O nascimento do coletivo ‘Judias e judeus com Lula’

É importante frisar: nós não possuímos nenhuma intenção, ambição ou desejo de representar a comunidade judaica brasileira. Nós representamos somente a nós mesmos, judias e judeus que apoiam Lula. E assim, com alegria e esperança esperamos realizar um evento memorável, que mostre-se como um passo importante no árduo caminho de reorientação do Brasil em direção à igualdade, à tolerância e ao respeito ao próximo.

Por Jean Goldenbaum, do Brasil 247

Lula (Foto: Ricardo Stuckert)

Quando em novembro de 2019 ocorreu a soltura do Presidente Lula, parte de nós judeus sentiu a necessidade de manifestar apoio a ele. Conscientes de que mesmo em meio a judeus que se opõem veementemente a Bolsonaro, há também quem rejeite qualquer apoio a Lula, concluímos que unir os judeus da Resistência pró-Lula era algo necessário, oferecendo uma opção fundamental à parcela de judeus que assim se direcionam.

Inicialmente produzimos então um documento simples, direto e objetivo, intitulado ‘Carta de judias e judeus de apoio ao Presidente Lula’, no qual manifestamos nossa convicção de que Lula – independentemente de erros e acertos em sua trajetória política – é acima de tudo um símbolo da Democracia, da Justiça Social e dos Direitos Humanos na história brasileira, conceitos hoje tão frágeis e ameaçados no país.

Criamos então um grupo de Facebook para coletar as assinaturas. Em poucos dias reunimos as primeiras centenas e compreendemos que este número não pararia de crescer por um bom tempo. Com o sucesso do grupo e o entusiasmo das pessoas envolvidas, desenvolveu-se a ideia de entregarmos o documento em mãos ao presidente. Assim, o grupo formado inicialmente para controlar as assinaturas da carta, evoluiu a um coletivo, nomeado ‘Judias e Judeus com Lula’, que pretende seguir com suas atividades, acompanhando a trajetória política de Lula no futuro, e colaborando como puder.

Pois bem, no momento em que a ideia de entregarmos a carta a Lula estava prestes a se concretizar, ocorreu o hediondo episódio do discurso nazista do então Secretário de Cultura. Tal acontecimento potencializou o encontro que teríamos com o presidente, transformando-o em não somente em uma entrega de carta, mas em um evento que protestará a ameaça nazista que assola o país. Entendemos que tal ameaça não se direciona unicamente aos judeus, mas também contra diversas outras minorias, e o âmago de nossas convicções nos impede de fechar os olhos a quaisquer grupos que estejam em perigo, sejam judeus ou não.

O evento reunirá hoje alguns dos principais nomes do cenário político brasileiro e diversas personalidades da comunidade judaica, que representarão variadas áreas da sociedade. Estão convidados também representantes de outros grupos minoritários não-judeus, afinal acreditamos estarmos todos juntos nesta luta contra o extremismo.

Em meio a depoimentos, música e poesia, entregaremos finalmente a carta a Lula, e esperamos deixar registrado o fato de que a comunidade judaica – sendo plural como o é –, possui também uma relevante parcela dos que veem em Lula uma grande esperança na construção de uma oposição política que possa combater o governo do mais destrutivo presidente que já esteve à frente do país.

Por fim, é importante frisar: nós não possuímos nenhuma intenção, ambição ou desejo de representar a comunidade judaica brasileira. Nós representamos somente a nós mesmos, judias e judeus que apoiam Lula. E assim, com alegria e esperança esperamos realizar um evento memorável, que mostre-se como um passo importante no árduo caminho de reorientação do Brasil em direção à igualdade, à tolerância e ao respeito ao próximo.

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