Eu mulher negra, resisto!

O 25 de julho, marco internacional da luta e resistência da mulher negra, foi escolhido durante o I Encontro de Mulheres Negras Latinoamericanas e Caribenhas, em 1992, para chamar atenção às demandas e necessidades nas vidas das mulheres negras da América Latina e Caribe. Mas porque é preciso ter um dia da mulher negra? As mulheres negras são as que mais são afetadas pelo preconceito e discriminação racial.

O Brasil é um país repleto de desigualdades decorrentes de questões regionais, étnico-raciais, etárias, de gênero e territoriais. O racismo é uma das expressões mais fortes dessas desigualdades, atingindo em torno de 47% da população brasileira.

Em 2010, o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística calculou que no Brasil, somos, aproximadamente, 50 milhões de mulheres negras.

Racismo, preconceito e discriminação estão presentes na sociedade brasileira e reforçam as desigualdades e exclusão das mulheres negras em vários setores – política, educação, saúde, cultura, trabalho etc.

Segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde – essa discriminação resulta numa taxa seis vezes maior de mortalidade materna no grupo de jovens, meninas e mulheres negras em relação às mulheres não negras.

No Rio de Janeiro, as mulheres negras são a maioria entre as vítimas de homicídio doloso – aquele com intenção de matar (55,2%), tentativa de homicídio (51%), lesão corporal (52,1%), além de estupro e atentado violento ao pudor (54%).

“Discriminação contra a mulher significa toda distinção, exclusão ou restrição baseada no sexo e que tenha por objeto o resultado de prejudicar ou anular o reconhecimento, gozo ou o exercício pela mulher, independente de seu estado civil, com base na igualdade do homem e da mulher, dos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos políticos, econômico, social, cultural e civil ou em qualquer outro campo”(Convenção da ONU/1979 sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra a Mulher).

ONDE ESTÃO AS MULHERES NEGRAS NO MERCADO DE TRABALHO?

Você vê jovens ou mulheres negras trabalhando como recepcionistas, vendedoras de shoppings e/ou nos bancos da rede privada? Quantas vezes você já foi atendida/o por uma médica negra? O racismo, no Brasil, empurra as mulheres negras para fora do mercado de trabalho formal e é o pai da “boa aparência”, frequentemente, exigida no mercado.

No mercado de trabalho formal ocupamos o último lugar na base da pirâmide dos indicadores
socioeconômicos – resultado: recebemos o menor salário do país (LAESER/2010).

71% das mulheres negras estão nas ocupações precárias e informais, isso quer dizer sem direitos trabalhistas e previdenciários garantidos; contra 54% das mulheres brancas e 48% dos homens brancos. (Dados DIEESE/SEADE, IBGE, IPEA)

A pirâmide dos indicadores salariais, que demonstra as desigualdades de gênero e raça, aponta que o homem branco tem o maior salário. Depois, vem o salário da mulher branca; depois do homem negro e, por fim, o menor salário: o da mulher negra.

Uma em cada quatro jovens negras brasileiras entre 15 e 24 anos não estuda ou não trabalha – o que corresponde a 25,3% dessa faixa da população.

A taxa de mulheres negras que não trabalham ou não estudam é superior a das mulheres jovens em geral (23,1%), dos homens jovens (13,9%) e dos homens negros (18,8%).( OIT, 2012)

Quando comparamos a presença dos homens e mulheres negras no ensino superior, chegamos à conclusão que, mesmo as mulheres tendo maior presença nas universidades, elas sofrem mais com o desemprego do que os homens negros (DIEESE, 2007), que também sentem o preconceito racial da sociedade brasileira.

Assim, há a dupla exclusão dessas mulheres, racial/étnica e gênero.

“Eu mulher negra, resisto” (Alzira Rufino, ativista política do Movimento de Mulheres Negras e do Movimento Negro)

Luisa Mahin, ex-escrava e líder da Revolta dos Malês, a maior de todas as rebeliões de escravos da Bahia (1835).

Mariana Criola, líder, juntamente com Manuel Congo, da maior fuga de escravos da história fluminense (1838). Foi presa, após resistir ao cerco da polícia, sob os gritos de “Morrer Sim, entregar não!”

Antonieta de Barros, jornalista negra, nascida no início do século XX, em Santa Catarina, rompeu fronteiras e se tornou a primeira mulher negra a assumir um mandato popular no
Brasil, eleita deputada estadual duas vezes pelo voto direto.

Lélia Gozález, intelectual, política, professora, antropóloga brasileira e ativista histórica no Movimento Negro e uma das fundadoras do Feminismo Negro Brasileiro.

Fontes de pesquisa
Políticas Públicas contra o Racismo – publicação CRIOLA/2010 – OMS – Organização Mundial de Saúde – LAESER – DIEESE/SEADE – IBGE – IPEA

 

 

Fonte: RETS

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