Tag: Questões de Gênero

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Gênero e educação pós-pandemia: A questão da violência doméstica

No dia 11 de julho de 2021, a internet foi tomada pelas imagens do produtor cultural Iverson de Souza Araújo, conhecido como DJ Ivis, agredindo sua ex-esposa Pamella Holanda, na frente de seu filho e de outras duas pessoas. Apesar de toda a indignação e revolta geradas na internet pela divulgação das imagens, no dia seguinte, tivemos a triste notícia de que mais 200 mil pessoas passaram a seguir a conta do DJ no Instagram. Apenas curiosidade ou estaríamos presenciando o surgimento de mais um ídolo perverso? Não sei responder. Mas, não me causaria espanto, já que vivemos em um país onde o presidente é uma espécie de “Gru”, com seus “minions” de cercadinho e suas milícias virtuais. Em nosso país, as relações assimétricas de gênero, atravessadas por questões de raça e classe, produzem um cenário de insegurança para as mulheres, pelo simples fato de ser mulher. Em 2013, o ...

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Foto: Stock/Adobe

Outra fera ferida

I A filha Uma das sensações mais intrigantes, quando uma mulher tem oportunidade de se aventurar pelo feminismo, é ver situações, descritas em livros, notícias, relatos, desenrolando-se em sua própria vida. Localizar nossas histórias pessoais dentro de uma estrutura, até então ignorada, é causa de indignação, mas também de certo desafogo. Para contextualizar, devo dizer que fui criada por minha mãe, até os dez anos, quando esta faleceu, em 1997. A convivência com meu pai, até essa idade, não era muito frequente tampouco discutida. Encontrar meu pai duas vezes no ano e não ter com ele uma relação próxima não era uma questão ou algo a se notar, mas, ao contrário, era uma realidade bem resolvida, para meus genitores. A situação chegou, para mim, pronta, como normal, e eu, criança, também parecia não me importar com isso. Escutei muitas histórias sobre a ausência de meu pai. A maioria delas me ...

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Foto: Stock/Adobe

O que esperas de mim?

Porque uma Mulher Negra, periférica de luta e na luta tem que ser questionada a todo momento com um bombardeio de perguntas duvidosas: Você criou esse texto? Você copiou? De onde tirou essa ideia? Você se apropriou de algo alheio? Nossa que lindo, você que produziu? Como conseguiu? Como todo mito, mulheres Negras figuram um desenhar de subjetividade ligado apenas a domésticas, dançarinas, serventes, faxineiras, babás, prostitutas, mulatas, vendedoras, não desqualificando nenhuma dessas magnificas identidades, mas repensando como se dá o transpor desses imaginários.  Querer ser/viver a função de poetisa, escritora e pesquisadoras nos mostrar que romper essa lógica dói/machuca/silencia. Uma violência simbólica, contida na estrutura da sociedade ou apenas mimimi, vitimismo?  Sim, nossa escrita é contaminada por diversas narrativas que se esparramam e se misturam na trajetória de nossas vidas, nossas/suas escrevivências. Seria isso plágio?  Queria conseguir compor em versos, o que esperam de mulheres Negras, pesquisadoras, trabalhadoras, mães, ...

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Foto: Stock/Adobe

Tem mulher na roda! Gênero e capoeira

Introdução Vivemos em um país onde a violência contra a mulher é naturalizada. Culpá-la pela própria violência, como ocorre em muitos casos, é uma estratégia do patriarcado que encobre e dificulta a identificação do agressor. Em relação especificamente ao universo atual da capoeira do Brasil, um dos principais problemas é o assédio sexual, tanto dentro como fora das rodas.  Mulheres capoeiras do passado Ainda que tolerada durante a Monarquia, a partir da publicação do Código Penal de 1890, já na República, a prática da capoeira torna-se um crime. São bastante raros os processos criminais arrolados contra mulheres capoeiras. Pires (2004) busca traçar uma história social da capoeira baiana entre 1890 e 1930. Ainda que exista uma reduzida presença de mulheres (3%) entre os processados por homicídio e lesões corporais, o autor cita um processo relativo à lavadeira baiana, Maria Elisa do Espírito Santo, a qual, em 1910, estava em seu ...

