Lellêzinha, vocalista do Dream Team do Passinho é nomeada amiga do UNFPA para Juventude

Durante as celebrações do Dia Internacional da Juventude na semana passada (15), Lellêzinha, vocalista do grupo Dream Team do Passinho, foi nomeada “Amiga do UNFPA Brasil para a Juventude”, em reconhecimento por seu compromisso e exemplo na promoção dos direitos humanos da população jovem brasileira ao se associar à campanha “Mais Direitos, Menos Zika”.

no ONUBr

Lellêzinha recebeu a nomeação durante evento organizado pelo Sistema ONU na sede da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, na última segunda-feira (15). O encontro promoveu uma roda de conversa entre jovens lideranças de diversos estados do país com representantes das Nações Unidas.

A abertura do evento contou com uma apresentação do Dream Team do Passinho, cujo repertório musical trata de questões como igualdade de gênero e raça, fim da pobreza e das injustiças sociais. A apresentação foi encerrada com a música “Mais Direitos, Menos Zika” (ouça aqui), produzida em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

É uma honra poder contar com as vozes de jovens líderes no enfrentamento a uma epidemia que marcou profundamente o Brasil no último ano. Este reconhecimento ao Dream Team do Passinho é mais do que merecido e com ele queremos incentivar todas e todos as e os jovens a acreditar que está em suas mãos alcançar os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável para 2030”, disse Jaime Nadal, representante do UNFPA Brasil.

Todos os membros integrantes do Dream Team do Passinho receberam um diploma de reconhecimento pelo exemplo de excelência no enfrentamento à epidemia do vírus zika e na defesa dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, adolescentes e jovens.

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Jaime Nadal, representante do UNFPA Brasil, entrega diploma para Lellêzinha. Foto: UNFPA

Lellêzinha, a vocalista de apenas 18 anos, participou na roda de conversa compartilhando sua experiência de vida: “eu comecei a me interessar pelo direito de todas e de todos os jovens de alcançar seu potencial quando eu tinha 11 anos e meu interesse pelo passinho gerou muitas críticas, as pessoas diziam que passinho não era coisa de mulher”.

“Aos 13 anos, eu entendi finalmente o que era essa expressão ‘coisa de mulher’. Uma colega de escola engravidou e todo mundo a criticava. Suellen, o nome dela. Ela teve que sair da escola e até hoje cria o filho sozinha. Ela é negra, favelada, adolescente e mãe”, contou.

Após a nomeação, Lellêzinha defendeu a educação sexual nas escolas como forma de garantir os direitos sexuais e reprodutivos de todas as mulheres, adolescentes e jovens, lembrando que todas as mães adolescentes merecem ter um projeto de vida para além da maternidade.

“E quando chegarmos lá em 2030, teremos contribuído para que nossas filhas tenham mais direitos e menos zika, ou seja, menos obstáculos em suas vidas”, concluiu, emocionada.

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