Milhares de mulheres saem às ruas de São Paulo por igualdade e autonomia

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), esteve ao lado das centrais sindicais, entidades dos movimentos sociais e sindicais, organizações feministas e estudantes, na passeata que reuniu cerca de 10 mil mulheres e homens, por igualdade de direitos e contra qualquer tipo de discriminção. A caminhada se concentrou na praça da Sé, marco zero da cidade, e seguiu em direção à praça da República, percorrendo as ruas da região central.

A manifestação deste ano que, mais uma vez, reforçou a luta em defesa da autonomia, preservação da vida, combate à violência contra mulher, ganhou ainda mais força devido aos 80 anos da conquista do voto feminino. Fato que comprovou a importânica da campanha pela aprovação dos PLs da Igualdade, que tramitam no Congresso Nacional.

Como lembrou a Raimunda Gomes, a Doquinha, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB: “Nós, da CTB, que compomos o Fórum das Centrais, manifestamos nosso apoio aos 80 anos do voto feminino e queremos mais espaço de poder. Queremos ocupar os postos de comando no movimento sindical. Mulheres unidas em todos os espaços”, declarou a dirigente.

Durante as intervenções, várias bandeiras de reivindicações históricas do movimento feminista foram levantadas, entre elas, a violência que ainda assola as mulheres brasileiras “Continuamos na luta contra a violência doméstica. O governo ainda não implantou o Pacto Contra a Violência. As delegacias das mulheres têm hora para fechar, mas, a agressão contra as mulheres não tem hora para acontecer” declarou Rosina Conceição, coordenadora da União Brasileira de Mulheres (UBM).

Neste 8 de março, a campanha de combate à violência contras as mulheres brasileiras norteou as falas. A deputada Leci Brandão (PCdo B-SP), fez a pergunta principal: “Onde estão as delegacias especializadas para as mulheres em São Paulo?” . E ainda ressaltou que as mulheres que não estão na luta é porque já foram mortas pela violência que ainda mata milhares de mulheres. “Para esse enfrentamento a necessidade de maior efetivação na aplicação da lei Maria da Penha é fundamental”, afirmou a deputada.

Os recentes casos de violência foram lembrados como o massacre do Pinheirinho onde em grande maioria mulheres foram agredidas pelas forças de repressão do Estado e a forma violenta com que o judiciário vem tratando as lutas por terra que vem ocorrendo em todo o Brasil como mencionou uma das lideres do MST Kelly: ” A justiça marginaliza os movimentos lutar não é crime, lutar por terra por moradia seja no campo ou na cidade é nossa bandeira de luta”.

Após as intervenções dos representantes dos movimentos e organizações a passeata tomou as ruas da cidade, chamando atenção de todos os que passavam para necessidade de se posicionar politicamente na sociedade,”Todos juntos homens e mulheres na luta pela conquista de uma sociedade igual e justa” declarou Doguinha .

A passeata desse ano se encerrou na praça da República e as trabalhadoras do Brasil que lutam por um país democrático e justo , deixaram o recado que não vão se calar. O calendário de lutas prossegue e a aprovação das PLs da Igualdade é uma missão de todos, como lembrou a Arlete MIranda, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB São Paulo ” A ordem do dia é divulgar e conseguir a aprovação dos PLs da Igualdade. As mulheres precisam provar dia após dia que podemos exercer a mesma função que os homens”, finalizou.

Fonte: Paula Farias – Portal CTB

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