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(Foto: Melanie Wasser/Unsplash)

Mulheres do Brasil divulga nota de repúdio contra feminicídios no DF

O grupo Mulheres do Brasil, liderado pela empresária Luiza Helena Trajano, publicou, nesta terça-feira (22/6), uma nota de repúdio contra os casos de feminicídio e violência contra as mulheres registrados no Distrito Federal. Dados do Painel Interativo de Feminicídio, lançado nessa segunda-feira pela Secretaria de Segurança Pública do DF, revelam que 16 mulheres foram vítimas do crime neste ano. Se comparado a seis anos atrás, este número sobe para 125. No comunicado, publicado nas redes sociais, a organização não governamental sem fins lucrativos destaca a crescente observada nas estatísticas. “Essa violência covarde tem preocupado, não só o Grupo Mulheres do Brasil, mas toda a sociedade brasileira". Segundo a entidade, a falta de políticas públicas que “assegurem a transversalidade de gênero e articulem prevenção, promoção e punição” incentivam a reprodução desse tipo de violência. Casos recentes  A cidade de Sobradinho registra o maior número de casos, sendo que dois deles ocorreram na semana passada. Na quinta-feira ...

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Betty (Foto: Reprodução/HBO)

6 motivos para maratonar Betty, série da HBO sobre mulheres skatistas

Escondida no catálogo do streaming HBO Go e, possivelmente, pouco conhecida pelo público brasileiro, Betty é uma incrível, necessária e divertida série da HBO, protagonizada por cinco mulheres skatistas.  A série de Crystal Moselle, baseada no filme da showrunner Skate Kitchen(2018), acompanha um grupo de cinco mulheres, que se tornam melhores amigas ao longo dos episódios. Todas as personagens são unidas por uma paixão em comum: o skate.  Ambientada em Nova York, Kirt (Nina Moran), Janay (Dede Lovelace), Honeybear (Kabrina Adams), Camille (Rachelle Vinberg) e Indigo (Ajani Russel) embarcam em uma luta necessária para que as mulheres se sintam confortáveis nas pistas de skates da cidade - espaços majoritariamente ocupados por homens. Com a chegada semanal da segunda temporada da série na HBO e no HBO Go, listamos seis motivos para maratonar os primeiros episódios de Betty- e acompanhar o desenrolar dessa incrível história: Totalmente centrada em mulheres Vale ressaltar: toda a narrativa de Betty é centrada nas mulheres e nas questões cotidianas enfrentada pelas cinco skatistas. Não há foco em narrativas de ...

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Neon Cunha (Foto: Keiny Andrade/UOL)

Pelo direito de existir

"Uma vez que as pessoas fazem questão de reafirmar quando é que você transicionou, colocam para a gente a pauta da transição, eu coloco sempre que é sobre percebimento. A transição é secundária quando você percebe que é a sua condição e quem é você no gênero. Então nas minhas palavras Neon Cunha é uma mulher negra, ameríndia e transgênera, na ordem de percebimento e de importância. Sou uma mulher de 51 anos tentando entender o que foi reservado para mim no mundo. A minha mãe demorou para me dizer, mas ela sempre quis ter uma filha e hoje diz que fiz jus ao desejo dela, que foi atendida. É um processo muito importante para mim porque também tem a dor de uma outra mulher. Fiz também o pedido de morte assistida com 44 anos porque eu não tinha mais nada a ganhar ou a perder. É muito pesado ter ...

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Rita de Cássia em um dos encontros que ela organiza para falar com as mulheres sobre a violência contra a mulher e seus direitos
(Foto: Arquivo pessoa)

Sem absorvente e com tabu

“Eu menstruei com 11 anos, só que quando isso aconteceu, eu pensei que estava morrendo, porque eu não sabia o que era exatamente aquilo. Estava no banheiro achando que estava morrendo, e lembro de gritar para minha mãe: ‘Mãe, eu estou morrendo!’, e ela respondeu: ‘Não menina, apenas desceu para você’'' , conta Rita de Cássia. Mulher, mãe solo, indígiena, professora da rede pública e uma simpatia de pessoa. Essas são as características marcantes de uma mulher que desde jovem é atraída por debates e pautas político-sociais, envolvendo os desfavorecidos da sociedade. Rita nasceu e cresceu em São Paulo, formou-se em Pedagogia e, durante muito tempo, lecionou Filosofia, História e Sociologia em instituições do Estado. A professora engravidou logo no início de sua faculdade. Conciliar maternidade e estudo não foi fácil, mas foi um desafio que Rita decidiu encarar de cabeça erguida. “Já cheguei a levar meu filho escondido para ...

