O Geledés – Instituto da Mulher Negra lança a Nota Técnica “Orientações e princípios para o enfrentamento antirracista dos combustíveis fósseis” no marco da Primeira Conferência sobre a Transição para longe dos Combustíveis Fósseis, que acontece de 24 a 29 de abril, em Santa Marta, na Colômbia. O documento reposiciona o debate climático a partir de uma perspectiva racial, histórica e territorial.
A nota afirma que a crise climática não é apenas ambiental, mas resultado de um modelo de desenvolvimento baseado na expropriação da população afrodescendente, indígenas e periféricos. As chamadas “zonas de sacrifício”, marcadas por poluição, adoecimento e morte precoce, são estruturais ao sistema energético global. Nesse contexto, os combustíveis fósseis — carvão, petróleo e gás — integram um legado colonial que sustenta o racismo ambiental.
O texto alerta que a transição energética, quando conduzida de forma tecnocrática, pode reproduzir desigualdades e violências. Por isso, defende que o fim dos combustíveis fósseis deve ser entendido como uma agenda de justiça racial e reparação histórica, e não apenas de descarbonização.
Entre as propostas, estão a titulação de territórios afrodescendentes, o fortalecimento da governança comunitária, a garantia do consentimento livre, prévio e informado e a criação de mecanismos de redistribuição e responsabilização de empresas e Estados. A nota também destaca a necessidade de integrar saúde e clima e de produzir dados racializados sobre os impactos da crise.
Ao incidir no debate internacional, o Geledés reforça que não existe transição justa sem reparação, nem governança legítima sem a participação daqueles que são mais impactados. Enfrentar os combustíveis fósseis, nesse sentido, é enfrentar as estruturas que historicamente determinam quem vive e quem morre.
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