terça-feira, agosto 9, 2022
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EUA oferecem à Rússia troca de prisioneiros envolvendo estrela de basquete Brittney Griner

Atleta americana foi detida em aeroporto de Moscou acusada de portar substâncias ilícitas

O governo dos EUA propôs ao Kremlin uma troca de prisioneiros para libertar a estrela do basquete americano Brittney Griner e o ex-militar Paul Whelan, ambos detidos na Rússia. A proposta foi revelada nesta quarta (27) pelo secretário de Estado Antony Blinken, que anunciou que deve ter, nos próximos dias, a primeira conversa com o chanceler russo, Serguei Lavrov, desde o início da Guerra da Ucrânia.

Para possibilitar a negociação, os EUA se dispuseram a entregar o traficante de armas russo Viktor Bout. Conhecido como “Mercador da Morte”, ele foi detido em Bancoc, na Tailândia, numa operação da Agência de Repressão às Drogas dos EUA, em 2008, e extraditado para Nova York em 2010.

De acordo com o jornal The New York Times, a proposta teria o aval do presidente Joe Biden, que, em meio a uma crise de popularidade que ameaça a ligeira maioria do Partido Democrata no Legislativo, estaria sob crescente pressão política para libertar os americanos. “Paul Whelan e Brittney Griner foram detidos injustamente e devem ser autorizados a voltar para casa”, disse Blinken. O secretário de Estado não deu detalhes sobre a proposta para, segundo ele, não colocar em risco as negociações —ele se limitou a dizer que a oferta é “substancial” e que a Casa Branca está otimista com a concretização do acordo.

Duas vezes medalhista de ouro em Olimpíadas, Griner foi detida em um aeroporto de Moscou em fevereiro ao ser flagrada portando em sua bagagem cartuchos de vaporizadores contendo um derivado de cânabis em forma de óleo. Ela admitiu o porte, mas afirmou em audiência que embalou acidentalmente uma pequena quantidade da substância, que disse usar sob a orientação médica para controle de dores.

Já o ex-soldado americano Paul Whelan está detido desde 2018 na Rússia e foi condenado a 16 anos de cadeia. Ex-integrante dos fuzileiros navais dos EUA, ele afirma que estava no país para comparecer a um casamento e que foi surpreendido com a prisão. Além da cidadania americana, ele possui ainda passaportes de Canadá, Irlanda e Reino Unido. O governo russo, por sua vez, alega que o ex-militar foi pego em flagrante com um pen drive que guardava informações confidenciais.

Blinken conversou pela última vez com Lavrov em 15 de fevereiro, nove dias antes da invasão russa do país vizinho. À época, expressou preocupações com a possibilidade de um conflito armado. Desde então, as relações diplomáticas entre os dois países estão praticamente paralisadas. De acordo com a agência estatal russa Tass, Moscou não havia sido oficialmente informada por Washington até esta quarta a respeito do possível telefonema entre os dois diplomatas.

O secretário de Estado destacou também que Washington cobrará o cumprimento do pacto de exportação de grãos ucranianos, acertado com mediação da ONU e da Turquia. No dia seguinte à assinatura do acordo, a Rússia atacou a cidade portuária de Odessa, gerando dúvidas sobre a viabilidade do trato.

“Esperamos que esse acordo permita o rápido embarque de grãos ucranianos no mar Negro e que a Rússia respeite sua promessa de permitir a passagem de navios”, disse Blinken. O pacto pode aliviar uma situação de crise alimentar que empurrou 47 milhões de pessoas para a fome aguda, segundo o Programa Alimentar Mundial. O bloqueio nas exportações contribuiu ainda para a alta de preços dos cereais.

EUA e Rússia selaram em abril outro acordo para a troca de prisioneiros. Moscou comunicou a troca de Trevor Reed, ex-fuzileiro naval condenado em 2020 a nove anos de prisão por violência, pelo cidadão russo Konstantin Iarochenko, piloto que cumpria sentença de 20 anos de detenção por tráfico de cocaína.

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