Internautas protestam contra trabalho escravo em grife de luxo

Gregory informa que só compra “peças prontas e acabadas” de fornecedores

Por: Isabela Azevedo

 

Depois que 23 trabalhadores bolivianos em condição análoga à de escravo foram resgatados durante fiscalização em quatro oficinas de costura da Gregory, internautas têm postado mensagens no Facebook repudiando a marca.

Foi encontrada, por exemplo, uma jovem que mantinha o filho recém-nascido no colo amamentando enquanto costurava um vestido de renda. Além disso, os armários permaneciam trancados para que os funcionários não pudessem comer sem autorização.

Esses funcionários afirmaram que precisavam do consentimento do patrão para deixar o local de trabalho — o que nem sempre era permitido. Eles trabalhavam das 7h às 22h.

A Gregory foi autuada no último dia 15. Diante das constatações, a internauta Tati Nogueira não poupou a marca na perfil da Gregory no Facebook.

— Loja com suspeita de trabalho escravo não quero nem de graça!

A usuária do Facebook Aline Aguiar também se juntou ao coro.

— Decepção. Gregory produz lindas peças à custa da liberdade e da dignidade de trabalhadores. Isso é crime e quem consome produtos da marca está sendo conivente.

Outro lado

A Gregory postou uma mensagem na rede social para se justificar aos internautas e argumenta que foram as fornecedoras que praticavam o trabalho escravo e não a marca.

A nota informa que “a Gregory nunca teve qualquer tipo de relação com as oficinas mencionadas, não remete tecido para beneficiamento e não utiliza intermediários ou tomadores de mão de obra de qualquer espécie. A Gregory realiza operações puramente comerciais, comprando peças prontas e acabadas, produzidas exclusivamente por seus fornecedores. A empresa é contra qualquer tipo de trabalho em condições consideradas análogas à escravidão.”

Críticas à grife de luxo

Dezenas de internautas protestaram na página do R7 no Facebook neste domingo (27) ao lerem a notícia de que a Gregory estaria utilizando mão-de-obra escrava. Fatima Maeda postou que sempre achou a marca confiável.

— E eu que não sabia disso… Perderam uma cliente.

A técnica em vestuário Bárbara Paz ponderou que a responsabilidade pelo trabalho escravo não é da Gregory, mas das fábricas que prestam serviço para a empresa.

— Quem escraviza são os próprios donos das oficinas de costura (bolivianos) e não as grifes.

Para o funcionário da prefeitura de Diadema (SP) Ademar Oliveira, mesmo que as oficinas de costura tenham sido as responsáveis, a grife deveria ter rompido contrato com essas fornecedoras.

— Quando se contrata uma prestadora de serviço, você vai até a mesma averiguar como as coisas funcionam, creio eu. Não tem desculpa!

Trabalho escravo nas cidades

A atenção dos fiscais ao trabalho escravo em ambiente urbano tem crescido nos últimos quatro anos. Antes disso, a ação do Ministério do Trabalho estava mais focada nas áreas rurais, de acordo com o chefe da Divisão de Fiscalização para a Erradicação do Trabalho Escravo do ministério, Alexandre Lyra.

— No meio rural, a fiscalização ao trabalho escravo se desenvolve desde 1995. Já no meio urbano ela tem acontecido nos últimos anos. Não sei se, no meio urbano, o trabalho escravo tem crescido ou se a gente tem se estruturado melhor para enfrentar.

Desde 1995, mais de 42 mil trabalhadores foram libertados, segundo o Ministério do Trabalho. Ainda não há dados precisos sobre a libertação de empregados em situação análoga à de escravo em áreas urbanas.

Mas sabe-se que a construção civil é quem mais emprega pessoas nessas condições, seguida da indústria têxtil. No ano passado, o trabalho escravo em zona urbana foi muito divulgado a partir da autuação da empresa Zara. A grife de roupas espanhola mantinha fábrica com 16 trabalhadores em condição análoga à de escravo em uma fábrica na Zona Leste de São Paulo.

 

 

Fonte: R7

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