sábado, dezembro 3, 2022
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O Ministério Público Federal encaminhou denúncia de racismo contra Clovis Saraiva professor da UFMA

O Ministério Público Federal encaminhou à Justiça, na última segunda-feira (19), uma denúncia de racismo, xenofobia e injúria racial contra o professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Clóvis Saraiva. Nesta quarta-feira (21), o professor negou as acusações.

Clóvis Saraiva começou a ser investigado pela Polícia Federal em julho do ano passado a pedido do Ministério Público. O relatório da Polícia Federal foi entregue ao Ministério Público no dia 28 de fevereiro de 2012.. A vítima é um estudante do curso de engenharia química da UFMA, o nigeriano Nuhu Ayuba. “Ele me perguntava com quantas onças eu já tinha brigado lá na África”, relatou o universitário.

Outros alunos confirmam a versão do nigeriano, dizendo ter presenciado várias outras situações. “Se você não sabe, pode voltar para a África de navio negreiro”, afirmou Ila Nascimento, colega de Ayuba. Outra estudante é ainda mais contundente. “A gente começou a se passar por plateia de um professor fazendo o seu show”, complementou Marenildes Olveira. O professor nega as acusações. ” Lamento. Não tive nenhuma atitude preconceituosa, já tive diversos alunos de etnia parda e outras, procuro tratar todos bem, como sempre tratei ” disse.

O caso ganhou repercussão nacional e foi divulgado em julho do ano passado pelo Jornal da Globo.

O estudante até pensou em abandonar os estudos. Mas com o apoio dos colegas, Nuhu Ayuba decidiu ficar no Maranhão e processar o professor universitário. O caso foi tratado como racismo pelo Ministério Público Federal. “Esse delito tem pena de um a três anos, mas como ele praticou várias vezes durante o primeiro semestre de 2011, essas penas serão somadas, podendo levá-lo até a aplicação de regime fechado”, explicou o procurador da República, Israel Santos Silva.

Uma prova do universitário chegou a ser corrigida pelo professor Clóvis com o termo “Tudo Errado”. O teste foi encaminhado para três professores de outros estados. Por questões éticas, os educadores não quiseram ser identificados. Mas todos encontraram pelo menos uma questão correta respondida pelo nigeriano. E um desses professores chegou a dar nota oito para o teste.

A UFMA informou que abriu um processo displinar para apurar o comportamento do professor. Enquanto isso, o professor Clóvis Saraiva continua dando aulas normalmente na instituição. Com a situação, o nigeriano diz esperar por justiça. “Espero que outros não passem pelo mesmo preconceito que passei”, finalizou o universitário.

 

 

Fonte: G1

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