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Vera Iaconelli (Reprodução/Facebook)

Denegrir a psicanálise brasileira

Você assistiu a minissérie "Roots", de 1977, e chorou quando o jovem Kunta Kinte foi capturado por traficantes de negros ou quando teve parte do pé amputado para não fugir? Sentia-se indignado com a violência e arbitrariedade do apartheid na África do Sul, torcendo pela liberação de Mandela? Nessa época, enquanto o mundo se digladiava entre raças e etnias, nós brasileiros nos orgulhávamos de estarmos juntos, um só povo. Conhecíamos a ditadura, a pobreza, o analfabetismo, a morte por doenças já erradicadas e a falta de saneamento básico, mas tínhamos um consolo: éramos miscigenados e cordiais. Eis que inventaram de importar dos Estados Unidos essa ideia de que no Brasil também havia racismo, eclipsando nossa maior qualidade. Machistas, tudo bem, mas racistas!? Nós, psicanalistas brasileiras, líamos Simone de Beauvoir, Luce Irigaray, Karen Horney e Julia Kristeva e nos sentíamos representadas pelo feminismo, pela recusa à primazia do falo e da inveja do pênis. No entanto, fizeram questão ...

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(Reprodução/Getty Images)

Dia Internacional contra a LGBTfobia

O dia 17 de maio é reconhecido como o Dia Internacional contra a LGBTfobia porque foi em 17 de maio de 1990 que a Organização Mundial da Saúde (OMS) deixou de considerar a homossexualidade como sendo uma patologia, visto que até essa data a mesma era encarada como distúrbio mental. Contudo, hoje, 31 anos depois ainda temos que reafirmar isso diariamente, o fato da homossexualidade ter deixado formalmente de ser tida como uma doença ainda não é suficiente para que a população LGBTQIAP+ possa ter uma vida sem preconceitos e discriminações. A vida média de uma pessoa trans no Brasil é de apenas 35 anos, ou seja, menos da metade da expectativa geral. Uma boa parcela das pessoas transexuais está à margem do mercado formal de trabalho e têm como única fonte de renda a prostituição, o que aumenta ainda mais o risco de morte e a discriminação. Pessoas cis ...

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Seis mulheres foram mortas em apenas cinco semanas na Suécia, país elogiado por sua igualdade de gênero; algumas mulheres ouvidas pela BBC dizem que não se sentem seguras nas ruas (Foto: Imagem retirada do site BBC)

Violência contra mulheres: como a ‘segura’ Suécia enfrenta onda de assassinatos

Seis mulheres foram mortas em apenas cinco semanas na Suécia, reacendendo debates sobre violência doméstica em um país geralmente elogiado por sua igualdade de gênero. As mortes aconteceram em três regiões diferentes e abrangeram três gerações, mas em quase todos os casos houve um traço comum: a prisão de um homem com quem elas tinham um relacionamento próximo. Dois dos assassinatos ocorreram em plena luz do dia: um no centro de uma cidade rural no sul do país e outro numa estação ferroviária e rodoviária em Linkoping, uma cidade universitária ao sul da capital sueca, Estocolmo. Em Flemingsberg, um subúrbio de Estocolmo de baixa renda repleto de blocos de prédios coloridos, uma mulher foi esfaqueada no apartamento que dividia com quatro filhos pequenos. O homem preso sob suspeita de seu assassinato é alguém que ela conhecia bem. 'Não me sinto tão segura' "Eu acho que essa violência contra as mulheres ...

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Carey Mulligan em Promising Young Woman. (Foto: Divulgação/IMDb)

Promising Young Woman e a Blindagem dos Engravatados

Dificilmente, e é uma tristeza imensa reconhecer esse fato, haverá uma mulher que não tenha sofrido algum tipo de assédio sexual na vida. Seja ao pegar uma condução, seja ao beber um pouco mais em uma festa, seja de forma escancarada ou sutil, mulher nunca tem paz. O medo do assédio é um sentimento que homem algum vai compreender. Nesse contexto, Promising Young Woman é um filme que resume de forma riquíssima a tragédia e a ruína que um assédio sexual e um estupro pode ocasionar na vida de uma mulher, tragédia essa que a sociedade faz questão de ignorar e esquecer. O título em português é muito impróprio e uma péssima escolha. Foi uma escolha muito infeliz dos estúdios que distribuem o longa no Brasil, reforçando o estereótipo da mulher vingativa e louca, em total oposição à intenção de Emerald Fennel, diretora e roteirista do longa. A partir da ...

