O adolescente morreu na segunda-feira (9/3), após ser internado no dia 5 com parada cardiorrespiratória no Hospital Regional de Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo.

Apesar de existirem iniciativas pontuais de conscientização tanto de alunos quanto de educadores, não há políticas públicas efetivas para coibir a homofobia e a violência de gênero. Em 2011, o projeto Escola sem Homofobia, feito em parceria com o Ministério da Educação e conhecido como “kit gay”, perdeu força após críticas e pressão de bancadas religiosas no Congresso. A iniciativa foi suspensa pela presidente Dilma Rousseff naquele ano.

Atualmente, o projeto atende a demandas específicas, quando pedidos por escolas, explica Guilhermina Cunha Aires, vice-presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) e integrante do Escola sem Homofobia. Ela afirma que, na maioria das vezes, as agressões são negadas por professores e diretores. “Mais de 90% da violência que acontece na escola não é noticiada”, diz. Em relatório publicado em 2012, a entidade detectou que diversos professores não se sentiam preparados para lidar com essas questões e temiam que as famílias se opusessem à discussão desses temas no ambiente escolar.

Tais barreiras fazem com que a história de Peterson não seja rara. Em 2014, foram registradas 1.013 denúncias de homofobia pelo Disque 100. São Paulo é o estado com maior número de casos. Foram 150, o equivalente a 24,68% do total no país. Rio de Janeiro e Minas Gerais aparecem em seguida, com 7,60% e 7,21% das denúncias, respectivamente.

A matéria completa está disponível aqui, para assinantes.

Leia Também:

Morre Peterson Ricardo de Oliveira filho de casal de homossexuais agredido em escola de SP

+ sobre o tema

Mulheres negras empreendedoras na cidade de Salvador

Logo após a abolição da escravatura, a população feminina...

Vereadora de Uberlândia, mulher e preta, Dandara Tonantziné eleita deputada federal

A vereadora de Uberlândia Dandara (PT) foi eleita deputada...

Maria Firmina dos Reis – Google celebra 194º aniversário com Doodle

Nesta sexta-feira (11), o Google está exibindo um Doodle...

Grupo aciona Supremo por direito a aborto se mulher tiver zika

A Associação Nacional de Defensores Públicos ingressa nesta quarta-feira...

para lembrar

Equador reconhece casamento civil entre pessoas do mesmo sexo

Por cinco votos contra quatro, a corte mais alta...

“Virou Gay Agora?”

No sábado, quando orgulhosamente participei do I Encontro de Jovens Feministas...

Em resposta a racismo e bullying, jovem desenha vestido de formatura em estilo africano

A norte-americana Kyemah McEntyre, de 18 anos, conta que,...

Desmond Tutu: Não gostaria de ir para um céu homofóbico

O arcebispo Desmond Tutu foi uma das principais figuras...
spot_imgspot_img

Pesquisadora aponta falta de políticas para diminuir mortalidade materna de mulheres negras no DF

"O Brasil é um país muito difícil para uma mulher negra ser mãe, por diversos fatores, dentre eles as dificuldades de acesso a saúde pública,...

Documentário sobre Lélia Gonzales reverencia legado da ativista

Uma das vozes mais importantes do movimento negro e feminista no país, Lélia Gonzales é tema do Projeto Memória Lélia Gonzalez: Caminhos e Reflexões Antirracistas e Antissexistas,...

Aborto legal: ‘80% dos estupros são contra meninas que muitas vezes nem sabem o que é gravidez’, diz obstetra

Em 2020, o ginecologista Olímpio Moraes, diretor médico da Universidade de Pernambuco, chegou ao hospital sob gritos de “assassino” porque ia interromper a gestação...
-+=