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Látex NÃO!

[Movimento Primavera Feminista] [Látex Não]

Por Rafuska Q, começou essa petição para Movimento Primavera Feminista. Do AVAAZ

(Foto: Imagem retirada do site AVAAZ)

O movimento primavera feminista começou em 2017 para dar visibilidade a uma pauta feminina pouco explorada. Os preservativos vaginais, usados tanto por mulheres cis e homens trans. Na prática, gays, travestis e mulheres trans também usam essa ferramenta de proteção à contracepção e IST’s e Hiv, mas nosso foco inicial são as mulheres cis, as que mais utilizam esse insumo na prática.

Há muitas barreiras a serem derrubadas com relação ao uso do preservativo vaginal. Entre elas estão a falta de conhecimento sobre o próprio corpo, vergonha e culpa no expressar livremente de sua sexualidade, falta de conhecimento sobre o preservativo em si.

Todos esses aspectos já tornavam a ampla utilização desse método, um desafio, mas em 2017, já no início do desmonte das políticas de direitos sexuais e reprodutivos no SUS, um golpe nos atingiu em cheio.

O ministério da saúde lança um edital para compra de preservativos vaginais que coloca o látex como possibilidade de material a ser utilizado na composição das camisinhas. O látex já configurava em outras licitações, o diferencial é que dessa vez o único critério resolutivo para a compra, passa a ser preço. Levando em consideração que o material em látex é infinitamente mais barato, não tem nem o que discutir. A partir dessa licitação, o látex passaria a ser a matéria prima dos preservativos vaginais distribuídos pelo SUS.

Assine a petição Aqui

E porque látex não ?

O látex é muito mais espesso do que os outros produtos utilizados na confecção do preservativo, o que diminui a sensibilidade da mulher.

O látex é um material extremamente alergênico que pode causar prurido e reações alérgicas. A camisinha vaginal pode ser colocada até oito horas antes da relação sexual, a camisinha de látex impossibilita isso.

O látex é inadequado para se utilizar internamente.

A mudança da qualidade do preservativo interno que está sendo atualmente distribuído na rede pública nacional já está gerando uma grave redução a adesão ao uso desse preservativo, além de estar trazendo desvantagens a saúde da mulher e seu direito a prevenção segura e prazerosa.

A troca de materiais impactou diretamente no cuidado das populações que se utilizam desse tipo de preservativo, impactando no cuidado e tornando -as mais vulneráveis as IST’s, HIV e Hepatites Virais, o que seguramente pode levar ao aumento dos casos de infecção de IST’s, HIV e Hepatites Virais onerando custos maiores, como o tratamento de infecções e agravos.

Ao sabermos disso, iniciamos uma grande mobilização que resultou em uma série de ações, incluindo a criação de um abaixo- assinado que atingiu cerca de mil assinaturas em curto espaço de tempo.

Fizemos algumas intervenções em eventos e criamos um manifesto. Participamos ainda de uma audiência pública onde expusemos todos os nossos desconfortos.

O Ministério da Saúde através do extinto DIAHV através da Dra Adele, demonstrou imensa sensibilidade. A licitação saiu e o látex não fui incluído.
A licitação foi concluída e o resultado foi satisfatório para nós mulheres e homens trans. No entanto, muito tempo depois, ficamos sabendo, que assim que a sociedade civil se desmobilizou, o ministério da saúde cancelou a licitação pelas nossas costas e abriu uma nova, onde não só o látex estava incluido, como o único critério de seleção seria o preço (como dissemos anteriomente, o látex é a matéria prima mais barata, portanto esse sendo o critério, necessariamente a empresa que ofereceu látex, foi a empresa vencedora).

Apenas uma pequena porcentagem de preservativos antialergicos foram comprados.

A propria embalagem do preservativo vaginal de latex ofertada no momento, vem com os dizeres: Pode causar alergia

Se já era difícil ampliar o uso do preservativo vaginal por questões culturais, imaginem agora, que o produto nem salutar é.

Inúmeras organizações da sociedade civil tem apontado uma queda significativa no uso do insumo, depois da mudança.

O produto, ofertado por uma empresa indiana, não apenas é feito em látex, mas também tem um formato antiergonomico (hexagonal ao invés de circular, o que causa desconforto e elimina a possibilidade de se obter prazer com o atrito do anel circular). Tem uma esponja dentro, que além de antiestetica, dificulta a colocacao interna do produto.

Quando nos posicionamos contra o produto de latex, nao imaginamos que alem da matéria prima (latex), o insumo enfrentaria tanto retrocesso na sua qualidade.

Estamos indignadas e preocupadas com o futuro da nossa saude sexual.

Rejeitamos o latex veementemente e pedimos que o ministerio da saude finalmente ouca a sociedade civil e pare de desperdiçar dinheiro publico em insumos de pessima qualidade, que não cumprem os requisitos minimos de saúde e conforto que tanto necessitamos.

Nós estamos aqui falando de vida, de autonomia sobre nossos corpos.

Estamos falando sobre respeito, cuidado, amor e prazer.

Quem nos escuta? Cadê as nossas vozes? Saúde não diz respeito apenas a sobrevivência, mas sobre respeitar, florescer, frutificar e amar.

Por isso, estamos aqui para reivindicar a supressão da aquisição de preservativos vaginais feitos de borracha natural (látex) e para apoiar a decisão do diretor do …. , Gérson, que prometeu em recente encontro com a sociedade civil que o depto se comprometeria a não mais adquirir preservativos internos de látex .

Todxs vocês, juntem‐se a nós, látex não!

Movimento Primavera Feminista – 2019

#LatexNao #PreservativoInterno #CamisinhaInterna

Apoie nosso manifesto, aderindo no link abaixo 👇🏾

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Petição Anterior: https://secure.avaaz.org/po/petition/Mulheres_Camisinha_vaginal_de_latex_nao/?pCJlab&utm_source=sharetools&utm_medium=facebook&utm_campaign=petition-449798-Mulheres_Camisinha_vaginal_de_latex_nao&utm_term=gEycbb%2Bpo
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