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O negro no mercado de trabalho

O negro no mercado de trabalho

Há quase 30 anos, mais exatamente em 1986, eu lançava a minha primeira publicação com foco na questão racial, em parceria com o historiador Clóvis Moura. A cartilha ‘O negro no mercado de trabalho’ foi um marco para a época, pois era a primeira publicação pós ditadura que ousava questionar a discriminação que a população negra vivenciava cotidianamente no mercado de trabalho em nosso país.

Por Maurício Pestana Enviado para o Portal Geledes

O livreto entraria para história por ter sido publicado por um órgão governamental, o Conselho da Comunidade Negra de São Paulo. Era a primeira vez que um governo brasileiro admitia o problema. Das lembranças que trago daqueles tempos de forte crise política e econômica, com greves, demissões em massa e alta de inflação, está uma pesquisa que apontava que, no cenário de crise no Brasil, os primeiros a serem demitidos eram os negros e, quando a economia voltava a crescer, os últimos a serem incorporados.

Nesses 29 anos, muitas coisas mudaram na vida dos negros brasileiros. Pesquisas apontam que terminamos o século 20 ocupando apenas 2% dos bancos das universidades, mas hoje ocupamos mais de 20%. Naquela época, menos de meia dúzia de empresas tinham programas de ação afirmativa e, hoje, dezenas delas investem em políticas de inclusão e diversidade.

A Prefeitura de São Paulo, por exemplo, por meio de seu programa de cotas, já empregou mais de mil servidores negros, mostrando que os avanços obtidos principalmente nos últimos governos de esquerda com foco no social impactaram – e muito – a vida dos negros no Brasil. Graças a programas como o Prouni (Universidade para Todos), implantado em 2005 pelo governo federal, e à reserva de cotas raciais nas universidades federais, entraram mais negros no ensino superior neste início de século do que em toda a história da educação no país.

A grande pergunta que me faço é: que impacto terá a atual crise econômica nesta parcela que mais cresceu em educação e economicamente nesta década e meia de século? Será que um melhor preparo educacional será capaz de barrar o racismo no mercado de trabalho brasileiro em tempos de crise?

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