domingo, junho 26, 2022
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Filmes para ver de graça online: Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul reúne 130 produções

Dona Ivone Lara já cantava: “Um abraço negro traz felicidade”. Embora a pandemia tenha impedido essa troca presencial, o tema “A experiência do abraço” foi o que norteou a seleção das 130 produções nacionais e internacionais, entre curtas e longas, exibidas no 13º Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul – Brasil, África, Caribe e Outras Diásporas. Gratuitas, as sessões serão apresentadas na plataforma Innsaei, até o dia 30 de outubro

A abertura do encontro aconteceu na quarta (21), com uma homenagem a Souleymane Cissé, um dos precursores do cinema africano. O cineasta nasceu no Mali, país que comemora 60 anos de independência em 2020.

— Para nós, a experiência do abraço é tão essencial quanto a exibição dos filmes — diz Viviane Ferreira, diretora artística do evento, presidente do Comitê Brasileiro de Seleção do Oscar 2021 e segunda mulher negra a dirigir um longa-metragem no país (“Um dia com Jerusa”, de 2018).. — Somos encontro, não festival. O olhar da curadoria foi direcionado para identificar essa afetividade nos filmes.

O Encontro de Cinema Negro é uma iniciativa do Centro Afro Carioca de Cinema, fundado em 2007 pelo ator e cineasta Zózimo Bulbul (1937-2013). Este ano, a curadoria é assinada por Janaína Oliveira e Ana Paula Alves Ribeiro

Principais atrações

Entre os destaques da programação está o longa “Residue” (2020), do norte-americano Merawi Gerima, exibido pela primeira vez na América Latina nesta quinta (22), às 20h30. A ficção aborda o processo de gentrificação de bairros negros nos Estados Unidos a partir do retorno de Jay (Obinna Nwachukwu), um jovem aspirante a cineasta, à vizinhança onde nasceu, em Washington. O evento também traz produções africanas nunca exibidas no Brasil, como o documentário “Talking about trees” (2019), do sudanês Suhaib Gasmelbar, que mostra a volta de três cineastas ao país, após o exílio.

Os filmes nacionais incluem “Cabeça de nêgo” (2020), do cearense Déo Cardoso, que narra os conflitos de um aluno que tenta impor mudanças na escola, inspirado por um livro dos Panteras Negras.

As exibições dos filmes serão diárias, divididas em dois blocos: das 13h às 19h, e às 20h30. Quase todas serão acompanhadas por debates. No último dia, o cantor Tiganá Santana fará uma apresentação antes da exibição do filme de encerramento, “Chico Rei entre nós”, de Joyce Prado.

— O sistema de distribuição mundial do cinema ainda é pautado pela lógica colonial. Os grandes países produtores olham para os outros territórios apenas como audiência receptora, o que afasta nosso acesso a produções de África e de outros países da diáspora — critica Viviane.

A programação completa pode ser conferida no site do Centro Afro Carioca de Cinema.

Fonte: O Globo, por David Barbosa

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