domingo, novembro 28, 2021
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Gerente da Zara é indiciado por racismo em caso de delegada negra barrada em loja de Fortaleza

Delegada Ana Paula foi impedida de entrar na loja em um shopping de Fortaleza em setembro. Zara alega que ela estava sem máscara e consumindo um sorvete.

Fonte: G1

O gerente da unidade da loja Zara em Fortaleza foi indiciado por racismo, em razão da abordagem a uma delegada de polícia negra, barrada ao tentar entrar no estabelecimento. O caso aconteceu em 14 de setembro. A delegada Ana Paula Barroso, diretora adjunta do Departamento de Proteção aos Grupos Vulneráveis, foi barrada quando entrava no local tomando um sorvete. A Zara disse que a abordagem não foi motivada por questão racial, mas por causa de protocolos de saúde. Informou ainda que não aceita nem tolera discriminação.

Em nota, a Polícia Civil disse que “concluiu as investigações relacionadas ao inquérito policial que investigava um caso de racismo” e “o suspeito do caso foi indiciado pelo crime de racismo”. O g1 apurou que o indiciado é Bruno Filipe Simões Antônio, gerente da loja. Procurada, a loja Zara disse que não vai se pronunciar no momento.

Nesta terça-feira (18), a Polícia Civil fará uma coletiva de imprensa para divulgar mais detalhes sobre a investigação policial que resultou no indiciamento do gerente por racismo.

O crime de racismo contra a delegada Ana Paula pode gerar reclusão de um a três anos e multa ao funcionário suspeito de cometer a discriminação racial, e também punição cível à loja, segundo a Comissão de Promoção da Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil no Ceará (OAB-CE).

A lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que define e pune casos de racismo prevê que tanto o estabelecimento quanto a loja podem sofrer punições judiciais, explica Tharrara Rodrigues, integrante da Comissão de Promoção da Igualdade Racial da OAB-CE.

Relembre o caso

A delegada Ana Paula Barroso alegou ter sido barrada na entrada da Zara, em Fortaleza, no dia 14 de setembro, e denunciou racismo cometido pelo gerente do estabelecimento. Cinco dias depois, a Polícia Civil obteve autorização da Justiça e apreendeu equipamentos de registro de vídeo do estabelecimento para investigação.

Em resposta, a loja afirmou que ela foi barrada porque não usava máscara de proteção em atenção à disseminação do coronavírus e tomava um sorvete. A delegada rebate.

‘Não preciso andar com uma placa’, diz delegada

A policial civil disse à TV Verdes Mares que não precisa andar com uma placa indicando que é delegada para ser respeitada. Ela também afirmou que não foi barrada pelo gerente da loja por falta de máscara, como a Zara alega.

“Eu vou ser sempre abordada porque eu gosto de andar simples no shopping? Às vezes de havaianas, um pouco despenteada, é o meu jeito despojado de andar. Eu não preciso andar com uma placa de que sou autoridade policial para ser respeitada”, disse a delegada.

Ana Paula disse, ainda, ter percebido a sutileza do comportamento preconceituoso, mas que preferiu agir com cautela e com prudência. Segundo a delegada, após se dar conta do comportamento racista cometido, o gerente pediu desculpas.

“Você percebe a sutileza do comportamento preconceituoso, da fala, da abordagem. E é uma suspeita muito forte. Mas até você ter um indício para você dizer: ‘você está preso’, eu preferi ter cautela, agi com prudência, de não me identificar (como delegada), perguntar realmente à segurança do shopping e só ali, se fosse pra fazer uma ação, eu fiquei tão assim, sem reação, que quando ele falou várias vezes ‘me desculpe, eu errei com a senhora’, eu disse: ‘eu queria só que você me dissesse porque você fez isso’, aí no decorrer da fala dele, ele enaltece a questão dos amigos que ele tem transexuais, negros…”, relata a delegada.

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