Índice de mortalidade materna em negras é 7,4 vezes maior

O índice de mortalidade materna em mulheres negras é 7,4 vezes maior do que em mulheres brancas, de acordo com pesquisa de 2008 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desde o início do ano, um projeto realizado pelo ONG Bamidelê vem discutindo direito e saúde sexual e reprodutivo da mulher na Paraíba, com rodas de diálogos e cursos para tratar, entre outros assuntos, sobre morte materna. Nos próximos dias 9 e 10, no Hotel Xênius, será discutida a vulnerabilidade da mulher negra no sistema público de saúde.

O evento vai contar com a participação da educadora Cristina Nascimento(PE) e a professora da UFPB Socorro Borges, que vão abordar os temas Mortalidade Materna e aborto inseguro . De acordo com a coordenadora do projeto, Luana Natiele Basílio, participam do curso mulheres quilombolas, de terreiros, articuladoras da juventude negra e do sindicato das domésticas. O primeiro módulo do curso já foi iniciado com os temas Identidade Negra e Direito e Saúde Sexual e Reprodutivo da Mulher Negra . Infelizmente, como o curso propõe uma continuidade, não será aberto a outros participantes , explicou. A pesquisa divulgada pelo IBGE há três anos ratifica um dado divulgado em 2001 no Manual de Doenças importantes por Razões Étnicas do Ministério da Saúde, que mostrava que o índice de morte materna em mulheres negras é de 275 para cada 100 mil mulheres, enquanto o índice em mulheres brancas é de 43.

Estes índices também são tratados no livro Gestantes Negras: vulnerabilidade, percepções de saúde e tratamento no pré-natal na Grande João Pessoa , dos autores Antônio Novaes e Ivanildes Fonseca. De acordo com Luana Basílio, o livro ressalta que o maior índice de mortalidade negra se dá em função do racismo institucional que a mulher negra sobre no atendimento. Entre as práticas do racismo está a utilização de menor quantidade de anestesia por pressupor que a mulher negra é mais resistente a dor , comentou Luana. No ano passado, pelo menos 28 mulheres tiveram morte materna na Paraíba. As estatísticas mostram que de 2006 a 2010, houve um aumento de 64,7% no número de casos na Paraíba, de acordo com o Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) da Secretaria de Estado da Saúde.

A Organização

Mundial de Saúde (OMS ) define mortalidade materna como a morte de uma mulher durante a gestação ou dentro de um período de 42 dias após o término da gestação, independente da duração ou da localização da mesma, devido a qualquer causa relacionada com ou agravada pela gravidez ou por medidas tomadas em relação a ela.

Larissa Claro

 

Fonte: Lista Racial

+ sobre o tema

É preciso olhar para a frente

Por: Wadih Damous   A OAB do Rio...

Projeto Incluir Direito prepara estudantes negros para escritórios de advocacia

Um conjunto de entidades lançaram nesta segunda-feira (10/3), em...

46 Assembléia Geral da OEA – Santo Domingo

A 46 Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos...

para lembrar

Diagnóstico precoce é essencial para cura do câncer de mama, diz especialista

O câncer de mama é o tipo mais comum entre as...

O contraditório discurso da TV sobre a periferia

Fonte: PANORAMA arte na periferia -       A periferia está na...

São Paulo diverso

Por: Mauricio Pestana Desde a assinatura da Lei Áurea (1888),...

Uso de algoritmos em processo seletivo de emprego pode prejudicar candidatos

As máquinas tomam mais decisões sobre as nossas vidas...
spot_imgspot_img

NOTA PÚBLICA | Em repúdio ao PL 1904/24, ao equiparar aborto a homicídio

A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns – Comissão Arns vem a público manifestar a sua profunda indignação com a...

Nota pública do CONANDA contrária ao Projeto de Lei 1904/2024

O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente – CONANDA, instância máxima de formulação, deliberação e controle das polícas públicas para a...

Marcelo Paixão, economista e painelista de Geledés, é entrevistado pelo Valor

Nesta segunda-feira, 10, o jornal Valor Econômico, em seu caderno especial G-20, publicou entrevista com Marcelo Paixão, economista e professor doutor da Universidade do...
-+=