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Mulheres indígenas do Movimento das Mulheres Guarani Kaiowá kunhangue Aty em manifestação contra a violência (Foto: Imagem retirada do site O Globo)

‘Na pandemia, esqueceram de proteger as mulheres indígenas’, diz professora sobre violência doméstica nas aldeias

A falta de dados estatísticos e de políticas públicas efetivas dentro da Lei Maria da Penha são fatores que favorecem a invisibilização dos casos de violência doméstica contra mulheres indígenas. Sem a atuação expressiva das autoridades governamentais, movimentos independentes lutam contra o feminicídio e pelos direitos básicos das indígenas. A professora e ativista Kunha Poty Rendy, que atua no movimento das mulheres Guarani Kaiowá kunhangue Aty, do Mato Grosso do Sul, é uma das responsáveis por mapear e promover rodas de conversas sobre o assunto em 15 aldeias do estado. Integrante do movimento desde 2006, ela não imaginava que o aprendizado sobre como buscar ajuda em casos de violência poderia, um dia, valer tanto para si. Há exatos oito anos, Kunha Poty Rendy sofreu as primeiras agressões físicas e psicológicas, que culminaram na tentativa de feminicídio pelo seu ex-companheiro, com quem tem um filho de 9 anos. Hoje, ainda sob constantes ...

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Foto: Valdecir Galor/SMCS

As mulheres estão no centro da crise humanitária da pandemia

A análise do movimento do mercado de trabalho em 2020, marcado pela pandemia, aponta que as maiores perdas estão relacionadas às mulheres. Elas formam a maioria no mercado de trabalho (53%), mas são as que amargam uma maior participação no desemprego atualmente (64,2%), segundo o IBGE. Apesar de mascarar a realidade com critérios que podem subnotificar a realidade, a PNADC (Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar Contínua) traduz em números, pelo menos parcialmente, as dificuldades atuais encontradas por elas, e que antecipam os efeitos diretos sobre a sociedade em geral. O grupo de economistas reunidas no Núcleo de Pesquisas de Economia e Gênero da FACAMP (NPEGen) se debruçou sobre os números de 2020 e descreve os detalhes da crise humanitária que tem um perfil essencialmente feminino. A vulnerabilidade social teve início na falta da rede de apoio que as mulheres poderiam contar para poder assumir postos de trabalho fora de casa. ...

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Mayara Silva de Souza (Foto: Enviada ao Portal Geledés pela autora)

As últimas depois de ninguém: meninas em privação de liberdade

Início este texto agradecendo todas as mulheres, especialmente às mulheres negras, que vieram antes de mim, e também aquelas com as quais andamos juntas e às que estão por vir. Para além de março e da luta, desejo que tenhamos ar para que, depois desta longa ausência de motivos, possamos sorrir juntas e com tantas outras. Junto às mulheres “livres” que me inspiram quero referenciar as mais de 200 meninas e mulheres em privação de liberdade que, por meio do Sarau Asas Abertas, desde 2012 me ensinam sobre o que significa na prática ser um ser humano cada dia melhor, sem vocês minha prática feminista seria ainda mais falha e incompleta, pois enquanto vocês não forem “livres” não será completa. Mundialmente março é um mês marcado por muitas comemorações e celebrações às mulheres, mesmo com altos números de violência doméstica, feminicídio, desigualdade de salários e de direitos, muitas flores e ...

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Agência Brasil/EBC

Mulheres pretas

Conversar com a atriz Ruth de Souza era como viver a ancestralidade. Sinto o mesmo com Zezé Motta. Sua fala, imortalizada no filme "Xica da Silva', tece ventos que suavizam nossa face. Há coisas que marcam a existência, e sutilezas, como delicado palimpsesto, tatuado em camadas na nossa memória e nossa pele. Vai um caso. Em 2020, minha neta Alika, hoje com três anos, foi "pega" pela mãe batendo panelinha da janela da casa onde mora, no bairro do Méier, no auge dos protestos contra Bolsonaro (me recuso a chamar de presidente). A precocidade está no sangue das mulheres pretas. E não se aplica só a Alika, mas a todas as mulheres. Elas combateram à escravidão, de dentro da senzala e da casa-grande, onde já se perpetravam estupros coletivos, e, na resistência, o feminicídio. Na luta das letras, nada justifica o apagamento de Maria Firmina dos Reis e Carolina Maria ...

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(Foto: @EZEKIXL/ Nappy)

Representatividade na propaganda ainda está longe do ideal, diz pesquisa da ONU Mulheres e Heads Propagands

O cenário de polarização e a legitimação de discursos que diminuem, desvalorizam e esvaziam pautas identitárias, de raça e de gênero se refletem na publicidade. É o que mostra a 9ª onda da pesquisa TODXS, um estudo desenvolvido pela ONU Mulheres e pela Heads Propaganda, viabilizado pela Aliança Sem Estereótipos, movimento que visa conscientizar anunciantes, agências e a indústria da propaganda em geral sobre a importância de eliminar os estereótipos nas campanhas publicitárias. Desde a primeira edição do estudo em 2015 até agora, já foram avaliadas 22.253 inserções de comerciais de televisão e 5.769 posts no Facebook. Se havia um movimento para que essa comunicação das marcas pudesse desconstruir imagens e padrões que estimulam violências físicas, simbólicas ou morais, o momento atual é de retrocesso e estagnação. O levantamento tradicionalmente mapeia como gênero e raça são representados pela publicidade brasileira e este ano traz dados inéditos sobre a representação de ...

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“Não aceitamos ganhar menos”, diz coletiva negra em carta aberta

“Nosso posicionamento é objetivo: as mulheres negras não aceitam ganhar menos que qualquer pessoa que desempenhe as mesmas profissões, cargos e funções”. É o que diz um dos trechos da carta aberta sobre a desvalorização do trabalho de mulheres negras ‘Não aceitamos ganhar menos‘, organizado pela Coletiva Negras que Movem. Lançada nesta quarta-feira (30), a carta tem como objetivo jogar luz à histórica desigualdade salarial entre brancos e negros, principalmente no que diz respeito ao trabalho desenvolvido por mulheres pretas e pardas. “Com Mãe Stella aprendemos que as pessoas não valem pelos cargos sociais ou postos religiosos que possuem, mas sim pelo simples fato de existirem. As mulheres negras não só existem, como movimentam R$ 704 bi por ano na economia brasileira”, aponta um trecho. A coletiva é formada por 23 mulheres negras contempladas pelo Programa de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco, do Fundo Baobá, que ...

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Debora Diniz pesquisa o aborto no Brasil há 25 anos Foto: Arquivo Pessoal

Debora Diniz: ‘A criminalização do aborto mata, persegue e não reconhece a capacidade de escolha das mulheres’

O aborto não saiu do debate público desde que o caso da menina do Espírito Santo, grávida aos 10 anos de idade após ser estuprada por um tio, veio à tona no mês passado. A pressão sofrida pela criança para manter a gravidez, mesmo tendo o direito legal de interrompê-la, e as cenas de extremistas religiosos em frente ao hospital onde ela seria atendida a chamando de assassina geraram revolta. Pouco tempo depois, a mobilização se voltou para a uma portaria editada pelo Ministério da Saúde que dificultava o acesso ao aborto legal em caso de estupro ao obrigar os profissionais de saúde a notificarem à polícia ao acolher mulheres vítimas de violência sexual e a informarem a gestante sobre a possibilidade de visualização do feto por meio de ultrassonografia. A medida foi imediatamente repudiada por uma série de especialistas em direitos reprodutivos e representantes do movimento de mulheres, e ...

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A primeira turma de medicina da federal do Recôncavo teve 12 alunos negros, cerca de 40% do total dos formandos - Arquivo pessoal/Imagem retirada do site Folha de São Paulo

Homem branco com ensino médio privado e superior público tem renda maior

Fazer ensino médio em escola privada e universidade pública, realidade de uma minoria de brasileiros, resulta em salários maiores no futuro. Mas a vantagem não é proporcional entre todos os formandos dessas modalidades de ensino mais valorizadas, aponta estudo do Insper. Mesmo entre aqueles que cursaram o ensino superior público, um homem branco chega a ganhar em média quase 160% a mais do que uma mulher negra (considerando a soma de autodeclaradas pretas e pardas). E esse diferencial não está ligado somente à escolha de cursos, já que mesmo dentro de uma mesma profissão a vantagem dos homens brancos se mantém. Entre médicos que se formaram em universidade pública, por exemplo, um homem branco ganha em média R$ 15,1 mil, um homem negro R$ 10,6 mil, uma mulher branca R$ 6,6 mil e uma mulher negra R$ 6,4 mil. “Há uma estratificação bem clara: quem mais ganha é o homem branco, ...

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